domingo, 6 de janeiro de 2008

Revista de blogues (6/1/2007)


  1. «(...) os neo-reaccionários já não podem ser reaccionários: eles inventaram-se novos nomes e novas causas. Os fins que perseguem são os mesmos, se os reduzirmos ao essencial, que motivaram por exemplo os absolutistas, mas obviamente que já não podem defender as mesmíssimas coisas. Já não são contra a ciência: eles acham que a ciência pode ser guiada pela religião. Já não são pela religião oficial: acham que o Estado tem de integrar a "cultura nacional". Já não são machistas: são pelo direito à vida. Já não são homofóbicos: até têm amigos homossexuais. Já não são racistas: são pelos estudos científicos que provam que os brancos são mais inteligentes que os negros.» («A reacção parcial», n´O Reino dos Fins.)
  2. «E assim nasceu o mito de que um dia a ministra da educação quis limpar os nomes dos santos das escolas. Nasceu e viverá por mil crónicas politicamente incorrectas a publicar por toda imprensa... Pouco importa que tal mito mentiroso surja poucos dias depois do governo, do qual a ministra faz parte, ter anunciado um novíssimo "Hospital de Todos os Santos" para a capital. A mentira tem pernas longas, faz Braga-Lisboa num saltinho de pardal, e a insinuação viverá para sempre. Adenda: A Agência Ecclesia já deu o seu contributo à causa, sigam-se então os tablóides e depois, finalmente, os editoriais do Público.» («2008 com fumo», no Renas e veados.)

sábado, 5 de janeiro de 2008

Um protestante pela laicidade

Em entrevista ao Diário de Notícias, o protestante Soares Loja defende que as escolas não devem ter nomes de santos.

  • «O que está em causa no princípio da não confessionalidade é que o Estado não pode promover uma determinada confissão em detrimento das outras. Isto deriva do princípio da igualdade dos cidadãos. E o Estado ao dotar equipamentos de um nome de um santo está a promover uma confissão

E, para quem julgava que a laicidade só interessa aos ateus anti-religiosos, explica a sua motivação pessoal.

  • «P: Como membro de uma confissão não católica, sente-se discriminado?
    R: Sinto. E creio que todos os não católicos partilharão deste sentimento. Porque não conheço escolas com o nome de Lutero, Erasmo, Calvino.
    (...) Alguns católicos, com receio de perder os privilégios a que estão acostumados, reagem falando em discriminação e perseguição quando se fala da separação entre Estado e Igreja Católica, esquecendo que há muitos cidadãos no mesmo país privados desse mesmo privilégio de verem a sua cultura religiosa promovida à conta do Estado

O protestante Soares Loja revela uma coragem cívica e um respeito pela Constituição da sua República que o coloca nos antípodas da judia Esther Mucznick.

Capitalismo monopolista e democracia


  • «O empresário Pais do Amaral comprou a Dom Quixote, editora de alguns dos mais importantes escritores portugueses (...) Com este negócio, Pais do Amaral ficará detentor do maior grupo editorial de língua portuguesa, uma vez que já controla a Caminho adquirida em Junho deste ano, a ASA, a Texto Editoras, a Nova Gaia e a Gailivro, as três últimas editoras de livros escolares. Pais do Amaral, através da Caminho, tem o único Nobel português: José Saramago.» (Público)

A chegada à fase do monopólio em cada vez mais mercados não augura nada de bom.

A democracia nunca está garantida. Eleições livres e por voto secreto não chegam. É também necessária uma esfera cívica (media, editoras, associações) independente dos poderes económicos e religiosos. Em Portugal, os principais media e editoras estão agora nas mãos de três ou quatro capitalistas. Daqueles que não celebram o 25 de Abril.

Os «jornalistas» das causas católicas

A ICAR conta com alguns jornalistas dispostos a arriscarem a sua reputação profissional em montagens e distorções tendentes a confirmar a tese de que a ICAR é muito perseguidinha no Portugal contemporâneo. O caso mais clássico será António Marujo, que há pouco mais de um ano jurava no Público que estaria em curso uma campanha mundial para «proibir»(sic!) as celebrações do Natal. Outro caso parece ser Secundino Cunha, que no Correio da Manhã inventou que o Governo estaria a mudar os nomes às escolas que os tinham de «santos», e que no dia seguinte distorceu gravemente as declarações da ARL sobre o assunto.

Note-se que Secundino Cunha já publicou, em menos de seis meses, três notí­cias flagrantemente falsas e tendenciosas sobre o Ministério da Educação:

  1. «20 de Julho de 2007: A ‘manchete’ que o Correio da Manhã exibe na sua edição de hoje, correspondente a um artigo assinado por Secundino Cunha, é falsa. O título 2500 professores dispensados e a respectiva linha explicativa Docentes com doenças incapacitantes e protegidas por lei vão para o quadro de disponíveis não têm qualquer correspondência com a realidade.»
  2. «20 de Nov de 2007: O Ministério da Educação (ME) desmente a manchete que o Correio da Manhã (CM) exibe na sua edição de hoje – Professores obrigados a dar boas notas –, alusiva a um texto publicado na página 15, intitulado Pressão para não chumbar, baseado em declarações de uma dirigente sindical.»
  3. «2 de Jan de 2008: A ‘manchete’ que o Correio da Manhã exibe na sua edição de hoje, correspondente a um texto assinado por Secundino Cunha, é falsa. O título Governo Tira Nome de Santos a Escolas e a respectiva linha explicativa Ministério da Educação contra designações religiosas dos estabelecimentos de ensino não têm qualquer correspondência com a realidade.»

