sábado, 31 de maio de 2008

Zapatero na tomada de posse


E depois ainda dizem que ele é anticlerical...

Educação

O resultado de 30 anos de desinvestimento no sector do ensino em Inglaterra é o que seria de esperar.

A situação é curiosa, porque agora é a própria direita que gostava que todos os ingleses nativos - por oposição aos imigrantes - estivessem em oposição de mandar, organizar, enfim, salvar o que eles acham que é a cultura genuinamente inglesa (e que em meu entender tem características excelentes, juntamente com os chauvinismos e os paroquialismos com que nós todos gostamos de gozar).

O mundo é assim. Os ricos não sabem o que querem e estão-se sempre a meter em aldrabices e esquemas cujo intuito é acumular riqueza. Depois, quando a estupidez e a ganância geram guerras, fomes, tumultos e poluição, arranjam propagandistas para nos dizerem que está tudo bem, nas rádios, televisões e revistas deles.

Só que agora começa a ser difícil 'fazerem a realidade' em que vivem. Os intelectuais TODOS do mundo avisaram, há 30 anos, que o neoliberalismo era uma doutrina criminosa e que um mundo sem classe média não tinha viabilidade. Chamaram-lhes neuróticos depressivos (por exemplo no Economist, todas as semanas) e 'explicaram-lhes' que o 'crescimento económico' era a única coisa que interessava porque depois, quando o planeta fosse riquíssimo, o dinheiro (essa abstração contabilística que são as somas dos cash-flows todos, das empresas todas, até daqui a 1000 anos, estimados hoje) dava para resolver os problemas todos.

E agora? Culpar os imigrantes e os muçulmanos não vai resolver o problema...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

República do Nepal

O Nepal passa a República, e o hinduísmo deixará de ser religião de Estado. Restam 44 monarquias no mundo.

As dificuldades de César

O último artigo de João César das Neves (JCN), já referido pelo Carlos, merece reflexão.

Devemos deixar de lado as graçolas pueris típicas da argumentação católica, como por exemplo «recusar Deus é uma crença como as outras» (como se a careca fosse um penteado, ou a saúde fosse uma doença), ou ainda jogos de linguagem como «uma obra supõe um autor» e «uma lei implica um legislador». Um artigo de fundo pressupõe palavras ordenadas, mas, como se vê, não pressupõe rigor nem honestidade intelectual.

Confrontemos as três «dificuldades» do ateísmo alegadas pelo nosso inefável JCN.

A primeira «dificuldade» seria que «a resposta ateia tem de ser que o acaso de milhões de anos conduziu de uma explosão ao sorriso da minha filha». Acontece que, como já foi dito dezenas de vezes, «acaso» é um termo errado para a evolução do universo. Se eu largar uma pedra no ar, ela não cai «por acaso». Cai porque a massa atrai massa. E se eu soltar uma raposa num galinheiro, a extinção das galinhas não é um acaso. É a satisfação de um apetite. É por mera economia de expressão que chamamos «leis» às regularidades do universo que conseguimos compreender. Porque nenhum «legislador» previu o extermínio das galinhas, nem o sorriso da filha de JCN. Mas se as antepassadas desta não sorrissem, mais dificilmente teriam garantido o afecto paterno e, portanto, a sobrevivência do seu património genético. Mas adiante.

A segunda dificuldade seria que «meros átomos de carbono, aglomerados em aminoácidos e evoluindo pela selecção natural» não poderiam «gritar que salário digno é valor universal». O salto de lógica (uma das mais genuínas tradições teológicas) destina-se a baralhar os leitores. Os átomos de carbono aglomeraram-se há muito, e há muito que alguns desses aglomerados descobriram estratégias de sobrevivência e de defesa do seu bem-estar. Primeira: a reprodução sexuada. Segunda: a vida em sociedade. Terceira: coligações de interesses em cada sociedade (sindicatos, por exemplo). Não olhar para os passos intermédios só é útil para quem tudo quer confundir. A realidade é mais fascinante, complexa e rica do que a versão mesquinha e dogmática que os teólogos nos querem vender.

Mas JCN toca, a este propósito, num ponto importante: «todos os humanos sentem em si uma ânsia de justiça e verdade, um sentido de bem e mal». Eu creio que exagera: estou convencido de que existe, em qualquer população humana suficientemente grande, uma percentagem de psicopatas (quase todos do sexo masculino), que só observam as regras sociais (quando o fazem...) por puro cinismo. Todos os outros humanos terão algum equilíbrio entre o seu sentido ético inato e os instintos que os levam a transgredi-lo. Mas JCN engana-se se pensa que os «valores comuns» caíram do céu aos trambolhões. A «ética universal» pode ser em parte inata (não praticar violência gratuitamente), e em parte consequência necessária da dinâmica de grupo (expulsar do grupo quem pratica crimes, por exemplo).

Finalmente, a terceira dificuldade seria que «para o ateu este universo, sem origem nem orientação, também não tem propósito». Sinceramente, sempre me pareceu de uma enorme falta de verticalidade precisar de uma muleta divina para discernir o «bem» do «mal». Sim, o universo, em si, não tem propósito ético. E depois? Continuamos a poder decidir, à escala humana, qual é o propósito das nossas vidas. A indiferença do universo é apenas o cenário sobre o qual o fazemos.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Guerra é guerra...

A propósito das brutalidades desta guerra, um testemunho eloquente aqui. Bem sei que a maioria das pessoas insiste em não querer saber de coisas dolorosas, mas Portugal faz parte desta invasão e nunca ninguém deu um pio contra ela, nem no PP-PPD, nem no P"S".

psd: de bando patético a bando perigoso

«[...] "Parece que quase todos os candidatos do PSD, senão todos, estão de acordo em desmantelar a universalidade do SNS, querem acabar com o acesso igualitário de todas as pessoas que pagam os seus impostos e que têm direito a serem tratadas com a melhor competência, quer dizer, querem destruir o SNS", declarou F. Louçã à comunicação social, segundo noticia a agência Lusa.

Louçã considerou que se instalou no Governo PS e na direita uma espécie de consenso, "defendem um serviço de misericórdia para os pobres e um serviço de saúde de grande qualidade para quem o pode pagar", e contrapôs: "Nós não queremos que a diferença da carteira tenha nenhum peso na qualidade do serviço de saúde a que as pessoas têm direito".

O coordenador da Comissão Política do BE defendeu: "Qualquer pessoa tem de ter direito aos melhores médicos, às melhores competências, ao melhor atendimento, ao máximo respeito. Isso é que é um SNS. É para isso que pagamos impostos, para que haja o cuidado de todos em relação a todos". [...]»


(Esquerda.Net --- 25-Mai-2008)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mário Soares: «Pobreza e desigualdades»

Vale a pena ler o artigo de Mário Soares que hoje abre os noticiários:
  • «(...) No entanto, no nosso canto europeu, deveremos fazer tudo o que pudermos, numa estratégia concertada e eficaz, para combater a pobreza - há muito a fazer, se houver vontade política para tanto - e também para reduzir drasticamente as desigualdades sociais. Até porque, como têm estado a demonstrar os países nórdicos - a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia - as políticas sociais sérias estimulam o crescimento, contribuem para aumentar a produção e favorecem novos investimentos. Este é o objectivo geostratégico para o qual deveremos caminhar, se quisermos evitar convulsões e conflitos.

