quinta-feira, 31 de julho de 2008

o palhaço rico e a palhaça pobre

tal como apostado há algumas horas numa das nossas caixas de comentários, cavaco falou à nação sobre... NADA. pelo menos nada que justificasse toda a produção mediática em torno do evento --- nem de perto nem de longe! com isto, perdeu toda a (pouca) credibilidade que tinha para falar de assuntos "sérios".

mas a parte mais cómica deste circo foi que, do meio de um nevoeiro de meses, surgiu... ferreira leite! plim! nunca tendo nada de nada para dizer sobre os assuntos relevantes do país, ferreira leite interrompe um silêncio duradouro para comentar o discurso de cavaco ---sobre nada--- e ela mesma acrescentar... MAIS NADA!

o vazio intelectual desta gente é maior que o big void!

Apontamentos sobre a última produção de propaganda do Governo

  • «Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. (...) Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido. A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, (...) já está à venda na Índia e Inglaterra. (...) O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida em Portugal sob licença da Intel, uma história bem distinta da habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico. Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. (...) A guerra de Intel é outra (...) : espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. (...)» (Pedro Sales no Zero de Conduta)
  • «Este computador ultraportátil já está à venda em vários países, inclusivamente o Brasil, mas nem sempre é conhecido pelo mesmo nome. A ideia não é portuguesa, mas irá dar postos de trabalho na montagem dos componentes. Também permitirá manter bem viva a acção das empresas de comunicações, que irão fazer mais alguns milhares de contratos de acesso a Internet. São 500 mil portáteis disponíveis para as crianças dos seis aos dez anos. (...) Garantida a distribuição de 500 mil computadores, resta saber em que condições isso irá ser feito, uma vez que também foi anunciada a parceria com a Vodafone, Optimus e TMN. (...) Ou seja, os 0 euros, 20 euros e 50 euros de custo (consoante o apoio social) poderão estar ligados a um contrato de fidelização à empresa de telecomunicações devido ao acesso à Internet. Esse dado não foi revelado, mas caso se confirme levará as famílias a despender mais de uma dezena euros durante vários meses (possivelmente 36). (...) José Sócrates pretende exportar este produto, se possível para a América Latina, África ou Europa, mas isso só será possível depois da concepção para Portugal. Segundo Craig Barrett, presidente do Conselho de Administração da Intel, em declarações à SIC, existem outros países interessados em montar o Classmate PC no seu país, como acontece no México e no Brasil. Isto sabendo que a Intel já tem uma fábrica na Irlanda. (...) Segundo a porta-voz da empresa, Agnes Kwan, para além da maior venda de sempre destes computadores, a Intel passará a ter direito de conselheira tecnológica do Ministro Mário Lino, que está a liderar o programa.» (Portugal Diário)

Suspense

O país que ainda não foi de férias está suspenso da comunicação de Cavaco Silva, hoje à noite nas televisões. Há quem deseje eleições antecipadas, quem imagine uma renúncia do Presidente, e até quem garanta que é desta que vamos reconquistar Olivença... Sem esquecer os que mencionam questões bem mais graves, gravíssimas, como a questão do nuclear ou um novo ponta-de-lança para o Benfica, ou ainda a «problemática da água de Boliqueime e dos bares de Tavira». Mas há também quem ache que ele vai dizer nada.

decadência americana

«[...] Três altos cargos do Departamento de Justiça dos EUA converteram dezenas de entrevistas de trabalho em interrogatórios políticos que incluiam questões sobre o aborto e o casamento homossexual. Só eram contratadas as pessoas inequivocamente conservadoras, apesar dos cargos em questão serem "de carreira" e não de nomeação política, violando assim as leis federais. [...]

Os candidatos que não fossem suficientemente conservadores, nomeadamente mostrando alguma simpatia pela legalização do aborto ou dos casamentos homossexuais, eram automaticamente excluídos.

A liderar o processo das contratações estava Monica Goodling, de 34 anos, cujo perfil de jovem conservadora lhe permitiu ascender rapidamente aos postos cimeiros do Departamento de Justiça. [...]»


(Esquerda.Net --- 30-Jul-2008)

a superioridade dos serviços públicos... no ensino superior

«[...] O Ministério do Ensino Superior decidiu o encerramento compulsivo da Universidade Moderna e cessou as autorizações de funcionamento de cursos em Setúbal e Beja concedidas à Dinensino, a cooperativa que gere aquele estabelecimento de ensino universitário. [...]

A tutela avança hoje que as averiguações realizadas pela Inspecção-Geral do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pela Direcção-Geral do Ensino Superior concluíram que não existe “viabilidade económico-financeira da Dinensino” e que a Moderna funciona “em condições de grave degradação institucional e de instabilidade da entidade instituidora, afectando de forma directa, profunda e generalizada a normalidade institucional” daquele estabelecimento.

As investigações determinaram ainda que as condições de funcionamento dos pólos de Beja e Setúbal da Dinensino “não se conformam com os requisitos exigidos para a concessão do reconhecimento de interesse público a estabelecimentos de ensino superior privado, designadamente em matéria de qualificações do corpo docente, e não detêm a forma legal de estabelecimento de ensino". [...]»


(PÚBLICO.PT --- 30.07.2008)

AKP salvo por um voto

  • «Ao fim de três dias de deliberações, o Tribunal Constitucional turco decidiu ontem não dar provimento à queixa contra o partido no poder (Justiça e Desenvolvimento, AKP), acusado de "actividades anti-seculares". Com a decisão, os juízes evitam a dissolução do partido conservador islâmico. (...) Na realidade, o AKP escapou por um triz da interdição. Dos 11 juízes do Tribunal Constitucional, seis votaram a favor da encerramento, menos um voto do que era necessário (maioria qualificada, sete). Mesmo os cinco votos favoráveis consideraram que o partido tem "actividades anti-seculares", embora não em extensão que justifique abolir a formação. (...) Apesar do puxão de orelhas e da redução para metade dos financiamentos estatais, o AKP reagiu ontem com evidente alívio.» (Diário de Notícias)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

terça-feira, 29 de julho de 2008

as portas da saída

«[...] "Acerca do Rendimento Social de Inserção há uma verdade indesmentível, é que o doutor Paulo Portas já passou a prova da governação e o que aconteceu foi que os prazos de apreciação e de pagamento dilataram-se de forma inaceitável, eram o dobro do que são hoje, o esforço de programas de inserção para essas famílias era mínimo, era na altura de 25 por cento, é hoje superior a dois terços das famílias", afirmou Vieira da Silva [...]

[L]embrou também, a propósito de uma maior fiscalização da atribuição do RSI, que no mandato de Bagão Félix, que foi ministro da Segurança Social e do Trabalho entre 2002 e 2004, eram fiscalizadas 16 mil famílias beneficiárias da prestação, enquanto durante 2008 "serão fiscalizadas 30 mil famílias". [...]»


(PÚBLICO.PT --- 28.07.2008)

«[...] A comissão política distrital da Juventude Popular (JP) de Setúbal demitiu-se em bloco, num gesto de solidariedade para com o ex-líder da distrital, Carlos Dantas, e todos os membros que integravam aquele órgão devolveram à direcção do partido os seus cartões de militante. A decisão foi tomada sábado e foi confirmada hoje ao PÚBLICO por Tiago Cabanas Alves, vice-presidente da JP, que garante existir uma lista de mais de duas dezenas de pessoas que estão na disposição de se desvincularem do CDS de Paulo Portas. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 28.07.2008)

ao invés do PSD, que parece ainda não ter conseguido capitalizar a seu favor a mudança de líder, o CDS parece não perceber o que poderia ter a ganhar se se visse livre de paulo portas em definitivo, substituindo-o por um pires de lima ou até mesmo por um nuno melo... por mim maravilha!, mas não deixo de pasmar com a cegueira adversária.

da transversalidade da incompetência, 2

«[...] [É] o que acontece com as águas, com a saúde, porventura com a educação, com a REN (a rede de distribuição de energia) e com a distribuição dos produtos petrolíferos. Em todos esses sectores fundamentais, criam-se grupos nacionais, ou reforçam-se, que não constroem nenhuma capacidade produtiva porque se trata exclusivamente da exploração de serviços ou de utilidades públicas e nunca da criação de patentes, de conhecimento, de capacidade produtiva. Portugal nunca teve uma Nokia... A Sonae o melhor que faz é centros comerciais. As operações de internacionalização são redes de supermercados que produzem resultados comerciais ou financeiros, mas nunca valor acrescentado significativo. [...]»

