sexta-feira, 31 de julho de 2009

menos mal...

«[...] Os 20 por cento mais ricos têm 6,1 vezes mais rendimentos do que os 20 por cento mais pobres, segundo os resultados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) do Instituto Nacional de Estatística (INE), realizado em 2008 mas que incidiu sobre os rendimentos de 2007. No ano anterior, eram 6,5. [...]

A boa notícia é a diminuição da distância entre os 20 por cento com maiores rendimentos e os 20 por cento com menores rendimentos. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 15.07.2009]

custa assim tanto tomar todas as medidas necessárias para cobrar os impostos em falta?

«[...] «Os números revelam que o défice ultrapassará os seis por cento previstos, há factores que não estão na capacidade de controle do Governo, mas as contas estão desiquilibradas porque há receitas a menos e não por que haja despesas a mais», esclareceu o líder do Bloco.

Nas contas do líder bloquista, há em Portugal «30 mil milhões de euros que não pagam imposto», o que se assim não fosse, sublinha Louçã, «Portugal não estaria nesta situação tão difícil». [...]»


[TSF --- 21 JUL 09]

quinta-feira, 30 de julho de 2009

relembrar as diferenças

«[...] Para o quinto lugar a distrital de Lisboa escolheu o ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior Pedro Lynce Faria, que ocupou também a pasta da secretaria de Estado do Ensino Superior [...]»

[PÚBLICO.PT --- 22.07.2009]

ainda alguém se lembra dele? eu lembro-me. lembro-me precisamente do que fez enquanto ministro da ciência: nada de nada (sim, eu sei, esta era particularmente fácil de recordar). também me lembro de quem se lhe seguiu, com aquela linda medida de apoio aos investigadores com 100 artigos (publicados não interessa onde --- critérios de exigência e qualidade para quê?!) com... imagine-se... 200 citações! não sei se isto é para rir ou para chorar, ou se simplesmente a então ministra da ciência não sabia somar...

mas o que eu gostava era de contrastar com isto:

«[...] Portugal foi o país europeu em que a despesa em I&D mais cresceu entre 2005 e 2007, passando esta a representar globalmente, e pela primeira vez, 1,2% do PIB nacional (1.972 MEuros, quando em 2005 era de 1.201 MEuros) e, portanto, os níveis já atingidos por Espanha (1,2%), próximos da Irlanda (1,3%) e superiores aos dados disponíveis de Itália (1,1%). [...]

Este aumento da despesa das empresas em I&D reflecte a acumulação de investimento público e muito especialmente o seu reforço durante esta legislatura, assim como o esforço do sector privado em acompanhar o desenvolvimento científico e a capacidade tecnológica instalada em Portugal. [...]»


[MCTES | Notícias --- 23/07/2009]

«[...] Menos de quarto anos após Portugal e Espanha terem assinado o acordo para criar a instituição, as instalações do Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia foram dadas a conhecer hoje pela primeira vez. Este será o primeiro laboratório no mundo dedicado à nanotecnologia com um estatuto legal internacional e tendo estados como membros, permitindo assim oferecer as melhores condições aos mais talentosos investigadores de todo o mundo para que estes possam desenvolver investigação de topo em nanotecnologia. Independentemente da área de investigação, este é de resto o primeiro laboratório internacional localizado na Península Ibérica. [...]

O INL é o primeiro Laboratório deste tipo especializado em nanotecnologia, tendo um enquadramento legal semelhante ao CERN, o laboratório internacional de física de partículas em [Genève] reconhecido pelas suas muitas contribuições para a física de partículas e por ter inventado a WWW – World Wide Web. O enquadramento legal do INL é também semelhante ao do EMBL, o laboratório Europeu de biologia molecular em Heidelberg, e a poucos outros laboratórios dedicados a outras áreas investigação. [...]

Do total de 400 pessoas que irão trabalhar nas instalações do INL, 200 delas serão cientistas que desenvolverão projectos no âmbito das quatro principais áreas de investigação do Laboratório. Este processo de recrutamento está actualmente em curso, sendo que estes cientistas juntar-se-ão a um grupo de quase 40 alunos de doutoramento e investigadores de pós-doutoramento que estão já a trabalhar em Universidades e Centros de Investigação em Portugal, Espanha e outros países da Europa, América do Norte e Ásia. [...]»


[MCTES | Notícias --- 20/07/2009]

«[...] José Luís Zapatero recordou igualmente “a época dos navegantes” para deixar claro que os dois países “mostram agora vontade de conseguir, no Atlas do futuro, novos descobrimentos”. “Este centro surge de um forte compromisso de progresso e cooperação entre povos. Foi ideia, projecto e agora realidade de investigadores, ministros, funcionários, empresas e especialmente do primeiro-ministro José Sócrates, que demonstrou todo o empenho na concretização deste projecto histórico”, disse. [...]»

[Ciência Hoje --- 2009-07-17]

sobre a renovação nas listas a deputados

«[...] A actriz Inês de Medeiros, que foi mandatária da candidatura de Vital Moreira às europeias, vai ser a número três da lista de Lisboa do PS às eleições legislativas, encabeçada por Jaime Gama. Vera Jardim ocupa o segundo lugar e o sétimo é o ex-dirigente do BE e activista da LGBT [...] Miguel Vale de Almeida.

O nome de Inês de Medeiros, uma independente que poucos esperavam ver como deputada, foi aprovado esta noite na reunião da Federação de Lisboa. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 23.07.2009]

«[...] Em declarações à TSF, o antropólogo disse estar muito satisfeito com o convite, lembrando que é preciso «reforçar a ideia de que a linha divisória entre a esquerda e a direita se estabelece sobretudo entre o PS e o PSD». [...]

O antropólogo promete contribuir para uma nova imagem, linguagem e forma de fazer política no Parlamento. [...]»


[TSF --- 24 JUL 09]

«[...] Manuela Ferreira Leite encabeça a lista de deputados do PSD por Lisboa [...]

O presidente do Conselho de Jurisdição Nacional, Nuno Morais Sarmento surge em segundo lugar, e imediatamente a seguir aparecem os nomes de Luís Marques Guedes, secretário-geral, e de Sofia Galvão, vice-presidente da direcção de Ferreira Leite.

Para o quinto lugar a distrital de Lisboa escolheu o ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior Pedro Lynce Faria, que ocupou também a pasta da secretaria de Estado do Ensino Superior e para a sexta posição foi indicado o nome de Pedro Afonso, que é vice-presidente da distrital de Lisboa. A ex-secretária de Estado, Susana Toscano, a ex-vereadora da Câmara de Lisboa, Sérgio Lipari, e Fernando Ferreira, actual vereador com pelouros na Câmara de Odivelas assumem o sétimo, oitavo e nono lugar respectivamente na candidatura. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 22.07.2009]

«[...] Nuno Morais Sarmento em segundo. Como este último foi deputado na sessão que agora finda, vale a pena consultar o site do parlamento para verificar a esclarecedora actividade parlamentar deste prolífico comentador político. Uma pergunta e um pedido de esclarecimento, nem menos nem mais. Também, valha a verdade, entre suspensões do mandato e a renúncia ao cargo de deputado, vale a pena dizer que Morais Sarmento apenas se sentou seis vezes no lugar pelo qual foi eleito. Agora, pelos vistos, é que é a sério, mesmo a sério. Pela política de verdade. [...]»

[Pedro Sales | Arrastão --- 22 Jul 09]

A direita

Vale a pena ver estes dois republicanos a falarem do que é hoje o Partido Republicano: Obama ganhou 78 dos 100 círculos eleitorais mais educados e McCain ganhou 88 dos 100 círculos eleitorais menos educados.

Economia de mercado

Estava a pensar nos comentários neo-liberais que li recentemente sobre a reforma do sistema de saúde em Portugal e a pensar que, se como dizia Milton Friedman, a única obragação moral das empresas é dar lucro, isto é capaz de ser um bom negócio.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

apesar da gripe, passageira, mfl mantém o nível... não muito elevado

«[...] Acrescentou que “há muito a fazer no combate ao desperdício”, mas também “existe margem para que seja possível servir melhor as populações”, sem ser o “Estado a fazer”, uma vez que “o Estado pode apoiar, sem necessariamente ter que fazer”. [...]»

[Jornal de Negócios --- 29 Julho 2009]

«[...] Manuela Ferreira Leite, que ainda não disse quais são as suas propostas relativamente à política fiscal, acrescentou ainda que “é bom que [os ricos] dêem muitas festas, que façam muitas coisas, porque isso dá muitos postos de trabalho a muitas pessoas”.

