sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Desabafo

Há muitos anos que me vim esconder aqui, neste Texas selvagem onde não há nada, nem museus, nem restaurantes, nem livrarias, nem ideias.  Isto é o campo e as pessoas vivem em casa e vão à missa três ou quatro vezes por semana.  Fora isso vêem a Fox News e vivem aterrorizados com "o aborto" ou "o casamento gay" ou "os muçulmanos" ou "as pessoas que acreditam que descendemos dos macacos".

Trabalho que me farto, leio livros e não tenho praticamente vida social.  A direita aqui é o Ku-Klux-Klan.  Ninguém sabe quem era o Hayek (nem onde é a Áustria!) e por isso quando, como hoje, oiço alguém citar a Margaret Thatcher choco-me a sério.  Aqui na pradaria esqueço-me que ainda há boçais que acham que aquela criatura repugnante, mesquinha, estúpida, sociopata, merece ser citada.  A Margaret Thatcher era uma boçal sem educação.  Como é que é possível que alguém ainda se atreva a citar aquela abrutalhada sem estilo, ignorante, bronca e triste?!  O Reagan tinha um astrólogo na Casa Branca, o Bush era ex-drogado e ex-alcoólico, a Ayn Rand era ateia e ninfomaníaca, o Estaline tinha uma biblioteca enorme, o Hitler queria ser pintor...  os grandes sociopatas do século XX tinham alguma espessura, alguma humanidade, expressa em contradições e emoções.  A Thatcher não: era só triste e boçal.  Tremendamente boçal.