(Esquerda.Net --- 23-Jul-2008)

PEC americanus?... nope!

«[...] O défice orçamental dos EUA vai aumentar para um valor recorde de 490 mil milhões de dólares (311,3 mil milhões de euros) no próximo ano fiscal, avançou hoje um elemento do Governo norte-americano, situação que irá causar um grande problema a resolver pelo próximo Presidente do país. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 28.07.2008)

espera-se um déficite a superar os 6%... and growing...

Superstições e complicações

Guardian, hoje: a religião em guerra com o estado e o bom senso.

Jornal do Incrível

  • «O indivíduo que baleou os vizinhos por acreditar que um deles, pelo facto de ser homossexual, estaria a sodomizar o seu gato foi hoje condenado, no Tribunal São João Novo, Porto, a cinco anos e seis meses de prisão efectiva. (...) "Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado homossexual, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida", frisou o magistrado.» (Jornal de Notícias)

Se não tivesse havido uma pessoa baleada, até seria cómico.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Turquia

Começam hoje as reuniões do Supremo Tribunal para discutir a ilegalização do partido islamista AKP que detém o poder com maioria desde 2002 e tem tentado, por todos os meios disponíveis, destruir o estado laico.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

olha... parece que afinal não existo...

«[...] The struggle to definitively prove or disprove the existence of atheists has puzzled philosophers for centuries. Some have proposed the cosmological argument — “many cosmologists seem to be atheists” — while others have fallen back on the argument from design — “without atheists, who would believers have to argue against?”

But the Catholic Encyclopedia seems unconvinced by these arguments:

«The most trenchant form which atheism could take would be the positive and dogmatic denial existence of any spiritual and extra-mundane First Cause. This is sometimes known as dogmatic, or positive theoretic, atheism; though it may be doubted whether such a system has ever been, or could ever possibly be seriously maintained. [...] That such a dogmatic assertion is both unreasonable and illogical needs no demonstration, for it is an inference not warranted by the facts nor justified by the laws of thought.»

You have to admire the confidence — the fact that “dogmatic atheism” is “both unreasonable and illogical needs no demonstration,” and let’s leave it at that. [...]»


(Cosmic Variance --- June 25th, 2008)

sem mais!

«[...] Nothing must be held sacred. Question everything. God is not great, Jesus is not your lord, you are not disciples of any charismatic prophet. You are all human beings who must make your way through your life by thinking and learning, and you have the job of advancing humanity's knowledge by winnowing out the errors of past generations and finding deeper understanding of reality. You will not find wisdom in rituals and sacraments and dogma, which build only self-satisfied ignorance, but you can find truth by looking at your world with fresh eyes and a questioning mind. [...]»

(Pharyngula --- July 24, 2008)

Comemorações da República anti-republicanas?

A «Comissão Nacional» para as comemorações do centenário da República, nomeada por Cavaco, foi recebida com agrado nos sectores anti-republicanos. Será necessário acrescentar algo mais?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Declarações de Chávez desmentidas

Ontem, fiei-me no Público para especular sobre a instalação de bases russas na Venezuela. Como me alertaram alguns leitores, as declarações foram mais do que distorcidas: foram manipuladas. Resta-me desculpar-me, pois a culpa efectivamente não é minha, mas da «guerra mediática» que rodeia Chávez.

Associação Ateísta Portuguesa e Diário Ateísta

Penso que muitos bloguistas não se terão apercebido de que o novo endereço do Diário Ateísta é www.ateismo.net. Devem tomar nota também do site da Associação Ateísta Portuguesa, onde haverá mais novidades em breve.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Joseph Stiglitz: «Será o fim do neoliberalismo?»

«O mundo não tem poupado o neo-liberalismo, esse amálgama de ideias que tem por base a noção fundamentalista de que os mercados se auto-corrigem, aplicam recursos de forma eficiente e servem devidamente os interesses do público. Foi este fundamentalismo de mercado que esteve na génese do “thatcherismo”, da “reaganomics” e do chamado “Consenso de Washington”, que privilegiou a privatização, a liberalização e os bancos centrais independentes focalizados apenas na inflação.

Os países em desenvolvimento têm-se digladiado entre si nos últimos 25 anos e o resultado dessa luta é hoje claro. Os países que adoptaram políticas neo-liberais são os grandes derrotados. E por duas razões. Primeiro, não souberam tirar partido do crescimento. Segundo, quando cresceram de facto, os benefícios ficaram essencialmente nas mãos dos que ocupam o topo da pirâmide.

Por muito que os neo-liberais não queiram admiti-lo, a verdade é que a sua ideologia chumbou ainda noutro teste. Ninguém pode dizer que os mercados financeiros tenham feito um excelente trabalho no final da década de 90. Mas produziu, apesar de tudo, alguns efeitos positivos, como a descida dos custos de comunicação, que resultou numa maior integração da China e da Índia na economia global.
(...)
Os defensores do fundamentalismo de mercado querem agora que os erros do mercado sejam vistos como erros de governo. Um delegado do governo chinês colocou o dedo na ferida: os EUA deviam ter feito mais para ajudar os norte-americanos com rendimentos mais baixos a gerir melhor o problema do crédito hipotecário à habitação. Estou plenamente de acordo, mas isso não altera os factos: os bancos norte-americanos geriram especialmente mal o risco e essa má gestão tem consequências globais. Mas a injustiça é ainda maior quando se sabe que, apesar dos erros, os gestores dessas instituições saíram airosamente e com indemnizações milionárias.

Actualmente, existe uma grande disparidade entre os retornos sociais e os retornos privados. Se não forem alinhados, o sistema de mercado nunca poderá funcionar bem. O neo-liberalismo foi sempre uma doutrina política ao serviço de certos interesses e nunca se fundamentou em teorias económicas. (...)» (Joseph Stiglitz no Diário Económico)

Uma câmara em cada esquina

Parece que o que está na moda é mesmo vigiar os cidadãos, seja escutando as conversas que têm ao telefone, seja filmando-os na rua. Agora, é Paulo Portas, esse imitador pós-moderno de Salazar, que teve esta ideia brilhante:
  • «É nossa obrigação perguntar: o que espera o Governo para ter videovigilância nos bairros sociais com maior incidência de conflitualidade e violência?» (Público)
Comecem por instalar câmaras de filmar nos bairros sociais: se resistirem às pedradas dos putos, a seguir podem instalá-las à porta dos «supermercados da droga», das casas de passe, dos bares gay, etc. O Estado tem o direito, talvez mesmo o dever, de saber o que os cidadãos fazem na rua.

E eu diria ainda mais: o que espera o Governo para instalar videovigilância em casa das pessoas, à maneira do mundo do «Big Brother» (o original, não o programa de televisão)?

A tragédia é as pessoas lerem Orwell achando que o 1984 só acontece aos outros.

Da União Europeia enquanto argumento para a destruição da privacidade

A ofensiva do bloco central securitário-pidesco pelo fim da proibição constitucional das escutas telefónicas sem mandado judicial começa, finalmente, a ser discutida na blogo-esfera: um contra, outro a favor. Ao Paulo Gorjão, que é a favor, gostaria de dizer que com o mal dos outros posso eu bem. Se a União Europeia é argumento para nivelar por baixo os direitos individuais e legalizar violações da privacidade dos cidadãos, então serei anti-europeu.