Ao dar exemplos para fundamentar a sua opinião, Manuela Ferreira Leite afirmou ainda sobre os detentores da riqueza que “não lhes tirava o dinheiro antes de comprarem o iate”. [...]»


[Esquerda.Net --- 29-Jul-2009]

Moral Majority

Mais outro escândalo sexual de mais um senador, desta vez do Tennessee, casado, pai de duas crianças, puritano, que declarou publicamente que as pessoas solteiras não deviam ter relações sexuais e depois se meteu na cama com uma funcionária de 22 anos.

Este ano ainda só vão quatro: um senador do Tennessee, o governador da Carolina do Sul, um senador do Nevada e um assessor duma senadora da Pennsylvania. Todos da extrema direita, puritanos e acusadores.

Devo dizer, em abono da verdade, que não são todos igualmente ordinários. Bill Maher comparou recentemente os emails de dois deles para estabelecer e clarificar as diferenças: as rebaixonices dos republicanos vão desde o simples adultério até às situações mais desgraçadas e embaraçosas.

A saúde é uma arma

No "Ladrões de Bicicletas". Para quem não viu o filme de Michael Moore "Sicko", o problema da saúde "for profit" resumido eloquentemente por Isabel Vaz.

Os EUA têm a saúde mais cara do mundo e os actos médicos são decididos por burocratas e advogados das seguradoras. Se é este modelo que Portugal quer seguir, Sócrates está de parabéns.

terça-feira, 28 de julho de 2009

não é caso de polícia, mas fica igualmente mal na fotografia...

«[...] Em apenas uma semana, o valor dos rendimentos líquidos dos accionistas da Liscont com o negócio dos contentores passou de 4,2 milhões de euros para 7,4 milhões de euros, refere o relatório do Tribunal de Contas. No parlamento o PS optou pelo silêncio, depois da intervenção da deputada do Bloco Helena Pinto, que classificou o negócio do Estado com a empresa do grupo Mota-Engil de "escândalo nacional". [...]

O relatório do Tribunal de Contas não deixa dúvidas: "os representantes do sector público que negociaram este projecto aceitaram, nas últimas revisões efectuadas ao caso base, durante a semana que precedeu à data de assinatura do contrato, aumentar a rendibilidade accionista, sem contrapartida alguma para o concedente público", considerando essa atitude de "objectivamente incompreensível". [...]»


[Esquerda.Net --- 23-Jul-2009 ]

«[...] O tráfego é o elemento essencial do rendimento da concessão do terminal de contentores e, recorda o TC, “se ele descer para valores abaixo dos fixados na matriz de procura do caso base, quem passa a assumir o ónus do risco do negócio é o concedente público”. E as previsões de tráfego inscritas no Caso Base são, no entender dos auditores, “objectivamente sobreavaliadas” [...]

Mas se estas previsões de tráfego não forem cumpridas, o risco não é totalmente assumido pela concessionária – como é era, alias, no contrato que a Liscont tinha em vigor antes da prorrogação.

O Estado assumiu partilhar esse ónus ao estabelecer uma matriz de risco de procura que dá lugar à reposição de equilíbrio financeiro sempre que os valores de movimentação acumulados sejam inferiores a mais de 20 por cento do que o previsto, já a partir de 2009. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 22.07.2009]

o cavaquismo tornado caso de polícia

«[...] Manuel Dias Loureiro é alvo de novo processo do Ministério Público por alegado recebimento de comissões no âmbito da venda da Plêiade ao grupo SLN no início da década, adianta a edição de hoje do Diário Económico. [...]

[Os i]nvestigadores [...] apontam suspeitas de que o antigo ministro de Cavaco Silva recebeu luvas pela transacção.

Segundo o Diário Económico, Dias Loureiro recebeu oito milhões de euros no âmbito do negócio que rondou os 55 milhões de euros. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 22.07.2009]

«[...] A justiça portuguesa considera que Dias Loureiro nunca teve qualquer participação na Pleiâde. Sendo assim, a quantia recebida pelo ex-conselheiro de Estado constituiu um pagamento de luvas.

É este negócio que acaba por ditar a entrada de Dias Loureiro na Sociedade Lusa de Negócios. O ex-conselheiro de estado acabou por aplicar grande parte do dinheiro que recebeu em acções da SLN.

O negócio da Pleiade, e as suspeitas de corrupção, juntam-se agora à compra e venda de empresas tecnológicas no Porto Rico que se saldaram num prejuizo de 38 milhões de euros para o grupo que detinha o BPN. [...]»


[TSF --- 22.07.2009]

«[...] [M]esmo durante os trabalhos da comissão [parlamentar] e publicamente, há declarações contraditórias de Dias Loureiro: o antigo conselheiro de Estado ora diz que tinha uma stock option de 15% (opção de compra de 15% das acções), ora diz, revelando no Parlamento uma conversa com José Roquette, que já era detentor de 15% da empresa.

Contactado pelo DN, Dias Loureiro adiantou uma nova versão [...]»


[Diário de Notícias --- 23 Julho 2009]

Sobre os anónimos

Acho que já escrevi isto aqui: os anónimos podem ser divertidos ou deprimentes, dependendo dos dias, mas são sempre repugnantemente cobardes e ofensivos para a democracia e a liberdade.

Dizer (e fazer) coisas às escondidas é uma forma de cobardia miserável, que lembra os 'chibos' do tempo do fascismo, do estalinismo, ou da China comunista.

Em Portugal há liberdade de expressão há mais de 30 anos. As pessoas podem dizer o que lhes apetece - como este blog demonstra - sem terem de odiar quem não concorda com elas, nem temer represálias. O Códico Civil já não tem uma secção para delitos de opinião.

Não há nada mais saudável nem divertido do que uma discussão inteligente, em que ambos os lados estão dispostos a mudar de opinião se os oponentes apresentarem melhores argumentos. Richard Dawkins conta que viu um professor dele mudar alegremente de opinião durante uma aula - abandonar uma opinião que tinha defendido apaixonadamente durante anos - e que essa experiência o marcou para toda a vida.

Eu costumava ser um jovem reaccionário, membro da JC, e tive até um casaco verde (o uniforme 'pinheiro manso' da JC). Fui formando dos cursos do IDL (acho que em Portugal era um eufemismo para CIA) e fui eleitor da AD. Mas nunca deixei de me dar com os meus amigos comunistas e anarquistas e socialistas. E nunca quiz matar ninguém. Nunca me levei suficientemente a sério. Mudei de opinião (vergonhosamente tarde, aos 23 ou 24 anos) quando comecei a viajar e a alargar o âmbito das minhas leituras.

Talvez por isso, ser confrontado com comentários anónimos - tantas vezes palermas e às vezes insultuosos - é um bocado deprimente.

Depois de tantos anos, como é que se pode ainda ter medo das opiniões próprias e escrever estas coisas, tantas vezes anódinas, pela calada, anonimamente, como se cada frase fosse um crime?

Ainda não perceberam para que serviu o 25 de Abril?

Sobre a existência de deus

Já tinha posto isto no meu blog, mas acho tão divertido que vou pôr aqui também:

Sobre o ensino...

Um amigo meu mandou-me este texto, escrito em 2003, antes da invasão selvagem do Iraque. Imagino que se isto se aplique a Portugal exactamente como aos EUA. A autora, Luciana Bohne, escreveu: "Cultural fascism manifests itself in an aversion to thought and cultural refinement. "When I hear the word 'culture,'" Goebbels said, "I reach for my revolver."

Vale a pena ler o texto todo.

domingo, 26 de julho de 2009

a velha "democracia" de alberto joão jardim

«[...] O zeppelin, preparado pelo PND para sobrevoar o Chão da Lagoa, na Madeira, foi hoje abatido a tiro, quando estava a ser preparada a sua partida a mil metros de distância da festa do PSD.

Com as inscrições “PND voa mais alto” e “olho à ladroagem” nas duas faces, o dirigível rígido foi perfurado por quatro balas de carabina antes de atravessar o planalto. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 26.07.2009]

e ainda mais investimentos para mfl rasgar...

«[...] O centro de excelência da Embraer para o fabrico de estruturas aeronáuticas em materiais compósitos, cuja primeira pedra foi hoje lançada, constitui uma das duas fábricas que a construtora brasileira quer instalar em Évora.

A Embraer é uma multinacional brasileira que ocupa a terceira posição mundial no ramo da indústria aeronáutica. [...] Com este investimento, o governo espera desenvolver em Évora "um cluster" aeronáutico, com ligação ao aeroporto de Beja. [...] O investimento da Embraer será totalmente destinado às exportações e terá uma mão-de-obra "altamente qualificada". [...]

