terça-feira, 5 de agosto de 2014

Reiniciar a internet



Com dois meses de atraso face ao início desta iniciativa, creio que ainda vale muito a pena aderir.

sábado, 2 de agosto de 2014

E ninguém vai preso? (Yes, he should.)

  • «Fizemos muitas coisas certas, mas torturámos algumas pessoas. Fizemos coisas contrárias aos nossos valores. Quando usámos algumas técnicas de interrogatório reforçadas, técnicas que acredito e penso que qualquer pessoa honesta acredita que é tortura, atravessámos uma linha». (Barack Obama)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Revista de imprensa (31/7/2014)

  • «A recomposição da esquerda portuguesa está na ordem do dia. Uma esquerda antiausteritária que se queira consequente não pode satisfazer-se com o papel de protesto. Por bem que cumpra esta função, se ao protesto não se seguir nenhuma mudança, se dele nada se esperar além da catarse da rua, então é justo concluir que o protesto serve sobretudo de válvula de escape ao descontentamento social, com benefício exclusivo, na ressaca do dia, para a própria política de austeridade, cuja continuidade se vê assim mais bem assegurada. (...)
  • Tornar consequentes estas vocações de protesto e de desmontagem argumentativa, exige à esquerda antiausteritária que encontre uma terceira vocação: mostrar-se alternativa credível de poder face à austeridade que nos governa. Sem esta vocação, a esquerda portuguesa, por empenhada e brilhante que seja, nulifica todos os seus esforços. E para a esquerda antiausteritária ser alternativa, é tão indispensável vontades políticas alcançarem uma convergência real como é imprescindível constituírem-se veículo de um programa político. Em poucas palavras: uma alternativa política para uma política alternativa. (...)» (André Barata)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

98% dos principais economistas mundiais concorda: os estímulos de Obama diminuíram o desemprego

Há várias versões da piada, mas a minha preferida reza que se perguntarmos algo a 10 economistas, teremos 11 versões diferentes. Ora, neste caso a piada não podia estar mais longe da realidade.
A Chicago Booth, a Business School da Universidade de Chicago (e logo quem), há anos que regularmente faz inquéritos aos principais economistas académicos das mais prestigiadas universidades, reunidos no painel IGM Forum. É uma página muito interessante de seguir, porque nos dá uma visão muito diferente da visão deturpada que nos chega pela imprensa/blogosfera.
O último inquérito perguntava o que o painel achava sobre o impacto no desemprego do programa de estímulos governamentais à economia que Obama pôs em prática em 2010. 98% (ou seja todos menos Alesina) concordam que este programa ajudou à redução do desemprego.
Mas o inquérito não se fica por aqui, e lembra que os gastos de hoje têm de ser pagos mais cedo ou mais tarde. Será que valeu a pena? Mais uma vez uma resposta quase unânime: apenas 5% acha que não valeu a pena.
Infelizmente isto nunca vai chegar à nossa direita, nem à opinião pública nacional e europeia, que vão continuar a pensar que "os economistas" estão divididos sobre os efeitos deste tipo de programas.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

«85%, repito, 85%, não têm confiança no Governo.»

Quem dera a António José Seguro ter metade da assertividade e dureza que alguma direita (mais moderada) tem quando critica o Governo de Pedro Passos Coelho.

Veja-se como exemplo este texto de José Pacheco Pereira do qual não posso deixar de destacar:

«- Insatisfeitos, pessimistas e sem esperança. 96% acham que a situação económica do país é má. [...] Ou seja, quase todos os portugueses descrêem do “milagre” económico que, com cada menos convicção, Passos Coelho, Portas e Pires de Lima propagam por todo o lado. [...] Nenhum país da Europa tem estes resultados, nem a Grécia. Percebe-se muito bem por que razão o PSD, o CDS e o Presidente não querem ouvir falar de eleições antecipadas, em nenhuma circunstância
[....]
– Não acreditam em nada, nem em ninguém. Nem nos políticos, nem na política. Quase que já não acreditam na democracia. Não têm qualquer confiança no actual Governo. 85%, repito, 85%, não têm confiança no Governo. Outro número “albanês”, mas bem português, acima de todos os outros na Europa. Percebe-se muito bem por que razão o PSD, o CDS e o Presidente não querem ouvir falar de eleições antecipadas.