O clericalismo não é exclusivo dos cristãos

A judia fundamentalista Esther Mucznick brindou-nos, no Público de quinta-feira, com a sua (má-)fé e fanatismo habituais.

Exemplo:
  • «(...) a laicidade radical que considera a religião como um factor de atraso e obscurantismo a banir do espaço público, e se possível da estratosfera, está de facto completamente ultrapassada, não só em França, mas onde quer que ela se manifeste. Existe apenas em cabeças dogmáticas que fizeram do laicismo e do anticlericalismo a sua própria religião».
Em primeiro lugar, a laicidade constitucional é bem mais «radical» nos EUA do que em França (note-se os subsídios estatais de que gozam centenas de igrejas católicas em França, e que seriam inconstitucionais nos EUA). Em segundo lugar, considerar a religião «um factor de atraso e obscurantismo» não é anticlericalismo (ou laicismo), mas sim anti-religiosidade. Em terceiro lugar, os laicistas sabem distinguir o espaço estatal (que deve ser religiosamente neutro) do espaço público (que pode ser pluriconfessional). Em quarto lugar, considerar o laicismo uma religião necessita de um conceito tão abrangente de religião que duvido que a senhora Mucznick lhe aturasse as consequências. Mas é de registar a espontaneidade com que associa dogmatismo e religião.

E continua:
  • «"Se não tiveres Deus", afirma T.S. Eliot, "terás de te prostrar perante Hitler ou Estaline." Certo ou errado, a verdade é que a religião tem sido frequentemente um fermento no combate às ditaduras políticas e militares: contra os regimes comunistas no Leste europeu, contra as próprias ditaduras militares seculares no mundo islâmico, onde as mesquitas são frequentemente, e com os excessos que se conhecem, o único centro de oposição política, ou mais recentemente na resistência dos monges birmaneses a um dos regimes mais opressivos do mundo.»
Esqueceu-se a senhora Mucznick do papel de «combate» às ditaduras desempenhado pela ICAR em Portugal (saberá onde fica?), na Espanha de Franco a Aznar, na França de Pétain, na Alemanha do católico Hitler, na Eslováquia do padre Tiso, na Croácia de Pavelic e Stepinac, na Argentina dos militares, no Chile de Pinochet, e, já agora, o papel de «fermento» da religião no Irão dos aiatolás, no Tibete feudal, na Arábia Saudita onde as mulheres não podem sair à rua sozinhas, ou no Sudão, para nos ficarmos apenas pelos casos mais recentes. Esqueceu-se também a senhora Mucznick de que quem se prostrou perante Hitler foi o Partido do Centro Católico que lhe votou os plenos poderes (ditadura) e o Pio 12 da Concordata que a ICAR recebeu em troca. Esqueceu-se ainda de que o ser humano não tem nenhuma tendência natural para a prostração ou para rastejar, são as religiões abraâmicas que o tentam transformar em escravo.

No fundo, o clericalismo judeu é pior do que o católico, embora se dê menos por isso.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Proponentes, não militantes

  • «No processo da sua criação todos os partidos existentes tiveram de enviar para o Tribunal Constitucional os nomes de 5000 proponentes.» (Causa Nossa)
Trata-se de situações radicalmente diferentes. Um proponente não tem que ser militante. Nem sequer simpatizante, ou votante ou outra coisa qualquer acabada em «ante». Até pode ser de outro partido.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Fascistas católicos

  • «Even the most cursory review of the literature reveals how many 20th century Catholic or Protestant parties openly supported fascist regimes, often contributing clergy to leading government posts. If it is examples you want, there is the PPI in Italy, the Ustashe in Croatia, National Catholicism in Franco's Spain, the Iron Guard in Romania, the Rexists in Belgium, and the movements of António Salazar in Portugal, Engelbert Dollfuss in Austria, and Jozef Tiso in Slovakia, all Christian, all supporters of fascist governments.

    Throughout World War II it was Vatican policy to go to extraordinary lengths to further the destruction of the godless communists and protect the foundations of Christendom - a policy reminescent of American support for right-wing dictatorships during the Cold War. Not least was Rome’s decision to remain virtually silent on the Holocaust as long as the Hitler government was useful in destroying the Red Army. This policy continued post-World War II, as the Rome-based Hitler supporter Bishop Alois Hudal (a very close friend of the Pope Pius XII, according to Jakob Weinbacher, auxiliary Bishop of Vienna) smuggled hundreds of Nazi war criminals to South America. War criminals like Ustashe leader Ante Pavelic (responsible for 700,000 deaths) would also flee to Rome before being smuggled to Peron's Argentina.

    (...) one would be hard pressed to find a speech in which Hitler did not summon divine providence» (Butterflies and Wheels)

A nutter he is

  • «Last month, former prime minister Tony Blair said he had not talked much about his faith for fear of being labelled a "nutter".» (BBC)