[T]rês novas empresas do sector da aviação já manifestaram intenção de se instalar no parque industrial aeronáutico da cidade, onde a brasileira Embraer vai investir 148 milhões de euros. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 26.07.2009]

«[...] «Este investimento é importante pela sua dimensão», pelos postos de trabalho que cria, mas «principalmente porque coloca Portugal num novo estádio da industria aeronáutica» [...]

As obras das novas fábricas da Embraer em Évora vão começar já e devem estar concluídas em 2012. O projecto, que envolveu um investimento de 148 milhões de euros, prevê a criação de 170 postos de trabalho directos e mais de mil indirectos.[...]»


[TSF --- 26.07.2009]

sábado, 25 de julho de 2009

Homofobia & etc.

Hoje estava a ouvir o jornalista Charles Pierce, o homem que escreveu o livro “Idiot America: How Stupidity Became a Virtue in the Land of the Free”, a falar do racismo como um veneno que destrói tudo, conspurca tudo, estupidifica as pessoas, impossibilita-as de pensar e lembrei-me do comentário que um anónino escreveu neste blog, a propósito da candidatura de Miguel Vale de Almeida nas listas do PS.

A homofofia, como o anti-semitismo, ou o racismo, é um ódio sem objectivo, a um grupo de pessoas imaginário, que por ser imaginado pode ser tão mau e tão culpado pelos nossos problemos quanto a imaginação nos permitir.

A homofobia, o anti-semitismo e o racismo são assim formas de demência em que as pessoas aceitam como real um mundo imaginário, em que “os maçons”, ou “os judeus”, ou os “homossexuais” conspiram para dominar o país ou são responsáveis por outras fantasias, sempre mais ou menos infantis (o Hitler adorava livros de cowboys para crianças).

Por isso é importante lembrar constantemente às pessoas, como o pobre de espírito anónimo (com medo de quê?) que escreveu um chorrilho de insultos neste blog, que a homofobia é só isso: uma forma de alienação que simplifica o mundo, divide as pessoas em “bons” e “maus” (como os “cowboys” e os “índios” do Hitler) e que suja, envenena e destrói o mundo em vivemos.

É aliás curioso constatar que aqui no sul dos EUA os racistas gostam de dizer que odeiam todos os negros excepto os negros com quem convivem. Odiar pessoas com base na cor da pele delas, ou na etnia, ou nas preferências sexuais, é uma manifestação de estupidez e falta de educação.

Tudo isto é válido com uma ressalva: a homofobia pode resultar - e resulta frequentemente - de uma sublimação de pulsões homossexuais. Como no célebre caso do pastor evangélico Ted Haggard, o conselheiro espiritual de Bush, violentamente homofóbico, que está farto de ser apanhado na cama com prostitutos. Mas isso é outra história.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

As claques sentam-se nas bancadas

Agitando as suas bandeirinhas, as claques sentam-se nas bancadas, de um lado e de outro, e começam a afinar os cânticos de estádio pela tribo/clube da sua preferência. Nos próximos tempos, quem não estiver por eles estará contra eles, e quem estiver contra não terá qualquer réstea de razão.
(Curiosidade: verificar qual dos lados colocou figuras do lado oposto no cabeçalho.)

Os 'homens-sexuais' no PS

Concordo com o Ricardo e com o Ricardo que a entrada de Vale de Almeida e a saída de Sousa Franco são boas notícias para o PS e para o país. E percebo a importância de eleger um cidadão que assume a sua homossexualidade num país de trogloditas como o nosso, e sobretudo um que se apresenta ao eleitorado com uma proposta concreta, em relação a um problema concreto, relativo à segregação troglodita e impiedosa dos homossexuais em Portugal.

Mas nunca consigo deixar de achar estas questões embaraçosas. O facto de os homossexuais precisarem de ser representados é uma coisa um bocado surrealista, que se baseia na aceitação da ideia de que os homossexuais se podem definir como um grupo homogéneo, com um conjunto de interesses específicos comuns.

Por outras palavras, dá a ideia de que as pessoas se definem pelas suas preferências sexuais. Custa-me imenso imaginar o âmbito comum dos interesses do Oscar Wilde e do Padre Frederico.

A questão dos direitos dos homossexuais é uma questão de direitos humanos e devia ser discutida e resolvida nos tribunais. A perseguição de seres humanos com base nas suas preferências sexuais é uma forma de estupidez surrealista que devia ser brutalmente reprimida.

Como não é assim, temos de nos regozijar por termos um deputado (abertamente) homossexual. Mas é um tipo de regozijo um bocado triste, acho eu.

Sem prejuízo de achar que a contribuição de Vale de Almeida no parlamento vai ser incomparavelemente melhor e mais civilizada que a de Sousa Franco (cujas convicções estão já representadas no parlamento pelos deputados do PP, ironicamente um partido notável pela quantidade de homossexuais que tem no armário).

Mas acho que precisamos é de um código civil duro em relação às questões relacionadas com a segregação de seres humanos, sejam eles mulheres, africanos, lésbicas, judeus, ciganos, ou ucranianos.

Do Opus Dei ao Opus Gay

O grupo parlamentar do PS, com Pedro Silva Pereira como cabeça de lista em Vila Real, e Miguel Vale de Almeida elegível em Lisboa, promete ir do Opus Dei ao Opus Gay. Da homofobia à homossexualidade assumida. Do clericalismo ao anticlericalismo. Do catolicismo conservador ao ateísmo pós-moderno. Da direita dos interesses à esquerda universitária.

Enfim, dir-me-ão que é o «pluralismo». Com certeza. Um pluralismo tão plural que nem se percebe qual é a linha condutora por entre tantas contradições.

Espere-se umas horas para saber se continua o acordo eleitoral do PS com o grupo católico de Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda, que votam habitualmente com a direita e contra o resto do PS, quando a seita religiosa a que pertencem assim o ordena. (Matilde Sousa Franco, que desempenhava o mesmo papel, está fora.)

Elementar

Isto tem esta explicação.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Texas!

Em dias assim pergunto-me porque carga de água é que o melhor programa de arqueologia náutica do mundo havia de ser aqui...

No Guardian: Christian right aims to change history lessons in Texas schools...

Viver entre os talibans não é fácil. Estão sempre zangados. Será da comida? Será da vida sexual miserável que levam? Não se percebe.

O César das Neves ia adorar isto! :o)

terça-feira, 21 de julho de 2009

cheira-me que vou ter um...

«[...] A fábrica, que servirá para produzir baterias de abastecimento de carros eléctricos, deverá começar a funcionar em 2012 com cerca de 200 postos de trabalho directos, envolvendo um investimento de cerca de 200 milhões de euros. [...]

[A] instalação em Portugal da nova fábrica de baterias representará «o investimento âncora» e que mais serão feitos no país nos próximos anos nesta área dos carros eléctricos.

O objectivo é tonar os carros eléctricos mais acessíveis e, por isso, mais baratos, no entanto, o primeiro-ministro revela que ainda não está definida a forma como esta medida será aplicada.

«Não sei será um subsidio directo ou ao stand, mas o objectivo é que o carro custe menos cinco mil euros. No caso de ser um veículo eléctrico que é comprado com o abatimento de um veículo a gasolina, esse subsidio aumentará para seis mil e 500 euros», refereiu José Sócrates.

Medidas que vão também beneficiar as empresas, «o IRC que se pagará sobre os carros eléctricos será 50 por cento daquele que se pagaria no caso de serem carros com motores de combustão».

O Governo vai também tornar obrigatória a existência de um carregador de baterias de carros eléctricos em todos os novos edificios. [...]»


[TSF --- 20.07.2009]

O Texas!

Há dias em que não tenho absolutamente nenhuma paciência para esta multidão de anormais, que não acreditam na antiguidade da Terra, nem na evolução, nem na ida à Lua, nem nas barbaridades do Hitler, que acham que o Obama não é americano, que o Bush não teve nada a ver com a crise económica, que o Iraque foi responsável pelos ataques do 11 de Setembro, que dão 10% do que ganham à igreja, que lêem o horóscopo nos jornais e acreditam...

Mas ontem, para comemorar os 40 anos da aterragem da Apollo 11, vi uma cena deliciosa no HuffPo: O astronauta Buzz Aldrin a dar um estaladão num idiota que lhe chamou mentiroso e cobarde...

No meu tempo eram duas

Aluno passa com nove negativas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

e uma "boa ... rapariga"...

