quinta-feira, 4 de abril de 2013

Os aristocratas do comentário político

Houve um certo estrépito com a passagem ao comentário político do anterior Primeiro Ministro, um tal José Sócrates. Debateu-se se tem direito ao seu programazito de comentário político, e se tem direito na RTP ou nos canais já privados, etc. Combatendo o sono que o senhor e os outros personagens de cima me provocam quando falam a solo, há algo que acho importante acrescentar.

Em curto: o problema não são os personagens, é o formato.

Em longo: há uma péssima tradição nos media portugueses, a dos programas de «comentário político» sem contraditório. Colocar todas as semanas ex-líderes partidários como Marcelo, Marques Mendes ou Louçã perante um(a) jornalista que irradia simpatia e «respeito» pelo personagem, é colocá-los num pedestal que até pode permitir (os adversários garantem que permite) lançarem-se para outros voos. E é pouco republicano. Um debate republicano não é dois padres alternarem nos dias em que dizem a missa(*) (como parece ir acontecer na RTP com Sócrates e Morais Sarmento). Um debate republicano é o confronto de opiniões contrastantes (como acontece nos programas de debate que juntam, felizmente, políticos ou comentadores de opiniões assumidamente contrárias).

(*) Para aqueles que (como eu) têm pouca cultura católica, recordo que nessa igreja a missa se caracteriza por o sacerdote falar do princípio ao fim sem interrupção e muito menos debate. E aos católicos recordo que não é assim em todas as igrejas.

1 comentário :

  1. Deviam trazer para cá aquela rapariga da MSNBC, a Soledad O'Brien e iriamos ver então esses aristocratas encostados às redes a levarem com o chicote.

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