    Depois de duas décadas de neoliberalismo, puro e duro - tão do agrado de tantos que se dizem socialistas, como desgraçadamente Blair - uma boa parte da Esquerda dita moderada e europeia parece não ter ainda compreendido que o neoliberalismo está esgotado e prestes a ser enterrado, na própria América, após as próximas eleições presidenciais. A globalização tem de ser, aliás, seriamente regulada, bem como o mercado, que deve passar a respeitar regras éticas, sociais e ambientais.

    Em Portugal, permito-me sugerir ao PS - e aos seus responsáveis - que têm de fazer uma reflexão profunda sobre as questões que hoje nos afligem mais: a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias; e as questões prioritárias, com elas relacionadas, como: a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho. Essas são questões verdadeiramente prioritárias, sobre as quais importa actuar com políticas eficazes, urgentes e bem compreensíveis para as populações. Ainda durante este ano crítico de 2008 e no seguinte, se não quiserem pôr em causa tudo o que fizeram, e bem, indiscutivelmente, para reduzir o deficit das contas públicas e tentar modernizar a sociedade. Urge, igualmente, fortalecer o Estado, para os tempos que aí vêm, e não entregar a riqueza aos privados. Não serão, seguramente, eles que irão lutar, seriamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades.

    Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. (...)» (Diário de Notícias)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Da bosta às multas

  • «Os factos ocorreram em 8 de Outubro de 2002 quando a estudante foi levada juntamente com os colegas do primeiro ano para a quinta do Bonito, propriedade da escola, com o objectivo de apanharem nozes. A dada altura a queixosa atendeu o telemóvel o que tinha sido proibido pelos veteranos. E em consequência disso os arguidos combinaram aplicar-lhe um castigo pedindo a dois caloiros que besuntassem Ana Santos com bosta de porco. No mesmo dia na escola agrária o sétimo arguido ordenou que a caloira fizesse o pino e mergulhasse a cabeça dentro de um penico cheio com excrementos de vaca. (...) A pena mais elevada foi aplicada a Rui Coutinho, condenado em 1.600 euros de multa. A Lisbete Pereira foi aplicada a multa de 1.120 euros e José Vaz e Tiago Vieira e Sandra Silva foram condenados cada um ao pagamento de uma multa de 800 euros. Armando Simões tem que pagar 640 euros. Todos praticaram em co-autoria, segundo o tribunal, um crime de ofensas à integridade física qualificada. Tiago Figueiredo que não assistiu à leitura da sentença por razões de saúde foi condenado pelo crime de coacção na pena de multa de 1.400 euros.» (O Mirante)
Posso não ser advogado, mas a minha modesta opinião é que enquanto as praxes violentas não forem castigadas com penas de prisão, mesmo que suspensas, a barbárie continuará. E seria também útil, evidentemente, que as universidades impedissem estas práticas no seu espaço.

«Isso nunca aconteceu»

Sócrates sobre os voos da CIA, em Janeiro: «Nenhum membro do Governo autorizou ou recebeu um pedido de transferência de prisioneiros [para Guantánamo] (...) isso nunca aconteceu». (Via Arcada Nova.)



Devo portanto concluir que os transportes de prisioneiros foram à revelia do Governo legítimo da lusa República?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

o assassinato da justa redistribuição pelo cobarde capitalismo neoliberal

«[...] O Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia (UE) em 2007 conclui que os rendimentos se repartem mais uniformemente nos Estados-membros do que nos Estados Unidos.

"Apenas Portugal apresenta um coeficiente superior ao dos Estados Unidos", sublinha ainda o documento. [...]

Os indicadores de distribuição dos rendimentos mostram que os países mais igualitários na distribuição dos rendimentos são os nórdicos, nomeadamente a Suécia e Dinamarca.

"Portugal distingue-se como sendo o país onde a repartição é a mais desigual", salienta o documento [...]»


(TSF online --- 22.05.2008)

«[...] O coordenador do estudo “Um Olhar Sobre a Pobreza”, Alfredo Bruto da Costa, não tem dúvidas: os baixos salários são um problema grave, que contribui para a pobreza em Portugal. É preciso aumentar os ordenados e democratizar as empresas. [...]

A partir da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, houve um facto que alterou a atitude da sociedade portuguesa perante a pobreza: Portugal passou a ter programas de luta contra a pobreza, através de metodologias que deram um salto qualitativo no modo de encarar e tratar a pobreza. Poderíamos esperar que a pobreza tivesse uma redução apreciável. [...] Não teve. Em 2004, terá sido de 19 por cento, em 2005 terá sido 18 por cento. É uma tendência? Falta ver o que se passou nos anos seguintes. O que sabemos é que, durante esse período de 20 anos, andámos à volta dos 20 por cento. Mesmo que se admita que houve uma tendência ligeiramente decrescente, não explica que a ordem de grandeza se situe nos 20 por cento. A pobreza em Portugal ou se manteve estável ou teve uma redução sem proporção com o esforço feito desde que Portugal entrou na UE, na luta contra a pobreza. [...]

[D]eve haver uma diversificação das fontes de rendimento: uma parte do trabalho, outra do capital, o que implica uma democratização no acesso ao capital, que não é só poder comprar uma acção: o número de acções que um cidadão comum tem não lhe permite ter a mais pequena influência na gestão da empresa. O que importa que o capital esteja disseminado quando quem continua a mandar são os grandes? A democratização do capital deve ser também a democratização da empresa. Pode haver ainda medidas como um rendimento básico – já utilizado numa região da Bélgica e num estado norte-americano – que todos os cidadãos recebem, sobre o qual constrói o seu rendimento familiar. Esse rendimento básico pode não ser suficiente para viver, mas é uma almofada que protege nos ciclos em que inesperadamente se perde o rendimento. Num mercado economicamente liberal, temos que saber se é possível alguma vez termos pleno emprego. Eu tenho dúvidas. [...]

O RMG nunca foi para resolver o problema da pobreza; a grande maioria dos pobres nem sequer tinha acesso ao RMG: eram cinco por cento, os pobres eram 20 por cento. São tão poucos os pobres que beneficiam do [actual] Rendimento Social de Inserção que nunca se resolveria o problema da pobreza. O RMG tinha dois objectivos: atenuar a pobreza dos pobres ou o seu grau de carência; e ir ao encontro dos problemas subjacentes à família: formação profissional, integração das crianças na escola. Mas o impacto global sobre a pobreza não podia ser expressivo. [...] Na transição do Rendimento Mínimo Garantido para o Rendimento Social de Inserção, no debate público que houve parecia que as pessoas estavam mais interessadas em combater a fraude dos pobres do que em resolver o problema da pobreza. Isto é expressivo de uma mentalidade. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 23.05.2008)

É para torturar? -Pode passar!

  • «De Julho de 2005 até Dezembro de 2007, passaram por Portugal 56 voos que seguiram caminho ou vinham da polémica base norte-americana de Guantánamo. (...) Tendo em conta os últimos voos dessa lista, datados de 28 de Dezembro de 2007, "a única conclusão possível é que subsiste a utilização do espaço aéreo português sem qualquer tipo de controlo"» (Jornal de Notícias)
Se continuam, no final de 2008 poderemos conferir se serão 20 ou 25 os voos deste ano, entre as zonas de guerra e o conveniente «off-shore» prisional de Guantánamo.
  • «(...) o Governo garante nos documentos não ter "qualquer informação" sobre os ditos voos, por serem militares. Mas há quem garanta - como fez o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral na Assembleia, em Dezembro de 2005 - que qualquer voo militar que passe por espaço aéreo português tem que ter uma autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros ou do Ministério da Defesa, com a caracterização do que transporta.» (idem)
Presume-se que podem sempre passar. «Os olhos não vêem, o coração não sente», ou qualquer coisa desse género. Portugal não é um Estado orientado para o combate à tortura, as detenções ilegais, os Direitos do Homem ou minudências dessas. Mas não era isso mesmo que tinha ficado decidido em 1976?

