terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Obviamente

O reitor da universidade católica (privada) defende que as propinas deveriam aumentar no ensino superior (público).

Pois claro. O negócio dele andaria melhor se o preço «ao cliente» do ensino público fosse igual ao do ensino privado. Vai daí, diz-nos com toda a honestidade o que quer: que as propinas dos outros aumentem. E pode fazê-lo, porque realmente as propinas do ensino público são assunto público, e as do ensino privado são assunto privado. Acontece que a educação ainda é um direito (público). E desde 1995 que o investimento das famílias tem aumentado, enquanto o do Estado tem diminuído. A continuar assim, no futuro poder-se-á privatizar o ensino superior público (espera aí, as universidades não passaram a fundações?). Sempre é mais um negócio para a iniciativa privada, essa pobrezinha.

Escritores por Palin

Não sei se alguém se lembrou de procurar.

Mas há. Aqui há de tudo: Judeus por Jesus, Cristãos por Israel, Gays republicanos (onde vale a pena ler o 'posting de Agosto passado: "Good News About the Economy")... um sonho! :o)

De certeza que Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins apoiam Palin. E não se pode dizer que estes dois heróis do Armagedão não sejam escritores de sucesso.

E os autores do livro (texano) extraordinário "Of Pandas and People" (que eu todas as semanas tiro da prateleira "Ciência" e meto na prateleira "Religião" aqui na Barnes and Noble local, pelo prazer de os ver meter piamente os livros outra vez na prateleira da "Ciência").

Sabemos que Palin acredita em tudo o que vem na Bíblia e garante que viu fotografias de pegadas humanas junto com pegadas de dinossauros.

Escritores por McCain

Na sequência de uma série de iniciativas de grupos de escritores em apoio de Obama, Joan Druett foi procurar escritores que apoiassem McCain. Encontrou três, mauzotes, e um deles arrependido.

Porque será que o Partido de Jesus não tem adeptos intelectuais? :o)

Estupidez e ignorância

No fim do dia, julgo que não devem restar dúvidas de que estas coisas acontecem porque a populaça deixa.

Acho que a maioria das pessoas aqui no Texas não se importa com nada disto desde que os homossexuais continuem a ser perseguidos e se continue a querer impor a visão fundamentalista dos pro-vidas ao resto do país. A cabeça do eleitorado republicano aqui no campo não dá para muito mais.

Ainda há cinco minutos passei em frente da clínica de planeamento familiar e vi um magote de anormais com Bíblias, cartazes e máquinas de filmar, a tirarem as matrículas dos carros das pessoas que lá entram para depois lhes mandarem cartas e emails com insultos.

Quando não estão à portada clínica a ameaçar as mulheres - muitas vezes desesperadas - que lá entram, estão no emprego a ouvir os doutores arrojas daqui na telefonia, em AM.

Depois morrem-lhes os filhos no Iraque e eles recebem uma bandeira de nylon (made in China) e uma medalhinha, que nem sequer são pagas pela Exxon.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Nacionalizações... da tanga.

Creio que não se pode falar aqui de nacionalizações. Estas medidas são só uma maneira expedita de mandar a conta dos desmandos dos oligarcas para cima dos cidadãos.

Os cleptocratas que mandam nos políticos vão continuar a mandar nas instituições "nacionalizadas" e não se emitiu até agora um único piu sobre os salários e os prémios dos "gestores". Os EUA estão a saque e não há vai ser fácil parar o processo. Antes de abandonarem o barco, os criminosos que administravam a Lehman Bros. roubaram dois biliões e meio de dólares em prémios e bonus.

Bush vai ficar na história por ter instituido uma porta giratória entre as empresas e os gabinetes do estado que permitiram a um pequeno número de bilionários amigos roubarem o erário público impunemente.

Não acho que se possa falar aqui de ideologia nem de nacionalizações, no sentido em que passa a haver mais ou menos controlo de certos sectores da economia pelos cidadãos, através de um governo democraticamente eleito.

Aliás, uma das coisas mais vergonhosas que hoje foi notícia aqui, é a corrida das empresas que roubaram e enganaram os cidadãos durante os últimos anos aos biliões que se vão ganhar na distribuição dos 700 biliões que os contribuintes vão ter de lhes pagar.

Na-cio-na-li-zar: o verbo que regressa

Eis um verbo que há muito não era conjugado: nacionalizar. 2008 é o ano em que o Reino Unido nacionalizou um banco em Fevereiro, nacionalizará outro agora, os EUA-farol do neoliberalismo nacionalizaram (e nacionalizarão), e os governos do Benelux também redescobriram as virtudes do controlo estatal da economia. Apesar de estas serem nacionalizações dos prejuízos, a evidência de que a intervençao estatal na economia é imprescindível permitirá necessariamente retirar outras consequências.

Apanhados desprevenidos, a maior parte dos políticos parecem ainda não ter tirado as suas conclusões. Seria este o momento indicado para o regresso a uma social-democracia renovada, que se demarcasse da esquerda neoliberal e da esquerda estalinista. Quem se chega à frente?

A penúltima ditadura europeia

Ainda existe uma ditadura na Europa, daquelas em que a oposição não elege um único deputado quando há eleições. É o aliado mais fiel do regime putinesco de Moscovo, e chama-se Bielorrússia.

(A outra ditadura é o Vaticano.)

the story so far

«[...] "[A] desregulação tem sido parte do credo do público e do sector cidadão" desde a presidência de Ronald Reagan (1981-1989). Durante o governo Bush, o hoje ex-presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, lançou "ondas de finanças predadoras" no mercado imobiliário, no que foi acompanhado do principal assessor económico do candidato presidencial republicano John McCain, Phil Gramm, "e pelos auto-denominados reguladores que sistematicamente subverteram o interesse público", acrescentou Galbraith.

Reagan gostava de ilustrar a sua política desreguladora com a frase "o governo não é a solução, mas sim o problema". O ex-presidente, falecido em 2004, eliminou os controles governamentais sobre uma ampla gama de instituições e instrumentos financeiros, em consonância com a sua fé no livre mercado, compartilhada pela maioria de seus correligionários no Partido Republicano.

A aprovação, em 1999, da Lei de Modernização de Serviços Financeiros, proposta pelos legisladores republicanos Phil Gramm e Jim Leach, eliminou controles financeiros impostos desde os tempos de Franklin Delano Roosevelt (1933-1945), o presidente que pôs fim à crise de 1929. Roosevelt proibiu a fusão entre empresas do sector bancário, de intermediação financeira e de seguros. O Serviço de Investigações do Congresso legislativo desaprovou os projectos desreguladores. Apesar disso, a maioria republicana conseguiu impô-los em 1999. Menos de dez anos depois, as consequências estão aí. A maioria dos analistas resiste em fazer prognósticos para o futuro, mas concordam que a turbulência e as tragédias familiares continuarão no médio prazo. [...]»


(Esquerda.Net --- 22-Set-2008)

«[...] Primeiro passo: o crédito serve aos actores financeiros para manter o crescimento de uma bolha de todos os tipos de activos, o imobiliário ontem, a Internet anteontem, as matérias-primas e a alimentação amanhã, sem dúvida. A especulação é auto-sustentada, graças às técnicas de titularização.

Segundo passo: depois dos títulos duvidosos serem disseminados pelo mundo inteiro, a bolha rebenta, fundamentalmente porque a finança jamais pode criar a riqueza a partir do nada. Tarde ou cedo, a ficção evapora-se e o sistema bancário e financeiro capitalista fica então incapaz de enfrentar a falta de reembolso das dívidas que detém, e por conseguinte de assumir os seus próprios compromissos.

Terceiro passo: para evitar o efeito dominó de falências bancárias em cascata, a Reserva federal e todos os bancos centrais injectam centenas de milhares de milhões de dólares e de euros nos circuitos financeiros. Isto não chega para travar a crise e o Tesouro americano joga a maior cartada, prometendo comprar todos os títulos financeiros apodrecidos que figuram no balanço dos bancos, sem que se saiba se as famílias americanas expulsas das suas casas conservarão a sua habitação. Como é que o Tesouro público conseguirá isto, sabendo que o orçamento de Estado tem já um défice colossal? Basta pensar: pedindo emprestado nos mercados financeiros. Dito de outra forma, um endividamento privado desmedido, completamente desligado das necessidades da economia real, será pago por um endividamento público. [...]»


(Esquerda.Net --- 27-Set-2008 )

uma oportunidade para sócrates aproveitar?

«[...] Soares defende que "é preciso repensar a esquerda reformista" através do regresso aos "valores éticos" para combater "as sociedades de mercado e os negócios pouco transparentes". E não poupa o comportamento da direita neo-liberal, lembrando que "perante a catástrofe iminente, aqueles mesmos que reclamavam, há poucos meses, menos Estado, mais privatizações, recorrem agora ao Estado, com total desfaçatez, isto é: ao dinheiro dos contribuintes. Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos - essa parece ser agora a regra", diz Soares, para quem "como de costume, são os inocentes que mais sofrem" com a crise, "porque os administradores e os gestores dos bancos e demais empresas - os responsáveis - saem a sorrir, com grandes indemnizações e chorudas reformas, com total impunidade." [...]

