terça-feira, 3 de julho de 2007

O Catolicismo é contrário ao Liberalismo

Na nossa praça existem muitos auto-intitulados «liberais» que são católicos. E existem outros tantos que, não sendo católicos, não vêem qualquer oposição entre o liberalismo e o catolicismo. Não vêem, mas ela existe.

A posição da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) face ao Liberalismo é a mesma que tem face ao Socialismo e ao Comunismo: está contra.

Eis alguns documentos em que os Papas se pronunciaram explicitamente contra o Liberalismo:

- a encíclica Mirari Vos de Gregório XVI

- a encíclica Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX

- a Carta Apostólica Notre Charge Apostolique de São Pio X

- a encíclica de Leão XIII contra o Americanismo, intitulada Testem Benevolentiae, e a encíclica Mortalium Animos de Pio XI contra o liberalismo religioso expresso no ecumenismo modernista

- a Bula Unam Sanctam contra o princípio liberal de separação entre Igreja e o Estado

Um católico informado e coerente não pode ser liberal.

----------------------------[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

Caroline Fourest: «Lettre à mes amis proches de Ni putes ni soumises»

«(...) personellement, je ne serais pas choquée si Fadela Amara était devenue secrétaire d'Etat de Jean-Louis Borloo, Roselyne Bachelot, ni même si elle était devenue ministre dans un gouvernement Villepin, si elle avait une réelle marge de manoeuvre pour mettre en oeuvre une politique à la fois anti-intégriste et anti-raciste...
Mais qui peut croire sa décision anodine et sans effets sur la crédibilité de NPNS (censée défendre la laïcité et le féminisme pour tous!) alors qu'elle devient numéro deux d'une ministre intégriste chrétienne, provie, antiféministe, qui croit que Bush est possiblement à l'origine des attentats du 11/09 et se rend volontier au congrès de l'UOIF pour appeler à une union sacrée des religieux contre la laïcité à la française!


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(...)
Vouloir nous faire croire qu'il faut absoudre les intégristes chrétiens, tout en pensant que l'on reste crédible face aux intégristes musulmans, relève au mieux de la naïveté. Comment peut-on critiquer les idiots utiles de l'islamisme et traiter de "sectaire" ceux qui tentent de faire preuve de la même vigilance face à l'intégrisme chrétien? Simplement parce qu'ils se permettent d'alerter sur le sens ambigû d'un partenariat Amara/Boutin (sachant que Boutin est la chef d'Amara et non le contraire!)
Il y a quelques années, j'ai rompu avec plusieurs amis qui, après avoir combattu Christine Boutin à mes côtés, se mettaient à trouver Tariq Ramadan formidablement charismatique. Je suis prête à perdre ceux qui, après avoir combattu Tariq Ramadan à mes côtés, présentent Christine Boutin comme une "femme de coeur" formidablement sympathique. Car c'est vrai, Tariq Ramadan est charismatique et Christine Boutin est sympathique. Mais ce n'est pas le sujet! Ma vigilance porte sur leur projets de société, convergents et à l'opposé de la France laïque et féministe dont je rêve. Je les combats tous deux pour les mêmes raisons.
(...)»
(Caroline Fourest no blogue da Pro-Choix; ler na íntegra. Fadela Amara é a líder histórica do movimento feminista e laico Ni Putes, Ni Soumises, e aceitou recentemente ser secretária de Estado do último governo de Sarkozy, num ministério liderado por uma senhora do Opus Dei.)

Pelo cilício e pela obediência, sempre!

Não há como estudarmos o nosso «inimigo» ideológico para melhor o compreendermos (e nesse processo compreendermos também porque nos encontramos no campo oposto). Na sequência do aniversário póstumo do fascistóide Josemaría Escrivá (devidamente assinalado pelo Carlos Esperança), o bispo auxiliar de Lisboa, Carlos Azevedo, produziu uma homilia onde explica com sinceridade o pensamento do fundador do Opus Dei.

Tal como o entendo, o sistema totalitário que o Opus Dei constitui funciona entre dois pólos: humilhação e obediência. Pela humilhação, destroem-se ou controlam-se as vontades, prazeres, instintos e valores éticos que podem afastar a ovelha do rebanho; e assim, castrado e amansado, se prepara o cordeirinho para obedecer, tornando-o um instrumento fiel da organização e dos seus objectivos. A homilia de Carlos Azevedo começa por desdenhar dos evangelistas e do «conteúdo da pregação de Jesus», para logo chegar ao que realmente interessa nas lendas cristãs: «à tua palavra, obedecerei» (o autoritarismo típico das religiões abraâmicas é útil para construir organizações de prosélitos e de soldados). Ao longo da homilia repetem-se depois as exortações a «ser instrumento nas mãos do Pai», e termina-se a prometer até a «glória» aos que «entregam a vida intensamente a ser instrumentos da Obra de Deus». As palavras recorrentes no texto são «vontade», «instrumento», «entrega» e, curiosamente, «liberdade». Mas esta é uma liberdade muito especial: ou é a «libertação» da «lei, do pecado e da morte» (sendo que «pecado» é quase tudo o que vale a pena, e a «libertação da morte» uma banha da cobra) ou então é a «liberdade» de ser instrumento («a vida de filhos tão queridos é impelida, com autêntica liberdade a ser instrumento nas mãos do Pai»). O único agente com «vontade» ao longo de todo o texto é «Deus». A ovelha não tem vontade, e portanto não é realmente livre. A autoridade divina garante a submissão terrestre. É uma leitura esclarecedora.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