Regresso à guerra fria?

O Chávez é realmente um tipo estranho:
  • «O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou a Rússia a instalar bases militares de apoio em território venezuelano (...) “A Rússia tem suficiente potencial para garantir a sua presença em diferentes partes do mundo. Se as Forças Armadas russas quiserem instalar-se na Venezuela, serão recebidas calorosamente”, indicou o socialista Chávez.» (Público)
E esta justificação lembra vividamente a guerra fria:
  • «Tendo em vista a polémica instalação de um escudo de defesa antimíssil norte-americano no centro da Europa, Moscovo tinha ameaçado Washington com uma retaliação, que poderá agora residir nesta estratégia. A Rússia está contra a instalação de um escudo de defesa americano na República Checa e na Polónia, afirmando que se sente ameaçada.» (idem)
Sou velho o suficiente para me recordar da guerra fria. Há algumas coisinhas que à partida não estão presentes actualmente: dimensão mínima para o campo «não EUA» (Rússia+Venezuela+Cuba+...Coreia do Norte?) ser levado a sério; homogeneidade ideológica. E aí é que bate o ponto. A cleptocracia semi-autoritária russa tem muito pouco em comum com o socialismo populista de Chávez. A aversão ao imperialismo estado-unidense levaria onde, neste cenário? A uma aliança com o Irão e a Síria?

Enfim: Chávez, ao contrário dos russos, parece não conseguir concentrar-se nos negócios sem pensar na política de blocos.

must see

the story of stuff

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ateísmo dá pena de morte

  • «A organização iraniana de direitos humanos dirigida pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi repudiou hoje um projeto de lei que prevê pena de morte para quem organize sites divulgando o ateísmo.» (Ansa)
A teocracia iraniana apura-se com a idade. Se fosse vivo, o aiatolá Khomeini estaria orgulhoso destes seus continuadores. Felizmente, nos seus pensamentos os iranianos serão sempre livres. (Mas isso não chega.)

domingo, 20 de julho de 2008

Salário mínimo

Os neo-cons daqui desataram a dizer que a inflação aqui tinha que ver com a subida do salário mínimo. Para os economistas neo-liberais as coisas são simples. A guerra, que custa biliões e biliões de dólares, foi uma oportunidade de negócios e agora a subida do salário mínimo é que veio perturbar o equilíbrio de uma economia perfeita (só os derrotistas e os antipatriotas é que acham que está em recessão).

Subir o salário mínimo cria desemprego, dizem eles, e impede a criação de novas empresas. E mostram-nos umas equações.

Mas hoje ouvi uma notícia sobre um estudo da Universidade da Califórnia, Berkeley, que demonstra que na prática este último aumento não produziu nenhum despedimento. Afectou positivamente 13 milhões de pessoas, das quais um quarto são pais, uma percentagem importante deles mães sózinhas.

sábado, 19 de julho de 2008

Energia

Fiz uma referência a este assunto no meu blog que ninguém viu. Mas estava recentemente a falar disto e recebi uns olhares do tipo 'lá está ele a exagerar outra vez', e por isso achei divertido partilhar esta notícia convosco. :o)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Evasores fiscais concordatados?

  • «Os membros do clero secular e religioso da Igreja Católica e os ministros de outras igrejas, associações e confissões religiosas declaram à Segurança Social um salário médio de 366 euros, revelou ao DN o Ministério do Trabalho. De acordo com o regime legal que lhes é aplicável, os padres podem escolher o salário que pretendem declarar à Segurança Social dentro de um intervalo que vai dos 285 euros - 70% do indexante dos apoios sociais (IAS) - a 1221 euros - 3 IAS. O rendimento médio declarado de 366 euros demonstra que a maioria opta por descontar sobre o valor mais baixo possível. Este montante está muito longe do vencimento médio dos padres da Igreja Católica que, segundo apurou o DN, junto do Patriarcado de Lisboa, é de 804 euros.» (Diário de Notícias)
Poder declarar o salário que se declara é bom. Em particular, se ninguém for verificar. E depois dão lições de moral aos outros...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O Papa e a indústria do sexo

  • «As the Pope touches down in Darwin, Sydney's sex industry is ready for the big boom. Brothels have announced special "papal visit packages" for the 125,000 foreign visitors who come to Sydney for the World Youth Day (WYD) celebrations this week. Bordellos and sex shops across the city are expecting sensational turnovers. Many establishments have recruited extra staff to cope with the expected rush demand for sexual favours during the event. Some pride themselves on being able to welcome their pious international clientele in a wide range of languages with sex workers speaking French, Spanish, Italian, Greek, Arabic, Thai, Korean, Nepalese and Mandarin. The "Xclusive Gentlemen's Club" offers 10-per-cent discount to those with accreditation as official WYD visitors. As one of the biggest houses near Randwick Racecourse, the club expects to benefit from its proximity to the venue of the Pope’s final open air mass which is expected to attract half a million of pilgrims. The high expectations of the "Forbidden Fruit industry" are based on solid experience. When the World Council of Churches had their congress in Canberra back in the 1990s, we enjoyed our best business period ever, said a spokesperson of Australia’s adult industry group Eros Association.

    When religious mass events are in full swing, sex seems to be in the air. After the WYD 2000 in Rome had closed its weeklong celebrations with Pope John Paul II’s open air mass in the Tor Vergata field, rubbish collectors discovered the next day thousands of used condoms in the debris of the festival ground. Media reports showed images of the find, but the Vatican angrily dismissed them as fabrications. Critics of the Vatican's doctrinal stance against birth control, extra-marital sex and the “grave sin” of contraception, however, never stopped mocking about it. They say it reveals that young Catholics have a blithe disregard for the Vatican’s reactionary teachings – which is indeed excellent news if correct.» (Rationalist International)

Sócrates é «ousado»

  • «O presidente da Confederação da Indústria acha que o Código do Trabalho devia ir mais longe nos despedimentos, mas garante que o ministro foi mais ousado do que um governo de direita, uma posição que o aproxima de Carvalho da Silva. Em entrevista ao Jornal de Negócios, Francisco Van Zeller comenta ainda que “os governos de direita são mais tímidos no que respeita a relações de trabalho, enquanto os de esquerda são mais ousados”.» (Jornal de Negócios)

Com «esquerda» desta, tão «ousada», os patrões não precisam da direita para nada. Eles próprios o confessam.

Zapatero

Hoje, no El Pais: "España se ha unido a Brasil y a EE UU en la batalla a favor de los biocarburantes. Frente al alud de críticas que acusan a la gasolina fabricada a partir de maíz o azúcar de encarecer los alimentos -discurso asumido por las ONG, la Agencia Europea de Medio Ambiente, el FMI y el Parlamento Europeo-, el Gobierno mantiene que no son la causa principal del hambre y sostiene que todo responde a "una campaña de las petroleras, que ven amenazado su negocio", según el secretario de Estado de Medio Ambiente, Josep Puxeu."

Zapatero está sempre do lado certo. E as ONGs, o FMI e o Parlamento Europeu sempre do lado errado.

Não sei porque será, mas quando se fala em corrupção, insensibilidade ao sofrimento, cinismo, ganância cega, pedofilia e cripto-fascismo, eu lembro-me sempre deles: a ONU, o FMI, a UNESCO, o Banco Mundial, a Agência Europeia de do Meio Ambiente, etc...