«[...] O Citigroup vai ganhar com a cedência de créditos fiscais e da segurança social , efectuada quando Manuela Ferreira Leite era ministra das Finanças do Governo PSD/CDS, quase 290 milhões de euros. O valor, referente a juros e encargos com a montagem da operação, representa 16,4 por cento do preço inicial pago pelo Citigroup, de 1,76 mil milhões de euros, que permitiu cumprir o défice público de três por cento exigido no Pacto de Estabilidade e Crescimento. [...]

A operação foi polémica desde o início, dado que o Governo de então comprometeu o direito dos governos seguintes àquelas receitas fiscais. O CM tentou obter um comentário de Manuela Ferreira Leite mas, até ao fecho desta edição, tal não foi possível. [...]

O parecer do Tribunal de Contas à conta do Estado de 2004 detectou, entre outras falhas, "a integração de dívidas que já se encontravam pagas, anuladas ou prescritas na mesma data". A maior fatia dos créditos cedidos eram fiscais. [...]

O Tribunal de Contas (TC) não poupou críticas à venda de créditos ao Citigroup. No essencial, depois da crítica feita em 2003, o parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado de 2004 frisa que "a operação de cessão de créditos para efeitos de titularização teve, em termos líquidos, um efeito positivo sobre as receitas em 2003, mas tem um efeito negativo sobre as receitas de 2004 e anos seguintes". [...]»


[Correio da Manhã --- 15 Julho 2009]

tudo bons rapazes...

«[...] Arlindo de Carvalho foi constituído arguido no caso BPN, adianta a SIC. Deste modo, o ex-ministro da Saúde é o terceiro arguido do processo, juntamente com Dias Loureiro e Oliveira Costa.

Já este domingo à tarde, segundo informações adiantadas pela TVI, foram revistadas, no final da semana passada, as casas do ex-conselheiro de Estado e administrador do BPN e também do accionista Arlindo Carvalho, antigo ministro da Saúde. [...]»


[TSF --- 19.07.2009]

«[...] As referências a Arlindo de Carvalho apareceram pela primeira vez a ligar este ex-governante ao BPN no final de 2008, quando uma auditoria ao banco realizada pela Deloitte deu conta de que o militante social-democrata tinha recebido perto de 20 milhões de euros em operações de crédito (ver PÚBLICO de 20/11/2008). [...]

De acordo com a SIC, Arlindo de Carvalho foi constituído arguido devido à venda ao BPN de empresas do antigo Instituto de Participações do Estado, onde foi administrador. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 19.07.2009]

«[...] A célebre venda do prédio dos CTT de Coimbra que no mesmo dia foi vendido duas vezes não é a única operação sob suspeita. Em 2003, outro prédio da empresa foi vendido sem a obrigatória autorização do governo. A maioria dos 52 arguidos tem ligações ao PSD.

O Jornal de Notícias conta hoje a história atribulada da venda de um prédio dos CTT na Avenida da República, em Lisboa. A administração da empresa liderada por Horta e Costa decidiu a venda na reunião de 10 de Dezembro de 2003 e a escritura foi assinada no dia 30 do mesmo mês. O facto que causou estranheza aos investigadores foi a ausência da necessária autorização do governo para a operação, que só chegou no último dia do ano.

A assinatura que viabilizou a venda, já com a escritura assinada, pertence ao secretário de Estado adjunto da Economia Franquelim Alves, que mais tarde transitou para a administração da Sociedade Lusa de Negócios. O facto da administração dos CTT ser composta por elementos indicados pelo governo PSD/PP está a levantar suspeitas de financiamento partidário em vários actos da gestão de Horta e Costa. O JN diz que dos 52 arguidos no processo, a maioria tem ligações ao PSD. [...]

Outra das suspeitas dos investigadores levaram à constituição de Paulo Miraldo como arguido. Quando era chefe de gabinete de António Mexia, então ministro das Obras Públicas do governo Santana Lopes/Paulo Portas, Miraldo fez avultados depósitos em numerário nas suas contas pessoais. Segundo o Correio da Manhã, estes depósitos totalizaram mais de 57 mil euros em 2004 e pelo menos 36500 em 2005. Para além das notas depositadas, a polícia assinalou a entrada de dois cheques emitidos por dois conhecidos empreiteiros, Américo Santo e Emídio Mendes, num total de 125 mil euros. [...]»


[Esquerda.Net --- 09-Jul-2009]

na série mais investimentos para mfl rasgar

«[...] Portugal é um dos países onde a Nissan vai instalar fábricas de produção de baterias de iões de lítio para carros eléctricos, anunciou hoje o fabricante nipónico em comunicado.

O investimento a realizar é de 250 milhões de euros, com a criação de 200 postos de trabalho. A localização da fábrica não foi divulgada, embora a companhia adiante que há várias alternativas em fase de estudo. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 20.07.2009]

domingo, 19 de julho de 2009

Burca: uma voz islâmica pela proibição

Parece que nem todos os muçulmanos tomam a proibição da burca como um ataque à sua religião, à sua «identidade cultural», à castidade das suas mulheres ou a qualquer um dos seus direitos. Fica aqui a voz de uma mulher xíita que acha que, pelo contrário, a burca é um ataque aos direitos das mulheres.
  • «I am a Shia Muslim and I abhor the burqa. I am offended by the unchallenged presumption that women covering their heads and bodies and now faces are more pious and true than am I. (...)

    The disease is progressive. It started 20 years ago with the hijab, donned then as a defiant symbol of identity, now a conscript's uniform. Then came the jilbab, the cloak, fought over in courts when schoolgirls were manipulated into claiming it as an essential Islamic garment. If so, hell awaits the female leaders of Pakistan and Bangladesh. (...) Racism is an evil but should never be used as an alibi to acquit oppressions within black and Asian or religious communities. That cry was used to deter us from exposing forced marriages and dowry deaths and black-upon-black violence. (...) Muslim women who show their hair are becoming an endangered species. We must fight back. Our covered-up sisters do not understand history, politics, struggles, their faith or equality. As Rahila Gupta, campaigner against domestic violence, writes: "This is a cloth that comes soaked in blood. We cannot debate the burqa or the hijab without reference to women in Iran, Afghanistan or Saudi Arabia where the wearing of it are heavily policed and any slippages are met with violence." What happened to solidarity? (...) We communicate with each other with our faces. To deny that interaction is to deny our shared humanity. Unreasonable community or nationalistic expectations disconnect essential bonds. Governments should not accommodate such demands. Naturists can't parade on the streets, go to school or take up jobs unless they cover their nakedness. Why should burqaed women get special consideration? (...)» (Independent)

sábado, 18 de julho de 2009

Petição pela laicidade no Irão

A petição pelo fim do regime islâmico no Irão merece ser assinada.

acho que já ouvi parvoíces nesta linha com "preto" em vez de "homosexual"...

«[...] O presidente do Instituto Português de Sangue (IPS) negou haver discriminação em relação a dadores homossexuais, argumentando que existem evidências científicas que provam que este é um grupo com potenciais comportamentos de risco.

Segundo Gabriel Olim, não se trata de discriminação mas sim de "selecção" [...] acrescentando "nada ter contra os homossexuais". [...]

[S]egundo Gabriel Olim, estão a ser estudadas formas para tentar perceber quanto tempo demora para que um homem que deixe de ter relações homossexuais possa voltar a ser dador de sangue.[...]»


[PÚBLICO.PT --- 17.07.2009]

alguém quer dar emprego a um baldas?

«[...] Os deputados do PSD Carlos Páscoa Gonçalves, José Cesário, Virgílio Almeida Costa, Mário David e José Pedro Aguiar Branco, por ordem decrescente, foram os mais faltosos desta legislatura, todos com mais de uma centena de faltas. [...]

Paulo Rangel teve o mandato suspenso durante mais de cem reuniões plenárias, na segunda e na terceira sessões legislativas, constando apesar disso entre os mais faltosos, com as referidas 83 faltas. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 18.07.2009]

«[...] Manuela Ferreira Leite vai ser cabeça de lista por Lisboa nas legislativas. [...] Na distrital do Porto, o vice-presidente social-democrata José Pedro Aguiar-Branco é o escolhido. [...]»

[PÚBLICO.PT --- 17.07.2009]

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Alberto João Jardim

Em relação ao AJJ, uma vez perguntei a um dirigente do P(SD) porque é que eles o toleravam no partido e ele respondeu-me que "ele ganhava eleições".

Eu tinha-me esquecido que a política é assim. Como dizia o coronel Aureliano Buendia: o que lhes interessa é o poder; o mundo que vão deixar aos filhos não interessa.

