segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Do «professor Marcelo» ao Presidente Marcelo

A vitória de Marcelo é em primeiro lugar uma vitória da TVI. O ex-presidente do PSD que nunca ganhara uma eleição na vida conseguiu reinventar-se em mais de uma década de homilias todos os domingos na TVI, naquele formato bem católico da prédica professoral sem contraditório. Fica provado que a televisão (se for em canal aberto) tem hoje maior capacidade de mobilização do que as máquinas partidárias.

Esta vitória da direita é uma derrota da esquerda. Da sempre dividida esquerda, daquela em que é sempre difícil encontrar pontes entre partidos ou sensibilidades - ao contrário da outra, da que se conseguiu aliar na Assembleia da República há apenas três meses. A inutilidade de candidaturas estritamente partidárias ou de facção fica demonstrado no resultado surpreendentemente mau de Edgar Silva ou no resultado mesmo chocante de Maria de Belém.

Sampaio da Nóvoa teve um resultado notável para quem era praticamente desconhecido há pouco mais de um ano.

Nos pequenos candidatos, a nota mais positiva da noite foi Vitorino Silva ter tido um resultado superior a Paulo de Morais (que corporiza todos os defeitos habitualmente atribuídos aos políticos tradicionais: demagogia, desonestidade, fazer promessas incumpríveis).

Houve menos pessoas a votarem do que em presidenciais anteriores em que estava em jogo a primeira eleição de um presidente (e não a reeleição), mas a abstenção ficou longe dos 50%, ao contrário do que dizem os media desatentos demais para repararem que não há 9,7 milhões de adultos em Portugal.

Ao contrário de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa prometeu ser o Presidente de todos os portugueses (e portuguesas). Um bom sinal. Talvez seja um Presidente menos péssimo do que Cavaco.