quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Regresso à Pátria

Manuel Alegre usa a palavra pátria. Não me incomoda nada, porque percebo que se refere a uma comunidade de Direito, valores cívicos e interesses, historicamente consolidada, e inclusiva (ver a defesa que faz de uma lei da nacionalidade baseada no direito de solo). Aborrece-me mais o europeísmo de outros candidatos, porque (esse sim) é provinciano (imagina que lá fora tudo é melhor), ingénuo (não vê que a UE não é o fim da história) e incondicional (apoia o projecto europeu quer este seja laico ou confessional, democrático ou não).
O posicionamento desempoeirado e descomplexado de Manuel Alegre na política internacional (e é isso que a política europeia continua a ser) constitui uma grande novidade desta campanha e permanece uma das melhores razões para votar nele. Mas gostaria de ver um pouco mais de ousadia e ambição...

10 comentários :

Filipe Moura disse...

Toma la, Ricardo:

http://estadocivil.blogspot.com/2005/12/quadrado.html

(E nem tudo e melhor ca fora. Nao se arranja bacalhau, cabrito assado ou pasteis de nata como em Portugal.)

Pedro Viana disse...

'posicionamento desempoeirado e descomplexado'

Mas que posicionamento? Que ideia tem Manuel Alegre sobre o modo como a sua 'pátria' deve interagir com outras 'pátrias', nomeadamente as europeias? Manuel Alegre concorda ou não com a existência de uma associação de 'pátrias europeias', através da qual partilham soberania, a.k.a. União Europeia? Se sim, que competências devem ser partilhadas?... Manuel Alegre dizer 'pátria' tem tanto de 'provinciano (imagina que cá dentro tudo é melhor) e ingénuo (não vê que a 'pátra' não é o fim da história) como os outros dizem 'europa'. Manuel Alegre prima pela ausência de qualquer ideia clara sobre o que seja, tal como Cavaco, resumindo-se as suas candidaturas a repetir umas palavras-chave. Alguém votar neles é dar um cheque-em-branco, é votar na imagem em vez das ideias.

Ricardo Alves disse...

Filipe,
esse indivíduo que escreve no «Estado Civil» tem piada; mas as análises são um «nadinha» superficiais.

Pedro,
eu realmente gostaria que Manuel Alegre fosse mais claro e veemente. No entanto, é o único candidato que tem deixado claro que para ele o interesse nacional está acima do «projecto europeu» (até Louçã já é pró-euro no momento em que escrevo...). E, num país de nacionalistas europeus, isso é precioso.

Anónimo disse...

Infelizmente o Manuel Alegre é uma nódoa. Ontem no debate com Soares afirmou que um presidente não pode ser neutro e não pode tratar da mesma forma aqueles que o elegeram, a Esquerda, e os outros.
Só falta o regresso às perseguições políticas.

Ricardo Alves disse...

Caro «The Studio»,
tenha lá paciência, mas, vindos de si, os seus comentários até são elogios ao Manuel Alegre. ;)

Pedro Viana disse...

"Manuel Alegre(...) é o único candidato que tem deixado claro que para ele o interesse nacional está acima do «projecto europeu» (até Louçã já é pró-euro no momento em que escrevo...)."

Jerónimo de Sousa, e o PCP, defendem e sempre defenderam de modo muito mais veemente e clara do que Manuel Alegre o interesse de Portugal sobre o interesse da Europa. Basta olhar para declarações públicas e votos no Parlamento. E depois há que distinguir entre "europaístas": há os que como Louçã defendem que o interesse de Portugal, como país e comunidade com características próprias, é melhor defendido pugnando por uma Europa solidária, e é por isso que defende o euro, porque entende que o interesse de Portugal seria prejudicado se ficasse fora do euro, mesmo com o Pacto de Estabilidade; e há os "europaístas" que o são porque ou se sentem mal em Portugal, ou por interesse próprio, nomeadamente aqueles que beneficiam directamente do facto da UE actualmente obrigar a implementar uma política neoliberal nos pa íses membros, caso a UE mudasse de rumo era vê-los rapidamente a clamar pela "pátria".

Ricardo, parece-me que decidiste apriori, talvez porque Manuel Alegre se candidatou sem o apoio dum partido, num acto de coragem, que Manuel Alegre há-de ter qualquer posição política que o distingua e valorize perante os outros candidatos, justificando melhor o voto nele. Pura ilusão. Votar em Manuel Alegre é inútil: não marca uma posição política - voto em Louçã e Jerónimo; não ajuda a derrotar Cavaco - levando Soares à segunda volta. Manuel Alegre não tem qualquer chance de ganhar a Cavaco: suficientes eleitores do PS não votariam nele, levando-o à derrota.

Anónimo disse...

Caro Ricardo, eu limitei-me a citar o Manuel Alegre. Acaso ele não disse isso? Ou concorda com o que ele disse?

Ricardo Alves disse...

«The Studio»,
o Manuel Alegre não disse que perseguiria ninguém.

The Studio disse...

O Alegre não falou em perseguições. Disse apenas que não poderia tratar da mesma forma os Portugueses de Esquerda que o elegeram (afinal a candidatura não era transversal?) e os Portugueses de Direita. Isto já é aceitável?

Luis M. Jorge disse...

Não me convence, Ricardo. Além das palavras de boca cheia como essa "Pátria", Alegre diz tão pouco como Cavaco, e aquela história de não votar o orçamento caiu mal. O perfil de homem "anti-aparelho" também é caso para umas boas gargalhadas. E de resto, tudo naquela candidatura parece uma enorme birra contra Soares. Não é que eu apoie o Soares - não gosto nada dos soaristas, principalmente da Amaral Dias. Escusávamos era de assistir a estes tristes espectáculos de gente que tem idade para saber melhor.