"Foram os lobbies dos interesses, a imoralidade dos dirigentes dos bancos e das empresas, as grandes negociatas, envolvendo políticos, e o tráfico de influências, numa palavra, a promiscuidade entre a política e os negócios, que desacreditou a política e nos conduziu à crise em que nos encontramos. Não nos deixemos iludir: o sistema está podre e é preciso mudá-lo" [...]»


(Esquerda.Net --- 23-Set-2008)

«[...] Essa evidência brutal, diariamente apresentada pelos media mundiais, ameaça o mito da auto-regulação dos mercados e o dogma da austeridade, agora subvertidos pela generosidade estatal. E abre um debate global sobre emergência social. Os recursos mobilizados para salvar accionistas em crise sempre estiveram disponíveis, mas foram recusados às necessidades urgentes da nossa época. Esse sequestro da riqueza pública nunca foi tão escandaloso. Para a esquerda socialista que mobiliza opiniões e movimentos, a hora é de reforçar a exigência de políticas públicas: na Europa do BCE, urge um plano de investimento para enfrentar a alta do custo de vida e o desemprego; nos Estados Unidos, para acudir à ausência de saúde pública; em Portugal, para financiar um regime de reformas dignas. [...]»

(Esquerda.Net --- 27-Set-2008)

soares parece estar a dar uma pista a sócrates para o ano de combate eleitoral que se avizinha: com um regresso à sua ala mais esquerda, o PS pode colar-se à crítica generalizada do mercado financeiro desregulado e, num simples golpe, desacreditar todas as tradicionais ideologias económicas do PSD... parece-me que, dadas as circunstâncias, o derrube da política económica do PSD seria tarefa fácil, sem perder o PS eleitorado de centro --- fica a questão se é por aí que sócrates quer ir e, se assim for, se é mesmo por esse discurso económico que sócrates quer realmente pautar a sua acção...

domingo, 28 de Setembro de 2008

Homofobia

Li esta frase dum membro do P"S" no blogue "Tempos que Correm" sobre a questão do casamento gay: «É uma medida legislativa complexa e entendemos que só se deve legislar na sequência de um amplo debate na sociedade».

Complexa?! Sonegar os direitos humanos mais elementares (como diz Vale de Almeida: "a oficialização voluntária de uma vida em comum") a um grupo de pessoas com base na orientação sexual delas parece-me uma coisa muito simples, própria de pessoas muito, muito simples. Como diria Eça, uma coisa de selvagens "frescos dos matagais da serra".

O P"S" é a Acção Católica com reumático. Uma organização informe, sem alma nem coluna vertebral, uma vergonha nacional que precisa de ser escorraçada dos lugares públicos com tomates podres. Não vejo outra maneira. :o)

Eu esperava ver ao menos a J"S" envergonhada com esta situação abjecta e medieval, em que a ICAR dita a agenda da República.

Mas não. Os bravos jovens "socialistas" vendem tudo por uma carreira miserável no partido e não se importam de ajudar a transformar Portugal num sovaco de ex-fascistas e ex-comunistas (que entregavam os camaradas gay à PIDE, lembram-se?) sem coragem, nem educação, nem abertura de espírito, nem solidariedade, nem empatia para com os cidadãos.

Que escumalha mais triste e mais desgraçada! Nem os membros gay do P"S" vão emitir um piu de protesto?

sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

amanhã!




«[...] A DECO convocou para este sábado uma Jornada Nacional de Protesto, pedindo que as pessoas não abasteçam os seus veículos durante todo o dia. Em comunicado, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor observa que "sempre que ocorre um aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, as petrolíferas respondem com um imediato aumento do preço dos combustíveis. Mas num cenário de descida, mantêm discricionariamente os preços." [...]»

(Esquerda.Net --- 26-Set-2008)

george dos bosques: roubar aos pobres e dar aos ricos

«[...] Bush considerou o pacote de 700 mil milhões de dólares (475 mil milhões de euros) “bastante ambicioso para resolver um problema grave” [...]

Bush apresentou-se como um “fervoroso adepto da livre iniciativa empresarial”. “Daí, que o meu instituto natural é de me opor a uma intervenção do governo”, afirmou, sublinhando logo de seguida que “se deve deixar as empresas pagar pelos erros que cometem”.

Em circunstâncias normais teria seguido esse princípio. Mas não estamos nessas circunstâncias normais”, reconheceu George W. Bush [...]»


(PÚBLICO.PT --- 25.09.2008)

«[...] As políticas de privatização da segurança social ficaram desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões de trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. [...]»

(Boaventura de Sousa Santos, "Visão", 25 de Setembro de 2008)

quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

prémio "it's the end of the (financial) world as we know it, and i feel fine"

«[...] Pascal Lamy afirmou que a lição a tirar da Grande Depressão, que se seguiu ao "crash" da bolsa de 1929, é que o proteccionismo piora a situação da economia. “O furacão que atingiu os mercados financeiros não deve distrair a comunidade internacional do objectivo de conseguir uma maior integração e abertura económicas”, defendeu num fórum público da OMC. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 24.09.2008)

Doida varrida e perigosa!

Para quem tem dúvidas sobre a sanidade mental da candidata taliban à vice-presidência americana, Sarah Palin. Aqui: um caçador de bruxas (verdadeiro) benze a candidata.

O texto de Max Blumenthal é, como sempre, absolutamente eloquente sobre a loucura delirante dos cristãos 'pentecostals' americanos.

Quem tiver tempo devia ler os textos e ver os vídeos todos do blog de Max Blumenthal.

Esta suspensão não é uma suspensão

O McCain diz que suspende a campanha para ir a Washington. É natural, é lá que estão os media, mais ocupados com a crise financeira do que a eleição (que no fundo lhe é colateral).

quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

ainda alguém se lembra da LTCM?, ou, business as usual

«[...] Long-Term Capital Management opened for business in February 1994 with $1.25 billion in funds. Armed with the cachet of its founders' stellar credentials (Robert Merton and Myron Scholes, 1997 Nobel Prize laureates in economics, were among the partners), it quickly parlayed expertise at reading computer models of financial markets and seemingly limitless access to financing into stunning results. By the end of 1995, it had tripled its equity capital and total assets had grown to $102 billion. [...]»

(Amazon.com: When Genius Failed)

«[...] So LTCM bet big, very big. [...] LTCM's partners quickly included every bank on Wall Street and many of Europe's premier banks as well. They built up a fund of $100 billion. Which meant that they could really put some money down. And they made spectacular profits for a while. Until the pressure to keep achieving led to increasingly risky speculations and less protected gambles. When the markets in Brazil, Indonesia and Russia all crashed within months of each other it was as if a wrecking ball had ploughed through LTCM. But because they had continued to leverage their investments at very high multiples the effect was shared throughout the world's banks. When LTCM went down it threatened to open up a trillion-dollar black hole, a financial abyss that could have busted a continent and an entire banking system. [...]»

(Amazon.co.uk: When Genius Failed)

«[...] In late September 1998, the New York Federal Reserve Bank invited a number of major Wall Street investment banks to enter a consortium to fund the multibillion-dollar bailout of a troubled hedge fund. No sooner was the $3.6-billion plan announced than questions arose about why usually independent banks would band together to save a single privately held fund. The short answer is that the banks feared that the fund's collapse could destabilize the entire stock market. [...]»

(Amazon.com: When Genius Failed)

terça-feira, 23 de Setembro de 2008

tudo bons rapazes 2

«[...] Numa altura em que o governo da Bolívia expulsou o embaixador norte-americano acusando-o de estar a agir para fomentar os separatistas que se opõem ao presidente Evo Morales, legitimamente eleito, as declarações do antigo embaixador Frank Carlucci são bastante significativas.

Carlucci declara: "Tudo o que a CIA fez foi sob o meu comando. Qualquer acção que possa ter desenvolvido destinava-se a executar a política dos EUA, que era apoiar as forças democráticas em Portugal. A CIA era parte da equipa [da embaixada] e eles faziam o que lhes mandava".

Carlucci faz esta afirmação para justificar a sua oposição ao ex- Secretário de Estado Henry Kissinger, que teria defendido a necessidade de uma intervenção militar dos EUA, considerado que "Portugal estava perdido para os comunistas" e que uma intervenção norte-americana serviria como vacina para países como Espanha e Grécia. [...]»


(Esquerda.Net --- 22-Set-2008)

tudo bons rapazes 1

«[...] There is plenty of reason to believe that something dramatic has to be done, before our entire financial system up and dies. Talk all you like about punishing the heartless capitalists behind the mess, but if a long string of banks goes belly-up, nobody will benefit.

But, as Paul Krugman says, this is not the right deal. Mostly because of this paragraph in the proposed legislation:

"Sec. 8. Review: Decisions by the Secretary pursuant to the authority of this Act are non-reviewable and committed to agency discretion, and may not be reviewed by any court of law or any administrative agency."