Portugal, sociedade sul-americana?

  • «Portugal foi hoje apontado em Bruxelas como o Estado-membro com maior disparidade na repartição dos rendimentos, ultrapassando mesmo os Estados Unidos nos indicadores de desigualdade. (...) Os indicadores de distribuição dos rendimentos mostram que os países mais igualitários na distribuição dos rendimentos são os nórdicos, nomeadamente a Suécia e Dinamarca.» (Público)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Kennedy queria ser uma bola de Berlim

Já há uns anos que sabia desta estória: a famosa frase de Kennedy, «Ich bin ein berliner», significa, literalmente, «eu sou uma bola de berlim». Ele deveria ter dito «Ich bin berliner». É delicioso. E não estou a falar do creme.

Einstein

Os protestantes adoram citar físicos que usaram a palavra "deus" como uma metáfora para designar o universo e deduzir que eles eram todos religiosos. A realidade, como se sabe, é bem diferente. a julgar pelas opiniões dos intelectuais mais influentes dos últinos dois milénios, tudo indica que a religião é, como dizia Bertrand Russel, uma coisa da infância da inteligência.

A carta de Einstein, cujo conteudo ainda não consegui encontrar na internet diz, segundo o "El Pais"de hoje:

(...) "La palabra Dios, para mí, no es más que la expresión y el producto de las debilidades humanas, y la Biblia una colección de leyendas dignas pero primitivas que son bastante infantiles. Ninguna interpretación, por sutil que sea, puede cambiar eso (para mí). Tales interpretaciones sutiles son muy variadas en naturaleza, y no tienen prácticamente nada que ver con el texto original. Para mí, la religión judía, como todas las demás religiones, es una encarnación de las supersticiones más infantiles. Y el pueblo judío, al que me alegro de pertenecer y con cuya mentalidad tengo una profunda afinidad, no tiene ninguna cualidad diferente, para mí, a las de los demás pueblos. Según mi experiencia, no son mejores que otros grupos humanos, si bien están protegidos de los peores cánceres porque no poseen ningún poder. Aparte de eso, no puedo ver que tengan nada de escogidos.

Me duele que usted reivindique una posición de privilegio y trate de defenderla con dos muros de orgullo, uno externo, como hombre, y otro interno, como judío. Como hombre reivindica, por así decir, estar exento de una causalidad que por lo demás acepta, y como judío, el privilegio del monoteísmo. Pero una causalidad limitada deja de ser causalidad, como nuestro maravilloso Spinoza reconoció de manera incisiva, seguramente antes que nadie. Y las interpretaciones animistas de las religiones de la naturaleza no están, en principio, anuladas por la monopolización. Con semejantes muros sólo podemos alcanzar a engañarnos (...) a nosotros mismos, pero nuestros esfuerzos morales no salen beneficiados. Al contrario (...)".

:o)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

o banana do belmiro

«[...] Um estudo recente revelou que entre 2000 e 2005 os salários dos administradores das empresas portuguesas cotadas no PSI20 aumentaram em média 26,3%. Em 2006, um administrador de uma destas empresas ganhava 30 vezes mais do que um trabalhador, valor que terá baixado para 23 vezes em 2007 [...]

Destacados gestores portugueses - como Belmiro de Azevedo, Fernando Ulrich ou António Mexia (da EDP) - questionaram a pretensão do governo de influenciar os salários dos gestores, considerando que não é matéria da sua competência. Em 2006 os salários dos administradores executivos das empresas cotadas no PSI 20 cresceram 9%, enquanto os lucros das empresas cresceram apenas 2,5% [...]»


(Esquerda.Net --- 15-Mai-2008)

«[...] «As declarações do Eurogrupo e de Teixeira de Santos indicam que há um grande incómodo perante os valores astronómicos dos gestores. No BCP por exemplo os prémios dos administradores foram 80 milhões de euros», critica o deputado, lamentando a falta de propostas para combater o problema.

O líder do Bloco que Esquerda defende que é urgente encontrar soluções para travar escalada dos salários dos gestores, dando o exemplo da Alemanha «onde foram impostos tectos máximos para acumulação dos benefícios», ou a imposição «de impostos sobre às grandes fortunas», como já propôs o Bloco de Esquerda. [...]»


(TSF online --- 14 de Maio 08)

«[...] O Banco de Portugal (BdP) não tem dúvidas de que o BCP actuou com dolo e de forma negligente no polémico caso dos créditos concedidos ao filho de Jardim Gonçalves. E condenou, a 12 de Fevereiro, o BCP e quatro entidades por si detidas ao pagamento de uma coima total de 760 mil euros - num total de dez contra-ordenações, três das quais dolosas - por lhe ter omitido informações sobre empresas detidas por Filipe Jardim Gonçalves. [...]»

(Jornal de Notícias --- 15 de Maio de 2008)

«[...] «Os ministros não têm autoridade para mandar nas empresas», afirmou Belmiro de Azevedo na conferência «Portugal em exame». [...]

«Há um mercado livre e os gestores que não se considerem bem pagos podem sair do país (...) se calhar a questão ao contrário, devia remunerar-se de forma a atrair esses gestores (...) ou algum dia as empresas portuguesas terão que gerir com uns bananas». [...]»


(TSF online --- 14 de Maio 08)

desculpe, belmiro, mas disse "uns bananas"? isso será por acaso em contra-posição aos actuais incompetentes, nalguns casos, criminosos? ou por "banana" quer dizer "aquele que não enche os bolsos à custa da desigualdade social"? estou ligeiramente confuso... e já agora, explique-me lá como é que a suécia se safa tão bem?; é que a julgar pelo que diz, os gestores de lá são todos uns ... bananas...

[...] The level of compensation in Sweden is, by international standards, modest. Average total compensation in Sweden is roughly half of the average total compensation in the United Kingdom and one tenth of that of the United States (e.g. Conyon and Murphy, 2003) [...]

(Forbes A, De Pourbaix B, CEO Compensation: The Influence of Foreign and Institutional Investors, 2007)

a falcatrua começa em casa

«[...] São os primeiros indícios de golpes de bastidores nas eleições directas para a liderança do PSD. Na secção de Benfica, em Lisboa, as listas de militantes revelam haver 39 inscritos no partido a viver em apenas cinco moradas diferentes, todos vizinhos, dois dos quais são funcionários da junta de freguesia local.

Uma listagem de militantes de Benfica, a que o PÚBLICO teve acesso, mostra uma concentração inaudita de militantes no bairro social da Boavista. Num apartamento de tipo T1, por exemplo, estão registados 11 militantes, um dos quais é contratado pela junta.

Na mesma rua, surgem outros dois endereços onde supostamente residem um total de 11 inscritos no partido (seis numa casa, cinco noutra, sem indicação de tipologia). Numa rua ao lado, há outro apartamento onde supostamente vivem mais 11 militantes, e uma cave de outra rua próxima, um T3, dá endereço para mais seis inscritos no partido, um dos quais é igualmente funcionário da junta de freguesia.

Em São Domingos de Benfica crescem as dúvidas sobre se estes indícios configuram uma "chapelada" eleitoral [...]»