Socialismo para os ricos, capitalismo para os pobres

Robert L. Borosage, hoje, no Huffington Post: "If the guarantees work, private speculators, having driven the stock down, will clean up on the upside. And the bank's CEO's will continue to pocket the multi-million dollar salaries. Call it Wall Street socialism. Their losses are socialized; their profits are pocketed. You and I will pay for their failures. And if conservatives have their way, their families will pocket their successes, without even having to pay a tax for the transfer of the estates we've helped to create."

da transversalidade da incompetência

«[...] Manuel Alegre criticou ainda o "mito da competitividade" que domina o discurso político. "O problema da competitividade não está apenas num lado. Está também na organização do trabalho por parte de muitos gestores e empresários que continuam a apostar num modelo de desenvolvimento ultrapassado, porque baseado nos baixos salários e no trabalho não qualificado", argumentou. [...]»

(Esquerda.Net --- 15-Jul-2008)

irá o roteiro para a inclusão passar por aqui?

«[...] O presidente da Solidariedade Imigrante criticou o "encaixotamento" das pessoas com fracos recursos em "autênticos guetos". "É preciso coragem política para efectivamente ocupar a cidade de Lisboa que está deserta, em vez de optar pela construção e pelo encaixotamento de pessoas em bairros sociais na periferia das cidades", disse à Agência Lusa Timóteo Macedo. [...]

Também José Gabriel Pereira Bastos, coordenador do Centro de Estudos de Migrações e Minorias Étnicas da Universidade Nova de Lisboa, classificou os bairros sociais como "caixotes de lixo municipais", onde "não" há esquadras da polícia, autoridades e mediadores culturais. O antropólogo defendeu o fim deste tipo de realojamento, considerando que as pessoas com fracos recursos deveriam ser "disseminadas pela malha urbana" e não colocados em "guetos". [...]»


(Esquerda.Net --- 14-Jul-2008)

perguntas sem respostas

«[...] De pedido desculpas em pedido de desculpas, a Igreja Católica lá vai pensando que lava os seus pecados e a sua tortuosa e criminosa consciência.

Mas o que é mais curioso é que não se vê a Igreja Católica pedir desculpas pelo seu inestimável e incondicional apoio às ditaduras sul-americanas, ou de Salazar, Franco, Hitler ou Mussolini com quem, muito pelo contrário, colaborava activamente e celebrava Concordatas.

Não se vê a Igreja Católica pedir desculpas pelo facto do Papa Pio XII ter auxiliado os criminosos de guerra nazis a fugir da justiça.

Porque não pede a Igreja Católica desculpas por não ter excomungado nem Hitler, nem Eichmann, nem Goering, nem Pinochet, nem Videla, nem sequer Idi Amin ou Jan Smuts, enquanto tanto se indignou e excomungou pessoas como Cervantes, Kepler, Espinosa, Hidalgo, Tolstoi, Peron e até mesmo… a cantora Sinéad O’Connor?...

Enquanto pede desculpa pelas crianças abusadas sexualmente por padres católicos, por que motivo não aproveita a Igreja Católica a embalagem e pede desculpa também pelas crianças castradas? Ou pelas crianças judias raptadas aos pais para serem educadas por famílias católicas, isto ainda nem há 60 anos?

Por que não se vê a Igreja Católica pedir desculpas por ainda há menos de um século proibir os casamentos inter-raciais ou por criticar os movimentos sufragistas que lutavam pelo direito de voto das mulheres? [...]»


(Random Precision --- Julho 14, 2008)

terça-feira, 15 de julho de 2008

A tortura banalizou-se

As provas acumulam-se e o padrão da tortura utilizada com os islamistas já é conhecido: «waterboarding», tortura do sono e alguns espancamentos.
  • «Foi divulgado hoje aquele que é o primeiro vídeo a ser conhecido de um interrogatório conduzido em Guantánamo. As imagens, captadas em 2003, mostram o desespero de Omar Khadr, um adolescente canadiano, então com 16 anos, pedindo aos oficiais enviados por Otava para o ajudarem a regressar a casa. (...) As imagens mostram Omar Khadr, acabrunhado e angustiado, sentado numa cadeira frente a dois oficiais do Serviço de Informações e Segurança Canadiano (CSIS), a quem pede repetidamente ajuda e se queixa da falta de assistência médica. (...) Documentos revelados já este mês mostram que nas três semanas anteriores aos interrogatórios, o jovem tinha sido privado de sono, sendo mudado de cela a cada três horas, uma técnica destinada a torná-lo mais cooperante com os investigadores canadianos.» (Público)
É evidente que quase ninguém na Europa ocidental tem simpatia pela ideologia (e muito menos pelos métodos) das redes islamistas. Mas a forma como o problema tem sido tratado significa o maior recuo civilizacional euro-americano desde 1939. Demorará quantos anos para os cidadãos se aperceberem disso e começarem a exigir a punição dos responsáveis?

Terroristas pelos animais

Sim, isto existe: activistas dos «direitos dos animais» (dos direitos dos animais não humanos, entenda-se), dispostos ao crime e à violência:
  • «“We are not terrorists, but we are a threat. We are a threat both economically and philosophically. [...] We will break the law and destroy property until we win. We are abolitionists. We don't want to reform them [vivisectionist companies], we want to wipe them off the face of the earth. We will fight, and die if necessary, to free the slaves.”» (Butterflies and Wheels)
Os «escravos» que eles querem libertar, refira-se, são porquinhos da guiné. Os métodos usados pelos terroristas defensores do fim das barreiras éticas inter-espécies são deste género:
  • «Some five weeks later, on August 23, the owners of Darley Oaks Farm in Newchurch, Staffordshire, announced that they were closing down because of intimidation by animal activists. The farm had been breeding guinea pigs for medical research for more than thirty years, and the owners had been subjected to a six year campaign of abuse, according to the BBC, which reported that the owners and people connected with the business had received death threats. The Hall family, who owned the farm, said they hoped their decision to cease operations would prompt the return of the remains of Christopher Hall's mother-in-law, Gladys Hammond, which had been stolen from a churchyard in October 2004. The Halls were subjected to hate mail, malicious phone calls, hoax bombs, and arson attacks. People who supplied the Halls were also subject to the campaign.» (idem)
No meu entender, isto é terrorismo. Sem vítimas mortais, mas terrorismo.

É fascinante o que a vida citadina faz às pessoas.

pôr o neo-liberalismo na gaveta...

«[...] Quatro meses depois de terem ajudado um dos maiores bancos do país, o Bear Stearns, as autoridades norte-americanas (governo e reserva federal) decidiram intervir para agora salvarem as empresas Fannie Mae e Freddie Mac, as duas maiores empresas de crédito à habitação dos EUA.

As duas empresas juntas garantem 5,3 biliões de dólares de créditos hipotecários, mais de 40% do crédito imobiliário dos Estados Unidos.

O secretário de Estado do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, anunciou um pacote de medidas de apoio às duas empresas, que estavam em risco de falência iminente. [...]»


(Esquerda.Net --- 14-Jul-2008)

são estes os investidores e empreendedores que temos?

«[...] Um terço dos portugueses que investe em mercados financeiros é reformado ou desempregado, só tem a 4ª classe ou menos e admite que tem pouco conhecimento sobre a bolsa. Cerca de 25% investiu com o mercado em alta, a maioria depende da informação prestada pelos bancos, tem carteiras de risco e pouco diversificadas e quase só compra acções em Portugal. Uma fotografia feita pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no Relatório Anual de 2007, publicado este mês, e que ganha maior relevância em plena crise bolsista. [...]»

(DN Online --- 14.07.08)

ainda havia quem dizia que não...

«[...] As infecções e a perfuração de órgãos associadas ao aborto clandestino diminuíram em mais de metade desde que a lei da Interrupção Voluntária da Gravidez entrou em vigor, há um ano, revelou o Director Geral da Saúde.

Em entrevista à Agência Lusa, a propósito do primeiro ano da aplicação da lei que permite a IVG até às dez semanas, cuja regulamentação entrou em vigor a 15 de Julho de 2007, Francisco George considerou que estes dados revelam que "a lei é boa e protege as mulheres". [...]