– Humilhados, maltratados, desprezados. Tratados como ricos indevidos, eles que nunca foram ricos, só quando muito remediados. Culpados de serem velhos e estarem cá a mais a atravancar os jovens que estão a “trabalhar” para eles receberem as pensões e reformas. Culpados de terem emprego, com salários e alguns direitos, e por o terem estarem a impedir os desempregados de aceitarem receber uma miséria e poderem ir para a rua a qualquer altura. Culpados de serem pobres e receberem alguns apoios sociais. Ser pobre significa ser calaceiro e não querer trabalhar. Culpados de serem professores, ou calceteiros, ou enfermeiros, ou trabalhadores de um serviço municipal, ou auxiliares de limpeza, ou técnicos de informática, ou motoristas, ou qualquer outra coisa, se estiverem na função pública. Culpados de serem “piegas”, neo-realistas, protestantes, reivindicadores, sindicalistas, incomodados, desrespeitadores da autoridade, corporativos, não yuppies, estudantes de qualquer curso “sem empregabilidade”, cultores das humanidades em vez da gestão, do marketing, e do “empreendedorismo”. Como ninguém gosta do desprezo, a não ser que seja masoquista, percebe-se muito bem por que razão o PSD, o CDS e o Presidente não querem ouvir falar de eleições antecipadas.»

Se durante os últimos anos o líder do principal partido da oposição tivesse falado neste tom, nem Pedro Passos Coelho teria ido tão longe no seu PREC (Processo Reaccionário Em Curso), nem estariam tantos sectores do PS tão ideologicamente diferentes entre si igualmente empenhados em substituí-lo.
Agora é tarde de mais para aprender.

sábado, 26 de julho de 2014

Presidente da República portuguesa?


Os mais jovens e menos informados não se recordarão deste senhor. António Guterres foi Primeiro-ministro entre 1995 e 2002. Deixou-nos o Rendimento Mínimo Garantido (agora RSI), a toxicodependência tratada como doença e não como crime, e o início efectivo da aposta na ciência. E fez a coisa certa em Timor (e não se imagina que Passos Coelho, para comparar com o presente, o fizesse).

Parece que agora quer ser Presidente da República. Tem esse direito, e o Alto Comissariado deu-lhe boa imprensa e muitos bons conhecimentos, sem dúvida. E alguns até diziam, já há quinze anos, que a sua atracção pelo «consenso» e pelo «diálogo» o talhavam mais para Belém do que para S. Bento. Acontece que os consensos de Guterres foram sempre pouco mais do que «arranjinhos» que duravam o tempo de um orçamento (na ausência deles, provocou dois referendos bastante oportunistas). Quanto ao diálogo, significou demasiadas vezes a cedência a lóbis. A insaciável FPF, por exemplo: a mais inútil pirotecnia de dinheiro público da 2ª República, o Euro 2004, a ele a devemos (e a um adjunto, um Sócrates ou Aristóteles ou lá como se chamava).

Se quiser realmente candidatar-se, tem garantias a dar. Para começar, se voltará a colocar o seu catolicismo acima do seu republicanismo, ele que atrasou a legalização da IVG quase uma década, preparou a Concordata dos sonhos de Policarpo e encheu o seu último governo com o género de clericais que ficariam mal numa casa civil da presidência que se seguirá a 2016. Se quiser mobilizar, terá que entender que o país evoluiu.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O terrorismo como forma de criminalizar protestos pacíficos

Desafio qualquer leitor a ouvir os quatro minutos e trinta e três segundos do vídeo que se segue sem ficar assustado e apreensivo.



Aproveito a ocasião para mencionar outras tendências preocupantes no mesmo sentido: a regressão dos direitos civis, dos alicerces da Democracia.

terça-feira, 22 de julho de 2014

São todos igualmente humanos?

Pessoas mortas em guerras actualmente em curso ou muito recentes, em milhares.
  1. Somália (1991-2014): 500.
  2. Síria (2011-2014): 120.
  3. México (2006-2014): 110.
  4. Paquistão (2001-2014): 60.
  5. Afeganistão (2001-2014): 60.
  6. Iraque (2011-2014): 25,5.
  7. Líbia (2011): 17(?).
  8. Sudão (2011-2014): 7.
  9. Egipto (2013-2014): 3.
  10. Iémene (2010-2014): 2,2.
  11. Ucrânia (2014): 1,8.
  12. Israel/Palestina (2011-2014): <1.