quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Os idosos "privilegiados" e os denunciantes desligados da realidade

É um discurso comum: os privilégios da «geração grisalha» são uma das causas dos problemas do país: o elevado desemprego jovem, a insustentabilidade do estado social, a crise. Mais recentemente, o economista João César das Neves deu, no Diário de Notícias, novo fôlego a esse discurso:

«A geração da revolução concedeu a si mesma reformas superiores aos descontos e insustentáveis
[...]
Quando, em nome de direitos e garantias, se estabelecem benefícios exagerados e injustificáveis, a própria lei torna-se injusta.»

Como todos os que fazem esta alegação, César das Neves* parece desconhecer a realidade: «Cerca de 80% dos pensionistas recebem reforma média de 364 euros».
A «geração da revolução», ou «geração grisalha», ou como a quiserem chamar, não é um conjunto de privilegiados a viver confortavelmente à custa das gerações mais novas. Pelo contrário: «Temos dos idosos mais pobres da UE».

A denúncia dos «privilégios» desta «geração» (assim, como um todo), se não nascer da má fé, é fruto da ignorância quanto à realidade do nosso país.

*E já não é a primeira vez que César das Neves tem problemas com os números.

1 comentário :

  1. Muito bem respondido. É uma vergonha este discurso neo-liberal, que ter pessoas a ganhar bem, é um "direito insustentável". Afinal o que querem é as pessoas a ganharem mal.

    Mas a quem serve este empobrecimento dos Portugueses e da nossa economia ?

    Volta e meia lê-se que serve para alguns dos nossos credores (Troika), fazerem compras a preço de Saldos de empresas Nacionalizadas.
    Mas o panorama é mais abrangente, mais largo. Empobrecer os portugueses, e a nossa economia, serve não só para as empresas Nacionalizadas, mas também para comprar a preços de Saldo várias empresas privadas.

    São já várias as que foram vendidas a preços impensáveis faz uns anos. E estes neo-liberais nem uma palavra sobre isto.

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