"Comparando o primeiro semestre com o segundo [do primeiro ano da aplicação da lei] reparamos num aumento da procura nos serviços públicos", o qual "se traduz também numa diminuição das interrupções praticadas em ambiente clandestino e ainda em menos idas ao estrangeiro", frisou.

Outro dado salientado por Francisco George refere-se às desistências, com 700 mulheres a optarem por prosseguir com a gravidez após "a consulta prévia de aconselhamento sobre os apoios que o estado dá à gravidez". [...]»


(Jornal de Notícias --- 2008-07-11)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

tão unidos que eles estão...

«[...] Luís Filipe Menezes afirmou esta noite que "não avançar com os grandes investimentos públicos seria irresponsável" e que o PSD, "partido que subscreveu documentos onde ficou acordada a alta velocidade", devia ter "lucidez". [...]

Esta noite, Menezes lembrou que o PSD "subscreveu documentos, cimeiras ibéricas, onde ficou acordada a alta velocidade" e que "não avançar com os grandes investimentos públicos seria uma atitude irresponsável"

"Só tenho uma cara e eu nem era membro desses governos", acrescentou [...]»


(PÚBLICO.PT --- 11.07.2008)

«[...] Rui Rio não é adepto da aposta do PSD em continuar a criticar abertamente alguns investimentos públicos, em especial o TGV. [...]

Rui Rio defende que o PSD tem que clarificar o que pretende em matéria de crítica aos investimentos públicos, sob pena dessa posição por ter efeitos colaterais.

Fontes sociais-democratas que avançaram com esta informação ao DN garantem que Rui Rio terá mesmo dado como exemplo a ligação entre o Porto e a Galiza em TGV.

Um projecto de que é entusiasta, até na ligação à capital: "Ninguém mais utilizará o avião para se deslocar a Lisboa e, portanto, é fundamental que a linha em alta velocidade vá captar o mercado galego", disse o autarca do Porto em Fevereiro de 2006. [...]»


(DN Online --- 12.07.08)

o que quer a SEDES?

«[...] Aquilo que vem propor, e de uma forma oportunista para abrir o caminho à nova presidente do PSD, é um maior desinvestimento na Saúde e na Educação e uma mais incisiva revisão das leis laborais, em benefício do patronato. Sem o explicitar, a SEDES pretende um país mais desqualificado, com uma economia baseada numa competitividade de baixos salários, e com uma população desprotegida em termos sociais.

Os tecnocratas da SEDES ignoraram olimpicamente o desemprego e as injustiças sociais derivadas da desigualdade profunda da distribuição do rendimento nacional, que nos coloca vergonhosamente na cauda da Europa. Também não se dignaram a referir a pouca qualificação dos nossos empresários, incapazes, apesar dos generosos subsídios europeus nos últimos vinte anos, de modernizar a economia e introduzir-lhe um dinamismo de inovação e organização para a projectar com um crescimento sustentado. [...]»


(Ponte Europa --- Julho 10, 2008)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O islamismo já tem os seus arrependidos

No jornal Público de hoje (no P2), encontra-se um interessante artigo sobre a renúncia à jihad de um teórico do islamismo, que agora diz que «é proibido cometer actos de agressão, mesmo que os inimigos do islão o façam».

A deserção tem importância porque o senhor em questão, Sayyed Imam Bin 'Abd Al-'Aziz Al-Sharif, vulgo «Dr. Fadl», é companheiro de luta de Al-Zawahiri há 40 anos, deste os tempos da Universidade do Cairo. Acompanhou o actual líder operacional da Al-Qaeda nos grupúsculos islamofascistas dos anos 70 e, depois da proverbial passagem pela prisão, esteve no Paquistão, nos anos 80, no local e no momento em que as presentes redes islamistas realmente começaram. Como diz o artigo do Público: «foi também em Peshawar, a 11 de Agosto de 1988, um ano antes da retirada soviética do Afeganistão e depois de escrever o seu primeiro manual de terrorismo, que o Dr. Fadl se encontrou com os principais líderes da Al-Jihad. Cada um tinha uma agenda. O palestiniano Abdullah Azzam sonhava atrair os mujahedin para a sua causa; o egípcio Zawahiri queria derrubar o regime de Mubarak; e o multimilionário saudita Osama bin Laden ambicionava criar uma legião de exércitos árabes que expandisse a guerra santa até à Ásia Central e ao Iémen, onde vigorava, na época, um governo marxista. Nasceu assim a Al-Qaeda». O actual terrorismo islamista começou perante a frustração palestiniana, a repressão dos regimes seculares do Egipto e outros, e face ao «comunismo ateu» dos soviéticos. Era (e é) anti-moderno, contra a emancipação das mulheres, contra os «imperialismos», e contra as democracias laicas. (Há uns trapaceiros de direita que acham que isto era uma frente «de esquerda», algo «marxista-leninista», quiçá «guevarista». O disparate é tão grande que se refuta lendo a mais sumária história destes movimentos.)

Voltando ao «Dr. Fadl»: continuou com Bin Laden e Al-Zawahiri no Sudão, essa pausa para teorização e recolha de fundos, mas afastou-se para o Iémen por divergências pessoais com Al-Zawahiri. Depois do 11 de Setembro, «desapareceu» numa prisão qualquer, para em 2004 «aparecer» numa prisão egípcia. Agora «renuncia à violência», na prisão controlada pelo governo egípcio (e pelos EUA?). Duvido que convença alguém. Um «arrependido» diz o que os seus captores quiserem, especialmente se depois de anos de tortura o colocarem numa cela com «um quarto privado, casa de banho, uma pequena cozinha, um frigorífico, um televisor e um jornal por dia» (sic!). Não vale a pena sonhar. O monstro islamista continuará vivo e bem vivo enquanto houver dinheiro saudita, jovens desesperados nos subúrbios árabes, e áreas fora do controlo governamental no Afeganistão, no Paquistão e na Argélia. O resto é propaganda.

PS=Partido Securitário

  • «A Lei de Segurança Interna foi hoje aprovada em votação final no Parlamento apenas com os votos do PS, mas dois deputados socialistas - Manuel Alegre e Teresa Alegre Portugal - juntaram-se à oposição no voto contra. (...) O ponto mais polémico da lei de segurança interna reside na figura do secretário-geral de segurança, havendo críticas sobre a alegada interferência deste na área da investigação criminal que é da competência do Ministério Público. As suas funções, que incluíam a coordenação das forças policiais, passam agora a ser delimitadas a situações como ataques a órgãos de soberania, hospitais, prisões e escolas, sistemas de abastecimento de água e electricidade, bem como estradas e transportes colectivos.» (Público)

BCP=Banco Com Problemas

  • «O Conselho Directivo da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) decidiu aplicar uma contra-ordenação muito grave ao Banco Comercial Português no processo respeitante à atribuição de crédito a pequenos investidores no âmbito dos aumentos de capital realizados pelo banco. (...) Segundo o artigo 388 do Código dos Valores Mobiliários, as contra-ordenações muito graves são puníveis com coima entre 25 mil e dois milhões e 500 mil euros.» (Público)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

