terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Revista de imprensa (18-02-2014)

Acontece que quanto mais leve eles dizem que o Estado está mais pesado ele parece ficar para os cidadãos. Mais lento, mais incompetente, mais problemático. E é natural que assim seja. A eficácia do Estado, que o faz parecer mais leve, custa dinheiro. Que depois é devolvido à economia através do seu melhor funcionamento. É por isso que os países que funcionam bem e que são mais atrativos para empresas exigentes não chegaram lá através da degradação dos serviços públicos.

Os autodenominados "liberais" gostam de acreditar que tudo o que o Estado gasta é um roubo à economia, deixando-a mais pobre. Até fazem uns contadores em que explicam aos contribuintes até que dia do ano estão "a trabalhar para o Estado". Esquecendo-se de dizer até que dia do ano estariam a trabalhar para a seguradora, para o colégio, para o fundo de pensões e para todas as empresas privadas que garantissem os mesmos serviços que o Estado hoje oferece. Para uns poucos o negócio seria seguramente melhor. Mas para a maioria, nem um ano inteiro de trabalho chegaria. (...)

Mas claro que todo este debate só faria sentido se estivéssemos a falar de escolhas ideológicas. Para além de nunca se terem cobrado impostos tão altos, o mesmo governo que está a encerrar lojas do cidadão prepara-se para abrir postos do mesmo género em estações de Correios. Boa ideia? Excelente, se não tivessem privatizado os CTT. Ou se, privatizando, tivessem garantido no caderno de encargos da privatização esta obrigação de serviço público. Claro que não o fizeram, porque nenhuma privatização se faz em Portugal sem a garantia de que, para além do lucro dado pelo monopólio, o Estado não fica a pagar uma mesada qualquer.

(Daniel Oliveira, Expresso)

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