(PÚBLICO.PT --- 19.05.2008)

sábado, 17 de maio de 2008

A China

A privatização das secretas comecou no tempo de Bill Clinton e continuou, paulatinamente, durante os anos Cheney(/Bush). No ano passado 70% do orçamento das duas agências de informação dos EUA foram gastos em contratos com empresas privadas - que fazem interrogatórios, recolha de informação e análise de dados.

Mas uma vez criadas, estas empresas deixam de ser americanas e passam a ser "globais" como se diz agora. Vale a pena ler o artigo de Naomi Klein na Rolling Stone.

40 anos depois

Aqui ninguém faz a mais pequena ideia do que foi o Maio de 68 na Europa. E em Portugal?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Da tentativa de monopólio económico à guerra de poder

Já tinha dito aqui que o processo de concentração monopolista em curso no mercado livreiro não augurava nada de bom. Com a luta em torno da Feira do Livro de Lisboa, confirma-se que quem se aproxima do monopólio num sector económico quer, em seguida, o poder.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

tocar no lucro é que não, ó meu ladrão!

«[...] O antigo presidente da Reserva Federal norte-americana Alan Greenspan afirmou hoje que os preços do petróleo têm tendência para continuarem a subir, porque é daí que provém o financiamento destinado à modernização das unidades de produção de petróleo que irão dar resposta à crescente procura mundial de combustíveis. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 14.05.2008)

«[...] Para o coordenador do Bloco de Esquerda, "há uma conjugação de interesses entre o Estado e as distribuidoras". Já que, nos últimos quatro meses, as empresas petrolíferas "ganharam mais 775 milhões de euros e o Estado mais 225 milhões". [...]

"O facto de o petróleo aumentar no mercado internacional só justifica o aumento de menos de um terço do preço do petróleo", assinalando que o 15º aumento ocorreu justamente no dia em que o petróleo baixou de preço nos mercados europeus. "E em Espanha não subiu" [...]»


(Esquerda.Net --- 14-Mai-2008)

cavaco de regresso à banhada habitual

«[...] [M]uitos destes movimentos não estão espartilhados pelos vícios das instituições, organização vertical, estatutos rígidos, dificuldade em propor algo de novo, etc. Baseiam-se sim na força da juventude, na cooperação, na discussão sem peias, na criatividade e na produção de novas formas de intervir.

Ao ignorar os jovens do BE, e respondendo a isto com a sua forma habitual, o silêncio, o PR está a dar-nos uma aula também de democracia, como já deu há umas semanas atrás aquando da visita à Madeira, ou mais recentemente no caso do Tratado de Lisboa. Escondendo-se por detrás de uma suposta regra que legitima a existência de jovens ligados a um partido político, o PR não convida o BE porque desconhece a diversidade política e porque não a quer conhecer. Desconhece a sociedade como um sujeito político que se junta, jovens e adultos, para discutir e decidir sobre coisas que afectam toda a gente. Desconhece qualquer tipo de organização que não esteja espartilhada segundo os códigos normais da política institucional. Desconhece os jovens.

Parece-me que o professor Cavaco Silva precisa de aprender com os jovens, não falo dos jovens do BE, mas de todos os jovens, e parece que começa de forma errada ao institucionalizar a sua falta de inocência. [...]»


(Esquerda.Net --- 13-Mai-2008)

A derrota do «neoliberalismo de esquerda»

  • «(...) De Ségolène Royal à Romano Prodi, de Walter Veltroni en passant par Dominique Strauss-Kahn, de Gordon Brown à Pierre Moscovici, tout ce beau monde vogue allègrement sur un bateau ivre sans gouvernail. L’échouage était prévisible : il a eu lieu.
    Mais de quoi s’agit-il ? D’une défaite de la gauche ou d’une victoire d’une droite « décomplexée » comme l’affirment la plupart des commentateurs médiatiques ? Pour justifier cette hypothèse, ils s’appuient sur le « vieillissement » de la population européenne, sur son besoin de sécurité, sur la peur des étrangers, et que sais-je encore. Cette sociologie de cuisine permet, en fait, de ne pas chercher les raisons politiques d’une défaite… politique.
    La réalité est autre et d’une certaine manière, hélas, plus simple : les années 2000 ont été marquées par la paupérisation des classes pauvres et moyennes en Europe occidentale, en particulier depuis le passage à l’Euro pour l’Italie et la France. D’après des économistes objectifs, les ménages italiens et britanniques vivent dans un tel état de surendettement qu’ils devraient être déclarés en faillite. Le niveau de vie de la classe moyenne recule de 2 à 4 % par an dans la péninsule. Quant aux Britanniques, la pauvreté commence à avoir des conséquences sur la nutrition des enfants dans certaines villes du nord de l’Angleterre et du Pays de Galles. Et nous n’aborderons pas ici le reste du paysage social, c’est-à-dire l’éducation publique, la santé ou les infrastructures en ruine depuis bien des années.
    Cette situation catastrophique est le résultat des politiques libérales menées depuis une vingtaine d’années. Or, cette tendance s’est accentuée depuis peu, en particulier sous la gouvernance de Prodi en Italie, de Tony Blair et Gordon Brown au Royaume-Uni. Vaches maigres pour les pauvres et soutien indéfectible aux riches, le dernier exemple en date étant la transformation en obligation d’état des « crédits pourris » des banques anglaises. Au mépris d’ailleurs de toutes les règles du fameux « marché », les contribuables britanniques vont devoir assumer les pertes des banques pour la modique somme de 65 milliards d’euros. C’est une politique de collectivisation… mais seulement pour les pertes des banques !
    Non, Gordon Brown ou Walter Veltroni ne sont pas des sociaux-démocrates mais des fidèles exécutants des politiques libérales, qui deviennent de jour en jour plus agressives pour les citoyens modestes. (...)» (Gauche Républicaine)

Obama recebe apoio de Edwards

  • «Barack Obama recebeu ontem o apoio do seu antigo rival na corrida à Casa Branca, John Edwards, uma ajuda bem recebida depois da derrota sofrida terça-feira na Virgínia Ocidental frente a Hillary Clinton. “Existe um homem que sabe e compreende que chegou a altura para uma gestão audaz do país. Existe um homem que sabe como gerir a mudança, a mudança sustentável que é preciso fazer a partir da base. Existe um homem que sabe no seu coração que chegou o momento de criar uma América e não duas. E esse homem é Barack Obama”, disse Edwards em Grand Rapids, Michigan, ao lado do candidato.» (Público)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Einstein sobre religião

O Carlos Esperança chamou a atenção para uma carta perdida de Einstein que ajuda a desfazer o mito do Einstein religioso (já muito erodido para quem estudou minimamente o assunto):
  • «"The word god is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this."» (The Guardian)
A carta contém também uma passagem em que Einstein, para além de tratar o judaísmo de «superstição», revela que considera os judeus iguais aos outros:
  • «"For me the Jewish religion like all others is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything 'chosen' about them."» (idem)
Enfim, lucidez. A carta é de 1954.

Expelled

Descobri hoje o filme criacionista do conhecido idiota Ben Stein, através de dois artigos excelentes: no NYT, sobre o livro de Francisco Ayala "Darwin's Gift to Science and Religion" e no Scientific American, sobre as aldrabices e simplificações desonestas deste filme ignóbil.

