sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Dúvida lancinante: serei um «conservador moral»?

«Your Score: You scored 6 on the Moral Order axis and -2 on the Moral Rules axis.
Matches: The following items best match your score:
System:
Conservatism
Variation:
Moral Conservatism
Ideologies:
PaleoConservatism
US Parties:
Republican Party
Presidents:
George H. Bush (87.50%)
2004 Election Candidates:
George W. Bush (86.02%), John Kerry (60.23%), Ralph Nader (45.33%)
Statistics
Of the 155502 people who took the test:
(...)
1.6% were to your right on the chart.
93.1% were to your left on the chart


Aviso que cheguei a este resultado (extraordinário, para quem me conhece...) através de um teste da Moral Politics feito de duas míseras perguntas. No teste de dezasseis perguntas, os resultados foram os expectáveis: fiquei lá para o centro da esquerda, entre o John Kerry e o Ralph Nader. O que carece de explicação não é essa normalidade, é eu poder ser classificado (como se exibe mais acima) como um «conservador moral»(!), que segundo as explicações lá do sítio é assim tipo um fanático religioso que acha que o Estado tem como primeira função obrigar as pessoas a ir à missa e, secundariamente, castigar com a pena de morte quem roubar um papo-seco já bolorento. Para compreender, vale a pena ver como respondi às duas perguntas.

Primeira: «O que descreve melhor a natureza profunda dos seres humanos?». Claro que respondi que somos todos maus como as cobras. As outras hipóteses eram sermos todos bonzinhos, ou a maioria ser uma coisa e a minoria ser outra. E respondi assim por estar convencido de que o ser humano faz naturalmente aquilo a que chamamos «mal» (ser egoísta, violento, roubar comida ao vizinho, etc) e por condicionamento social quase tudo daquilo a que chamamos «bem» (partilhar comida, ajudar o próximo em situação de perigo, etc). O artigo anterior, em que se constata que os chimpanzés não são naturalmente dados ao altruísmo a favor de desconhecidos, parece-me sugerir que a minha convicção estará correcta: a «bondade» humana é uma especificidade entre os primatas, que se deverá à invenção da linguagem e à consequente evolução social (e é isso que nos separa dos chimpanzés). A estupidez do teste é situar-me na «direita» por causa deste «realismo antropológico», que apenas diz que eu compreendo a necessidade de o ser humano viver em sociedade como forma de evitar males maiores, e nada diz, certamente, sobre os formatos sociais (centralizado ou descentralizado, poder forte ou fraco) ou sobre as formas de legitimação (religiosa ou laica, autoritária ou democrática...) que eu aceito para a a sociedade onde vivo.

Segunda: «Qual é a melhor maneira de contribuir para a sociedade?». Aqui, os autores consideraram dois opostos (o «altruísta extremo»: tomar conta dos outros e eles tomarão conta de mim; e o «isolacionista»: tomar conta de si próprio para que a sociedade não tenha de fazê-lo); e dois matizes intermédios (o «altruísta equilibrado»: tomar conta dos outros tanto como de si próprio; e o «individualista com consciência social»: tomar conta dos outros depois de tomar conta de si próprio). Esta pergunta parece-me mais relevante para aferir do posicionamento ideológico de alguém, porque não coloca o respondente perante concepções (mais ou menos informadas...) sobre a natureza humana, mas sim perante escolhas ético-sociais. Fiz a escolha «individualista com consciência social», porque sou solidário mas não sou ingénuo. No entanto, esta pergunta só interfere no eixo vertical (ver acima). O posicionamento «esquerda-direita» no eixo «ordem moral» é todo dado pela primeira pergunta.

8 comentários :

João Vasco disse...

Esse teste é patético.

Na opinião do autor os libertários são amorais. Quem acredita no bem e no mal é conservador.

Um libertário que ache "mal" a opressão, e que portanto tenha valores morais é algo que não existe, na cabeça de quem fez esse teste.

Também fiquei surpreendido com o meu resultado (já fiz esse teste há uns meses) e depois é que percebi esta falácia.

