segunda-feira, 10 de junho de 2013

Edward Snowden: um herói


São os Estados que existem para nos servir. Não somos nós que existimos para servir os Estados. E é por essa razão que a privacidade é um direito fundamental dos indivíduos-cidadãos, mas não dos Estados. 

Edward Snowden é mais um indivíduo que, como Bradley Manning antes dele, escolheu a sua liberdade e a tranquilidade da sua consciência contra os interesses do seu governo e das agências de espionagem. Ao fazê-lo, sem aparentemente ganhar nada e provavelmente até perdendo bastante, defendeu a liberdade de todos os cidadãos livres das democracias contra os grupos organizados de paranóicos profissionais que nas últimas décadas, em particular desde o 11 de Setembro, ganharam um poder tremendo. Vale sempre a pena repetir: os EUA usam hoje mais meios e pessoal em espionagem do que durante a guerra fria. E o SIS/SIED tem mais agentes do que a PIDE alguma vez teve, mas só com o «caso Silva Carvalho» alguns portugueses se aperceberam de que, também por cá, a serpente está no ovo e a pide voltou com novo nome.

A internet mudou o mundo. Para o bem e para o mal, quase toda a informação está em quase todo o lado. O que pode servir para os governos saberem o que nós fazemos e dizemos, mas também para nós denunciarmos os segredos dos governos. Exemplos como o de Edward Snowden mostram que a luta dos indivíduos contra as tendências totalitárias dos Estados - mesmo os democráticos - conta com um aliado precioso na coragem e na consciência de cada um. Que venham mais Edwards Snowdens.