quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A Alemanha tem coisas boas


  • «Government surveillance of personal computers violates the individual right to privacy, Germany's highest court found Wednesday, in a ruling that German investigators say will restrict their ability to pursue terrorists. In the ruling, Germany's Constitutional Court in Karlsruhe, established the privacy of data stored or exchanged on personal computers as a basic right protected by the nation's constitution.» (Yahoo News)
Felizmente, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não aos tarados das informações que estão dispostos a destruir todas as garantias constitucionais das democracias europeias a troco do poder de espreitar a vida alheia. Esperemos que em Portugal haja juízes capazes de esta postura vertical.

Vai cair a segunda peça do dominó

Conforme previsto aqui no Esquerda Republicana, a independência do Kosovo pode ser apenas a primeira numa nova sucessão de dominós em queda.
  • «Quatro dias depois da proclamação unilateral da independência do Kosovo, o Parlamento autónomo da República Srpska adoptou uma resolução afirmando o seu "direito" a separar-se da Bósnia-Herzegovina se as Nações Unidas e a maioria dos países ocidentais reconhecessem a independência da província sérvia de maioria albanesa.» (Jornal de Notícias)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Caroline Fourest: «Nicolas Sarkozy ou l’esprit de 1905 en danger»

No texto destacado mais abaixo, Caroline Fourest denuncia a ilusão sarkoziana de se apoiar no Islão para combater a pobreza e a delinquência. Sarkozy poderá mesmo colocar em causa a lei de separação francesa de 1905 para mais facilmente financiar e controlar as mesquitas, com o pretexto de que estas dariam aos jovens uma panaceia chamada «esperança» capaz de os fazer esquecer o desemprego, a adrenalina e o desenraizamento.
  • «(...) Autant la volonté d’empêcher la construction d’une mosquée, comme à Nice, doit être combattue car elle révèle un impensé raciste et une volonté de maintenir la prédominance culturelle chrétienne. Autant celle de construire des lieux de culte en sus et place de centres sociaux ou culturels sur des fonds publics révèle une incompréhension grave des priorités et menace le vivre-ensemble. Elle trahit l’espoir bien illusoire d’acheter la paix sociale en substituant l’« espérance spirituelle » à l’espérance sociale dans les quartiers populaires . C’est le programme affiché par Nicolas Sarkozy dans La République, les religions, l’espérance , écrit en collaboration avec Thibaud Collin, membre de la Fondation de Service politique, l'un des think-tank du Vatican et de son aile droite (Opus Dei, Légionnaires du Christ etc). Une fois élu, Nicolas Sarkozy a d’ailleurs confié le ministère de la ville et du logement (donc en partie des banlieues) à Christine Boutin, conseillère du Vatican. Son directeur de cabinet, approuvé par la présidence et le Premier ministre, est un intégriste chrétien formé par la Cité catholique (une association prônant la restauration d’une forme de théocratie). Quant à l’homme qu’elle a chargé du dossier des quartiers populaires, Jean-Marie Petitclerc, il est prêtre.
  • (...) Contrairement à ce que semblent croire plusieurs de ses sympathisants, l’intégrisme en banlieue n’est pas forcément un problème aux yeux du nouveau président de la République. Il y verrait plutôt un moyen efficace de lutter contre la délinquance : « Partout en France, et dans les banlieues plus encore qui concentrent toutes les désespérances, il est bien préférable que des jeunes puissent espérer spirituellement plutôt que d’avoir dans la tête, comme "seule religion", celle de la violence, de la drogue ou de l’argent. » (...)»

Raúl Proença: o pensamento é sempre livre

  • «Não se pode proibir de pensar livremente, porque está na natureza humana ser livre no conceber e no realizar. Impedi-lo é pois não só uma tirania, como uma loucura; e não só uma loucura como uma tolice. São necessárias inteligências que abram. A liberdade de consciência é o dom da humanidade. Negar a tolerância em qualquer campo da actividade raciocinativa do Homem é atentar contra o progresso, é proceder contra a Vida. É não reconhecer a possibilidade de organismos mais completos, de visões mais nítidas da verdade, de almas mais acordadas para o reconhecimento do verdadeiro. Pratiquemos pois a tolerância absoluta: a liberdade do erro é sagrada.» (Raúl Proença)

Raúl Proença é, talvez, o mais injustamente desconhecido dos republicanos socialistas portugueses da primeira metade do século 20.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

The Economist: «Sever them»

«(...)

Most European countries that are Christian by inheritance have seen a decline in traditional religious observance. Many have opened their doors to devout Muslim minorities. The result is often a confrontation between Christianity and other faiths, and between religious values and secular ones.

(...)

It makes no sense in a pluralistic society to give one church special status. Nor does it make sense, in a largely secular country, to give special status to all faiths. The point of democracies is that the public arena is open to all groups—religious, humanist or football fans. The quality of the argument, not the quality of the access to power, is what matters. And citizens, not theocrats, choose.
Disestablishing the Church of England does not mean that it has no public role to play. America's founders said there should be no established religion, but religion shapes public debate to a degree that many in Europe find incomprehensible. Let religion compete in the marketplace for ideas, not seek shelter behind special privileges. One law for all, with its enlightened insistence on tolerance and free speech, is not a “bit of a danger”. It is what underwrites the ability of all religions to go about their business unhindered

(The Economist, editorial)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Alguém ouviu?

  • «O governo britânico confirmou ontem a passagem de dois voos da CIA pela base militar de Diego Garcia, no oceano Índico, nos quais foram secretamente transportados dois suspeitos de terrorismo (...) o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu desculpa pelos erros que considerou "muito graves". "O importante agora é levar a cabo as medidas necessárias para garantir que isto não volte a acontecer", afirmou Brown durante a sua primeira visita a Bruxelas como primeiro-ministro britânico. Aproveitando a presença de Brown, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, apelou a todos os países europeus para que sejam mais "transparentes e investiguem o que aconteceu em relação a essas transferências de prisioneiros".» (Jornal de Notícias)
Deixando de parte a hipocrisia de Durão Barroso, que terá sido, possivelmente, o primeiro Primeiro Ministro português do período democrático a autorizar a colaboração na tortura de prisioneiros, é de enaltecer que Gordon Brown tenha admitido um erro. Espero que alguém no governo português o tenha ouvido, e que se comecem a investigar aprofundadamente os voos que passaram nos Açores, e outros casos de tortura menos falados. Já vai sendo tempo de começar a punir os responsáveis pelo recuo civilizacional que o regresso da tortura representa. Quem não compreende o respeito pelos Direitos do Homem como princípio fundamental da nossa civilização, deve pelo menos compreender que fornecer mártires a uma ideologia religiosa é um erro estúpido.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Interlúdio musical

Para desenjoar da política, um interlúdio musical inimitável.