O cónego Melo

Parece impossível imaginar uma organização que apregoa o Novo Testamento e quer fazer uma estátua ao cónego Melo, apoia os regimes mais injustos do planeta, nunca perde uma oportunidade para instigar o ódio dos simples a minorias como os homossexuais ou as mães desesperadas que recorrem ao aborto, ou que protege sem a mais pequena réstia de vergonha (pelo menos) 5.000 dos seus funcionários acusados de crimes de pedofilia, pelo menos até perceber que essa protecção lhe custou já centenas de milhões de dólares de indemnizações em tribunais seculares.

Mas essa organização existe. Há 1500 anos. À medida que a iliteracia recua no mundo os fiéis vão-lhe escasseando, mas a hierarquia vai-se apoiando nas oligarquias, funcionando como uma máfia onde a aristocracia europeia trafica influência e poder à escala planetária.

A estátua ao cónego Melo pode parecer chocante, considerando que se trata de um homem suspeito de envolvimento numa organização terrorista. Mas comparada com as estátuas dos Borgias, dos papas Pio IX e XII, ou dos cardeais nazis da Europa central não é nada de novo. :o)

Aos "terroristas" terrorismo

Finalmente parece que a Inglaterra vai investigar pelo menos algumas das alegadas brutalidades cometidas pelo exército no Iraque. Para já as barbaridades possivelmente cometidas em Basra em 2003, e a tortura, mutilação e execução sumária de prisioneiros de guerra em Abu Naji, em 2004.

É sempre horrível quando se abre uma brecha numa instituição e o público consegue entrever os crimes horríveis que os estados cometem contra os cidadãos de outros países (ou dos seus próprios). Infelizmente a maioria das pessoas prefere não saber os riscos que corre e confiar nas polícias e nos exércitos com respeito patriótico e uma confiança absolutamente infantil nos políticos que as dirigem e nos oligarcas que mandam nos políticos.

A maioria dos europeus tem visto as brutalidades mais horríveis acontecerem aos outros, aos pobres dos países pobres, geralmente com peles, olhos e cabelos de cores diferentes das delas.

Mas um dia...

O ódio como cola social

O El Pais de hoje tem um texto excelente (como sempre) de Daniel Barenboim sobre Israel e o beco sem saída em que a direita meteu o país há trinta anos.

Israel, o anacrónico «Estado étnico»

  • «"A experiência de a nossa pátria nos ter sido tirada, na realidade roubada, pela ideia de um projecto sionista, e ainda mais grave, de nos dizerem que esta nem sequer é a nossa terra, é uma das mais duras experiências humanas", acentua o palestiniano de cidadania israelita (...) "Quando os palestinianos vêem que os refugiados vivem em condições miseráveis no Líbano e na Jordânia, e em Gaza e na Cisjordânia, e não podem regressar às suas terras e propriedades e que, ao mesmo tempo, qualquer judeu em qualquer parte do mundo que deseje viver no lugar deles pode fazê-lo, é muito difícil de evitar um profundo sentimento de injustiça e o desejo de o rectificar." (...) "Um Estado palestiniano na Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) e em Gaza, embora uma solução imperfeita, vinha a ser defendido pelos palestinianos desde meados dos 1970. Mas essa solução tornou-se quase impossível: Israel não pode e não vai desmantelar os seus gigantescos colonatos na Cisjordânia, não vai retirar-se da maioria de Jerusalém Leste ocupada, não permitirá que os refugiados regressem e não irá conceder igualdade aos seus cidadãos palestinianos". Sendo assim, prossegue, "a solução de dois estados, tal como é concebida por Israel, só irá perpetuar o conflito, porque não soluciona nenhuma das grandes questões: colonatos, refugiados, Jerusalém e fronteiras. Uma paz verdadeira vai precisar que Israel enfrente a sua história de despojamento dos palestinianos, de se ter apoderado da terra e de os ter expulsado, dos crimes da ocupação, etc. Isso também vai exigir o regresso a um Estado baseado na igualdade entre israelitas e palestinianos. Isso parece possível só com a solução de um Estado único - não será fácil de conseguir e vai ser necessário mudar os parâmetros do conflito".» (Público)
A solução de longo prazo para o conflito israelo-palestiniano continua a ser a mesma de sempre: uma democracia laica. Ou seja, um Estado para todos os cidadãos e não um Estado para um grupo étnico-religioso. A Israel actual é um anacronismo, uma anomalia que nunca poderia pertencer à União Europeia e que está em contra-corrente face aos conceitos modernos de cidadania democrática. Até quando?

O povo disse «não» ao cónego Melo

Por uma maioria esmagadora (59%-35%), o povo internético disse «não» à colocação de uma estátua ao cidadão Eduardo Melo Peixoto num local público. A participação na votação do Diário do Minho, com quase 22 mil votos, esteve muito acima dos habituais 500 a 800 participantes. Os clericais não sabem o que fazer ao mamarracho kim-il-sungiano (oito metros de altura) que homenageia o Bin Laden português e está guardado num armazém da fantástica autarquia bracarense. Sugiro que o exportem para a Madeira ou para a Polónia, onde será com certeza bem recebido.

Um Presidente sectário

Não esperava de Cavaco Silva o sectarismo de excluir o BE dos convites para um encontro de jovens em Belém. O BE pode não ter uma organização de juventude, mas tem com certeza jovens. Aliás, terá provavelmente uma média etária inferior à de todos os outros partidos.


Enfim, depois de uma ida à Madeira onde nem sequer foi recebido na Assembleia regional (e onde distinguiu «portugueses» de «madeirenses»), Cavaco parece decidido a tornar-se o presidente de uma facção. Estreita.

Geração sem direitos

  • «O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje a direita portuguesa, onde incluiu o PS, de estar a tentar criar a "geração sem direitos", renovando as críticas ao Código do Trabalho. (...) Entre as razões para a oposição dos comunistas às propostas do executivo de maioria socialista para rever o Código de Trabalho está a possibilidade da "inaptidão ou "inadaptação" poder ser considerada uma justificação para o despedimento, apontou. "Esta proposta colide frontalmente com o que está instituído na nossa Constituição", declarou, recordando que a Lei Fundamental estabelece o "direito à segurança no emprego".» (Lusa)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Que continue o regabofe

  • «O Jornal de Angola (JA) diz que "chegou a hora de dizer basta" ao que qualifica como "os mais baixos ataques ao país" e aos seus dirigentes políticos. O aviso consta de um texto disponível na edição on-line do jornal, e assinado pelo director do periódico estatal, para quem "Lisboa continua, infelizmente, a ser o centro das conspirações contra Angola". Este não é o único artigo a visar os portugueses - num texto não assinado, no mesmo jornal, diz-se que "se o regabofe continua" serão publicadas "listas com os nomes dos quadrilheiros portugueses, que foram capturadas no bunker de Jonas Savimbi [o antigo líder da UNITA, morto em 2002]".» (Diário de Notícias)
Por mim, espero que o «regabofe» continue. Em primeiro lugar, porque a cleptocracia angolana merece ser confrontada e, num dia radioso, ser desmantelada. Em segundo lugar, secundariamente, porque a «lista dos quadrilheiros» deve ser muito interessante.

Jornalistas decentes

Ainda há jornalistas excelentes nos EUA. A Harper's, o New Yorker, a Boston Review, a Nation, a New York Review of Books, são algumas das revistas excelentes que se podem comprar aqui. Na internet, Al Jazeera é sempre informativo e imparcial. E depois há blogs excepcionais, como o do Max Blumenthal. Ou nomes que nos levam sempre a entrevistas ou artigos sérios e importantes, como Seymour Hersh.

