sábado, 14 de abril de 2007

Pelo mesmo critério...

  • «(...) parece incontroverso que o Primeiro-ministro usou indevidamente não só o título de engenheiro, como a informação falsa de que tinha uma licenciatura em engenharia muito antes de efectivamente a ter (...)» (Pacheco Pereira no Abrupto)
José Álvaro Machado Pacheco Pereira assina artigos no Público em que usa o título de «historiador». No entanto, é licenciado em Filosofia e docente no departamento de Sociologia do ISCTE. Desconhece-se se está inscrito na Associação de Professores de História.
Numa página do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança, Pacheco Pereira aparece referido como «doutor» (por extenso) embora não se lhe conheça doutoramento concluído ou licenciatura em Medicina. Outras pessoas, como António Vitorino, que é licenciado em Direito, são referidas como «Dr.». Ignora-se se foi Pacheco Pereira quem deu a informação (falsa) de que é doutorado.
Finalmente, na página da wikipedia em língua inglesa, aparece a informação de que Pacheco Pereira seria «professor». No contexto anglo-saxónico, um «professor» é um professor catedrático. Pacheco tem escrito abundantemente sobre a wikipedia, em artigos da imprensa escrita e no seu blogue. É portanto muito improvável que desconheça a sua própria página na wikipedia. É mesmo possível que ele próprio a tenha escrito.

14 comentários :

dorean paxorales disse...

À moda de Marcelo:

Tirou o curso de História? Sim. Trabalha em História? Não. É historiador? Nãão.

Não tirou o curso de história? Não. Investiga/publica história? Sim. É historiador? Éééé.

Os "professores" e essa figura esdrúxula do "doutor por extenso" podes mesmo tu corrigir na wiki.

Ricardo Alves disse...

Dorean,
por esse critério nenhum político no activo é «doutor» ou «engenheiro». E quem está desempregado é coisa nenhuma.

Anónimo disse...

Luis Marques Mendes
Nascido em Azur�m (Guimar�es) em 5 de Setembro de 1957, morou em Fafe até 1985 e actualmente reside na freguesia de Caxias, do concelho de Oeiras;

FORMAÇÃO ACAD�MICA
-Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

CARGOS EXERCIDOS

-PROFISSIONAIS
--Advogado em Fafe;
--Presidente da Direcção da Ensino, Investigação e Administração SA, Entidade titular da Universidade Atlântica;
--Consultor da EFACEC, SA
ver http://www.psd.pt/default.asp?s=11586

Qual a razão porque omite isto na biografia oficial?
Luís Marques Mendes, o actual presidente da PSD, foi um dos docentes da Universidade Independente no ano lectivo de 1995/96, precisamente na mesma época em que José Sócrates ali concluiu o curso de Engenharia Civil.

A lista de docentes e órgãos de direcção pedagógicos da Independente foi publicada no Diário da República, II série, de 26 de Setembro de 1996, Marques Mendes foi convidado pelo estabelecimento dirigido por Luiz Arouca enquanto "antigo ministro com o pelouro da comunicação social, político e deputado".

João Gomes disse...

Ricardo,

O problema do nosso país é precisamente continuar a perder tempo a discutir temas mesquinhos e de "baixa política" como este. Somos um país de pseudo-doutores.
Gostava contudo de partilhar com vocês um texto meu sobre a degradação da política de juventude e o PP:

http://aquelaopiniao.blogspot.com/search/label/Juventude%20Popular

Abraço

Anónimo disse...

Esses ataques ao Pacheco Pereira são patéticos para defender o Sócrates. Qquem respondeu bem foi o doutor Jose´Adelino Maltês aqui http://tempoquepassa.blogspot.com/2007/04/contra-o-absolutismo-marchar-marchar.html

"Até sorrio com a recente manobra de campanha que, agora, denuncia o José Pacheco Pereira, clamando que ele não pode intitular-se historiador, porque, para tanto, não está universitariamente titulado, quando, na prática, produziu, em qualidade e em qualidade, mais do que faculdades inteiras especialistas em títulos. O Alexandre Herculano que nunca foi titulado em coisa nenhuma e recusou ser lente convidado do Curso Superior de Letras deve dar voltas no túmulo..."

cereja disse...

