sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Revista de blogues (9/12/2011)

  • «Na terça-feira, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, admitiu na TVI a presença de polícias à paisana na manifestação de 24 de Novembro, acrescentando: "Está previsto na lei, não sei qual é o espanto."

    (...) E o ministro confirmou na entrevista o que é de mero bom senso: qualquer agente da PSP à paisana tem de se identificar se tal lhe for exigido - por qualquer cidadão.

    Ora, vendo agentes à paisana a espancar uma pessoa com bastões, a deputada Ana Drago solicitou-lhes a identificação - sem sucesso. O ministro escusou-se a comentar isso, mas frisou que "à paisana" não é o mesmo que "infiltrado" ou "encoberto" e recusou o epíteto de "agentes provocadores" por estar "à margem da lei". É certo: a lei portuguesa não admite agentes provocadores. E só a Polícia Judiciária pode, nos termos do "Regime jurídico das acções encobertas para fins de prevenção e investigação criminal", infiltrar agentes, e apenas na investigação de crimes graves.

Uma boa notícia para o BE

O grupo ideologicamente mais fossilizado do BE (a Ruptura/FER) anunciou que abandona o partido.

"É injusto atribuir o mesmo peso aos que acreditam e aos que não acreditam que a Terra está a aquecer por obra humana: há um esmagador consenso de que o clima está a mudar”

Numa altura em que decorre a Conferência Climática da ONU, vale a pena recordar a entrevista ao Público do passado dia 15 de Novembro de Michel Jarraud, secretário geral da Organização Meteorológica Mundial, que pode ser parcialmente lida aqui (destaques meus).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Deriva de direita em imagens - parte II




Alterei a imagem que já antes tinha exposto para fazer corresponder a direita geométrica à direita política.
Aqui a deixo para reflexão.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dupond & Dupont


Esta edição do programa Política Mesmo da TVI24 com Henrique Neto e Tiago Guerreiro é um exemplo perfeito dos "debates" na televisão portuguesa que abundam desde que começou a crise das subprimes. As opiniões dos participantes sobre a economia são coincidentes, a ideologia é a mesma e as soluções propostas são redundantes: o Estado deve ser reduzido ao mínimo; a austeridade é que é bom; e as culpas do sistema financeiro na crise são sempre minimizadas. Melhor só mesmo Medina Carreira que faz de Dupond e de Dupont simultaneamente, mas em versão rasca e populista.

Já escrevi que precisávamos de um canal de televisão gerido por profissionais de esquerda, eventualmente com a direita intelectual. Precisávamos de uma televisão plural, feita por todos aqueles que não cedem ao pimba, ao facilitismo, ao sensacionalismo e aos exemplos rasca dos programas de variedades da vida real que bombardeiam diariamente os nossos jovens. O canal ARTE já se estendeu a vários países europeus. Poderia ser por aí que as nossas ondas hertezianas começassem a ser mais bem tratadas.

Liberais?

À data da posse do governo, as gavetas do MAI abrigavam dois projectos atentatórios da privacidade dos cidadãos: o acordo de transferência de dados pessoais e a videovigilância. Menos de seis meses depois, temos mais Estado e menos liberdade.

Aprovado o acordo, é agora possível fornecer aos EUA os dados do meu BI (e do seu) por mera suspeita de que estejamos prestes a cometer uma infracção penal. Num país em que se tolera, bovinamente, que o governo registe as nossas impressões digitais, poucos protestamos.

Quanto à videovigilância, o MAI aprovará na AR a instalação de câmaras nas ruas, jardins e praias, por decisão policial e sem veto da Comissão de Protecção de Dados.

Finalmente, e juntando à má legislação a má prática, é público há meses que o SIS e o SIED vigiam e ficham cidadãos inocentes; há indícios de que a polícia (ou o SIS) infiltrou provocadores nas recentes manifestações com o objectivo aparente de instigar os «tumultos» dos sonhos de Passos Coelho; Miguel Macedo negou que houvesse «infiltrados» para depois a PSP o desmentir, admitindo que há fotografias de agentes à civil «na primeira linha» dos confrontos; e a PSP afirmou que o indivíduo detido com enorme violência era procurado pela Interpol por três crimes para depois a Procuradoria negar que tenha cadastro.

Prova-se que este governo só é liberal na economia. Nas liberdades individuais, é anti-liberal.

Se for mesmo assim, estamos muito para lá de Varsóvia

  • «O advogado de defesa assegurou que acredita que o arguido terá agido em legítima defesa perante investida de “elementos não fardados da polícia”, julgando tratar-se de “assaltantes”» (Público).
Estamos mesmo a ficar próximos de Minsk ou de Moscovo.

Não é gordura do Estado

A dívida de seis mil milhões de euros da Madeira não é gordura do Estado. Gordura do Estado são os subsídios de Natal e de férias. E a RTP. Jardim é magro. Espartano, até.