You’re kidding, right? Treasury Secretary Henry Paulson might be a smart guy, but he remains a cog in the Bush administration. The people who brought you the Iraq war, the Katrina response, Alberto Gonzales, Harriet Myers, and Guantanamo Bay. I don’t know about you, but when faced with a terrible crisis demanding immediate action, my first response is not “Let’s give those guys nearly unlimited power, with no oversight whatsoever.” An action that would be unique in American history, and possibly the largest transfer of power from Congress to the Executive branch ever.

More substantively, though, the plan is outrageous on the face of it. It is a feature of late capitalism that the government will occasionally have to bail out failing institutions. But typically the way that happens is for the government to simply take over the institution entirely, and sell off what it can. Here, the plan is to simply pay huge amounts of money for terribly bad assets — leaving the companies (and their managers) to get on with their lives and their valuable assets. As Josh Marshall put it: this is moral hazard on steroids. Taxpayers swallow the toxic waste, and Wall Street breathes a sigh of relief. [...]»


(Cosmic Variance --- September 21st, 2008)

Revista de blogues (23/9/2008)

  1. «Nos EUA podemos estar a assistir ao paradoxo histórico assinalado nos anos quarenta por Karl Polanyi: enquanto que o laissez-faire foi o resultado de um laborioso processo de construção de hegemonia ideológica e de engenharia social, a contra-engenharia, ou seja, a introdução de mecanismos de controlo, que fazem recuar o alcance dos mercados e que podem permitir, a prazo, subordiná-los de novo às prioridades democráticas, é o resultado de um processo político mais ou menos espontâneo, posto em andamento quando as circunstâncias pressionam, para proteger a ordem social da ameaça do colapso económico generalizado. "O laissez-faire foi planeado, o planeamento não"». (João Rodrigues)
  2. «Aos sofistas de mercado falta-lhes entender o que dizia Protágoras: “o Homem é a medida de todas as coisas” — para si mesmo, naturalmente. Mas é de nós mesmos que estamos a falar. O maravilhoso funcionamento da teoria fez vítimas na prática. Esta é a medida última: não o mercado, não as empresas, não o sistema financeiro — mas as pessoas.» (Rui Tavares)

O capitalismo selvagem

Está bem e recomenda-se. Vale a pena, como de costume, ler o blog Ladrões de Bicicletas sobre este assunto.

Naomi Klein e a igreja do mercado

Na BBC, com um oligarca e um jornalista completamente idiota.

A Jota 'S'

O Ricardo levantou aqui uma questão interessantíssima: no dia 10 de Outubro os meninos do P'S' vão ter de nos mostrar o que valem.

segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

alguém lhes explica...

«[...] A JSD entende que a Assembleia da República deveria aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no âmbito do agendamento para 10 de Outubro da discussão sobre os projectos de lei do Bloco de Esquerda e de Os Verdes sobre esta matéria. Mas tem as “maiores reservas” sobre a adopção de crianças por parte destes casais. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 17.09.2008)

...que pessoas solteiras podem adoptar, ergo, muitos casais homosexuais podem adoptar crianças há anos? que raio significam estas "maiores reservas"? parece-me que a JSD tem que sair do armário...

ainda alguém acredita no mercado? ou na carochinha?

«[...] O governo dos Estados Unidos decidiu intervir para evitar a falência da companhia de seguros AIG, a maior do mundo, depois de esta não ter conseguido levantar por sua própria conta um empréstimo que a salvaria. O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) decidiu emprestar à AIG 85 mil milhões de dólares em dois anos. Em troca, assume o controle de 80% das acções da empresa, o que equivale, na prática, a uma nacionalização. [...]

Barney Frank, presidente da comissão de serviços financeiros do Congresso, disse ao New York Times que a decisão “é mais uma demonstração de que a falta de regulação dos mercados financeiros causou problemas sérios. O mercado privado destruiu-se ele mesmo e agora precisam do governo para vir ajudar a salvá-lo”. [...]

Robert B. Willumstad, o principal executivo da AIG, sai da empresa e deve receber uma indemnização de 8,7 milhões de dólares. [...]»


(Esquerda.Net --- 17-Set-2008 )

«[...] [O] governo e o Congresso dos Estados Unidos estão a preparar a criação de uma agência estatal que possa adquirir às sociedades financeiras os seus activos desvalorizados, permitindo-lhes salvar-se de eventuais falências e assegurando os seus lucros.

O anúncio desta nacionalização dos prejuízos das empresas financeiras foi muito bem recebido nas principais Bolsas mundiais, que nesta sexta feira conseguiram ganhos significativos, invertendo a tendência de quebra que vinham a registar. [...]»


(Esquerda.Net --- 19-Set-2008)

«[...] Esta sexta-feira, também o presidente norte-americano defendeu uma intervenção governamental para resolver os problemas dos mercados financeiros dos EUA num «momento crucial para a economia americana».

George W. Bush considerou mesmo que esta intervenção é «essencial» e que é necessário uma «acção sem precedentes» para responder aos desafios «sem precedentes» que a economia dos EUA está a enfrentar. [...]»


(TSF --- 19 SET 08)

«[...] A política dos neoconservadores americanos está a ser derrotada em todas as frentes. No campo da ética e da política externa há muito que deixara de ser uma vergonha nacional para se transformar numa tragédia global. [...]

O bando de Chicago, com o defunto Milton Friedman à cabeça, fez escola em todo o mundo, mas são cada vez mais os discípulos arrependidos. [...]

Por que motivo, em Portugal, não aparece, agora, alguém, no PSD ou no CDS, a insistir na privatização da CGD e da Segurança Social? Nem um tal António Borges, vice-presidente da Dr.ª Manuela Ferreira Leite? Nem Pedro Passos Coelho?[...]»


(Ponte Europa --- Setembro 19, 2008)

«[...] O Tio Sam deixou a cartilha liberal da economia e actua com mão bem visível. [...]

É a nacionalização automática antifalências. E o mercado aplaude. [...]»


("Correio da Manhã" --- 20 de Setembro de 2008)

«[...] O departamento do Tesouro norte-americano publicou ontem à noite uma ficha explicativa do plano governamental de 700 mil milhões de dólares (483 mil milhões de euros) que está a ser negociado com o Congresso para salvar o sector bancário nos Estados Unidos. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 21.09.2008)

domingo, 21 de Setembro de 2008

Catherine Kintzler: «C´est quoi, la laïcité négative?»

  • «A lire le discours prononcé par le président de la République recevant Benoît XVI, on ne peut qu’être frappé par les différences qui le distinguent des discours offensifs - et même insultants - envers les incroyants, prononcés cet hiver à Rome (Latran) et à Riyad. (...) Reste maintenant à examiner un des noyaux du discours du 12 septembre, que certains appellent hâtivement un concept: la notion de «laïcité positive». La simple juxtaposition sonne plutôt comme une thèse a contrario. (...) il n’y a effectivement rien de plus minimal que la laïcité. Elle n’est pas une doctrine, puisqu’elle dit que la puissance publique n’a rien à dire s’agissant du domaine de la croyance et de l’incroyance, et que c’est précisément cette abstention qui assure la liberté de croire et de ne pas croire dans la société civile. Ce n’est pas non plus un courant de pensée au sens habituel du terme: on n’est pas laïque comme on est catholique, musulman, stoïcien, bouddhiste, etc. C’est le contraire: on peut être à la fois laïque et catholique, laïque et musulman, etc. La laïcité n’est pas une doctrine, mais un principe politique visant à organiser le plus largement possible la cœxistence des libertés. (...) C’est en effet à l’abri d’une puissance publique qui s’abstient de toute inclination et de toute aversion en matière de croyances et d’incroyances que les religions, mais aussi d’autres courants de pensée, peuvent se déployer librement. A l’abri d’un Etat où règne une religion officielle ou un athéisme officiel. Mais aussi, ne l’oublions pas, à l’abri les uns des autres. En s’interdisant toute faveur et toute persécution envers une croyance ou une incroyance, la puissance publique laïque les protège toutes, pourvu qu’elles consentent à respecter la loi commune. Il n’y a donc rien de plus positif que la laïcité. Elle pose bien plus de libertés politiques et juridiques que ne l’a jamais fait aucune religion. Car une autre confusion doit être dissipée. Si quelques messages religieux aspirent à une forme de libération métaphysique et morale, aucune religion n’a été en mesure de produire la quantité de libertés positives engendrées par la plate-forme minimaliste de la Révolution française - première occurrence du concept objectif de la laïcité même si le mot apparaît plus tard. Du reste ce n’est pas la préoccupation essentielle des religions, qui ne sont heureusement pas réductibles à leurs aspects juridiques. (...) » (Catherine Kintzler na Gauche Républicaine.)

sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Cavaco perde apoios no PSD

  • «O novo regime jurídico do divórcio, devolvido por Cavaco Silva à Assembleia da República em Agosto, foi hoje aprovado com alterações pontuais, contando com os votos favoráveis da esquerda parlamentar e de 11 deputados do PSD (...) na bancada social-democrata, 11 deputados votaram a favor do novo regime jurídico do divórcio, mais quatro que na anterior votação do diploma, em Abril, entre os quais, Pedro Pinto, Emídio Guerreiro, Eduardo Martins, Agostinho Branquinho, e Miguel Frasquilho. Seis deputados do PSD abstiveram-se, entre os quais Patinha Antão e Miguel Macedo.» (PUBLICO.PT)

The Liberal Elite

Tirei isto de um comentário a um artigo do Robert Kennedy Jr. Acho que esta lista explica porque é que tantos americanos pobres e ignorantes votam no Partido Republicano:

Obama:
Occidental College - Two years.
Columbia University - B.A. political science with a specialization in international relations.
Harvard - Juris Doctor (J.D.) Magna Cum Laude

Biden:
University of Delaware - B.A. in history and B.A. in political science.
Syracuse University College of Law - Juris Doctor (J.D.)

