- «A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, supervisor bolsista, acaba de entregar no Ministério Público uma queixa-crime contra o Banco Comercial Português (BCP). Em causa estão ainda os ex-gestores do BCP, liderados por Jorge Jardim Gonçalves, acusados de entre 2000 e 2002 terem actuado, através de veículos off-shores, com a finalidade de manipular o mercado, lesando os investidores, nomeadamente, os pequenos accionistas.» (Público)
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Criminosos?
Revista de blogues (27/6/2008)
- «Não é difícil enumerar, a título exemplificativo, alguns elementos básicos de um programa europeísta de esquerda para a UE: - incluir nos objectivos do BCE o crescimento económico (tal como acontece no caso do Banco Federal Americano) e o pleno-emprego, corrigindo assim a obsessão exclusiva com a estabilidade de preços; - promover a criação de instrumentos de política orçamental à escala europeia com fins de estabilização conjuntural (para além de um combate efectivo às assimetrias regionais); - eliminar a concorrência fiscal através de um esforço de harmonização da fiscalidade sobre as empresas e sobre os ganhos de capital, impedindo que a livre circulação de capitais na UE continue a corroer a base fiscal dos países e da União; - adoptar uma taxa Tobin Europeia para amenizar os movimentos de capitais especulativos. Vital Moreira não precisa de gastar tempo a explicar que estas medidas são inviáveis no quadro actual da UE. Não temos dito outra coisa. Mas a sua inviabilidade não é técnica ou teórica. Ela deriva de um arranjo institucional que deixa poucas alternativas, mesmo que houvesse para tal maiorias claras entre os cidadãos europeus. É assim mesmo, o neoliberalismo está mesmo no sangue daquilo que é a UE nos dias de hoje.» («E ainda: que tipo de europeísta é Vital Moreira?», no Ladrões de Bicicletas).
- «A promiscuidade que se vive entre o Estado (neste caso representado pela sua entidade local-a autarquia) e a Igreja, permite a remodelação de sítios que não são públicos (do pressuposto de estarem sobre a responsabilidade estatal). Confundir freguesia com paróquia transpõe-nos para uma época ida onde os espaços administrativos eram delimitados pelas congregações religiosas. Qual a urgência de beneficiação de tal sítio? Será a sua importância histórica? O seu papel de apoio social? Porque a Igreja (no seu todo), com todo o seu esplendor monetário não remexeu nos seus fundos para suportar as obras de remodelação desta pequena paróquia? Não houve alternativa ao investimento público num sítio religiosamente privado?» («Investir no necessário», no Remisso).
Autor:
Ricardo Alves
às
13:45:00
0
comentários
Marcadores:
Blogues
,
Economia
,
Laicidade
,
União Europeia
Mugabe Love Sócrates
- «O vice-ministro da Informação do Zimbabwe, Bright Matonga, agradeceu hoje ao governo português ter embaraçado o Reino Unido ao receber o Presidente Robert Mugabe em Lisboa, durante a recente Cimeira UE/África. Em entrevista exclusiva à Rádio Renascença, Bright Matonga disse que o seu país não tem actualmente nenhum problema com Portugal. “Nós estamos muito orgulhosos pelo embaraço que o governo português causou ao governo britânico… E estou surpreendido pelo facto de os jornalistas portugueses não estarem no Zimbabwe. Eles são bem-vindos!”, disse o vice-ministro aos microfones da RR.» (Público)
É quase sinistro ver o governo que se prepara para roubar as eleições no Zimbabué (Tsvangirai, que parecia poder ganhar a segunda volta, está refugiado na embaixada holandesa) a elogiar o governo português. O Zimbabué poderia ter ficado mais próximo de ser uma democracia. Afinal, poderá descambar na repressão, e o governo português terá desempenhado uma parte neste drama: a de ama-seca do ditador Mugabe.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Violência policial
O caso da repressão desproporcionada da manifestação anarquista de 25 de Abril de 2007 ainda dá que falar:
- «Um agente do Corpo de Intervenção da PSP poderá ser suspenso por ordem da IGAI, por supostamente ter usado violência excessiva contra manifestantes, no dia 25 de Abril do ano passado. O Ministério Público ilibou-o do mesmo caso. (...) A IGAI considera que o agente agiu com excesso de força e "culpa grave", e propõe a suspensão, mas o Ministério Público (MP) entende que a intervenção policial foi a "estritamente adequada" e mandou arquivar a queixa, segundo documentos a que o JN teve acesso.» (Jornal de Notícias, via O Nadir dos Tempos)
Os 100 anos de Allende
Uma exposição no Chile comemora os 100 anos do nascimento de Salvador Allende. Desde 1971 cerca de uma centena de artistas ofereceu obras de arte para um 'Museo de la Solidaridad' que se pretendia que "fosse um espaço de arte e cultura onde se celebrasse a solidariede entre os homens e os povos".
Está explicado o golpe de estado de Pinochet/Universidade de Chicago. :o) Imaginem o que uma ideia destas poderia fazer ao complexo industrial militar do 'mundo livre'.
Está explicado o golpe de estado de Pinochet/Universidade de Chicago. :o) Imaginem o que uma ideia destas poderia fazer ao complexo industrial militar do 'mundo livre'.
George Carlin
Os comediantes são quase sempre as melhores válvulas de escape quando as pessoas se sentem infelizes. Nos EUA, desde os anos sessenta, comediantes corajosos como Lenny Bruce conquistaram um espaço onde se pode dizer quase tudo.