...enquanto puderem ir aumentando a altura das paredes dos condomínios onde vivem. Um dia os pobres vão-lhes comer os filhos, como já fazem na América Latina, e eles vão organizar esquadrões da morte, depois vão pedir ajuda aos americanos, quando o pessoal dos esquadrões da morte entrar no narcotráfico... isto é o projecto político do P(SD).

Jardim ruma ao referendo

Manuela Ferreira Leite continua calada sobre os dislates de Jardim, perdendo uma boa oportunidade de mostrar força e consolidar apoios ao centro. As evasivas de Aguiar Branco também não auguram nada de bom a este respeito.

No entanto, para além das manchetes há que olhar para a letra miudinha. Por detrás da poeira levantada pela «tentativa de ilegalização do PCP», o projecto jardinista de revisão constitucional parece ter como objectivo principal a possibilidade de referendos regionais, convocados pelo «Presidente da Região» (um novo cargo), e que poderiam incidir sobre questões de âmbito nacional. Como pretende também extinguir o representante da República, eliminar o «Estado Unitário», e ainda legislar em matérias (até agora?) reservadas aos órgãos de soberania (como as finanças, o ensino e outras), aquilo de que estamos a falar é de uma autonomia quase total, com a possibilidade de referendos regionais sempre que a demagógica criatura quiser.

Duvido que o PSD aceite um décimo disto. Mas o silêncio não parece bom.

Memória da guerra civil de Espanha

Este site merece ser acompanhado. Só 70 anos depois do final da guerra (e 30 depois do regresso à democracia) se estão a exumar das valas comuns os cadáveres dos fuzilados.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Jardim modera Manela

Comparada com as propostas lunáticas de Jardim de proibir o comunismo, dar o poder de convocação de referendos regionais ao «Presidente» da «Região Autónoma», permitir partidos regionais e eliminar o Estado Unitário da Constituição, Manuela Ferreira Leite até parece, subitamente, moderada.
Talvez a ideia seja essa.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Boas Notícias

Helena Roseta será a número dois da lista do PS à Câmara de Lisboa.

Sempre torna mais provável a vitória de Costa e a derrota de Santana.


Nota: o sub-título da notícia citada é «Uma espécie de coligação». Mas já confirmei que a autora da notícia não é nenhum dos «gatos».

exsqueeeeeze me?

«[...] Pedro Santana Lopes considera que António Costa tem dado sinais de “fraqueza” política ao recorrer a coligações na corrida às eleições autárquicas. [...]»

[PÚBLICO.PT --- 15.07.2009]

«[...] Pedro Santana Lopes quer regressar à presidência da Câmara de Lisboa para pelo menos dois mandatos. Foi com essa confiança que esta tarde o cabeça de lista da coligação PSD, CDS-PP, Partido da Terra e Partido Popular Monárquico apresentou formalmente a sua candidatura à autarquia lisboeta [...]»

[PÚBLICO.PT --- 25.04.2009]

terça-feira, 14 de julho de 2009

O dilema

Miguel Vale de Almeida, no blogue Os tempos que correm, escreve:

«Somos as pessoas que, no espectro político-partidário, tal como ele se apresenta (e não o que idealizaríamos), se colocam entre o PS e o Bloco. Não gostamos do PS-centrão, com políticas neo-liberais no trabalho e na economia, e com um séquito de pessoas predispostas ao tráfico de influências. Gostamos do PS quando se apresenta do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade. Não gostamos do Bloco quando descai para a demagogia, quando arrebanha as pulsões populistas, ou quando aposta no «correr por fora» desresponsabilizando-se do governo da coisa pública. Gostamos do Bloco quando se apresenta … do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade. Alguns e algumas de nós circulam em espaços criados para suprir esse ponto intermédio: em torno de Alegre, em torno de Roseta. Não é o meu caso. Porque acho que sem máquina e sem diversidade de composição social não há transformação política. Mas estejamos lá ou não, estejamos no PS ou não, estejamos no Bloco ou não, partilhamos uma série de preocupações: sentimos que o sistema político português está prisioneiro de uma lógica de grande centro que cedeu demasiado ao neo-liberalismo e que um sintoma disso são as ligações ao poder económico e o tráfico de influências; cortámos há muito com a esquerda revolucionária, mas recusámos a terceira via, acreditando que é possível uma social-democracia que aposte no papel do estado e dos serviços públicos na garantia de igualdade de oportunidades no quadro de uma economia de mercado regulada e com espaço e incentivo para formas de economia solidária e cooperativa; defendemos acima de tudo a liberdade, e esta mede-se na capacidade de garantir opções e escolhas, diversidade, reconhecimento e direitos. Somos pela escolha na interrupção voluntária da gravidez, somos pela diversidade cultural no país e pelo acolhimento dos imigrantes, somos pela plena igualdade no acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, somos pela despenalização do consumo de drogas, pela laicidade o estado e pela liberdade religiosa, pela efectiva igualdade de género; somos reformistas, no sentido em que queremos transformações concretas na segurança social, na saúde, na justiça, na educação que, com base na valorização dos serviços públicos e na dignificação dos profissionais, melhorem as chances de boa vida para o maior número possível de pessoas, no tempo da sua vida, sem fazer a mudança depender do agudizar de contradições que possam levar, num futuro distante, a uma sociedade perfeita – em que não acreditamos. Não desejamos que as coisas estejam mal para podermos justificar as lutas, desejamos que elas melhorem mesmo e quanto mais cedo melhor; somos pela inovação, pelo conhecimento, pela capacidade inventiva e criadora, pela sustentabilidade energética, pela ecologia – e achamos que estas áreas oferecem o melhor potencial para o futuro económico do país, ao mesmo tempo promovendo o conhecimento, gerador de liberdade; somos por um país que mede o seu valor pelo que faz agora pelos seus cidadãos e pelas suas cidadãs, nascidos ou não aqui, falantes ou não de português, e não pelos mitos do passado, recusando o medo, o atavismo e a violência simbólica das nostalgias do salazarismo ou das utopias revolucionárias. Somos por uma União Europeia assente numa verdadeira representação democrática dos seus cidadãos, com uma verdadeira Constituição e com políticas que ajudem os países mais pobres a aproximarem-se da média comunitária. Somos pela dignificação do sistema político, trazendo para ele novas pessoas, abrindo espaços e diversidades de opiniões, exigindo accountability, e não somos pelo corte definitivo entre a cidadania e a representação ou por alternativas caudilhistas, presidencialistas ou que se deixem seduzir por suspensões da democracia. Em finais de Setembro vamos ter de decidir em quem votamos. Sabemos que não votamos num PSD cuja líder simboliza praticamente tudo o que de negativo foi aqui elencado – uma política que aposta na negatividade e apela aos piores instintos de receio, fechamento, e honrada pobreza.»

[o texto continua aqui]

É um bom começo para o texto.
Identifico-me com o exposto, e com o dilema apresentado.

Votar no PS, que compromete demasiado com vários poderes instalados, com a corrupção, com princípios fundamentais; ou no BE que não compromete nada, que se recusa a exercer o poder, destruindo portanto um voto à esquerda?

Por um lado, votar no BE poderia ser um sinal para que o PS, enquanto poder, não governasse tão conivente com as exigências do centrão. Para que o PS não continuasse a aceitar passivamente o Jorge Coelho na Mota Engil, e o Pina Moura na Iberdrola, sob pena de não conseguir exercer o poder.
Por outro lado, era entregar o poder nas mãos do PSD. Era mostrar que os gastos em I&D ou nas energias renováveis foram más apostas eleitorais, era afirmar que realmente tinha sido má ideia afrontar o Alberto João, ou os Juízes, a ANF, ou outras corporações.

Ao contrário do autor, não estou decidido.
Mas aquilo que se está a passar em Lisboa pode dar o mote para que eu recuse esta recusa no compromisso. Se os partidos à esquerda do PS não querem dar o seu contributo para governar; talvez não mereçam o meu voto. A demagogia barata que envolve algumas das suas propostas irrealizáveis dá mais um empurrão nesse sentido.

E o voto em branco não está fora de questão.

qual a imagem mais aterradora?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A esquerda mutilada

Portugal tem a peculiaridade, única na Europa, de a «esquerda radical» (à esquerda do PS) ter chegado aos 23% nas eleições europeias. Leituras mais apressadas podem levar à conclusão de que tal se deve ao facto, também único na Europa, de termos tido uma revolução popular de esquerda há apenas 35 anos (que, porém, não é tão pouco tempo assim). Eu estou mais convencido de que o voto massivo à esquerda do neoliberalismo (mais ou menos social), se deve, não à revolução popular em si, mas ao seu Termidor de Novembro de 1975, que implicou a exclusão da esquerda «radical» do governo desde então.