July 4th

  • «July 4th marks the anniversary of the signing of the Declaration of Independence, authored by Thomas Jefferson. So many firework displays and parades have been held and speeches delivered to celebrate that great event in American history that one wonders what more can be said? Perhaps an overlooked fact, surely one that has not been sufficiently appreciated, is the influence of the French and European Enlightenment on the leaders of the American Revolution and of the new nation that was about to be born. (...) The first point I wish to make is that the Declaration of Independence focuses on the basic humanistic values of “life, liberty and the pursuit of happiness.” It eloquently defends individual freedom and the achievement of the good life. (...) The second point to be made is that America was founded as a secular Republic. The Constitution which was drafted later by Madison begins with the memorable words, “We the people of the United States?.” It does not say that there is a divine right of monarchs or rulers. Sovereignty is derived from the people, not from God. The Bill of Rights, later enacted, begins with the First Amendment, which states that “Congress shall make no law respecting the establishment of religion or the free exercise thereof. This is the foundation of the separation of church and state, the first nation to clearly affirm that principle. (...) Third, the founders of the American Republic were naturalists; that is, they looked to the sciences to understand nature. Although many were deists, they were critical of superstition. Reason, they thought, was the best guide in life. Influenced by Voltaire, they believed deeply in free thought and free inquiry. Fourth, they accepted a key ideal of the Enlightenment, the conviction that human progress is possible and there are vital roles that reason, science, and education can contribute in improving the human condition. These are predicated on the values of secularism and humanism, a belief in the capacity of human beings to govern themselves if afforded the liberty and the opportunity to do so, and some degree of optimism that they will succeed. Fifth, implicit in the American political system are the Civic Virtues of Democracy. These emphasize the right to dissent, a free press, tolerance of conflicting points of view, the use of rational methods to persuade other men and women, and the willingness to negotiate differences peacefully. (...)» (Paul Kurtz; recebido por e-mail do Council for Secular Humanism)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

uma frase de sonho?

«[...] Numa cerimónia em que estiveram presentes os ministros da Economia, Manuel Pinho, e do Ambiente, assim como o presidente Executivo da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, o primeiro-ministro sublinhou que Portugal «pretende ser um laboratório dos futuros carros eléctricos» e demonstrou abertura a receber investimentos neste domínio por parte de outros construtores automóveis. [...]

Além de vantagens ao nível do preço, o chefe do Governo declarou que caberá ao executivo criar uma rede de infra-estruturas que permita ao consumidor abastecer sem dificuldade o seu carro eléctrico.

Em relação à aposta nestes veículos sem emissões poluentes, o primeiro-ministro sublinhou que «Portugal está na linha da frente desta aventura com a Dinamarca e Israel» [...]»


(TSF --- Hoje às 13:29)

crianças brincam aos políticos: "a minha descida é melhor que a tua, nhanha-nha-nha"

«[...] Posicionando o CDS-PP como um partido que critica, mas que também faz propostas, o líder da bancada parlamentar, Diogo Feio, apresentou uma proposta de um plano fiscal a cinco anos. O plano prevê que, no fim deste prazo, Portugal deveria ter um imposto sobre a gasolina ao mesmo nível que o do espanhol, e um IVA a 18 por cento, o último dos impostos a reduzir. A descida de um por cento do IVA promovida pelo actual Governo “não tem efeito e vai custar 750 milhões de euros”, segundo Diogo Feio [...]»

(PÚBLICO.PT --- 08.07.2008)

De mal a pior

Depois de sabermos que o SIS, o SIRP e a PSP procedem rotineiramente a escutas sem mandado judicial (e portanto ilegais e inconstitucionais), depois de Alberto Costa, Ministro da Invasão da Privacidade, ter defendido publicamente que se reveja a Constituição para que os cidadãos percam o direito à privacidade das suas conversas telefónicas e domésticas, depois de sabermos tudo isto, chega a notícia de que também a Polícia Judiciária tem um «departamento especial» que efectua escutas telefónicas à margem da lei, sem mandado judicial, umas vezes por razões de combate ao crime, outras para escutar o «cidadão anónimo ou político» (sic), sem registo dos «trabalhos» realizados, «às vezes, em troca de favores» (sic), e por decisão de chefias intermédias. Estamos a caminho do Estado policial?

terça-feira, 8 de julho de 2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

a última ceia

This is the menu of the current G8 meeting on food shortage:

Lunch

White asparagus and truffle soup
Kegani crab almond oil foam and green olive tapenade
Supreme of chicken served with its stuffed thigh, nuts and orange savoury with beetroot foam
Special cheese selection with half-dried fruits
Peach compote, ice cream and raspberry coulis

Dinner

Corn-stuffed caviar
Smoked salmon and sea urching "pain surprise" style
Hot onion tart
Winter lily bulb and summer savoury

Folding fan modeled tray decorated with bamboo grasses, including

Kelp-flavoured cold kyoto beef shabu-shabu, asparagus dressed with sesame cream
Diced fatty fles of tuna fish, avocado and jellied soy sauce and Japanese herb "shiso"
Boiled clam, tomato, Japanese herb "shiso" in jellied clear soup of clam
Water shield and pickled conger dressed with vinegar soy sauce
Boiled prawn with jellied tosazu-vinegar
Grilled eel rolled around burdock strip
Sweet potato
Fried and seasoned Goby with soy sauce and sugar
Hairy Crab "Kegani" bisque soup
Salt-grilled bighand thornyhead with vinegary water pepper sauce
Milk fed lamb from "shiranuka" flavoured with aromatic herbs and mustard
Roasted lamb and cepes and black truffle with emulsion sauce of lamb's stock and pine seed oil

Special cheese selection, lavender honey and caramelised nuts

G8 fantasy dessert
Coffee served with candied fruits and vegetables

Wine list

le Reve grand cru champagne
japanese saki
Corton Charlemagne 2005
Chateau Latour burgundy
Ridge California Monte Bello 1997
Tokaji Essencia 1999 from Hungary

(via e-mail)

domingo, 6 de julho de 2008

cavaco mostra a sua estratégia política pessoal

«[...] Cavaco Silva não está satisfeito com a chamada cooperação estratégica entre o Governo e a Presidência da República e as várias declarações que fez ao longo de ontem foram, acima de tudo, alertas a José Sócrates para a insatisfação do Chefe de Estado com alguns comportamentos políticos do primeiro-ministro. E a matéria que está a contribuir para esta deterioração das relações não podia ser mais delicada: obras públicas. [...]

[H]á dois anos, numa viagem que fez entre Lisboa e Albufeira, Cavaco Silva alertou para a necessidade de se fazer “uma profunda análise custo/beneficio” dos grandes investimentos públicos.

Na altura, ainda que indirectamente, o Chefe de Estado referia-se ao TGV. Hoje, o Presidente volta ao assunto mas visa as obras públicas em geral. Todas.

O PÚBLICO sabe que Cavaco tem muitas reservas sobre as obras, que também têm sido o cavalo-de-batalha de Ferreira Leite desde que foi eleita líder do PSD, enquanto o Governo insiste diariamente na realização dessas obras, o que faz adivinhar dias ainda difíceis nas relações dos inquilinos de Belém e São Bento. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 05.07.2008)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

pessoa, de fátima

«[...] "Fatima é o nome de um logar da provincia, não sei onde ao certo, perto de um outro logar do qual tenho a mesma ignorancia geographica mas que se chama Cova de qualquer santa", escreveu Pessoa.

"Nesse logar - esse ou o outro - ou perto de qualquer d'elles, ou de ambos, viram um dia umas crianças apparecer Nossa Senhora, o que é, como toda gente sabe, um dos privilégios (...) a que se [d]ão (...). Assim diz a voz do povo da provincia e a 'A Voz' (jornal católico e monárquico) sem povo de Lisboa", prosseguiu.

"Deve portanto ser verdade, visto que é sabido que a voz das aldeias e 'A Voz' da cidade de ha muito substituíram aquellas velharias democraticas que se chamam, ou chamavam, a demonstração scientifica e o pensamento raciocinado", ironizou. [...]

"Pessoa pretende estabelecer uma identificação entre Fátima e o nacionalismo católico dos reaccionários portugueses, representados neste caso pelo jornal católico e monárquico A Voz e por Alfredo Pimenta, que foi um célebre escritor integralista e católico que apoiou Salazar e também Mussolini e Hitler", referiu. [...]»


