sábado, 26 de julho de 2014

Presidente da República portuguesa?


Os mais jovens e menos informados não se recordarão deste senhor. António Guterres foi Primeiro-ministro entre 1995 e 2002. Deixou-nos o Rendimento Mínimo Garantido (agora RSI), a toxicodependência tratada como doença e não como crime, e o início efectivo da aposta na ciência. E fez a coisa certa em Timor (e não se imagina que Passos Coelho, para comparar com o presente, o fizesse).

Parece que agora quer ser Presidente da República. Tem esse direito, e o Alto Comissariado deu-lhe boa imprensa e muitos bons conhecimentos, sem dúvida. E alguns até diziam, já há quinze anos, que a sua atracção pelo «consenso» e pelo «diálogo» o talhavam mais para Belém do que para S. Bento. Acontece que os consensos de Guterres foram sempre pouco mais do que «arranjinhos» que duravam o tempo de um orçamento (na ausência deles, provocou dois referendos bastante oportunistas). Quanto ao diálogo, significou demasiadas vezes a cedência a lóbis. A insaciável FPF, por exemplo: a mais inútil pirotecnia de dinheiro público da 2ª República, o Euro 2004, a ele a devemos (e a um adjunto, um Sócrates ou Aristóteles ou lá como se chamava).

Se quiser realmente candidatar-se, tem garantias a dar. Para começar, se voltará a colocar o seu catolicismo acima do seu republicanismo, ele que atrasou a legalização da IVG quase uma década, preparou a Concordata dos sonhos de Policarpo e encheu o seu último governo com o género de clericais que ficariam mal numa casa civil da presidência que se seguirá a 2016. Se quiser mobilizar, terá que entender que o país evoluiu.

7 comentários :

  1. Na coluna dos elogios acrescentaria a diminuição das desigualdades, e uma significativa subida dos salários (nomeadamente na função pública).
    Na coluna das críticas acrescentaria uma receita recorde em privatizações, que aliás superou as dos vários governos de direita (se bem que isso pode implicar que o património do estado tenha sido melhor vendido, não necessariamente que o valor intrínseco do que foi vendido seja superior, mas ainda assim...).

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  2. Ainda magoado com a questão da IVG, gostei da condenação das referências confessionais na prevista Constituição Europeia, quando Barroso quis ser subserviente a JP2. Essa declaração foi feita ao jornal do IST.

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  3. Eu diria que o melhor par A.G. se quiser obter o meu voto seria rejuvenescer uns dez anos. Coisa que creio ser impossível.
    No meu entender, Portugal não deve ser uma gerontocracia e @ Presidente da República não deve ser uma pessoa com idade para estar na reforma.

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