Efectivamente, como Villaverde Cabral sublinhou pela enésima vez, aquilo a que ele chama «extrema-esquerda» nunca fez em Portugal o teste do poder. Desconfio que, se por ele tivessem passado, os tais 23% seriam hoje bem menores (e que o PS seria bem mais à esquerda).

Note-se, no entanto, que na minha modesta opinião se deveria guardar o prefixo «extrema» para movimentos que defendessem explicitamente o fim da democracia republicana tal como a conhecemos. O que não é de todo o caso do BE, e que mesmo no caso do PCP será discutível. E mais: tenho a impressão (totalmente subjectiva, assumo-o) de que quatro em cada cinco dos eleitores do BE abominam a Albânia de Enver Hoxa e são indiferentes à barbicha de Trotsky. Votam no BE porque este representa as lutas por direitos civis que noutro país (a Espanha ou a França, para não ir mais longe), seriam representadas pelos PS´s locais. Acontece que, entre os militantes do BE, a proporção referida deve ser rigorosamente inversa. O que explica que nem na CML o BE se tenha aguentado na colaboração com o poder.

Enfim, o país é o que tem sido, e não o que gostaríamos que fosse. Há um quarto de século, a situação era muito semelhante, inclusivamente na existência de uma crise económica e social. O bloqueio da esquerda deu primeiro o PRD e depois os dez anos de Cavaco. Agora, já tivemos a Alegre votação na presidencial, e o aviso das europeias. Se persistirmos no «bloqueio» da esquerda, antevejo uma maioria absoluta da senhora Ferreira Leite com (ou até sem...) o eterno PP do PP. O que não me apetece muito, confesso. Parece-me que seria portanto um bom momento para acabar com a auto-mutilação da esquerda, e escaqueirar a divisória entre o PS e a «esquerda radical». O PS poderia ter o maquiavelismo de dar sinais de aceitar o apoio do BE ou do PCP, nem que fosse na forma de acordo parlamentar. E o BE e o PCP poderiam dar sinais de compreender que o mal maior é Ferreira Leite. Sem isso, a abstenção sobe e o eleitorado do centro foge para onde a maioria pode parecer mais fácil: à direita.

domingo, 12 de julho de 2009

«se a direita governar, o povo da esquerda será o principal perdedor»

«[...] Em nenhum outro país europeu a esquerda é eleitoralmente tão forte como em Portugal. Mas essa força não serve para grande coisa. Sobretudo não serve para governar [...] As nossas esquerdas parecem ter como desígnio principal excluírem-se umas às outras. É uma das originalidades portuguesas. [...]

As próximas eleições serão marcadas por uma ofensiva ideológica da direita. [...] A líder do PSD anuncia o fim de um ciclo e de uma concepção da democracia em que direitos políticos e direitos sociais eram considerados inseparáveis. Com o absurdo de o PSD partir para as eleições com a bandeira da ideologia que está na origem da actual crise mundial. [...]

Na hora do colapso do neoliberalismo, MFL faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo. À força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril, consagrado na Constituição. [...]

Seria preciso que o PS fosse capaz de se reencontrar consigo mesmo, com os seus valores e com o seu eleitorado. E que as outras forças de esquerda, sem abdicarem das suas posições próprias, definissem com clareza o adversário principal e se interrogassem sobre as consequências de um eventual governo de MFL. Se a direita governar, o povo da esquerda será o principal perdedor, independentemente da votação nos partidos que dele se reclamam. [...]

[S]ei que uma maioria de direita jamais deixaria passar o referendo sobre a IVG e a lei do divórcio. Sei que com um governo de MFL o SNS será praticamente desmantelado e o papel do Estado, como ela já afirmou, "reduzido ao mínimo indispensável". [...]

Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos como é que se perdeu mais uma oportunidade e como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita. [...]»


[Manuel Alegre | Expresso --- 11 de Jul de 2009]

sábado, 11 de julho de 2009

Amin Maalouf para sempre

Muito interessante esta entrevista de Amin Maalouf ao Público.
  • «Há uma atitude no Ocidente que é dizer: "Ah, o problema dos americanos foi tentarem impor a democracia a um povo que não estava preparado para ela." Acredito firmemente no contrário. Os iraquianos queriam democracia, esperaram prosperidade, paz, modernização, e os americanos não trouxeram nada disso.

    Todos os dias ouço essa atitude no Ocidente: "Sabe, essas pessoas são assim, nós também éramos, com o tempo as coisas mudarão." É a atitude de considerar que não precisamos de ter princípios quando atravessamos o mar, porque respeitamos a especificidade. Isto é profundamente hipócrita. Não é verdadeiro e é contraproducente. A aspiração das nações, das pessoas em toda a parte, é praticamente a mesma. As pessoas querem viver melhor, querem vidas melhores para os filhos, mandá-los para a escola. Em toda a parte querem viver com dignidade.

    O que acontece às vezes é que não lhes é dada alternativa. Há um ditador e a forma de as pessoas se organizarem é a religião. E todo o discurso se desenvolve a partir daí. Quando a verdadeira aspiração não é essa.» (Público)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

inerente incompetência

«[...] In 1969, a Canadian psychologist Laurence Peter encapsulated [..] a rule that has since become known as Peter's Principle [...]

"All new members in a hierarchical organization climb the hierarchy until they reach their level of maximum incompetence." [...]

[C]ommon sense tells us that a member who is competent at a given level, will also be competent at a higher level of the hierarchy. So it may well seem a good idea to promote such an individual to the next level. [...]

[C]ommon sense often fools us. [...] [A] new position in an organisation requires different skills and so the competent performance of one task may not correlate well with the ability to perform another task well. [...]

[I]n large organisations where these practices are used, it is inevitable that individuals will be promoted until they reach their level of maximum incompetence. The unavoidable result is the runaway spread of incompetence throughout an organisation.

Now Pluchino and co have simulated this practice with an agent-based model for the first time. [...] [T]hey find that it leads to a significant reduction in the efficiency of an organisation, as incompetency spreads through it. That must have an uncomfortable ring of truth for some CEOs.

But is there a better way of choosing individuals for promotion? [...] [The] model shows that two other strategies outperform the conventional method of promotion.

The first is to alternately promote first the most competent and then the least competent individuals. And the second is to promote individuals at random. Both of these methods improve, or at least do not diminish, the efficiency of an organization. [...]»


[arXiv blog --- July 06, 2009]

e não é que mfl vai mesmo votar ps?!?

«[...] "Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais. Não há nenhuma medida a que o PSD se tenha oposto ou que tenha criticado sequer". [...]»

[PÚBLICO.PT --- 09.07.2009]

política de verdade... mas esquizofrénica!

«[...] Manuela Ferreira Leite foi questionada sobre que políticas sociais pretende "rasgar" - expressão que utilizou há duas semanas referindo-se a "todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social".

Hoje, a presidente do PSD afirmou que, em concreto, "rasgar, ninguém vai rasgar nada" [...] Interrogada sobre, então, "o que é que o PSD vai rasgar", Manuela Ferreira Leite considerou que "rasgar é uma palavra que não tem sentido assim em pormenor". [...]

No dia 25 de Junho, durante um jantar com o grupo parlamentar do PSD, Manuela Ferreira Leite defendeu ser necessário um "novo modelo de desenvolvimento" e acrescentou: "Nós vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país".

"Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes", reforçou, na altura, a presidente do PSD. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 09.07.2009]

estará gágá ou esquizofrénica? diz-se e desdiz-se a torto e direito, ainda se engana no boletim de voto e vota ps...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

mais manifestos

«[...] A crise estrutural, por seu turno, impõe respostas mais profundas e de natureza estratégica, que devem privilegiar a diminuição das vulnerabilidades que têm vindo a ser evidenciadas pela economia portuguesa e pelo seu tecido empresarial [...]

Uma economia como a portuguesa, pequena, aberta e periférica no contexto europeu, é fortemente tributária do investimento público e do papel estratégico do Estado para a criação de um contexto atractivo e das condições favoráveis ao desenvolvimento da iniciativa empresarial interna e externa. Esta, da qual depende em larga medida a produção de bens transaccionáveis, será cada vez mais sensível à qualidade da envolvente económica geral e à fluidez das ligações logísticas entre Portugal e o exterior. Por terra, pelo ar e pelo mar. [...]