Porque será que a maioria dos texanos só vêem e ouvem os anormais da FOX? Como dizia um amigo meu, é como se lhes dessem a escolher entre a filarmónica de Berlim e um polícia a trautear, e eles escolhessem sempre o polícia.

Isto é o público do Jerry Springer, da Paula Zahn, da Madona, do O'Reilly e da Anne Couter.

Mais de 80% dos americanos...

...acham que o país vai na direcção errada. Quando leio estas notícias fico sempre a pensar que quase 20% não acham que o país vai na direcção errada! Como é que é possível?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Estátua ao cónego Melo?

O jornal Diário do Minho está a promover uma votação electrónica sobre a necessidade de uma estátua ao Bin Laden português. Por enquanto, o bom senso (50% de «nãos») está a prevalecer. Vota-se aqui.

Fundamentos de um estado religioso...

Eu sei que muitos europeus vêem os colonos israelitas como o que eles são: mais um grupo de europeus a ocupar mais um território. Para quem não acredita em Deus a brutalidade israelita tem uma justificação económica e não é diferente da brutalidade portuguesa em Angola, da brutalidade inglesa no Quénia, da brutalidade holandesa na Africa do Sul, ou da invasão do Iraque (que Portugal apoiou entusiásticamente e que já causou a morte a 1.000.000 de cidadãos inocentes).

Mas para quem acredita em Deus a brutalidade tem uma justificação muito mais séria e que não se discute:

Moses became angry with the officers of the army, the commanders of thousands and the commanders of hundreds, who had come from service in the war. Moses said to them: "Have you allowed all the women to live? These women here, on Balaam's advice, made the Israelites act treacherously against the LORD in the affair of Peor, so that the plague came among the congregation of the LORD. Now therefore, kill every male among the little ones, and kill every woman who has known a man by sleeping with him. But all the young girls who have not known a man by sleeping with him, keep alive for yourselves."

Deus inspirou estas palavras sábias a Moisés: matá-los a todos, mas as jovens virgens podiam ser poupadas e escravizadas. Não foram os padres católicos que inventaram a pedofilia.

Israel

Há quinze dias, mais ou menos, escrevi isto no meu blog: "Os palestinianos são hoje o que foram os índios americanos na segunda metade do século XIX: uns infelizes sem poder negocial que vão sendo empurrados para os terrenos que ninguém quer. Cada vez que se revoltam contra as injustiças que sofrem são acusados de serem violentos e incivilizados.

Como se depois de viverem em guetos e campos de refugiados há mais meio século, humilhados, desumanizados e impotentes, desprezados pelos árabes e abusados e roubados pela oligarquia corrupta e violenta que sucedeu ao multimilionário Arafat, um criminoso calculista e frio que os representou durante quase 50 anos, fosse possível pedir-lhes que se portassem como gentlemen dum filme inglês."

Sessenta anos depois, a extrema direita religiosa está no poder e não quer compromissos com árabes, nem com niguém. A política extremista de ocupação e perseguição dos árabes - os habitantes de Israel - é horrível, desumana e inacreditavelmente racista.

Se há no planeta um argumento indisputável contra a religião, esse argumento é o estado religioso de Israel, onde os preceitos bíblicos impõem a lógica da vingança, da violência e do medo supersticioso dos outros.

O único fim possível para um país cujos políticos acreditam na máxima "olho por olho, dente por dente" é que os seus cidadãos sejam todos cegos e desdentados.

Enquanto as tropas humilham, insultam e matam os palestinianos, a Europa fecha os olhos, a Inglaterra e os EUA apoiam as brutalidades com entusiasmo, e as oligarquias árabes, mas ricas do que nunca com o barril a 120 dólares, estão-se completamente nas tintas. Como se os palestinianos não fossem seres humanos.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Israel faz sessenta anos

Israel faz sessenta anos hoje. Será que serão necessários mais sessenta anos para que deixe de ser um Estado judeu e passe a ser um Estado de todos os cidadãos?

Pergunta um religioso (laicista)

  • «Porque é que a Antena 1 e a RDP Internacional, sendo rádios públicas, propriedade de um Estado que se pretende laico (i.e., equidistante e imparcial em relação às confissões religiosas) apenas concedem tempo de emissão à Igreja Católica (a eucaristia, todos os domingos às 8h00)? Qual o motivo para discriminar as outras confissões?» (Povo de Bahá)

E tem razão na pergunta.

Uma verdade inconveniente

  • «O Banco Espírito Santo (BES) reagiu antes mesmo do Governo de Angola. Demarcou-se do músico irlandês Bob Geldof e criticou-o por este ter dito, num seminário organizado pelo próprio banco e o jornal "Expresso", na terça-feira, que Angola era "gerida por criminosos". Mas isso não poupou a instituição com importantes interesses económicos em Angola de ser criticado na edição de ontem do "Jornal de Angola" por convidar Geldof, o músico responsável pelo Live Aid (1985) e pelo Live 8 (2005) para o evento. Em Lisboa, num comunicado, a Embaixada angolana repudiou as afirmações de Geldof e evocou a possibilidade de processar o músico. Ontem, fonte daquela embaixada disse ao PÚBLICO que continuavam "em estudo" as "medidas legais (...) apropriadas" para "repor a verdade dos factos".» (Público)

Homofobia no armário

Vale a pena lembrar aqui os camisas castanhas todos vestidinhos de igual, só rapazes, a combinarem mudar o mundo todos juntos, muito penteadinhos.

E talvez recordar aqui o Reischmarshall Hermann Goering e perguntar: "gay or straight?"

Mas acima de tudo, vale a pena dar uma vista de olhos pelos websites indicados aqui em baixo, sobre os pregadores evangélicos e os políticos republicanos mais abertamente homofóbicos e depois concluir sobre a plausibilidade do estudo indicado aqui em baixo pelo Ricardo.

http://www.badmouth.net/top-five-republican-gay-sex-scandals/ (o Ted Haggard é o mesmo do documentário do Dawkins);

http://dkosopedia.com/wiki/Republican_Sex_Scandals

http://www.crooksandliars.com/

http://www.conservativesexscandals.com/

Raspa-se um machão homofóbico e por baixo está quase sempre uma bicha doida à espera de ser agarrada. :o)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Hesitações

  • «A ministra da Saúde lamentou, esta quarta-feira, pessoalmente a decisão da ADSE de celebrar um protocolo com o Hospital da Luz (privado) para prestação de serviços de saúde aos funcionários públicos, sublinhando que se trata de uma "oportunidade perdida". (...) Para a ministra, este protocolo é uma "oportunidade perdida" para se investir no sector público, referindo que esta é uma questão a colocar ao ministro das Finanças, responsável pela Direcção Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE).» (TSF; Público)

Afinal, em que ficamos? Um Governo, duas políticas? Quando será que o Governo decide a hesitação entre o serviço público e os lucros privados?

terça-feira, 6 de maio de 2008

homenagem ao comentador homofóbico anónimo

«The authors investigated the role of homosexual arousal in exclusively heterosexual men who admitted negative affect toward homosexual individuals. Participants consisted of a group of homophobic men (n = 35) and a group of nonhomophobic men (n = 29); they were assigned to groups on the basis of their scores on the Index of Homophobia. The men were exposed to sexually explicit erotic stimuli consisting of heterosexual, male homosexual, and lesbian videotapes, and changes in penile circumference were monitored. They also completed an Aggression Questionnaire. Both groups exhibited increases in penile circumference to the heterosexual and female homosexual videos. Only the homophobic men showed an increase in penile erection to male homosexual stimuli. The groups did not differ in aggression. Homophobia is apparently associated with homosexual arousal that the homophobic individual is either unaware of or denies