McCain:
United States Naval Academy - Class rank 894 of 899

Palin:
Hawaii Pacific University - 1 semester
North Idaho College - 2 semesters - general study
University of Idaho - 2 semesters - journalism
Matanuska-Susitna College - 1 semester
University of Idaho - 3 semesters - B.A. in journalism

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

economia de casino: alegremente cantando em direcção ao abismo

«[...] If Lehman does not find a buyer over the weekend and the counterparties of Lehman withdraw their credit lines on Monday (as they all will in the absence of a deal) you will have not only a collapse of Lehman but also the beginning of a run on the other independent broker dealers (Merrill Lynch first but also in sequence Goldman Sachs and Morgan Stanley and possibly even those broker dealers that are part of a larger commercial bank, I.e. JP Morgan and Citigroup). Then this run would lead to a massive systemic meltdown of the financial system. [...]»

(Cosmic Variance --- September 14th, 2008)

«[...] O Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos, declarou falência nesta Segunda feira. Simultaneamente, outro dos maiores bancos dos EUA, o Merrill Lynch foi comprado pelo Banco da América por cerca de 50 mil milhões de dólares. [...]»

(Esquerda.Net --- 15-Set-2008)

«[...] O maior grupo segurador do mundo, a AIG, pode estar à beira do colapso, 24 horas depois do anúncio da falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers. A AIG perdeu num só dia 60 por cento do seu valor em bolsa. [...]

Os jornais norte-americanos adiantam que a Reserva Federal já fez um pedido ao gigante da banca de investimento Goldman Sachs e também à JP Morgan Chase de uma linha de crédito de quase 50 mil milhões de euros. [...]»


(TSF Online --- Ontem)

«[...] A falência do banco centenário Lehman Brothers, cujos gestores receberam 5,7 mil milhões de dólares em prémios no ano passado, está a ter repercussões no sistema financeiro mundial. Os Bancos Centrais estão a injectar milhões para dar liquidez aos mercados e nos EUA, é a seguradora AIG que está em risco.

Na lista das possíveis grandes falências, o elo mais fraco parece ser a seguradora norte-americana AIG, a maior do mundo, com 74 milhões de clientes, e que se vê agora obrigada a recorrer ao capital das suas subsidiárias para aumentar a liquidez [...]

O banco de Nova Iorque concentra-se agora em evitar o colapso da AIG, tentando convencer grandes bancos como o Goldman Sachs a socorrer a seguradora afectada pela crise do subprime, fornecendo-lhe linhas de crédito. [...]»


(Esquerda.Net --- 16-Set-2008)

«[...] A Bolsa de Nova Iorque, que caiu a pique 4,42 por cento, interrogava-se sobre a capacidade de resistência de outros dois grandes bancos, Goldman Sachs e Morgan Stanley, e da seguradora AIG, também a braços com a crise do crédito que dura desde o Verão de 2007. [...]»

(TSF Online --- Ontem)

«[...] [A] American Internacional Group (AIG), a maior seguradora norte-americana, não dispõe mais do que um dia para angariar entre 75 mil e 80 mil milhões de dólares (53 mil e 56,5 mil milhões de euros) e evitar a falência. [...]

[O] grupo AIG possui 74 milhões de clientes em todo o mundo, na maioria de origem norte-americana, que não terão segurados os seus bens em caso de falência da AIG. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 16.09.2008)

o pior, claro está, é que isto cada vez mais nos vai afectar a todos: na mesma linha a que já nos habituámos a ver nas notícias, deve estar para breve o crash dos fundos de pensões. quando se diz que o pior ainda está para vir, parece-me que este é o cenário a equacionar --- e, nesse caso, "pior" é mesmo a palavra a sublinhar. quanto aos economistas de casino, responsáveis, atravessarão a crise quase intocados. até quando?

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Liberdade

Entre muita parvoice, uma coisa muito interessante que li no Blasfémias foi a seguinte observação do João Miranda (creio), que citarei de memória, pois não me lembro em que texto a encontrei escrita:

«Hoje a liberdade é um bem mais abundante, e por isso dão-lhe menos valor»

Que frase certeira!
Quando me intrigo sobre como é possível que uns deitem levianamente a perder aquilo porque outros lutaram tanto para conquistar; que uns dêm de barato aquilo que foi pago com sangue suor e lágrimas; que se desvalorize tanto aquilo que tanto custou, esta frase tem a resposta.

A polícia fuzila um indivíduo em directo, e todo o país aplaude. Os cartoons do Maomé dividiram o país ao meio: quase metade achava que a sua publicação deveria ter sido proibida, e outra quase metade não se importaria muito de expulsar os islâmicos da Europa. A Amnistia Internacional vai denunciando maus tratos e outros abusos da nossa polícia - mais que em outros países com o nosso grau de desenvolvimento - mas as preocupações de quase toda a população são que os criminosos são muito bem tratados, e a polícia devia ter mais poder para usar a violência.
Não há razões para acreditar que isso ajuda a resolver o problema, ou sequer razões para esta histeria colectiva com a segurança. Mas isso não incomoda o «carrasco de bancada» que se vai pronunciando em cada esquina.

Estes valores distorcidos não são inconsequentes numa democracia. Se as pessoas continuarem a aplaudir fuzilamentos em directo, quando nos dermos conta já pode ser tarde de mais.

Journal Mal Elevé

Siné. Expulso do Charlie Hebdo por fazer uma piada sobre o filho do Sarkozi, Siné vai começar uma revista que não lamba os pés ao poder.

A revista precisa de ajuda:

Faites circuler l'info, harcelez dès maintenant votre marchand de journaux, et vos dons sont les bienvenus (même 1 euro!).

Vous pouvez nous les adresser :
Par chèque à l'ordre de :
"AMORCES LES MAL ÉLEVÉS",
21 ter, rue Voltaire 75011 Paris.

Par virement bancaire :
code banque 30 004 - code guichet 00153 - compte 00005202424 - clé 18
IBAN : FR 76 3000 4001 5300 00 52 0242 418 - BIC : BNP AFR PPP BY

Concernant les abonnements, vous trouverez les informations dans le N°1,
en kiosque le 10 septembre.

N'oubliez pas que vos réactions nous intéressent !

Ecrivez-nous à :

courrierdeslecteurs@sinehebdo.eu
ou par courrier :
LES EDITIONS DE L'ENRAGÉ,
118-130 avenue Jean-Jaurès - 75169 Paris Cedex 19
Espero que a revista vingue. Cada vez mais mandam os ricos. Siné é uma espécie de herói resistente que merece todo omeu respeito.

óscar do jornalismo medíocre: CNN vs TSF

cada vez mais o jornalismo é mau. sensacionalismo, falta de objectividade, mediatismo, especulação, mentira, são as armas mais comuns para vender jornais e noticiários.

a educação científica também não goza propriamente de dias áureos. numa sociedade que ambiciona ser líder tecnológica, procurando consequentemente gozar da resultante prosperidade económica, um alicerce fundamental é a percepção ou a compreensão que a mesma faz das novidades científicas que vão surgindo. quando as pessoas falam do que não sabem, sem se informar, e ao mesmo tempo são completamente desinformadas pelos media, a coisa corre ainda pior...

o que dizer então do jornalismo científico? as espectativas estão, naturalmente, muito em baixo, e o espetáculo mediático da semana passada, por ocasião da data de primeiro feixe no LHC, veio comprovar isso mesmo. for the record, alguns apontamentos sobre quão baixo o jornalismo científico conseguiu descer:





este video mostra uma notícia que saiu na CNN. a coisa até parece não começar mal, com imagens de CMS e algumas palavras de um cientista respeitável, martin rees. mas é apenas uma questão de tempo: ao minuto 1:10 já a jornalista se refere ao bosão de higgs como "a partícula de deus", um nome completamente ridículo inventado por algum jornalista com gosto pelo sensacionalismo (lá está, a coisa pega!). continuamos em queda até chegarmos ao momento de glória da mediocridade, do minuto 1:35 ao minuto 1:50 a notícia mostra um video do youtube (e, sem qualquer vergonha, a própria jornalista afirma que a fonte desse video é anónima e que foi retirado do youtube), onde podemos observar uma sequência de má ficção científica com um suposto buraco negro a engolir a terra. 15 segundos de espetáculo onde a jornalista ainda diz que os cientistas afirmam que esse é um cenário que não se pode concretizar (alguém ainda a estará a ouvir?) mas, mais tarde, no final da notícia deixa a dúvida com um "scientistas believe it is worth the cost and the risk". risco? mas que risco??

naturalmente que não existe nenhum, mas para as pessoas menos informadas as imagens podem ter consequências devastadoras:

«[...] Sixteen-year-old Chaya poisoned herself at her home in the central city of Indore, her father, Bihari Lal, said. He said Chaya had been worried the "world would end" when the Large Hadron Collider (LHC) was switched on. Some Indian channels held discussions about the European experiment featuring doomsday predictions. [...]