Na prática, parar os grandes projectos depois de anos e anos de estudos, de sucessivas decisões por parte de diferentes governos e dos custos já envolvidos, significa continuar a hipotecar o futuro do País a uma visão conservadora que recupera o essencial do pensamento económico que esteve na base do nosso atraso estrutural. Esta atitude não passa de um sofisma para continuar a pôr em causa todas as decisões que já foram tomadas [...]

A percepção de que a Portela tinha um prazo de validade limitado tem mais de 40 anos. Ainda antes do 25 de Abril, foi identificada a necessidade de construção de um novo aeroporto. [...]

O TGV é hoje um caso de sucesso em toda a Europa, designadamente em Espanha, onde se verificaram surpreendentes externalidades positivas ao nível do desenvolvimento regional e do descongestionamento das grandes urbes. [...]

Sem dúvida que os montantes envolvidos implicam encargos avultados ao longo de muitos anos. Mas não é menos verdade que os mesmos têm como contrapartida activos de importância capital que serão deixados às futuras gerações, tornando Portugal melhor e mais competitivo. [...]

Porque pensamos que o progresso não se consegue apenas com apelos à prudência e à parcimónia. Porque pensamos que é necessário ter a coragem e o arrojo de ir mais além na criação de oportunidades de desenvolvimento do País.

Parar é sacrificar o futuro. [...]»


[Manifesto Pró-Investimento]

«[...] Para o manifesto dos 28, a ciência económica não é uma ciência social; é um conjunto de teorias e técnicas neutras a que os cidadãos devem obediência. Pode impor-lhes sacrifícios dolorosos - perda de emprego ou da casa, queda abrupta na pobreza, trabalho sem direitos, insegurança quanto ao futuro das pensões construídas com o seu próprio dinheiro - desde que isso contribua para garantir o bom funcionamento da economia entendida como a expansão dos mercados e a lucratividade das empresas. O Estado deve limitar-se a garantir que assim aconteça, não transformando o bem-estar social em objectivo seu, pois mesmo que o quisesse falharia, dada a sua inerente ineficiência.

Pelo contrário, para o manifesto dos 52, a economia está ao serviço dos cidadãos e não estes ao serviço dela. Os mercados devem ser regulados para que a criação de riqueza social se não transforme em motor de injustiça social. Enquanto o bilionário Américo Amorim não terá de cortar nas despesas do supermercado apesar de ter perdido montantes astronómicos da sua imensa riqueza, o mesmo não ocorrerá com o trabalhador a quem o desemprego privou de umas magras centenas de euros. Cabe ao Estado garantir a coesão social, accionando mecanismos de regulação e de investimento para que a competitividade económica cresça com a protecção social. Para isso, o Estado tem de ser mais democrático e a justiça mais eficaz na luta contra a corrupção. [...]»


[Boaventura de Sousa Santos | Esquerda.Net --- 03-Jul-2009]

Islamismo em recuo eleitoral

Parece haver um padrão claro, em todos os países muçulmanos onde há eleições com um mínimo de significado, de recuo dos partidos políticos islamistas. Razões para esperança, portanto. Se adicionarmos a este padrão a revolta popular no Irão, o futuro pode parecer menos sombrio no mundo islâmico.
  • «(...) This countertrend began in Morocco in 2007. The Justice and Development Party (PJD), a moderate Islamist group that had registered big gains five years before, was expected to win parliamentary elections. But it carried only 14 percent of the vote, finishing second to a conservative party aligned with the royal palace. And in municipal elections earlier this month, the PJD's vote sank to 7 percent.

    Jordanians also went to the polls in 2007 and handed the Islamic Action Front "one of its worst election defeats since Jordan's monarchy restored parliament in 1989," as The Washington Post reported. The party won only six of the 22 seats it contested in the parliamentary vote -- a precipitous drop from the 17 seats it had held in the outgoing legislature.



    ###

    Forged from diverse ethnic groups linked only by Islam, Pakistan would seem fertile soil for radical Islamism. Nonetheless, Islamist parties had not done well until 2002, when -- with military strongman Pervez Musharraf suppressing mainstream political forces -- Islamists won 11 percent of the popular vote and 63 seats in parliament. But in a vote last year, on a more level field, the Islamists' tally sank to 2 percent and six out of 270 elected seats. Moreover, they were turned out of power in the North West Frontier Province, previously their stronghold.

    In April, Indonesian Islamist parties that had emerged four years earlier to capture 39 percent of the vote lost ground in parliamentary elections this time around, falling to below 30 percent. "You can't pray away a bad economy, unemployment, poverty and crime," one voter, a 45-year old shop assistant, told Agence France Press.

    Then in May came parliamentary elections in Kuwait, where women had won the right to vote and hold office in 2005 but had never yet won office. Even though the Islamic Salafi Alliance issued a fatwa against voting for female candidates, four captured seats in parliament. Adding insult to injury for the Islamists, their representation fell from 21 seats to 11. "There is a new mindset here in Kuwait," the al-Jazeera network reported, "and it's definitely going to reverberate across the Gulf region."

    Finally, Lebanon held a tense election earlier this month that many expected would result in the triumph of Hezbollah and its allies over the pro-Western March 14 coalition. Instead, the latter carried the popular vote and nailed down a commanding majority in parliament. (...)» (The Washington Post)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

cooperação ... quê??!?

«[...] Seria interessante saber o que pensaria [Cavaco Silva], se Soares tivesse no exercício do seu primeiro mandato quebrado a chamada "cooperação institucional" e vetado 11 diplomas! Marca que Cavaco atingiu hoje. Isto porque, nos seus primeiros mandatos presidenciais, Mário Soares vetou 5 diplomas da Assembleia da República, e Jorge Sampaio apenas 4. [...]

A crueza dos números (11-5 e 11-4) indica bem a intenção política deste primeiro mandato de Cavaco, sobretudo desta ponta final pré-eleitoral. As suas últimas declarações já tinham mostrado vontade de levar a amiga Ferreira Leite ao Palácio de S. Bento, mas o abuso da figura do veto a diplomas da AR sugere uma tentativa deliberada de enfraquecimento da imagem do Governo. [...]»


[O Valor das Ideias --- 6 de Julho de 2009]

terça-feira, 7 de julho de 2009

estou confuso...

«[...] [O]s investimentos culturais têm uma rentabilidade significativa, uma rentabilidade às vezes maior que certos investimentos físicos», observou o Chefe de Estado, no seu discurso que assinalou a inauguração das obras de requalificação do Castelo de Silves. [...]»

[TSF --- 04 JUL 09]

mas não era este que quando primeiro-ministro se ficava por uma secretaria de estado... liderada por santana lopes?... e que censurou saramago?... estou confuso!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Haja esperança



Mais sobre isto aqui.

Investimentos Faraónicos

Aeroporto, TGV, mais auto-estradas, ponte sobre o tejo, etc...

Para todos estes investimentos existem estudos custo-benefício que justificam a sua necessidade. Os estudos são públicos e disponíveis, e merecem um descrédito generalizado.
Existe a sensação de que ao invés da decisão política ser tomada tendo em conta estudos técnicos imparciais, e em grande medida em função das conclusões destes, acontece o contrário: a decisão política é tomada, e depois são encomendados estudos que a justifiquem.

Não sei até que ponto esta sensação corresponde à realidade, mas sei que quando passei os olhos pelo estudo que justificou a mudança da localização do aeroporto para Alcochete fiquei preocupado. Sempre idealizara esse tipo de estudos como algo extremamente complexo e detalhado dificilmente ao alcance de leigos. Ao invés, via meia dúzia de contas e estimativas de algibeira que poderiam perfeitamente variar consoante a conclusão que se pretendesse.

Assim, foi mais fácil dar crédito aos que dizem que as contas do TGV não entram em linha de conta com o novo aeroporto; e que as contas do aeroporto não entram em linha de conta com o TGV. Foi mais fácil acreditar nas previsões apocalípticas de um elefante branco gigantesco, cuja construção só se justifica devido a uma série de interesses instalados que vão lucrar com as previsíveis derrapagens.

Mas não completamente. A narrativa do grande descalabro que serão estes investimentos também tem as suas falhas, pequenos indícios que não batem certo com a história de horror que vai sendo repetida. No caso do TGV, um deles é a vontade da UE em patrocinar a construção das linhas de alta velocidade por todo o lado, pagando uma fatia significativa dos custos. Outro é o facto do governo espanhol estar disposto a pagar a sua parte da ligação Lisboa-Madrid, que alegadamente não nos daria lucro que justificasse o custo de oportunidade, pagando cerca do triplo daquilo que pagaríamos. E, geralmente, quando a narrativa é contada por algum simpatizante do PSD esbarra no facto dessas preocupações só terem surgido quando o PSD passou à oposição.