Às apalpadelas

Vejo um documentário num canal, e uns profes universitários garantem que os terroristas do 7 de Julho eram um grupo isolado que se radicalizou por conta própria. Mudo para outro canal, e os jornalistas indicam que os terroristas do fim-de-semana passado chegaram ao Reino Unido há dois anos, provavelmente já «programados» para actuar. Não há padrão.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Revista de blogues (2/7/2007)

  1. «1. José Sócrates processa Balbino Caldeira por difamação (eu como governante não o faria, teria desprezado o caso no momento certo e com firmeza, mas respeito as decisões alheias e dentro da lei e das normas); 2. Balbino usa como defesa o contra-ataque anunciando querer processar Sócrates por atentar à sua liberdade de expressão (vai perder porque é um contra-senso: se não tivesse liberdade de expressão não poderia ter escrito livremente o que pensava e eventualmente o que não pensava ao longo dos últimos quatro anos, e muito menos o deixariam processar o Primeiro Ministro, se pode é porque a tem, não tendo assim pés nem cabeça esta sua teoria); (...) 4. Há um levantamento popular a favor de Caldeira, expresso através dos mais variados e inusitados meios, considerando em geral tais gentes que vivem num estado repressor (juro que me é tremendamente difícil perceber como podem pensar e dizer semelhante tal pessoas com acesso ao tudo o que é meio de comunicação e através dele condicionarem o exercício dos governos e dos tribunais como nunca tinha acontecido em nenhuma democracia);» («Caldeira, Sócrates, justiça, liberdade, Pacheco, censura, blogosfera. Esquizofrenia.», no Mas certamente que sim!)
  2. «A generalidade dos terroristas da "al-Qaeda", ou que pretendem associar-se à "al-Qaeda", são na generalidade uns amadores incompetentes. (...) E são tão incompetentes, que, na realidade quando vimos as coisas de uma forma racional, nem sequer são assim tão perigosos. (...) E como é esta gente normalmente apanhada? Ou por incompetência na hora H (o que é obviamente grave, pois se fossem competentes poderiam ter efectivamente morto muita gente), ou porque são denunciados pelo caminho, novamente, por incompetência. A realidade é que prevenir este tipo de crimes é uma tarefa de polícia e de serviços de informação, que têm que se infiltrar nas comunidades mais radicais, e nada justifica o ataque às liberdades individuais feitos nos últimos anos. A realidade é também que se queremos evitar mortes desnecessárias, em termos de alocação de recursos públicos, existem áreas onde cada € gasto vais ser muito mais produtivo que as fortunas que se têm gasto inutilmente no combate ao terrorismo (...).» («Terroristas Incompetentes», no Speaker´s Corner Liberal Social.)

Nick Cohen: «The unholy alliance that damns Rushdie»

«On 23 June 2005, Sir Derek Plumbly, the British ambassador to Egypt, wrote to the Foreign Office's political director, John Sawers, about his colleagues' determination to 'engage' with the radical Islamists in the Muslim Brotherhood. Its motto is: 'Allah is our objective. The Prophet is our leader. The Koran is our constitution. Jihad is our way. Dying in the way of Allah is our highest hope.' Hassan al-Banna, its founder, was an admirer of European fascism and its most terrible ideologist, Syed Qutb, inspired the wave of Sunni terror that is sweeping the world.

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(...)
If you haven't read The Islamist, Ed Husain's memoir of his life on the religious right, it is worth doing so because he uses his inside knowledge to describe how Labour placated reactionaries who hated every progressive principle the centre-left holds. To take one of many examples, Husain tells how his journey into the wilds began when he joined the east London mosque, which was controlled by Jamat-e-Islami, the Muslim Brotherhood's south Asian sister organisation. After his disillusionment with far-right politics, he returned to the mosque bookshop and found Qutb's work on sale: '... with chapter headings such as "The virtues of killing a non-believer" and ideas such as "attacking the non-believers in their territories is a collective and individual duty". Just as I had done as a 16-year-old, hundreds of young Muslims are buying these books from Islamist mosques in Britain and imbibing the idea that killing non-believers is not only acceptable but the duty of a good Muslim.'
(...)
Labour's indulging of Jamat and the Muslim Brotherhood is over. Engagement for engagement's sake led nowhere and ministers got nothing in return for going along with the Islamists. The MCB was too willing to blame the 7/7 attacks on Iraq, while its refusal to participate in Holocaust Memorial Day showed that it had no commitment to either multiculturalism or anti-fascism. In the end, Tony Blair, Ruth Kelly and Tony McNulty at the Home Office shrugged their shoulders and walked away. Government policy is now to support British Muslims who uphold liberal values and oppose those who do not. Rushdie's knighthood was a sign of the changing mood. Labour politicians might have tried to impose a veto a few years ago; instead, they said: 'Are we going to allow British policy to be decided by dictatorial bigots, who want to inflame religious passion to divert attention from their own corruption?'
(...)»
(Nick Cohen no The Observer; ler na íntegra.)

Democracia ou europatriotismo, a escolha aproxima-se

  • «Esquecem-se que irresponsável não é quem exige mais democracia, é quem foge a ela. Por mim, não me forcem a escolher entre os meus instintos europeístas e os meus instintos democráticos. Nesse caso, terei de preferir mais democracia com menos Europa a mais Europa com menos democracia.» (Rui Tavares no Público de hoje.)

domingo, 1 de julho de 2007

Diálogos nas catacumbas

Nas últimas horas tenho sobretudo escrito em caixas de comentários: sobre a escola pública e os seus programas (ver aqui); e sobre a laicidade em França e o véu islâmico (ver aqui, embora as ideias de Bacelar Gouveia sobre a laicidade, ali descritas, sejam simplesmente insultuosas).