quarta-feira, 28 de março de 2012

É o SIS quem arma os cassetetes da PSP

Há anos que tento alertar neste blogue para o perigo em que os serviços ditos «de informações» se tornaram. Como o seu pessoal cresceu, ao ponto de ultrapassar largamente a PIDE dos anos 40. Como foram promovidos financeiramente por todos os governos desde Durão Barroso. Os acordos internacionais que celebraram para traficar os nossos dados privados. Os delinquentes pidescos que se sabe lá existirem. Como é eleito para os fiscalizar quem promete não os fiscalizar. Como a própria Assunção Esteves impede que se saiba o que se passa. Como há indícios de tortura, que nenhum jornalista investiga. E a escandalosa campanha de anos pela alteração da Constituição para poderem legalmente escutar as nossas conversas telefónicas e vigiar-nos por GPS. Durante anos, ninguém reagiu. Depois do «caso Bairrão» e de se colocar o foco num duvidoso personagem chamado Silva Carvalho, a atmosfera começou a mudar.

O Diário de Notícias de hoje traz um artigo precioso (infelizmente, só disponível na íntegra na edição em papel). Lá se lê como os paranóicos do SIS inventaram um cenário apocalíptico para acirrar a PSP, que incluía «ruas ocupadas e barricadas (...) cocktails molotov (...) ataques a bancos e ministérios». E quem são os perigosíssimos «anticapitalistas» que eles detectaram nas suas lindas buscas de Google? Os temíveis «terroristas» diletantes do RDA 69 e até... grupos de ciclistas («Bike the Strike», então, é bué ameaçador). O relatório dos imbecis do SIS foi distribuído à PSP. O resultado está à vista nas cabeças partidas do Chiado e nos jornalistas agredidos que fizeram capa em sites de jornais estrangeiros. Mas, claro, não os podemos responsabilizar: eles só fizeram um relatório. Macedo e os seus capangas engoliram-no como a verdade «revelada». E não podemos ler o relatório (embora o PCP faça bem em tentar): é secreeeeeto. Não podemos sequer saber se os funcionários do SIS são formados em alguma área com um mínimo de treino para o rigor analítico, ou se são realmente a corja de alucinados fascistóides que a opinião pública começa a conhecer como os que tomam ovos podres por cocktails molotov. Se Macedo e a PSP continuam a confiar nesta escumalha, antes do final do ano haverá mortos nas ruas. E o SIS sacudirá a água do capote.

Há muito que defendo que a única boa solução para a democracia é extinguir o SIS e o SIED. E já é tarde.

Apontamento final: a notícia do DN é de Valentina Marcelino, que tem um passado de trocas de favores com os «secretitos» (chamar-lhes «comunidade da inteligência» faz perguntar o que se deve chamar à estupidez). A notícia pode ser destinada a atingir alguém do SIS, mas o relatório deve existir.