(Visão --- 2008-07-03)

gasolina para o jantar

«[...] Os biocombustíveis forçaram os preços dos alimentos a aumentar 75 por cento desde 2002, segundo um relatório confidencial do Banco Mundial, que os responsabiliza pela crise alimentar [...]

O relatório, concluído em Abril mas que ainda não foi publicado, diz que o aumento dos preços da energia e dos fertilizantes foi responsável por um acréscimo de apenas 15 por cento nos preços dos alimentos. [...]

“Sem o aumento dos biocombustíveis, os ‘stocks’ mundiais de trigo e milho não teriam registado um declínio tão acentuado e o aumento dos preços devido a outros factores teria sido moderado”, conclui o relatório [...]

O relatório explica que a produção de biocombustíveis distorceu o mercado: os cereais destinados à alimentação passaram a ser usados para produzir combustível - mais de um terço do milho norte-americano é agora usado na produção de etanol - e os agricultores têm sido incentivados a dedicar solo agrícola para a produção de biocombustíveis. Além disso geraram especulação financeira no sector dos cereais. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 04.07.2008)

estalou o verniz

«[...] O PCP ficou hoje isolado durante um debate parlamentar sobre a libertação da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, que estava refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), escusando-se a condenar essa organização e contestando que seja terrorista. Os comunistas foram, assim, os únicos a votar contra o documento proposto pelo PS, PSD e CDS-PP e aprovado pelos restantes partidos. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 04.07.2008)

Obscurantismo criacionista ataca na Luisiana

  • «Americans United for Separation of Church and State today warned Louisiana officials that lawsuits will result if the state’s new anti-evolution law is used to introduce religion into public school classrooms. Gov. Bobby Jindal this week signed the legislation (SB 733), which allows teachers to use “supplemental materials” when discussing evolution. The measure was pushed by the Louisiana Family Forum and the Discovery Institute, two Religious Right groups that advocate creationist concepts, and is widely seen as an effort to water down instruction about evolution.» (Americans United for Separation of Church and State)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

José Vítor Malheiros: «A Europa-Fortaleza mostra a sua face»

  • «Faz hoje duas semanas, o Parlamento Europeu aprovou uma directiva sobre imigração ilegal, conhecida oficialmente pela designação eufemística de Directiva de Retorno e baptizada pelos seus detractores com o nome de Directiva da Vergonha. (...) A directiva vem instituir pela primeira vez claramente um princípio que o discurso oficial europeu nunca assume: a criminalização da imigração. (...) A directiva da vergonha – aprovada entre outros com os votos social-democratas do PSD e os votos cristãos do CDS-PP – define um período de detenção dos imigrantes ilegais, enquanto esperam a expulsão, que pode chegar aos 18 meses mas que pode ser decidido administrativamente, sem ser necessária uma decisão judicial nesse sentido. É a porta aberta a todas as arbitrariedades. Num cúmulo dificilmente imaginável de abjecção, a directiva permite mesmo a expulsão de menores “ilegais” que não estejam acompanhados e determina uma proibição de entrada na União Europeia durante cinco anos a quem seja encontrado alguma vez em situação ilegal. Esse período pode ser maior caso o imigrante seja considerado uma “ameaça para a segurança”, o que estimula mais arbitrariedades e servirá de válvula de escape a todas as histerias securitárias. As medidas pareceriam certamente aceitáveis a muitos cidadãos europeus se estivéssemos a tratar de criminosos. A questão é que não estamos a falar de criminosos, mas de seres humanos e de famílias que apenas procuram uma forma de fugir à miséria, à doença, à fome, à morte e que apenas procuram trabalho, subsistência, que apenas procuram educação para os seus filhos, e que apenas aspiram à possibilidade de um futuro, uma possibilidade de serem felizes. (...) A União Europeia é a favor da mobilidade e da migração internacional, mas do turismo dos ociosos, da mobilidade dos ricos, da livre-circulação dos técnicos especializados, da cooperação internacional das empresas, da migração dos com-papéis. (...)» (Público, 2/7/2008)

Free at last

Ingrid Betancourt foi libertada.

Governo Sócrates, o mau

O governo começou a sua actuação com o não-cumprimento de uma promessa. O IVA aumentou, com todos os prejuízos para a nossa economia inerentes.
Se a quebra desta e doutras promessas era inevitável (o que é discutível), a verdade é que foi uma escolha a não-realização do referendo à constituição europeia ao tratado reformador. A demissão de um ministro impopular quase no dia seguinte ao anúncio da recusa em fazer o referendo foi um tacticismo astuto, mas indigno.

Outro tipo de atitudes perfeitamente evitáveis estão relacionados com a postura pseudo-securitária do governo. Desde conversas sobre a centralização dos serviços de informação, fora do escrutínio do parlamento, até projectos para «liberalizar» as escutas telefónicas; a verdade é que foi o presidente Cavaco Silva que, ao chumbar alguns diplomas, nos protegeu de alguns desvarios. E quando temos de depender de Cavaco Silva para nos proteger de desvarios securitários, sinto-me inseguro.

O ambiente persecutório não ficou por aqui. Ocorreram alegações de perseguição a funcionários públicos e de controlo de sindicatos. Será fumo sem fogo?
E no que respeita à repressão violenta da manifestação anarquista de 25 de Abril de 2007? Um incidente sem grande importância, ou o sintoma de algo bem mais grave?

Outra decisão perfeitamente incompreensível é a da verdadeira entrega da gestão das escolas às autarquias e às empresas (a chamada «sociedade civíl»). Este disparate já mereceu suficientes comentários neste blogue para me alargar sobre este assunto, mas no que respeita à educação devem ainda ser comentadas as deficiências deste sistema de avaliação de professores, uma verdadeira oportunidade perdida para criar uma avaliação com pés e cabeça. Também sinistra (anedótica não capta a gravidade do problema) é a decisão de pôr a publicidade no currículo académico, a ser ministrada com o apoio e patrocínio das empresas interessadas em promover as suas marcas a consumidores fresquinhos. Isto é estúpido a tantos níveis diferentes que me faltam as palavras para continuar a comentar este assunto.

Também não se compreende qual a justificação possível para a promiscuidade que ainda se vive entre Igreja e Estado. Respeitar a constituição e a separação entre o estado e a Igreja, não só não custa um cêntimo, como ainda poupa dinheiro aos contribuintes. Numa altura em que diferentes sectores da sociedade fazem sacrifícios, torna-se particularmente incompreensível esta recusa em cumprir a constituição.

Existem outros gastos difíceis de compreender no contexto actual. A ligação em alta velocidade entre Lisboa e o Porto, quando por menos de um quarto do orçamento seria possível modernizar as linhas do alfa-pendular por forma a que este demorasse 30 minutos a menos que o TGV parece ser um disparate monumental, que só compreendo tendo em conta os dividendos eleitorais da decisão.

Andar a oferecer portáteis aos alunos do secundário também me parece uma forma particularmente parva e ineficiente de promover as «novas tecnologias». Os quadros interactivos e outro tipo de medidas para «modernizar a escola» também me parecem um enorme disparate de valor pedagógico duvidoso. Existem boas formas de investir na educação, porque foram escolher estas tão toscas?

Governo Sócrates, o bom

Para um défice real gigantesco de 6.83% do PIB não haveria desorçamentação escandalosa ou solução fácil que resolvesse o problema. Entre o aumento de receitas e a diminuição de despesas, o governo não se limitou a optar - e bem! - por ambas as soluções.
Em primeiro lugar negociou com os orgãos da união europeia um plano para resolver o problema em três anos, o que aumentou significativamente a sua margem de manobra. O corte das despesas não foi tosco e cego (como tinha acontecido anos antes sob a gestão de Manuela Ferreira Leite, que apesar da prioridade que conferiu no combate ao défice, apenas o conseguiu agravar significativamente) nem conjuntural, dependendo fundamentalmente de receitas extraordinárias.
Foi um corte fundamentalmente estrutural (por exemplo ao nível do número de trabalhadores na função pública) cujo impacto na performance dos diferentes serviços do estado esteve longe de ser desastroso. Pelo contrário, vários serviços, devido a outras reformas que foram feitas, melhoraram a sua eficácia - a diminuição significativa das filas de espera dos hospitais (e tempo médio a estas associado), ou do número de processos judiciais pendentes são bons exemplos a este respeito.