Se tu não és um conservador teocrático és um pós-modernista niilista. Bom, enfim... Encaixar-me num destes dois grupos será sempre complicado...

cãorafeiro disse...

eu deliro com estes testes!!!!

Arrebenta disse...

Diário da "mulher-alibi"

Pacheco Pereira, um dos rastejantes da nossa cena política, pilar do sistema, e exemplo de como se pode subir rápido
(da Gare Maoísta à Gare Neo-Liberal-Conservadora, em bilhete de primeira, se faz favor),
resolveu ganhar dinheiro a publicar os textos do "Abrupto", uma espécie de sótão poeirento e desactualizado do imaginário de uma tia velha desactivada, e com barbas, ainda por cima.

Esse é o papel da "Mulher-Alibi", figura da Sociologia, indispensável para o funcionamento do Sistema: ela espumeja, ela finge que se indigna, ela ataca, ela recua, ela geme e freme, ela varia de alvos, mas, no fim, alinha sempre pela mão de quem lhe paga, e que realmente sempre serviu. É no seu discurso e na sua atmosférica variação fisionómica, que se faz o grosso da catarse do tecido social, "que bem que falou", "gosto muito de ouvi-lo", "sabe sempre dizer quando as coisas estão bem, e quando estão mal"...

Uma das características da mulher-alibi é a ubiquidade: ela tem o dom de estar sempre em todo o lado e em todo o instante em que se possa levantar alguma fervura.

Obviamente, Pacheco Perereira não é a Marcela-quer-morcela, a Mãe das Mães-Alibi, ou a "Desesperada", por antonomásia, com dons de mentira e retórica maquiavelicamente sofisticados. Berços diferentes: uma, filha do Ministro da Propaganda do Antigo Regime, a outra... não. Mas, no fim, o teclado termina sempre na mesma cadência, embora, pelos entremeios, se tenham esvaziado todas as tensões do Público, que, realmente, poderiam conduzir a qualquer mudança.
Elas são as gestoras do Pântano, e o Pântano continua a pagar-lhes regiamente pelo seu papel.

http://braganza-mothers.blogspot.com

""#$ disse...

Caro ricardo:a partir desse teste será impossivel sair À rua...sem conseguir escapar à furia dos atiradores de tomates podres...

Anónimo disse...

Versos para o Profeta & Companhia


Meus senhores eu sou Maomé

que lava a cara, que lava os olhos

que lava a rata e os entrefolhos

que lava a nabiça e os agriões

que lava a piça e os colhões

que lava as damas e o que está vago

pois lava as mamas e por onde cago.


Meus senhores aqui está o Profeta

que rega a salsa e o rabanete dos mouros

que lava a língua a quem faz minete

que lava o chibo mesmo da rasca

tira o cheiro a bacalhau da lasca

que bebe o árabe que bebe o porco

que lava a dona e o berbigão


Meus senhores aqui está o Profeta

que lava os olhos e os grelinhos

que lava a cona e os paninhos

que lava o sangue das grandes lutas

que lava sérias e lava putas

apaga o lume e o borralho

e que lava as guelras ao caralho


Meus senhores aqui está o Profeta

que rega as rosas e os manjericos

que lava o bidé, lava penicos

tira mau cheiro das algibeiras

dá de beber às fressureiras

lava a tromba a qualquer mouro e

lava a boca depois de um broche.

QUAES CUNQUE FINDIT
MAOMÉ É RABO !
Quitéria é Grande !

www.riapa.pt.to

Camarelli disse...

experimenta este que é bem melhor:
http://www.politicalcompass.org/

Ricardo Alves disse...

Matarbustos,
já experimentei esse teste. Dá resultados banais. O meu favorito continua a ser este:
http://www.politest.fr/

João Vasco,
tens razão: o teste assume esquerda=niilismo, direita=clericalismo.

Riapa,
ide bugiar!

Miguel Madeira disse...

"Na opinião do autor os libertários são amorais."

Não vejo como: o teste tem as opções "socialismo moral" e "liberalismo moral", da mesma forma que tem as opções "conservadorismo moral" e "autoritarismo moral".