Como em Portugal e no resto do mundo, nos EUA há sempre milhões que se ofendem quando se goza com deuses, generais, milionários, políticos e futebolistas. Mas aqui é dificílimo calar os comediantes.
E George Carlin foi uma voz sensata e divertidíssima durante os últimos 50 anos. Morreu no domingo. Vale a pena vê-lo no programa insuportavelmente medíocre do medíocre Dennis Miller em Junho de 2001.
Como em Portugal e no resto do mundo, nos EUA há sempre milhões que se ofendem quando se goza com deuses, generais, milionários, políticos e futebolistas. Mas aqui é dificílimo calar os comediantes.
E George Carlin foi uma voz sensata e divertidíssima durante os últimos 50 anos. Morreu no domingo. Vale a pena vê-lo no programa insuportavelmente medíocre do medíocre Dennis Miller em Junho de 2001.
Virar à direita
Obama já começou a tentar sossegar a extrema direita americana. a realidade é esta: dois terços dos americanos são pessoas simples, que vivem no campo e, como diz o Ricardo, acreditam em anjos e nos televangelistas. Não é justo nem democrático que o presidente desta gente toda seja de esquerda.
Obama começou a virar à direita no dia em que Hillary desistiu. A primeira coisa que fez foi nomear um homenzinho um bocado oleoso, chamado Jason Furman, que acha que os pobres não precisam de comer, para chefe dos seus conselheiros económicos.
Nós (eu, pelo menos) passamos a vida a chamar nomes horríveis ao Salazar e ao Franco e ao Mussolini, mas os facistas eram uns meninos de coro ao pé destes neo-cons.
Agora aceitou um compromisso que protege as companhias de comunicações que fizerem escutas ilegais para o estado.
A esquerda desatou aos berros. Mas eu não acho moral que em democracia a esquerda queira impor os seus pontos de vista à maioria. Talvez devesse gastar esta energia a pensar numa maneira de explicar aos campónios que a maioria dos milionários não paga impostos porque comprou os políticos que lhes escrevem as leis, e não porque Deus os abençoou. Por exemplo. Ou a explicar-lhes o que é que o governo faz aos soldados depois deles se tornarem inúteis por perderem pernas e braços, ou desenvolverem síndromas psicológicos que os tornam inúteis para a guerra. Ou a contar-lhes o que se passa, de facto, no Médio Oriente, onde os europeus têm uma colónia onde praticam o apartheid e matam quem se queixa das injustiças.
Obama não é de direita (Clinton era e a mulher dele também). Mas se vier a ser presidente, Obama não pode desatar a resolver os problemas todos do ponto de vista dele: paz, prosperidade, justiça social, educação, liberdade, protecção dos direitos dos cidadãos. Tem de ouvir as pessoas. E as pessoas querem tortura e execuções, igrejas e rezas nas escolas, pornografia depois do jantar, às escondidas, querem ser soldados e matar muçulmanos, criminalizar a homossexualidade e reprimir a sexualidade das mulheres.
Eu demorei imenso tempo a perceber que, por exemplo, aqui no Texas a segurança social é uma coisa que mancha a honra de quem precisa dela. As pessoas preferem não ter dentes do que passar pela vergonha de ter de recorrer à segurança social.
E este é um problema sério: como é que se ajuda a viver melhor uma população que não quer ser ajudada?
Obama começou a virar à direita no dia em que Hillary desistiu. A primeira coisa que fez foi nomear um homenzinho um bocado oleoso, chamado Jason Furman, que acha que os pobres não precisam de comer, para chefe dos seus conselheiros económicos.
Nós (eu, pelo menos) passamos a vida a chamar nomes horríveis ao Salazar e ao Franco e ao Mussolini, mas os facistas eram uns meninos de coro ao pé destes neo-cons.
Agora aceitou um compromisso que protege as companhias de comunicações que fizerem escutas ilegais para o estado.
A esquerda desatou aos berros. Mas eu não acho moral que em democracia a esquerda queira impor os seus pontos de vista à maioria. Talvez devesse gastar esta energia a pensar numa maneira de explicar aos campónios que a maioria dos milionários não paga impostos porque comprou os políticos que lhes escrevem as leis, e não porque Deus os abençoou. Por exemplo. Ou a explicar-lhes o que é que o governo faz aos soldados depois deles se tornarem inúteis por perderem pernas e braços, ou desenvolverem síndromas psicológicos que os tornam inúteis para a guerra. Ou a contar-lhes o que se passa, de facto, no Médio Oriente, onde os europeus têm uma colónia onde praticam o apartheid e matam quem se queixa das injustiças.
Obama não é de direita (Clinton era e a mulher dele também). Mas se vier a ser presidente, Obama não pode desatar a resolver os problemas todos do ponto de vista dele: paz, prosperidade, justiça social, educação, liberdade, protecção dos direitos dos cidadãos. Tem de ouvir as pessoas. E as pessoas querem tortura e execuções, igrejas e rezas nas escolas, pornografia depois do jantar, às escondidas, querem ser soldados e matar muçulmanos, criminalizar a homossexualidade e reprimir a sexualidade das mulheres.
Eu demorei imenso tempo a perceber que, por exemplo, aqui no Texas a segurança social é uma coisa que mancha a honra de quem precisa dela. As pessoas preferem não ter dentes do que passar pela vergonha de ter de recorrer à segurança social.
E este é um problema sério: como é que se ajuda a viver melhor uma população que não quer ser ajudada?
Subscrever:
Mensagens
(
Atom
)