domingo, 31 de maio de 2009

Pela igualdade no casamento civil

Eu acho que os homossexuais não sabem no que se estão a meter (casamento), e que estão muito enganados se pensam que deixarão de ser olhados de lado se se puderem casar. Mas acho que não se perderá nada e se ganhará alguma coisa no dia em que puderem assmir responsabilidades legais perante o cônjuge. Pode-se assinar a petição pela igualdade no casamento civil aqui. Detalhes noticiosos por aqui e por acolá.

Medb Ruane: «Church power is incompatible with our modern democracy»

Na Irlanda, continua o escândalo do abuso sexual às mãos da «caridade» católica... e há muito quem não queira ouvir.
  • «A generation became 'abused out' while the commission sat. The stories were so harrowing and dark that some started speaking of "abuse fatigue", which was code for saying "don't tell us any more" or "let's keep foolin' ourselves" -- or even "tell them they don't want to hear and we might get away with it". (...)

    The heart of the story is the immense suffering of children in residential care managed by Catholic orders -- how they were treated as objects by sadists, and how those sadists were effectively protected by the religious orders and by the State's gross failure to challenge them.

    The abuse was possible because the orders and the residential homes were run like totalitarian states -- in a State which kept out because of respect for Catholicism and an absence of children's rights. Meanwhile, the orders were answerable only to the Vatican State, where democracy and accountability still don't feature. (...)» (Ler na íntegra.)

Pois, pois, com a Bíblia a discussão melhora de nível

o ministro israelita Daniel Herschkowitz cita fantasias da Bíblia para explicar a realidade. Comparar Obama com um faraó dum conto de fadas vai, de certeza, ajudar a resolver o problema.

E ninguém diz nada: Israel é um país de um conto de fadas (mau), governado por uma ideologia absolutamente lunática (e racista).

Mau gosto

Todos estamos fartos de saber isto: a classe média está em decadência desde os anos Reagan Thatcher. O motivo? Políticos que acreditam que asseguram o futuro dos filhos lambendo as botas aos ricos (embora os da Thatcher sejam uns desgraçados).

Sobre a classe média, hoje, no El Pais: "El declive de la clase media se extiende por todo el mundo desarrollado. En Alemania, por ejemplo, un informe de McKinsey publicado en mayo del año pasado, cuando lo peor de la crisis estaba aún por llegar, revelaba que la clase media -definida por todos aquellos que ganan entre el 70% y el 150% de la media de ingresos del país- había pasado de representar el 62% de la población en 2000 al 54%, y estimaba que para 2020 estaría muy por debajo del 50%."

Só me faz confusão o mau gosto Durão Barroso (e dos patrões dele). No México e no Brasil (os modelos económicos deles), a vida dos multimilionários é miserável: raptos, crimes, poluição, lixo, máfias, violência, bairros de lata ao lado de condomínios com paredes de 6 m de altura, guardas com metralhadoras. E isto é o mundo com que eles sonham?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Uma campanha triste

As campanhas eleitorais para as eleições europeias deixam sempre a maioria da população indiferente. E com razão: mesmo se a maioria provavelmente não se apercebe de que o Parlamento Europeu é uma mera câmara consultiva, que pode vetar legislação mas não a pode iniciar, é óbvio que nunca uma eleição para o Parlamento Europeu provocou a queda ou mudou a orientação política de uma Comissão Europeia. A União Europeia, como deveria ser explicado por políticos que quisessem realmente esclarecer os cidadãos, é efectivamente governada pelo Conselho Europeu, ou mais concretamente pelo Directório de grandes países que o domina pela força de Tratados que conseguem o prodígio de reconhecer o peso da demografia desconhecendo a democracia.

Para o futuro da União Europeia, o mais importante são portanto as eleições nacionais na Alemanha, na França, na Itália e no Reino Unido.

No pequeno Portugal, os candidatos ao Parlamento Europeu nunca assumem nada disto, embora o saibam. E portanto não podem prometer mudanças nas políticas da UE, porque sabem que elas dificilmente virão do Parlamento Europeu; e não podem prometer mudanças na mecânica política da UE, porque essas só poderão resultar de eleições de âmbito nacional, com os grandes Estados a liderar o processo.

As eleições nacionais para o Parlamento Europeu são o melhor exemplo da democracia enquanto Catch 22: nada de substancial será mudado pelo voto, porque o próprio sistema (União Europeia) está construído para evitar que isso aconteça. O que torna a campanha triste e apagada.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dias Loureiro kaput

Era o padrinho do cavaquismo: adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye...

Exactamente o que eu disse

Sobre a remodelação da Praça do Comércio, escrevi: «não entendo qual a relação entre a remodelação apresentada da Praça e a celebração do centenário da implantação da República. Insiste-se na temática dos «descobrimentos», com rotas de navegação do século 16 desenhadas no chão. (...) Para quando a ruptura com a cultura política que insiste no Afonso Henriques, no Vasco da Gama e no Nun´Álvares?». Agora, comenta-se, lá para a Ordem dos Arquitectos: «Quanto às linhas se prevê que venham a ornamentar os passeios junto às arcadas, inspiradas nas antigas cartas de marear, lembram a Carrilho da Graça “os tempos do fascismo e a exposição do mundo português”». Ora, exactamente.

Quanto à redução da área para circulação automóvel, a necessidade de árvores e a desnecessidade de degraus junto ao rio, parece que estamos (quase) todos de acordo.

Pergunta

Não sei o que espera Cavaco Silva para retirar publicamente a sua confiança política a Dias Loureiro. Estará à espera que o outro se demita do Conselho de Estado por vontade própria? Se muito o segura, ainda acaba arrastado na queda...