Bihari Lal said Chaya - the eldest of his six children - had been frightened after watching local TV reports that the experiment would cause the "Earth to crack up and everybody in the village would die".[...]»


(BBC NEWS --- 11 September 2008)

fica a questão: alguém vai ser responsabilizado criminalmente?

cá pelo burgo a coisa não foi tão trágica, pelo menos no que diz respeito à perda de vidas. pois no que diz respeito ao "jornalismo", a TSF ganhou o prémio da pior reportagem:

«[...] O teólogo Anselmo Borges considera que será muito importante que se possa descobrir a chamada “partícula de Deus” nas experiências que estão a ser feitas no CERN, em Geneva, com o acelerador de partículas.

Contudo, em declarações à TSF, este estudioso entende que a dúvida sobre as razões da existência de um Big Bang permanecerá [...]»


(TSF Online --- 10 SET 08)

deixem-me salientar que, no dia 10, esta peça dominou a notícia sobre o CERN no noticiário das 13h! se é certo que noutros noticiários a TSF optou, correctamente, por entrevistar (poucos dos muitos) cientistas portugueses a trabalhar no CERN, não poderia também neste ter mostrado um pouco mais de interesse ou curiosidade, entrevistando cientistas de ALICE ou LHCb, que buscam coisas bastante distintas do bosão de Higgs em ATLAS ou CMS? não se poderia ter interessado pelas aplicações tecnológicas das ferramentas de grid computing desenvolvidas para analisar os dados do LHC? não poderia ter consultado um teórico para explicar aos ouvintes realmente o que é isso do bosão de Higgs (e porque, na realidade, apenas dá massa a uma fracção da matéria do universo)? ora bolas, se tanto gostam de buracos negros, não poderiam ter falado com alguém que realmente saiba o que é um buraco negro?? não... como já alguém disse melhor que eu, decidiram enverdar por outro caminho, o caminho da mediocridade:

«[...] Mas os físicos não percebem nada disto. É o fim do mundo e é preciso consultar um perito em fimdomundologia. Por isso a TSF decidiu entrevistar Anselmo Borges que, enquanto teólogo, está particularmente habilitado a avaliar as experiências do LHC antes sequer de alguém as fazer. [...]»

(Que Treta! --- Setembro 13, 2008)


[também no Diário Ateísta]

segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Absurdos conservadores

Esta posição sobre o casamento é mal fundamentada e absurda (talvez deliberadamente, no segundo caso).

Mal fundamentada porque se o Estado estivesse a dar uma «oportunidade» (sic) à ICAR ao «laicizar» o casamento, o matrimónio católico estaria a tornar-se mais popular. No entanto, acontece justamente o contrário (ver gráfico): o casamento católico está a perder relevância tão rapidamente que pode já se ter tornado minoritário em 2007. Os conservadores deveriam dedicar-se a explicar o porquê de a «renovação» do casamento católico estar a a gerar efeitos exactamente contrários aos que eles prevêem, em vez de falarem de um «regresso ao casamento católico» que nitidamente não é real.

E absurda porque um casamento exclusivamente reconhecido pela sociedade civil não serve rigorosamente para nada. O problema original que o casamento veio resolver foi o da transmissão da propriedade. Na hipótese (repito, absurda) de a «sociedade civil» emitir «certificados» de casamento, como seriam resolvidos os conflitos de validade? Por exemplo, no caso em que fulano casasse sucessivamente com a Josefina (pela ICAR) e com a Ibrahima (depois de se converter ao Islão), qual seria o contrato de casamento válido? O primeiro ou o segundo? E quem decidiria das partilhas? Para não falar dos casos em que fulano declarasse à mesa da colectividade que a Manela era a mulher da sua vida...

Enfim, a ginástica conservadora é, sobretudo, um exercício de diversão.

ils sont fous ces américains!

«[...] A republicana Sarah Palin diz que os aliados devem manter a Rússia debaixo de olho, na medida em que considera inaceitável que Moscovo tenha invadido um país menor. [...]

Interrogada se esta maior atenção sobre o Kremlin significa que os norte-americanos podem declarar guerra à Rússia se o país voltar a interferir na Geórgia, a candidata a vice-presidente respondeu: «Talvez sim». [...]»


(TSF Online --- 12 SET 08)

os capacetes azuis não bastam?

«[...] "NATO: da defesa à ameaça" é o título do artigo de Mário Soares publicado na revista Visão desta quinta-feira. A tese é a de que "a NATO, criada como organização defensiva, está a tornar-se, por pressão dos neo-conservadores americanos, uma ameaça à paz". [...]

[A]firma que a NATO se tornou num verdadeiro braço armado dos EUA, "uma organização que hoje não faz sentido". [...]

Mário Soares prossegue no seu rol de críticas à NATO, censurando as bases de mísseis instaladas na Polónia e República Checa, bem como o papel desta organização militar no apoio declarado à Geórgia e de ameaça à Rússia, o que pode constituir um perigo para a segurança mundial. [...]»


(Esquerda.Net --- 11-Set-2008 )

mantendo o neo-liberalismo na gaveta...

«[...] O governo dos Estados Unidos da América decidiu assumir o controlo das empresas Fannie Mae e Freddie Mac, as duas gigantes do crédito imobiliário, para evitar a sua falência. O plano governamental prevê o investimento até 200.000 milhões de dólares nas duas empresas, tornando-se na maior intervenção de sempre do Estado norte-americano no sector financeiro.

O Estado norte-americano já tinha intervido nas duas empresas [...], mas a situação das empresas continuou a agravar-se e perante a ameaça de colapso a administração dos EUA decidiu assumir o controlo da Fannie Mae e da Freddie Mac e impor um plano para a sua recuperação. [...]

Segundo Paulson, a intervenção do Estado custará milhares de milhões de dólares aos contribuintes norte-americanos, mas a falência de qualquer das empresas custaria ainda mais. [...]

O Estado poderá injectar até 100.000 milhões de dólares em cada uma das empresas. Mesmo que este valor não seja todo aplicado, o plano de salvação das duas empresas tornar-se-á na mais cara intervenção de sempre por parte de um Estado para salvar empresas privadas. Paulson diz que o elevado montante se destina a mostrar "o forte empenhamento" do Estado para com os credores e os investidores em títulos das duas empresas. [...]»


(Esquerda.Net --- 07-Set-2008)

domingo, 14 de Setembro de 2008

De mal a pior

Depois de um pesadelo de 8 anos, com um presidente incompetente e um vice-presidente que faria corar o Al Capone, o Partido Republicano propõe um velinho que ninguém espera que sobreviva quatro anos e uma mulher horrível, pacóvia e má.

Ratzinger em França

  • «Le pape a le droit de venir en France. Loin de nous l’idée de nous y opposer parce que nous sommes laïques. Mais cet accueil officiel, sur un mode révérenciel et sur fonds publics, ne va pas de soi.

    En tant que chef d’un État, Benoît XVI ne mérite guère l’enthousiasme d’une démocratie laïque et égalitaire.
    À la tête d’un petit État théocrate et patriarcal, il use essentiellement de son siège d’observateur permanent à l’ONU pour faire reculer tout programme en faveur de la planification familiale, des droits des femmes, de la lutte contre le sida, ou des minorités sexuelles. Souvent aux côtés des pires dictatures de l’Organisation de la Conférence islamique.

    En tant que leader religieux, Benoît XVI est un pape ultraconservateur et liberticide. Sa vision du catholicisme, promue à travers des mouvements comme l’Opus Dei ou la Légion du Christ, est dogmatique, étroite, antiféministe, inégalitaire, hostile à un véritable œcuménisme et à l’esprit moderniste de Vatican II. Il n’y a vraiment pas là matière à révérence. Mais c’est l’affaire des croyants.

    En tant que citoyens laïques, notre vigilance est ailleurs. Nous tenons à profiter de cette visite en France pour dire et redire notre refus de la « laïcité positive », un terme utilisé par Benoît XVI puis revendiqué par Nicolas Sarkozy, dans son livre « La République, les religions et l’espérance », et plus encore dans ses discours présidentiels de Latran et Ryad.

    Comme l’immense majorité des Français, nous sommes attachés à la laïcité sans adjectif. C'est à dire à une laïcité qui distingue bien la sphère de la puissance publique de la société civile et de la sphère privée. Cette séparation tient sagement à distance le politique du religieux, dans l’intérêt des deux.