(Adams HE, Wright LW Jr, Lohr BA, Is homophobia associated with homosexual arousal?, J. Abnorm. Psychol. (1996) 105(3) 440)

Deve ser isto a «ditadura do politicamente correcto»

  • «"Fui alvo de ameaça por um grupo de extrema-direita". A declaração foi ontem feita no Tribunal de Monsanto pelo humorista dos 'Gato Fedorento' Ricardo Araújo Pereira, que foi ouvido enquanto testemunha de acusação no processo que opõe Ministério Público e 36 skinheads por crimes de discriminação racial. (...) O humorista disse mesmo que se viu obrigado a "mudar de vida", tendo na altura ficado "muito preocupado ao ver o nome da filha de três anos" no sítio na Net. Ricardo Araújo Pereira contou que teve que mudar de casa, que se viu na obrigação de mudar a filha de colégio. E lamentou que por causa das ameaças tivesse que deixar de acompanhar a filha ao novo colégio.» (Diário de Notícias)

É evidente que os «cabeças rapadas» são as vítimas nesta estória. Eles, coitados, só querem poder ameaçar as pessoas livremente, sem medo. Eventualmente espancar uma ou outra pessoa. E não os deixam. Vivemos mesmo numa «ditadura do politicamente correcto».

Riposte Laïque: «Pouquoi je me réjouis de la défaite du maire islamogauchiste de Londres, Ken Livingstone»

  • «Quand il a été élu maire de Londres pour la première fois, il y a huit ans, je m’étais pourtant félicité de sa victoire. Celui que tout le monde appelait "Ken le Rouge" avait d’abord battu les conservateurs, mais aussi Tony Blair, qui avait juré la perte d’un représentant de son aile gauche. J’avais aimé la symbolique que la gauche radicale avait écrasé la gauche "droitière". Mais lors de la campagne pour une loi contre les signes religieux, en France, j’ai vite déchanté. Quelques mois après le vote de la loi du 15 mars 2004, 250 délégués provenant de 14 pays se sont réunis lundi 12 juillet 2004, au London City Hall, à son invitation, pour la tenue du premier rassemblement du groupe de pression pour la défense du foulard islamique en Europe, également appelé "Pro-Hidjab". Le député vert Alain Lipietz, essaya de relayer cette initiative au Parlement européen, mais il ne recueillit que cinq signatures. Ce 12 juillet, Ken Livingstone osa affirmer que la loi française était la plus réactionnaire qu’un pays européen ait voté depuis la Libération, n’hésitant pas à comparer le sort réservé aux musulmans à celui réservé aux Juifs lors de la dernière guerre. Dérapage d’un jour ? Absolument pas ! Caroline Fourest et Fiammetta Venner, quelques mois plus tard, épinglèrent le maire de Londres, et signalèrent avec beaucoup de pertinence ses connivences avec l’islam intégriste, qui se confirmèrent lors du Forum Social Européen. Largement financé par la mairie de Londres, en 2005, ce forum honteux pour les altermondialistes verra les trotskistes du SWP britannique et les islamistes insulter notamment le laïque président d’honneur d’Attac, Bernard Cassen, et notre pays, accusé d’être un raciste et colonialiste pour avoir interdit le voile à l’école. (...)» (Riposte Laïque)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

uma terra de contrastes

«[...] O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que, em 2007, "pela 1ª vez na história", Portugal vendeu mais tecnologia do que importou, em parte devido à "aposta estratégica" feita há três anos nas energias renováveis. [...]

[U]ma prova de confiança em Portugal, na nossa economia e na competência dos portugueses", afirmou José Sócrates, em Vila do Conde, destacando a "intensidade tecnológica" do projecto, que "está na vanguarda do que de melhor se faz tecnologicamente no mundo". [...]»


(PÚBLICO.PT --- 05.05.2008)

tão modernos numas coisas, tão primitivos e arcaicos noutras...

Repulsa democrática

Ainda sobre a vergonhosa atitude da maioria do PS na homenagem parlamentar ao Bin Laden português:
  • «"Tenho o dever cívico de vos manifestar profunda indignação pela atitude do PS .,na 6ª feira, na Assembleia da República, a propósito do voto de pesar ao cónego Melo. Mesmo que ela tenha ocorrido após a vergonha da homenagem do seu Presidente ao Dr. A. J. Jardim: temos o direito - e o dever - de não nos habituarmos! É que Melo agiu, em 1974/75, activamente e por meios terroristas contra a democracia que dava os primeiros passos: os comunistas eram as primeiras vítimas, mas o objectivo era a própria Democracia. Por isso é que é intolerável que na hora da provocação, o PS encontre um qualquer alibi para não se pôr do outro lado da barreira. A vossa abstenção é uma traição à Democracia !Digo-vo-lo com a responsabilidade de vos ter precedido na representação popular no Parlamento. E de ser filho de um Homem que também vos precedeu, Victor de Sá, como outros perseguido durante a luta contra o fascismo, que se viu obrigado a fugir de casa, em Braga, nesse "verão quente" para não ser abatido pela camarilha do cónego que deixastes que o Parlamento homenageasse como um democrata. É pelo respeito que os nossos mortos nos devem merecer, aqueles que lutaram para que Portugal vivesse em liberdade, que vos manifesto a repulsa democrática por essa indignidade que alguns de vós personificastes. Não vos queixeis do divórcio do Povo!"» (Victor Louro, via Puxa Palavra.)

A Fortaleza Europa destrói as pontes levadiças

  • «As políticas defendidas por Sarkozy e Berlusconi ameaçam tornar-se lei na Europa, se os 27 aprovarem na quarta-feira a Directiva de Regresso, que pretende harmonizar as leis de imigração para facilitar as expulsões dos sem-papéis, calculados em 8 milhões na União Europeia. Bruxelas recebe nesse dia o protesto de várias ONG contra o aumento das políticas repressivas contra os imigrantes.» (Esquerda.Net)

Associação Ateísta Portuguesa

Chegou a hora!

Ironia básica, mas...

Eu sei que isto é uma ironia um bocado básica, mas dizem-me que a revista Atlântico, o bastião do neoliberalismo em Portugal, fechou por falta de subsídios!! Ohohoh!! Será verdade?


O que farão os doutores arrojas todos se não houver em Portugal mercado para as tolices do neoliberalismo? Uma revolução armada, como no Chile?

Há uns anos vi o Fukuyama na televisão, um bocado envergonhado entre os amigos neo-cons, a desculpar-se, que não era bem isto que ele queria dizer quando escreveu o livro e se associou ao Kristol e ao Perle e ao Wolfowitz... que ele era "marxista" no sentido em que acreditava que a democracia e o capitalismo selvagem iam triunfar por si próprios, e que Kristol e os amigos eram "leninistas" no sentido em que achavam que se fosse preciso impor a democracia e o capitalismo selvagem pela força, os fins justificavam os meios.

E este é o dilema dos devotos da fé neoliberal: se se informa as pessoas e se lhes dá liberdade de escolha elas votam nos partidos que preconizam uma distribuição da riqueza mais justa.

Os PPs, os PPDs e os P"S"s desaparecem, toram-se partidos de snobs e de velhinhas, associações de malfeitores muito mais pequenas e mais concentradas do que são hoje.

domingo, 4 de maio de 2008

e para quando o levantamento do sigilo bancário?

«[...] Segundo dados apurados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, em 2006, seis mil gerentes de empresas disseram ganhar apenas o salário mínimo nacional, segundo noticia hoje o “Jornal de Notícias”.