No que respeita ao aumento das receitas, creio que também foram tomadas as decisões certas: uma aposta no combate à fuga ao fisco trouxe grandes proveitos. Por outro lado, o aumento do IVA, do ISP, do imposto sobre o tabaco, e a criação de um novo escalão de IRS para os mais ricos, também me pareceu o «mal menor» no que respeita à obtenção de novas receitas.

Em 2008, pese embora alguma desorçamentação provável, o défice oficial andará entre os 2.6%. Notável, tenho de reconhecer.

Enquanto o esforço de combate ao défice era prosseguido, a taxa de pobreza diminuiu de 20% para 18%, de acordo com os dados da OCDE. Este é o valor mais baixo para esta taxa desde que há registos, e é notável que tenha sido atingido enquanto a situação financeira do estado era consolidada.

Outro esforço notável que teve bons frutos foi a aposta na ciência e tecnologia. Aumentos muito significativos no número de projectos de investigação, no número de bolsas de doutroramento, pós-doutoramento, no número de investigadores, e numa série de outros indicadores não resultam apenas num gasto de 1% do PIB em investigação, por parte do estado. Resultam também no facto da balança comercial da tecnologia finalmente ser favorável a Portugal. Pela primeira vez Portugal exporta mais tecnologia do que importa.

Outra aposta inteligente e bem sucedida foi a aposta nas energias renováveis, através de um quadro que permitiu economias de escala e massa crítica por forma a que Portugal tenha passado de um país onde esta indústria é quase residual para um país que exporta soluções nesta área. Esta e outras apostas fizeram com que as repercursões da crise do petróleo fossem menos desastrosas.

Entre outras medidas, o programa Novas Oportunidades e o programa Simplex fizeram com que, apesar da diminuição de trabalhadores na função pública, existisse em Portugal uma significativa criação de empregos líquida. Rondou os 94000 o número de postos de trabalho que foram criados a mais do que os que foram destruídos.
Quem conheça o valor da taxa de desemprego estranhará este resultado: o valor é actualmente muito semelhante ao valor que existia quando Sócrates entrou no governo. Se foram criados mais empregos do que aqueles que foram destruídos, como é que a taxa de desemprego não diminuiu? Isto acontece porque a segurança social estava numa situação insustentável. Ao garantir a sustentabilidade da segurança social através de um aumento da idade da reforma, o governo provocou algum desemprego não resultante da destruição de postos de trabalho, o qual foi compensado com a criação líquida destes postos. A minha opinião pessoal é que neste ponto não haveriam muitas ou melhores alternativas viáveis.

No que respeita às questões de «valores», o panorama não se alterou significativamente. Mas há uma excepção que deve ser mencionada: o governo promoveu - e bem! - o referendo sobre a IGV, e o PS teve uma postura coerente e adequada durante a campanha. Melhor do que aquilo que se pode dizer em relação a 1998...

a velha do restelo

«[...] Já se sabe quais as obras públicas que Manuela Ferreira Leite, a nova líder do PSD, quer ver travadas: todas. [...]

E como "não há dinheiro para nada", Ferreira Leite já nem fala, como afirmou no Congresso do PSD, em transferir dinheiro das obras públicas para o apoio social. Para ela, a opção agora é fortalecer as instituições de solidariedade social que já estão no terreno. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 02.07.2008)

para quem está recordado dos desastres governativos da velha do restelo, desde a educação às finanças, aí está a sua promessa para o futuro: mais do mesmo. mais inacção, mais estagnação, menos ideias, menos futuro. o seu projecto para o país resume-se a uma palavra: encerrá-lo (e, neste caso, nem sequer é para obras...). aliás, a única estratégia que mostrou no passado ser capaz de levar a cabo.

com o anúncio de ferreira leite em fechar o país e desistir do futuro, numa coisa seremos campeões: na desigualdade. seremos os primeiros a contar do fim...

como é possível alguém tentar angariar votos com um discurso derrotista de baixar os braços, anunciando o fim do mundo? quem é suficientemente louco para seguir por este caminho?

por mim, faz-te ao mar e não voltes...

«[...] “Vamos aprovar no parlamento da Madeira uma proposta de revisão constitucional para que no seio da Pátria portuguesa se clarifiquem as competências do Estado e da região autónoma”, disse o presidente do Governo Regional da Madeira, sublinhando que “ou se acredita na democracia ou não se acredita, se se acredita o parlamento é a vontade do povo madeirense”. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 02.07.2008)

mas não te esqueças que, sendo a madeira parte de portugal, a tua "democracia" deveria passar também por ouvir todos os portugueses...

leite azeda a constituição

«[...] Questionada por Constança Cunha e Sá sobre o que pensava do casamento entre homossexuais, Manuela Ferreira Leite respondeu: "Eu não sou suficientemente retrógada para ser contra as ligações homossexuais. Aceito. São opções de cada um, é um problema de liberdade individual, sobre a qual não me pronuncio". [...]

Manuela Ferreira Leite resolveu ir mais longe. "Pronuncio-me, sim, sobre o tentar atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente". [...]

[P]erante a insistência de Constança Cunha e Sá sobre se aquela posição não poderia significar uma discriminação, a presidente do PSD garantiu: "Admito que esteja a fazer uma discriminação porque é uma situação que não é igual. A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família". E a seguir especificou que essas medidas eram "no sentido de que a família tem por objectivo a procriação". [...]»


(DN Online --- 02.07.08)

«[...] Para a ILGA, que, na mesma lógica, lança a questão a Ferreira Leite sobre os benefícios fiscais a atribuir a casais heterossexuais inférteis, a posição do PSD é, numa última análise, inconstitucional: “Manuela Ferreira Leite ignora sobretudo a Constituição da República Portuguesa que proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual desde 2004. Aliás, a revisão do artigo 13º (Princípio da Igualdade) fez-se com os votos favoráveis do PSD. Para proteger cidadãs lésbicas e cidadãos gay, e precisamente porque há quem pense que gays e lésbicas são ‘diferentes’, a Constituição proíbe a discriminação. Não é possível manter por isso um apartheid legal”. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 02.07.2008)

terça-feira, 1 de julho de 2008

negócio da china: receber do estado para fazer um serviço que este poderia fazer... sózinho

«[...] O Observatório Português dos Sistemas de Saúde integra investigadores de várias instituições académicas dedicadas ao estudo dos sistemas de saúde.

O relatório afirma que a oferta dos serviços de saúde é geralmente melhor no privado, mas sublinha que esta é apenas viável porque o Estado a financia quase na totalidade. "O sistema privado de saúde em Portugal continua, quase na sua totalidade, apenas a ser viável se financiado pelo Estado", afirma o relatório, acrescentando que o Estado acaba por não investir no sector público. [...]»


(Esquerda.Net --- 01-Jul-2008 )

mas e onde está a surpresa?

«[...] A Dr.a Manuela Ferreira Leite não pode continuar calada!

O custo da energia aumenta, o crédito está mais caro, os portugueses sofrem com a crise mundial e a líder da oposição não tem uma ideia, não tem uma palavra, uma sugestão para dar?!

É o zero da política.
Uma pura burocrata à espera que o poder lhe caia nos braços.
Sem sonho, sem audácia, sem chama, sem alma... [...]»


(Ponte Europa --- Julho 01, 2008)