quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O mistério do desemprego e as autárquicas

A taxa de desemprego diminuiu significativamente. Sendo verdade que a variação homóloga continua negativa, aparentemente a sazonalidade «típica» não explica estes valores, que já sofrem essa correcção.

Há quem tente explicar esta situação misteriosa, em particular os defensores da actual coligação que atribuem estas mudanças ao sucesso das políticas de austeridade, e não terão problemas nenhuns em dispensar a responsabilidade pelos resultados macro-económicos assim que os indicadores piorarem.

Uma ideia ocorreu-me recentemente, enquanto passeava por Lisboa e deparava enorme quantidade de obras prestes a terminar por esta altura de eleições autárquicas - ritual que se repete por todo o país, como é mais que sabido.
Existe um outro tipo de sazonalidade para o qual o Eurosat não faz correcções, mas que deve afectar os números do desemprego: o volume acrescido de obras públicas nos meses antes destas eleições, e o impacto que essas têm na economia, ampliado pelos multiplicadores maiores em tempo de crise. Esse impacto não podia ser mais favorável à agenda do PSD: a economia vai melhorar precisamente até à ida às urnas, e o estímulo desaparece logo que não for necessário.

Passos Coelho pode bendizer a sua sorte: nunca em Democracia este mísero estímulo teve tanto impacto como quando o país sofreu estes dois anos de políticas catastróficas.