    Nous refusons l’évolution de cette laïcité vers une religion civile à l’américaine, le subventionnement public des lieux de culte, ainsi que l’assouplissement de la vigilance envers les sectes.

    Nous appelons au contraire à une vigilance vis-à-vis de tous les intégrismes. Cette vigilance passe par une revalorisation du lien social sur un mode laïque, un soutien aux associations de quartier luttant pour le vivre ensemble et la défense de l’école publique. Nous le disons sans détour : dans la transmission des principes de la République, le curé, le pasteur, le rabbin ou l’imam ne pourront jamais remplacer l’instituteur.

    Nous ne pensons pas, comme le chef de l’État, que le plus grand mal des banlieues soit d’être devenues des « déserts spirituels », mais d’être devenues des ghettos souffrant d’un ascenseur social bloqué, de la flambée des prix immobiliers, du recul des services publics et du manque de mixité sociale.

    Nous n’avons pas la prétention de croire, comme lui, que « Dieu est dans la pensée et dans le cœur de chaque homme ». Mais nous sommes sûrs d’une chose, pour fondamentale qu’elle soit, la question spirituelle ne nous semble pas relever des missions du chef de l’État, dont le rôle est plutôt de s’occuper de la question sociale.

    Si le catholicisme fait incontestablement partie du patrimoine culturel de la France, la France n’est plus la « fille aînée de l’Église » depuis quelques siècles déjà, mais une République séparée des Églises. Son objectif n’est pas de veiller à ce qu’un plus grand nombre de Français croient mais vivent mieux, toujours plus libres et plus égaux, ensemble. Telle devrait être la mission que se fixe un président de la République. Telle est notre espérance.» (La laïcité ne doit pas plier devant Benoît XVI)

quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

A «terceira via» na encruzilhada

  • «Almost all the main premises of Thatcherism were adopted as policy by New Labour without it ever being formally avowed, and without anyone worrying much about whether Thatcherism ‘worked’, because the political professionals told ministers that they had to accept the lessons of the 1980s – despite the fact that in the 1980s Blair and Brown had a very clear idea of what Thatcherism was up to. Evidence that suggested most people had no real sympathy for what Thatcherism had become was discounted in favour of focus-group truths: taxation (too high), crime (too much), choice (not enough), asylum seekers (too many), the public sphere (too big). The elimination of these blemishes became the desideratum of politics.» (London Review of Books)
Os trabalhistas nunca tinham ganho duas eleições seguidas. Com Blair ganharam três. Infelizmente, a «terceira via» resumiu-se a ser um thatcherismo de rosto humano. Sem terem introduzido uma cultura política distinta no governo britânico, os herdeiros de Blair perderam a hipótese que tiveram de renovar a esquerda. Desaparecerão sem deixar rasto.

Travão à selvajaria

  • «"O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes, dela dará imediato conhecimento ao Ministério Público", refere o ministro Mariano Gago, numa carta enviada hoje a todas as instituições de ensino superior públicas e privadas. Na missiva, Mariano Gago anuncia ainda que o seu ministério "lançará mão dos meios aptos a responsabilizar - civil e criminalmente, por acção ou omissão - os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo, não tenham procedido de modo a procurar evitar os danos ocorridos".» (Público)
Aplausos para Mariano Gago.

quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

until the end of the world



que não foi hoje... (na imagem, o primeiro evento de ATLAS, registrado há uns minutos atrás)

«[...] For many reasons this is an amazing moment in the history of science [...] There are roughly 75 countries with at least one institution (university or lab) which has contributed to the construction of this machine. The list includes strange bedfellows: India and Pakistan, Israel and Iran and the United States, Greece and Turkey, Russia and Georgia, all of western Europe, most of eastern Europe, some of northern Africa and south America, Japan, China, S. Korea, etc. This unlikely team has constructed the biggest single machine in the history of the planet after over 20 years since the first plans were laid. At 10,000 scientists, this project represents the modern day pyramids. [...]

The implication is that almost the entire particle physics community, both theorists and experimentalists, who are actively working on LHC physics have never been involved in a surprising discovery. This large community of scientists have been building up to this moment for their entire careers. The scale of these experiments are such that one can really only expect one discovery per generation, and this one is ours. [...]»


(Cosmic Variance --- September 7th, 2008)

A estranha «independência» do Kosovo

  • «O estatuto jurídico do Kosovo é importante, mas não é o essencial. O Kosovo independente será semelhante à Bósnia-Herzegovina «soberana» e totalmente dependente, onde o «alto representante» da União Europeia faz leis e destitui representantes eleitos que considera inoportunos. Como poderá tal situação ser uma resposta à crescente rejeição da presença internacional e à crescente perturbação de uma população cuja taxa de desemprego ultrapassa os 50 por cento? Alimentada a conta-gotas, a província transforma-se num supermercado improdutivo, tendo por moeda o euro que por sua vez impede qualquer protecção dos seus produtos contra as importações ocidentais compradas pelo pessoal das instituições internacionais, que aufere salários mirabolantes. Todos os anos são eliminados cerca de 1000 hectares de terra arável, para serem construídos essas grandes superfícies comerciais que, a par dos quiosques, lojas e salários internacionais, alimentam o «crescimento».
  • As pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ausência de Estado social e de créditos públicos, a incerteza sobre o estatuto e a propriedade conduzem a uma desindustrialização absoluta: 90 por cento das cerca de 500 empresas públicas deixaram de funcionar. Tal como acontece com os abundantes recursos em lenhite, as várias dezenas de minas do complexo Trepca no Norte, que registam uma produção de 60 milhões de toneladas de minerais não ferrosos, são objecto de grandes conflitos de propriedade entre a Kosovo Trust Agency (KTA), encarregue das privatizações pela ONU, Belgrado e os albaneses do Kosovo.
  • A União Europeia desempenha o mesmo papel negativo que os Estados Unidos e as instituições da globalização, na medida em que impõe uma zona de comércio livre, rigor orçamental e financiamentos privados. Dito de outro modo, a União impõe ao Kosovo o inverso do que aconteceu em França depois da Segunda Guerra Mundial: nessa altura a reconstrução realizou-se, num quadro capitalista, é certo, mas com base numa certa planificação e em financiamentos públicos» (Catherine Samary no Le Monde Diplomatique)

terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Fascistas no poder em Itália?

  • «O ministro da Defesa italiano, Ignacio La Russa, prestou hoje tributo às tropas pró-Nazis, enquanto discursava num evento que assinalou o aniversário da Resistência em Roma à ocupação nazi em 1943. Este é já o segundo membro do partido conservador do primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, a mostrar "simpatia" com o fascismo em dois dias. Ontem, o presidente da Câmara Municipal de Roma, antigo líder da juventude neo-Nazi, Gianni Alemanno, causou igualmente controvérsia quando afirmou que “não considerava nem nunca tinha considerado” o fascismo como “algo absolutamente mau”.» (Público)
Uma democracia que elogia ditaduras, ideologias antitéticas e torcionários dificilmente terá uma longa e saudável vida pela frente.

Polémica!

Desde que escrevo neste espaço não identifiquei nenhum tema mais polemico entre os autores do que o do aquecimento global. E como recentemente li dois textos do Ludwig que não podia deixar de citar, aqui vão umas achas para a fogueira:

«O "documentário" [Swindle] está repleto de tretas, mas a treta principal vai além disto. Concordo que não há certezas acerca do que devemos fazer. Mas não por o aquecimento ser incerto. Disso as evidências são muito fortes. As medidas da temperatura atmosférica por satélites e balões, a diminuição do gelo glaciar, a temperatura da crosta a várias profundidades e a temperatura e nível dos oceanos todas indicam o mesmo. Isto está a aquecer rapidamente.

E é quase certo que o que nós fazemos tem importância. Não me surpreende que antes de haver humanos as variações climáticas globais fossem causadas por outros factores, mas é desonesto defender que se pode mandar para a atmosfera trinta mil milhões de toneladas de CO2 por ano sem consequências.

Admito uma incerteza intelectual quanto ao rumo a tomar porque não conseguirmos estimar com rigor a relação entre os custos de reduzir as emissões e os custos de nos adaptarmos à alteração do clima. Mas só a um nível intelectual e abstracto e não a um nível ético porque, independentemente dos custos exactos, a redução de emissões será paga pelos ricos e a adaptação a um clima diferente será paga pelos pobres. É claramente injusto que quem está melhor lixe ainda mais quem já está mal só por ser mais cómodo.


[...]

Os Maias, os Anasazi, os habitantes originais da Ilha da Páscoa e de Pitcairn também atribuíam à natureza esta capacidade mágica de aguentar com tudo o que lhe fizessem. Foi asneira

Em Treta da Semana: Aquecimento? Nah...


No texto seguinte, o Ludwig responde a alguns comentadores:

«É isto que me parece passar-se com o aquecimento global e o CO2. Há muitas questões em aberto e a prudência, se for prudente, é sempre aconselhável. Mas não é prudente mandar CO2 para a atmosfera sem conhecer os riscos. Nem é razoável traçar uma meta móvel de “melhor tecnologia” e “mais ricos”, pela qual podemos esperar eternamente. E cepticismo não é apontar defeitos como desculpa para procrastinar.

