domingo, 2 de dezembro de 2012

Isto explica mesmo muito

Em mais um fim de semana de "Banco Alimentar", ou lá como aquela coisa se chama (a propósito do qual vezes sem conta se repetiu recentemente a banda desenhada que aqui publico), prefiro chamar a atenção para mais esta parangona, que não é tão inofensiva como parece. Para além de revelar que António Costa é neste momento o único político que a direita realmente teme, é muito elucidativa da forma de "pensar" e ver a sociedade por parte da gentinha que nos (des)governa. A este respeito vale a pena ler por completo este texto de Luís Gaspar, do qual deixo aqui alguns destaques:
Na cabeça desta gente, um pobre é, basicamente, um tipo que tem tudo o que o rico tem, mas tudo o que tem é um bocadinho pior (...). Na cabeça desta gente, há uma linha integralmente contínua que separa o rico do pobre, uma régua onde a distância entre toda a gente pode ser medida numa unidade monetária homogeneizante (ou seja, não há classes, há indivíduos). É sobre esta régua continua que a senhora Jonet queria fazer alinhar os pobres: fazê-los transitar da extremidade mais rica para uma mais consistente com a sua riqueza (é tudo um processo de re-ajustamento horizontal: ninguém cai, é só andar um bocadinho para o lado). É também esta a régua, aliás, subjacente aos modelos económicos que estão por detrás dos "processos de reajustamento" baseados na deflação doméstica que os austeritários impõem sobre o país. (...) Como é óbvio, a pobreza é disruptiva, não é contínua. A fome, a vulnerabilidade, a humilhação, a privação, são condições que determinam o rumo da própria vida, não se limitam a torná-la mais difícil ou menos agradável. Um pobre não tem carro, muitas vezes não tem casa, não faz escolhas.

9 comentários :

  1. «"Banco Alimentar", ou lá como aquela coisa se chama»

    Este asco significa que o Filipe Moura acha que estaríamos melhor sem o Banco Alimentar contra a fome? Que o trabalho realizado pelas centenas de voluntários é inútil, quiça pernicioso? Ou é tudo reação contra a anormal da Jonet? É que quem recebe a ajuda do banco alimentar não deixa de ter fome só porque a Jonet é uma imbecil...

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  2. Esse pequeno comentário lateral também me parece o «ponto fraco» deste texto.

    Ele revela uma divergência de fundo muito grande em relação ao papel da acção social e do voluntariado.

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  3. A direita portuguese acredita que deus fez os ricos e os pobres. O que é que se há-de fazer? Nada, a não ser dar-lhes macarrão e outras coisas que eles comam. Para se sentirem bem com a consciencia.

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  4. Eu acho muita porca essa do Costa.
    Entäo agora näo posso passear o meu velhinho Ferrari Mondial? Nem mesmo o F355?
    Ninguém se preocupa verdadeiramente connosco pobres...

    ...

    Eu sou daqueles "radicais" que estou contra essa "acção social e do voluntariado" porque na minha visäo "radical" compete ao Estado tomar conta dos seus cidadäos.
    http://2.bp.blogspot.com/_0vVKT_iqTC8/SzZ9C6w2AUI/AAAAAAAAH3s/aaSbFdcDSSw/s400/caridade.jpg
    Se alguém quiser, depois disso, ajudar, esteja à vontade. Mas que näo exista para substituir o Estado nesse papel.
    Partilhos as palavras do FC.
    http://www.youtube.com/watch?v=ZHieMBabirY

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  5. Eu não falo por ninguém a não ser por mim mesmo: por mais ampla e completa que seja a assistência social de um dado país, nunca será perfeita. E mesmo que fosse perfeita, haverá os países vizinhos. A solidariedade nunca é de mais e é um bom hábito para nos lembrarmos de que há gente a passar fome e dificuldades. Para mim, não me sossega a consciência, aviva-a. Sossegado ficaria eu em casa!
    O banco alimentar nunca substituirá o estado social. No dia em que a jonet ou outra que tal que esteja a dirigir o banco achar isso, sou o primeiro a virar-lhe as costas. Mas até que o estado social consiga garantir que não há fome neste país, continuarei a ajudar. Porque estou "desassogado".

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    1. JDC, se no "dia em que a jonet ou outra que tal que esteja a dirigir o banco achar" que o Banco Alimentar substituirá o estado social você é "o primeiro a virar-lhe as costas", entäo presumo que já lhe virou as costas há muito...

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  6. «Eu não falo por ninguém a não ser por mim mesmo: por mais ampla e completa que seja a assistência social de um dado país, nunca será perfeita. E mesmo que fosse perfeita, haverá os países vizinhos. A solidariedade nunca é de mais e é um bom hábito para nos lembrarmos de que há gente a passar fome e dificuldades. Para mim, não me sossega a consciência, aviva-a. Sossegado ficaria eu em casa!»

    É isso mesmo.
    Parece-me que a mesma empatia que me faz querer que o estado lide com determinados problemas humanos (fome, falta de abrigo, falta de oportunidades, etc...), usando os recursos de todos, também me faz aplaudir aqueles que querem lidar com esses problemas usando os seus próprios recursos (seja tempo, dinheiro, bens, etc...).
    Não é uma questão de uma coisa substituir outra. É uma questão de se tentar ajudar por todos os meios. Até onde quer que o estado vá, é sempre possível ir mais longe, se existir empatia e decência.

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    1. ... concordo. Empatia e decência, e näo "susanices xonés" (sossegos de consciências enquanto trabalham para manter a pobreza ou aumentá-la).

      Olhem para o que faz a CAIS, aqui está um comentário que subscrevo
      Gosto do projeto da CAIS, pois não dá “esmolas”, promove a subsistência das pessoas através do seu trabalho. Um trabalho difícil, ingrato mas que quem precisa faz com orgulho, pois viver do seu trabalho é o que a grande maioria das pessoas quer. Além disso registo que não faço ideia de quem é presidente dessa instituição, ou seja, não há pavões com “peninha dos pobrezinhos que não se sabem governar”. Parabéns à CAIS e a si por colaborar com essa instituição. Farei os possíveis por aparecer nesses dias no Porto (mas não a conheço para ir cumprimentar) Tem que levar algo que a identifique e terei todo o prazer em cumprimentá-la. Bem haja!

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  7. Ver a diferença entre o caritário solidário Eugénio da Fonseca e a estúpida caridadezínhica Isabel Xoné!

    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=609137&tm=8&layout=122&visual=61

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