É tanta a saloiice desta campanha tonta, que nem vale a pena estarmos a perder tempo. Realmente 90% dos Drs que quase todos somos, em rigor deverámos ser chamados «licenciados» como há duzentos anos. Como é que se perde tempo a atacar o homem por uma coisinha destas quando há tanta coisa realmente importante, do desemprego às políticas sociais, a debater e a pedir contas...?!

cereja disse...

Claro, esquecia-me de dizer, que provavelmente quet o Marques Mendes, quer o J.P.P. não vão abordar esses outros temas porque aí já estão de acordo com ele. Ele anda a fazer-lhes a papinha toda, não o devem contrariar.

Anónimo disse...

São tão mesquinhas e inúteis estas vingançazinhas dos defensores de Sócrates. Preocupem-se é em explicar as trapalhadas do vosso dono, em vez de enlamearem tudo á volta. Que eu saiba o pacheco pereira escreveu varios livros de história reconhecidos como muito bons e o Sócrates não pode assinar um plano de uma ponte.

Pedro Morgado disse...

Caro Ricardo,

A comparação utilizada não é a melhor... O que diriam todos se fosse o Santana Lopes (e eu fui um dos que mais o criticou)?

dorean paxorales disse...

Ricardo,

Exactamente.

Ricardo Alves disse...

Há comentadores que não leram a «etiqueta/marcador».

dorean paxorales disse...

Exercício difícil numa sociedade onde há quem chame "arquitecto" a directores de jornais.

Anónimo disse...

Infelizmente, não é verdade que Pacheco Pereira tenha produzido em qualidade e em quantidade historiografia relevante. Colocá-lo ao lado do rigor, da profundidade, da dedicação e da honestidade de Alexandre Herculano, pode ser visto nos meios que conhecem uma e outra obra não apenas como obsceno como também ridículo, ainda mais agravado por estarem separados por mais de um século de avanços e reflexão espistemológicos que responsabilizam mais quem vem atrás.

Ademais, é difícil conciliar a proximidade de um elogio a Pacheco Pereira com um outro a Alexandre Herculano por este ter recusado um convite para lente. Porquê? Porque Pacheco Pereira fez exactamente o oposto em condições difíceis de explicar ou, pelo menos, de entender.

Pacheco Pereira é Professor Auxiliar Convidado do ISCTE, o que é um facto extraordinário por se tratar de alguém que já estava na carreira docente, na mesma escola que o convidou! Como se convida alguém que já está dentro é um mistério das Universidades portuguesas, mas talvez Pacheco Pereira um dia nos ilustre, até pelo seu conhecimento de causa.

A posição de Professor Auxiliar requer o doutoramento, coisa a que Pacheco Pereira se eximiu, não por falta de capacidade, vou adivinhar, mas talvez porque tivesse coisas mais importantes em que pensar, como escrever os posts do Abrupto e participar no Flash-Back. Creio ser aceitável - consideradas as fragilidades da protecção social aos docentes universitários que não pertençam ao quadro - que, esquecida ou adiada por incapacidade ou desinteresse a prestação da prova de doutoramento, se mantenha o vínculo entre escola e docente pelo recurso à figura de convidado desde que igualmente se mantenha a categoria. O que não consigo que me façam entender é que se receba como recompensa pelo seu desinvestimento objectivo na promoção na carreira uma posição de Convidado em categoria superior (com reflexos, está bom de ver, no seu vencimento salarial, que passa a ser de 82% do de um Professor Catedrático, em vez dos 64% que auferiria como Assistente).

Ferreira Tadeu

dorean paxorales disse...

Caro Ferreira Tadeu,

Sem por em causa o restante do seu comentário, afirmar que a Margarida Rebelo Pinto é escritora também não enterra na lama uma, sei lá, Agustina Bessa Luís.