quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A direita populista já tem candidato

No meio de uma crise social e económica como a que se vive, nunca falta quem diga que «os políticos querem é tacho», que são todos iguais, todos corruptos, e que no tempo do Salazar é que era. Como é a direita parlamentar quem governa, tremendamente desacreditada e apenas apoiada num Presidente autista que prefere deixar a situação política degradar-se, e para cúmulo decidiu concorrer coligada às eleições europeias, esse discurso tem criadas as condições para se corporizar eleitoralmente numa candidatura da direita populista, extra-parlamentar e que levante o combate à corrupção (esse filão inesgotável) como a sua principal bandeira.

A candidatura de Marinho e Pinto por um pequeno partido da direita radical (o MPT) satisfaz todas as condições acima mencionadas. Ser bastonário da Ordem dos Advogados deu-lhe uma notoriedade pública muito acima de qualquer líder do PNR ou do que José Maria Coelho (que, recorde-se, teve 4.5% numa eleição presidencial). O seu discurso histriónico e a capacidade torácica para gritar mais alto do que todos os outros na televisão são uma imagem de marca de uma visão simplista da coisa pública, própria de quem não tem soluções para além da denúncia e do apontar de dedo. A ausência de pensamento sobre a Europa não será, portanto, um problema. Só falta que Paulo Morais (com quem tem partilhado o palco em muitas ocasiões públicas) surja mais à frente ao seu lado (o que imagino que acontecerá). A sua intransigente e orgulhosa homofobia é um bónus que tranquilizará mesmo os mais salazaristas.