Em 2006, estes seis mil gerentes afirmaram receber apenas 343,45 euros, ou seja, o salário mínimo de 385,90 euros, bruto, menos cerca de 40 euros de desconto para a Segurança Social. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 04.05.2008)

e ainda há quem diga que não...

«[...] O relatório “Worldwide Press Freedom 2007”, da organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), afirma que Portugal está entre os dez países do mundo com mais liberdade de imprensa. Amanhã celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituido em 1991 pela UNESCO.

A RSF, criada em 1985 e sedeada em Paris, divulga o “ranking” com base num questionário enviado a outras organizações parceiras, bem como a jornalistas, juristas e activistas dos direitos humanos. O relatório anual mede o nível de liberdade de imprensa numa lista de 169 países.

No documento Portugal ocupa a décima posição do “ranking”, a mesma que ocupava há um ano atrás. Os países com maior liberdade de imprensa são a Islândia, a Noruega e a Estónia, enquanto que a Eritreia está em último lugar, seguida da Coreia do Norte e do Turquemenistão. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 02.05.2008)

sábado, 3 de maio de 2008

no country for gay men

«[...] Cerca de 70 por cento dos portugueses consideram erradas as relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo; mesmo nas idades mais jovens, os números da desaprovação nunca descem abaixo dos 53 por cento. "Portugal ainda é um país homofóbico", comenta Sofia Aboim, uma das autoras do Inquérito Saúde e Sexualidade (2007), do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa [...]»

(Jornal Público --- 03.05.2008)

está tudo louco; este país está doente...

da má gestão e falta de rigor populista

«[...] Das dez autarquias que demoram mais tempo a pagar, oito são geridas pelo PSD e apenas duas pelo PS. A Câmara de Gondomar, presidida por Valentim Loureiro, necessita de 629 dias para regularizar as facturas dos fornecedores, estando em segundo lugar no top ten da lista elaborada pelas Finanças, atrás de Oliveira de Azeméis, outra autarquia social-democrata.

Na administração do Estado, em matéria de prazos de pagamento, há contrastes: a Madeira, governada por Alberto João Jardim e que "espreita" a oportunidade de ser primeiro-ministro (poderá ser candidato a líder do PSD), demora 284 dias a pagar aos fornecedores. Os Açores, apenas dois dias. No cômputo geral, o prazo médio de pagamento dos municípios chega aos 136 dias [...]»


(DN Online --- 2 de Maio de 2008)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Parlamento democrático homenageia fascista

  • «O Parlamento aprovou hoje um voto de pesar pela morte do Cónego Melo, com os votos favoráveis do CDS-PP e do PSD, a abstenção da maioria dos deputados socialistas e o voto contra do PCP, BE e PEV. Apesar da abstenção do grupo parlamentar socialista, as deputadas Matilde Sousa Franco, Rosário Carneiro, Teresa Venda e o deputado Ricardo Gonçalves não acompanharam o sentido de voto da bancada, tendo votado favoravelmente o voto de pesar apresentado pelo CDS-PP. No final da leitura do voto, e no momento imediatamente anterior a ser feito um minuto de silêncio, muitos deputados socialistas, como Vitalino Canas, Manuel Alegre, João Soares ou Vítor Ramalho, saíram da sala do plenário da Assembleia da República. Todos os deputados do BE abandonaram igualmente o plenário, tal como alguns deputados do PSD, como Emídio Guerreiro e Miguel Macedo, não tendo, assim, participado no minuto de silêncio.» (Sol)
Registe-se que no PS há socialistas de esquerda que tiveram a atitude digna de abandonar a sala, e simultaneamente uma ala clerical que votou a favor da homenagem ao Bin Laden português. Quanto ao resto do Parlamento, não houve surpresas. Nem no PCP, que não abandonou a sala na homenagem a um dos homens que lhe terá mandado destruir as sedes do Norte, nem no CDS que enaltece o crime e o terrorismo, nem no PSD, em que apenas uma pequeníssima minoria saiu da sala.

APAN

Fui ver o website da APAN e adorei. O fundo cinzento pós-nuclear evoca o "Admirável Mundo Novo" e o "1984".

Achei que a fotografia do sózia do Jack Abramoff sobre a notícia do programa "Media Smart" vem absolutamente a propósito.

Também gostei da expressão "marketing responsável", que evoca frases como "marketing responsável por transformar crianças normais em consumidoraras compulsivas, eternamente infelizes", ou "marketing responsável pelo rebaixamento generalizado do nível da discussão política", ou "marketing responsável por banalizar os desvios e as perversões mais repugnantes, por exemplo, no que diz respeito à violência e à forma como as mulheres são usadas".

Infelizmente o meu computador não deixou abrir os mil e um pop-ups, cookies e outros alçapões e armadilhas que se accionam automáticamente quando se entra no website deles.


Quando penso em publicistas lembro-me sempre de um show do comediante Bill Hicks em que ele entrou no palco e perguntou: "Há algum publicista hoje na audiência?" "Yyyeeeeehhhhh!!" respondeu a turba em aplausos. Levantaram-se uns tantos, todos contentes, com os braços no ar. "Vão para casa, comprem uma corda e enforquem-se!" Risos e aplausos. "Não estou a brincar". Silêncio. "Por favor: vão para casa, comprem uma corda e enforquem-se. Ajudem-nos a livrar o mundo dos vossos egos febris. Façam-nos esse favor: vão para casa, comprem uma corda e enforquem-se. Não há racionalização possível para o que vocês fazem. Vocês são demónios postos na Terra para baixar o nível. Por favor, matem-se."

:o)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

mortal kombat

«[...] Mira Amaral disse que «os governos PSD/PP nada mudaram em relação aos anteriores governos de Guterres» e mostraram «total incapacidade de fazer a reforma da Administração Pública, que nem sequer foi enunciada».

«Estes senhores [o actual Governo do PS] pelo menos enunciaram-na», acrescentou. [...]

Mira Amaral criticou a operação de venda de créditos do Estado feita por Manuela Ferreira Leite para ter um défice inferior a três por cento em 2003, defendendo que «isso devia ter sido um empréstimo e não uma receita» inscrita no orçamento porque onerou os orçamentos futuros.

De acordo com o ex-ministro do Trabalho e da Indústria de Cavaco Silva, o que se fez foi «contabilidade criativa» e «martelar os défices».

Mira Amaral disse ainda que a situação do País «não se transforma com a visão contabilística».

«Se pegarmos num responsável empresarial só porque é sério ou porque tem ar de mau e o transformarmos» em presidente executivo ou presidente do conselho de administração «o que é acontece? Daqui a um ano está falida», ilustrou. [...]»


(TSF online --- 30 de Abril 08)

Código do Trabalho

  • «A apresentação pelo Governo de um conjunto de propostas de alteração do Código de Trabalho, em articulação com a alteração da legislação laboral na Administração Pública, tornou imprescindível a apresentação de uma moção de censura que agora anunciamos. (...) Trata-se de facilitar os despedimentos individuais, tornando precários todos os trabalhadores e aumentando a fragilidade dos que já o são. Trata-se de desregulamentar ainda mais o horário de trabalho colocando a arbitrariedade patronal a decidir. (...) Trata-se de tentar liquidar a contratação colectiva pela caducidade, questionando direitos conquistados durante anos. (...) Estamos certos de que esta moção de censura corresponde ao mais profundo sentimento da maioria do povo português.» (PCP)