quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Amplas liberdades



Irrito-me um bocado com as pessoas que me falam da América como o país da liberdade.  A América profunda é a América toda menos quatro ou cinco cidades, e a América profunda é calvinista, odeia quem se diverte e ofende-se por tudo e por nada.

Recentemente, numa reunião duma comissão supostamente progressiva aqui na universidade, um colega meu, gay, disse-nos que se tinha casado (noutro estado) e que tinha anunciado isso na aula e os alunos tinham aplaudido.  E depois disse que isto há 12 anos, quando ele chegou aqui, era impensável, congratulou-se com a evolução das mentalidades e perguntou-nos se queríamos dizer alguma coisa sobre o que gostaríamos que a universidade fosse daqui a 10 anos.  “Porque temos dinheiro para organizar coisas”.

Eu disse que gostava que a esquerda fosse mais assertiva e que concordava com o Daniel Dennett, que se lamentava há pouco tempo de ter sido toda a vida respeitador da direita caceteira, e que o resultado era ser publicamente considerado um idiota pela maioria dos americanos, por ser darwinista.

E depois sugeri que contratássemos artistas para organizar eventos que fizessem os alunos olhar para o mundo de forma diferente.  Por exemplo, gostava de ver uma guilhotina gigante, cor de rosa, no meio do relvado, e depois uma série de conferências, filmes e debates sobre esta prática medieval da pena de morte, que só se aplica aos pobres, em que um em cada nove condenados é inocente, num sistema judicial em que é muito melhor ser-se rico do que inocente, etc., ou gostava de ver um crescente verde, enorme, no meio do campus, a dizer: “At least nobody is nailed to me!”  Mas que acima de tudo gostava que a universidade discutisse a questão da evolução, porque me envergonha muito saber que a maioria dos nossos estudantes acha que o mundo tem seis mil anos...  fui interrompido pelos meus colegas porque estava a desrespeitar os presentes e a religião, e a fazer alguns membros da comissão desconfortáveis.

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