Eu sou céptico acerca do aquecimento global, como sou acerca de muita coisa. E isto quer dizer que abordo o problema subordinando as minhas crenças à informação de que disponho. O cepticismo é este método. Não garante nem exige que eu seja a favor ou contra aquilo em relação ao qual sou céptico. Exige apenas que eu encontre a minha opinião seguindo o peso das evidências e que a mude sempre que este puxar para outro lado.

As evidências são que a temperatura está a aumentar, que o CO2 na atmosfera faz aumentar a temperatura, que nós libertamos muito CO2 para a atmosfera e que o resultado pode ser trágico para muita gente. Por isso – e por cepticismo – rejeito esta “prudência” de quem decide fumar três maços por dia enquanto não tiver a certeza que vai morrer de cancro.»


Em À cautela...

Os Hunos

No "Kaos in the Garden" (Sábado passado) e no DN: o Ministério das Finanças mandou despedir pessoas a gozarem licença de maternidade. Um sonho. Todos os anos nos perguntamos quão baixo é que os economistas conseguirão descer, e todos os anos eles batem as previsões mais macabras...

domingo, 7 de Setembro de 2008

paulo pedroso, for the record:

«[...] Assistiu-se à mais sórdida canalhice com que se quis destruir o PS. Ao tempo, presumivelmente sem responsabilidades no processo, ocupavam funções as seguintes personalidades:
.
Juiz - Rui Teixeira
Procurador - João Guerra
Director da PJ - Adelino Salvado
Ministra da Justiça - Celeste Cardona
PGR - Souto Moura
Líder do CDS - Paulo Portas
Primeiro-ministro - Durão Barroso
Líder do PS - Ferro Rodrigues [...]»


(Ponte Europa --- Setembro 02, 2008)

novo estado novo

«[...] Passos Coelho argumentou que o PSD só conseguirá ganhar as legislativas com uma maioria estável se propuser aos eleitores um “novo paradigma em termos de funções do Estado”, em que este garante os serviços sociais “mas não tem necessariamente de os prestar”. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 04.09.2008)

para acreditar nisto, terá passos coelho que ser incrivelmente estúpido ou incrivelmente ingénuo?

quo vadis, america?




e o mau era o bush?

sábado, 6 de Setembro de 2008

Criar uma, duas, três ossétias?

  • «O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Vladimir Ogrizko, acusou hoje as autoridades russas de estarem a distribuir secretamente passaportes da Rússia entre os habitantes da Crimeia, uma república autónoma da Ucrânia. (...) Segundo o recenseamento de 1989, o último realizado na região, dos mais de dois milhões e trezentos mil habitantes, 1630 mil (69,2 por cento) eram de origem russa, 620 mil ucranianos e cerca de 100 mil tártaros da Crimeia. (...) Alguns dirigentes russos, nomeadamente Iúri Lujkov, Presidente da Câmara de Moscovo, defendem que a Crimeia é território russo e deve ser devolvida pela Ucrânia.» (Público)
Se a Crimeia for a nova Ossétia do Sul, a Ucrânia será a nova Geórgia. E depois podem seguir-se a Estónia e a Letónia. Veremos.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Cheque-ensino travado na Florida

  • «Americans United for Separation of Church and State hailed today’s ruling by the Florida Supreme Court removing two ballot amendments that would have erased religious freedom safeguards and harmed public schools in the state. (...) “This ruling puts an end to a dangerous assault on the religious liberty rights of all Floridians,” said the Rev. Barry W. Lynn, Americans United executive director. “These reckless and deceptive amendments had no business being on the ballot in the first place, and we’re glad to see them go.” Lynn noted that former Gov. Jeb Bush engineered the placement of the amendments on the ballot. If approved, they would have permitted voucher subsidies for religious and other private schools in Florida and eliminated the state constitution’s language barring tax aid to religion, opening up massive new streams of public funding to private religious schools and houses of worship.» (Americans United)

quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

A vida no Alasca

Do blog the Joan Druett:

TIME
magazine is running an article on Vice-Presidential nominee Sarah Palin, describing how she tried to fire librarian Mary Ellen Baker for not removing a list of "questionable books" from the shelves of the Wasilla library.

Apparently, Palin went to the library and made inquiries about the procedure for banning certain books, claiming that some voters thought they had "inappropriate language" in them.

"The librarian was aghast," claims the article. The librarian, Mary Ellen Baker, couldn't be reached for comment, but news reports from the time show that Palin had threatened to fire Baker for not giving "full support" to the mayor.

A contributor to http://www.librarian.net/ (scan the comments following the announcement of the TIME story) names the books Palin tried to ban from the library. The list includes:

A Wrinkle in Time by Madeleine L'Engle
Brave New World by Aldous Huxley
Catch-22 by Joseph Heller
Clockwork Orange, by Anthony Burgess
As I Lay Dying, by William Faulkner
The Canterbury Tales, by Geoffrey Chaucer
Confession, by Jean Jacques Rousseau
Death of a Salesman, by Arthur Miller
Flowers for Algernon, by Daniel Keyes
Lady Chatterley's Lover, by D.H. Lawrence
Leaves of Grass, by Walt Whitman
Little Red Riding Hood, by the Grimm Brothers
Lord of the Flies, by William Golding
Lysistrata, by Aristophanes
Of Mice and Men, by John Steinbeck
To Kill a Mocking Bird, by Harper Lee
One Flew Over the Cuckoo's Nest, by Ken Kesey
The Chocolate War, by Robert Cormier
Pigman, by Paul Zindel

Plus:

Anything by Stephen King, everything by J.K. Rowling, just about everything by Roald Dahl, both of Mark Twain's major works, most of Judy Blume, most of William Shakespeare, and (this is truly mind-boggling) Webster's Ninth New Collegiate Dictionary by the Merriam-Webster Editorial Staff

GalleyCat@ www.mediabistro.com slyly comments, "Maybe if she didn't want to ban Our Bodies, Ourselves by Boston Women's Health Collective her daughter Bristol wouldn't be having a shotgun wedding." Yes, that book is one of those she wanted to ban.

Mary Ellen Baker resigned from her library director's job in 1999.

Para os menos atentos, gostava de sublinhar aqui que "O capuchinho vermelho" (dos perigosos irmãos Grimm) faz parte da lista... :o)

Instantâneo da Europa contemporânea



Polícia para telespectador ver

As operações policiais de ontem, em dois bairros «problemáticos» da Margem Sul, foram uma encenação mediática destinada a convencer os telespectadores de que a nossa querida polícia é forte com os fracos meliantes desses bairros. Como o saldo da operação (que envolveu 52 polícias...) se resumiu a apreender meia dúzia de charros, e nas 350 pessoas que fiscalizaram, apenas 3 estavam «sob a influência do álcool», pode concluir-se que aquela população é gente ordeira, aliás com uma das mais baixas taxas de consumo de álcool do país. Mas não é através da presença ostensiva de polícia nas ruas que se combate a real insegurança. É mais complicado do que isso.

Adenda: ler também isto.

Os soldados perdidos da guerra fria

Nos anos 80, ainda se liam nos jornais notícias sobre soldados japoneses que eram encontrados em ilhas do Pacífico, com cabelo até à cintura e armas obsoletas nas mãos, convencidos de que a 2ª guerra mundial não tinha acabado nos anos passados desde o último contacto com o resto do mundo.

Lembrei-me destes soldados perdidos ao ler alguns artigos de opinião de agosto (exemplo: o inefável João Carlos Espada no último Expresso), onde se argumenta contra a Rússia de Putin agitando o espantalho da «Rússia Soviética» e evocando, portanto, os impulsos da guerra fria. Estes anacronismos são divertidos, mas úteis por nos recordarem de como o mundo efectivamente mudou. As razões do recente conflito no Cáucaso, como anteriormente das guerras na Jugoslávia, são obscurecidas se continuarmos a manter o quadro mental de um conflito, defunto, entre ideologias entrincheiradas em blocos antagónicos. Para compreender a guerra no Cáucaso, basta recordar que Rússia, em mil anos de história, só recuou até Moscovo com Napoleão e Hitler. Desta vez, não perdeu sequer o controlo do norte do Cáucaso. Para as elites russas, do Império dos czares ao dos bolcheviques (e à Rússia de Putin) há mais continuidade do que aquela que quem tem os óculos ideológicos da guerra fria consegue ver.

A Europa deveria distrair-se das sanções contra a Rússia e apostar em construir uma cooperação com um Estado que não é exactamente uma democracia, mas que é mais fácil de lidar do que as teocracias islâmicas que nos deveriam preocupar.

Uma realidade aterradora

Com a suprema ironia que o caracteriza, max Blumenthal fez mais uma reportagem eloquente, desta vez sobre a estupidez desgraçada dos fundamentalistas cristãos que apoiam McSame e Palin.

FOX

Obama reuniu-se com o conhecido pornógrafo australiano e patrão mundial dos media Rupert Murdoch para discutir uma estratégia de cooperação ou, melhor posto, de não agressão.

As declarações de Murdoch e Ailes, dois dos cidadãos mais perigosos e mais ignóbeis do planeta, são deliciosas. Nem para estes dois neo-nazis patéticos - que o mundo acredita que são honestamente neo-nazis - a ideologia parece estar acima do lucro!

Palin e Jesus

A candidata a vice-presidente é uma pacóvia sem educação nem experiência, cujo único apelo é ser uma fundamentalista cristã, firme contra os direitos e a sexualidade das mulheres, contra o ambiente e a ciência, o bom senso e a solidariedade social.

Num país em que 90% dos cidadãos não são fundamentalistas cristãos, esta escolha só faz sentido porque os media são controlados por um pequeno grupo de oligarcas a quem a agenda dos fundamentalistas cristãos interessa imenso.

Já não sei quem é que escreveu que as ideologias existem para mascarar as relações de exploração de umas classes pelas outras, mas o carinho com que o complexo industrial militar trata estes desgraçados e lhes promove a agenda explica eloquentemente como as questõs do aborto e do casamento gay (e, com muito menor relevo, do criacionismo) são as máquinas de fumo com que eles enganam a América.

Há muitos anos que os publicistas (como o Goebbels) descobriram que não é com papas e bolos que se engana os tolos. O medo é a melhor ferramenta dos propangandistas para controlar a maioria rural, isolada, ignorante e supersticiosa que constitui a base eleitoral dos republicanos.

quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

A vice de McCain discursa numa igreja

Pode-se ver Sarah Palin discursar numa igreja neste vídeo no richarddawkins.net. Fica-se a saber que Sarah Palin (que se entusiasma bastante com o seu amigo imaginário) acha que a guerra do Iraque é uma missão divina. O seu pastor preferido também parece pior do que o pastor de Obama, mas a influência dos pastores sobre as ovelhas é difícil de quantificar. Tudo isto parece mais importante quando, como faz Sam Harris, se toma em conta a idade de McCain:
  • «The actuarial tables on the Social Security Administration website suggest that there is a better than 10% chance that McCain will die during his first term in office. (...) If we take into account McCain's medical history and the pressures of the presidency, the odds probably increase considerably that this bright-eyed Alaskan will become the most powerful woman in history. (...) Is Palin remotely qualified to be president of the United States? No.»

Caroline Fourest: «On achève bien l´école publique»

A agenda neoliberal (e clerical) para destruir a escola pública é a mesma em Portugal e na França: desvio de fundos das escolas públicas para as privadas, atribuição da gestão das escolas às regiões e municípios para melhor desregular o sistema, e, a culminar, o cheque-ensino.
  • «Les partisans de l’école privée peuvent se réjouir. Tous ceux qui préfèrent la séparation de l’école et de l’Etat à la séparation de l’Eglise et de l’Etat, qu’ils soient ultracatholiques ou ultralibéraux, ou ultra-les deux, peuvent savourer leur victoire. La guerre scolaire est presque terminée. Et ils ont gagné.
    (...) Au lieu de concentrer ses moyens au service de l’école publique, l’Etat a gaspillé sa marge de manœuvre en augmentant les crédits alloués à l’école privée. Les vannes sont grandes ouvertes depuis 2004, date à laquelle les collectivités locales ont obtenu le droit de financer sans limites les établissements privés. (...) Dans les cénacles de l’école privée, on prépare déjà la suite : le "chèque éducation", grâce auquel chaque élève recevra directement l’aide de l’Etat pour choisir de s’inscrire dans le privé ou dans le public. Une idée empruntée au modèle anglo-saxon, qui a fait les beaux jours des écoles privées religieuses. Est-ce bien rassurant pour la cohésion sociale et le vivre-ensemble ? Jusqu’ici, l’école confessionnelle sous contrat donne le sentiment de vouloir privilégier l’enseignement au prosélytisme. Mais les temps changent. L’Eglise, qui confie de plus en plus ses missions éducatives à des courants comme l’Opus Dei ou la Légion du christ, milite pour accentuer le "caractère propre", c’est-à-dire le caractère catholique, de ses écoles. Les autres religions ne sont pas en reste. A quoi ressemblera le vivre-ensemble quand un nombre grandissant d’élèves français aura fait ses classes dans des écoles tenues par l’Opus Dei, les Frères musulmans ou les loubavitchs ? (...)» (Caroline Fourest na Gauche Républicaine.)
Quando este processo terminar, os ricos terão as melhores escolas para os seus filhos, privadas mas pagas pelo Estado (o que dá «liberdade» subsidiada para ensinar disparates, religiosos e outros), e as barreiras de classe firmemente erguidas. As piores escolas que fiquem para os pobres.

O conservadorismo não foi de férias

http://ww1.rtp.pt/noticias/images/articles/359681/cavaco4.jpg

O tremendo estrondo em volta do veto ao estatuto dos Açores pode agora ser apreciado como parte de uma estratégia destinada a ocultar o veto à lei do divórcio, divulgado pela calada a 20 de agosto.

As justificações parecem, incrivelmente, saídas dos manifestos dos movimentos católicos mais reacionários (tipo Comunhão e Libertação), sendo particularmente pasmante a passagem em que nos convida a ter pena da mulher espancada que é «castigada» com um divórcio. Nem sei o que será pior: se o facto de o homem que é Presidente da República não se aperceber do inverosímil da situação, se a circunstância de não compreender que, quer o compreenda imediatamente quer não, quem ganhará com tal divórcio será a mulher.

Neste veto, Cavaco poderia ter perdido a reeleição. Digo poderia, porque não dei por que a esquerda tivesse aproveitado devidamente esta oportunidade para persuadir os 67 mil cidadãos que elegeram Cavaco em 2006 de que, bem, elegeram um conservador (e se até no próprio PSD houve quem tratasse Cavaco de «ultrapassado» para baixo...). Se o conservadorismo não foi de férias, a esquerda que quer conquistar o palácio de Belém parece que estava na praia. Bem enterrada na areia.

terça-feira, 2 de Setembro de 2008

a seriedade e a transparência... no CDS?!?

«[...] Luís Nobre Guedes, um apoiante de sempre de Paulo Portas, demitiu-se da vice-presidência do CDS-PP, cargo para que tinha sido eleito no congresso de Torres Novas, em Maio de 2007. [...]

A carta foi escrita em Setembro de 2007, mas Portas nunca permitiu que a notícia fosse tornada pública, e a demissão foi mantida no mais absoluto sigilo. De tal forma que, ainda ontem, no site do CDS a fotografia de Nobre Guedes continuava a aparecer como vice-presidente do partido.

Nobre Guedes é o segundo vice-presidente da direcção de Portas a demitir-se, o que significa que neste momento o CDS não tem nenhum vice-presidente a nível da direcção.

O primeiro a sair foi Telmo Correia, no Verão do ano passado, na sequência do mau resultado que o CDS teve nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa [...]»


(PÚBLICO.PT --- 02.09.2008)

pelo menos não entra mosca nem sai asneira...

«[...] Às questões sobre o silêncio de Ferreira Leite, António Borges responde com o argumento de que “não interessa falar só por falar”.

“Acho que a ideia da Dra. Manuela Ferreira Leite é muito certa, de intervir com seriedade e profundidade nos momentos exactos, nas ocasiões certas e nos locais que se justificam”, afirmou. [...]»


(RTP --- 2008-09-02)

segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

o real e a sua percepção

«[...] A cada oportunidade falava-se da vaga de crime violento, do grande aumento da criminalidade perigosa e assim. Entretanto, lá pelo meio, passa em rodapé que a criminalidade violenta tinha aumentado 15% nos últimos seis meses. Segundo o Público foi 10%. E a criminalidade violenta é cerca de 6% do total (1). E segundo o Jornal de Notícias, o que aumentou 15% foi o crime contra o património, enquanto que o crime violento até diminuiu em número, se bem que a Procuradoria Geral da República disse terem aumentado «qualitativamente» (2). Penso que querem dizer que se tornaram mais mediáticos desde que a polícia fuzilou dois assaltantes em directo na televisão.

Para combater este flagelo tem havido grandes operações policiais com centenas de polícias e grande aparato. Com bons resultados. Não pela soqueira e pistola de alarme que apreenderam mas porque apanharam dezenas de condutores bêbados. Se querem aumentar a segurança a primeira coisa é mesmo tirar os bêbados da estada. Em 2000, por exemplo, morreram em Portugal 1357 pessoas por acidentes rodoviários, 525 por suicídio e 97 por homicídio (3).

Salpicaram pelas reportagens algumas especulações acerca do que teria causado a vaga de crimes violentos mas não mencionaram as duas mais óbvias. A falta de qualidade do jornalismo e a apetência do público pelo alarmismo infundado. O candidato deles foi a reforma do Código de Processo Penal porque agora não há prisão preventiva para alguns crimes onde se aplicava antes. Parece-me pouco realista. Bute lá assaltar o Pizza Hut? Bute, que só vamos presos depois do julgamento. [...]»


(Que Treta! --- Agosto 31, 2008)