Assim, no geral, restam-me dúvidas. Tendo a ver com bons olhos a terceira ponte, que unirá as vias férreas do Norte ao Sul, permitindo o acesso das cargas do porto de Sines a Lisboa. Tendo a ver de forma positiva a ligação Lisboa-Madrid ou Porto-Vigo em alta velocidade.

Sou mais céptico quanto à ligação Lisboa-Porto, em relação à qual, se não estou em erro, seria possível com um quarto do investimento garantir viagens apenas 30 minutos mais demoradas que as do TGV. E neste momento parece-me que o problema do Alfa pendular é o preço e não o tempo (pode ser tão caro ir de Lisboa ao Porto de comboio como do Porto a Londres de avião). Tendo também a ser algo céptico em relação a algumas das auto-estradas planeadas. Continuo com várias dúvidas em relação ao aeroporto - isto não é um eufemismo para dizer que estou contra, são mesmo dúvidas.


Mas estas obras vão todas acontecer. Vão acontecer se o PS ganhar as eleições, e vão acontecer se o PSD ganhar as eleições.
É preciso não esquecer isto: nenhuma destas obras foi uma surpresa inventada por Sócrates. Todas elas estavam (ou foram) planeadas quando Manuela Ferreira Leite era ministra das finanças de Durão Barroso, e nenhuma delas foi cancelada por alegadamente "não ser rentável".

Aquilo que Manuela Ferreira Leite promete é adiar.

Ora eu posso ter algumas dúvidas se é boa ideia fazer estas obras. Mas não tenho qualquer dúvida que é um enorme erro adiá-las. Manuela Ferreira Leite foi uma péssima ministra das finanças, que contribuiu para alienar o nosso património e depauperar parte da riqueza do país, com a sua falta de capacidade de gestão e grosseira falta de visão. Parece não ter aprendido grande coisa entretanto.

Os diferentes organismos internacionais aconselham os diferentes governos de todo o mundo a anteciparem eventuais investimentos que tenham planeado. Não é por acaso. Durante esta crise é importante que os diferentes estados estimulem a procura; e com a taxa do BCE a bater mínimos históricos, se havia altura em que a dívida pública era um problema que poderia fazer repensar estes investimentos era antes da crise (incluindo durante o governo em que MFL participou) ou então depois dela ter acabado (para quando MFL pretende adiá-los...).

Assim, a decisão de adiar estes investimentos é de uma estupidez tão atroz que só pode ser justificada por eleitoralismo barato, e as suspeitas de que é essa a motivação do PSD são confirmadas pela retórica vaga e vazia contra os investimentos. Sem serem concretos a respeito de calendários, de alternativas, de quais os que são feitos já e quais os que ficam para depois, tentando criar confusão entre intenções de adiar (as que têm) e as de cancelar (as querem fazer parecer que têm) os ditos investimentos. Assim vão grangeando a simpatia daqueles que acham que «estamos a gastar demasiado em cimento», sem terem a decência de esclarecer que não querem gastar um tostão a menos. Vão gastá-los, só que simplesmente em pior altura.

domingo, 5 de julho de 2009

algumas contas do desemprego

«[...] Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática. [...]

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 27.06.2009]

sábado, 4 de julho de 2009

Os Direitos do Homem não são nem de esquerda nem de direita

Ana Gomes tem tido um papel notável na investigação aos crimes de tortura e privação de liberdade que tiveram lugar durante a defunta(?) «guerra inter-galáctica contra o terrorismo». Esquece-se sistematicamente deste caso. Será por ter ocorrido com a colaboração activa das autoridades portuguesas (e não a mera conivência, que é o caso dos voos da CIA), e durante um governo «socialista»?

ainda a política de verdade

«[...] Regressando às suspeitas levantadas por Ferreira Leite a propósito do negócio que conduziria à compra de parte da Media Capital pela PT, Henrique Granadeiro afirmou em declarações ao jornal i que "ainda está na memória de toda a gente a venda pelo Estado à PT da rede fixa como forma de conter o défice público nos limites impostos por Bruxelas, sendo Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças".

"Fiquei de facto muito surpreendido com as duas intervenções da senhora presidente do PSD. Primeiro com a sua preocupação da defesa dos accionistas da PT, pondo em causa o interesse de um negócio que não se fez e cujos termos não conhecia. [...]

Em resposta ao chairman da PT, à margem do Fórum Portugal de Verdade, a líder do PSD apresentou outra versão do negócio, segundo a qual a venda da rede fixa estava decidida desde a altura em que governava o país o Executivo socialista de António Guterres. [...]

De acordo com o líder da PT, a empresa teria adquirido a rede fixa por 365 milhões de euros num negócio que fazia parte do plano de Ferreira Leite para conter o défice português dentro do limite dos 3% imposto por Bruxelas, um negócio que na altura deu origem a uma acção da Comissão Europeia pelo facto de alegadamente o Estado português ter entregue a rede por adjudicação directa sem concurso, o que constituiria uma violação da directiva europeia da concorrência. [...]»


[RTP --- 30 Junho '09]

«[...] O PS distribuiu, esta quarta-feira, documentos sobre a venda da rede fixa à PT autorizada por Manuela Ferreira Leite, em 2002, quando a actual líder do PSD foi ministra das Finanças. [...]

[E]ste é um «forte abanão e abalo na política de verdade» da actual líder social-democrata.

Em resposta às declarações de Ferreira Leite, que disse não ter responsabilidades políticas nesta questão, o porta-voz João Tiago Silveira explicou que «não basta falar uma política de verdade, é preciso praticá-la». [...]

[O] número 3 da resolução do Conselho de Ministros 147/2002, de 26 de Dezembro, onde foi delegado a Ferreira Leite «os meios para outorgar, em nome do Governo, o contrato de compra e venda da rede básica de telecomunicações e da rede de telex».

«Os factos não mentem. A resolução do Conselho de Ministros 147/2002, oito meses depois do Governo PSD/CDS, onde a dra. Manuela Ferreira Leite era a número dois, ter entrado em funções constituiu a decisão política de venda da rede fixa à PT» [...]»


[TSF --- 01 JUL 09]

«[...] "A Dra. Manuela Ferreira Leite teve aqui um forte abalo na sua política de verdade, e este não foi um abanãozinho", declarou o porta-voz do PS.

Segundo o porta-voz socialista, a presidente do PSD “afirmou terça-feira que a decisão da venda da rede fixa à PT não era da sua responsabilidade política, mas os factos provam o contrário". [...]

"No número um dessa resolução do Conselho de Ministros, refere-se o seguinte: aprovar a minuta do contrato de compra e venda da rede básica de telecomunicações e da rede de telex a celebrar entre o Estado Português e a PT Comunicações, SA. Mais do que isso, essa resolução, no número três, delega na ministra de Estado e das Finanças, Maria Manuela Dias Ferreira Leite, os poderes para outorgar em nome do Governo o contrato de compra e venda da rede básica de telecomunicações e da rede de telex" [...]

"No dia 23 de Outubro de 2002, quando se discutiu na Assembleia da República o Orçamento do Estado para 2003, a Dra. Manuela Ferreira Leite disse muito claramente aos deputados que era dela que dependia a negociação, o preço e a venda da rede fixa à PT", sustentou o porta-voz do PS, socorrendo-se depois da acta dessa sessão plenária no Parlamento [...]

"Numa passagem, Manuela Ferreira Leite diz que não negava e que estava a negociar a venda da rede fixa. Mas disse ainda mais: se o preço não for compatível com a avaliação, não venderemos. Isto significa que a decisão de venda ainda não estava tomada nesta altura e significa que o preço ainda não estava negociado. Isto passou-se a 23 de Outubro de 2002, mais de seis meses depois de o Governo PSD/CDS ter entrado em funções" [...]»


[PÚBLICO.PT --- 01.07.2009]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

mais investimentos para mfl rasgar

«[...] [E]sta segunda-feira de manhã, no lançamento da rede de abastecimento de carros eléctricos. [...]

Os carros eléctricos integram a aposta maior feita nas energias renováveis lançada há 4 anos pelo governo, com José Sócrates a sublinhar que é na energia que se joga o futuro da economia. [...]»


[TSF --- 29 JUN 09]

«[...] "Estamos a discutir a possibilidade de se criar uma fábrica de baterias em Portugal, que está agora a competir com outros países europeus. Essa decisão da aliança Renault-Nissan vai ser tomada dentro de algumas semanas", disse Carlos Tavares, à margem do lançamento da rede nacional de carregamento para veículos eléctricos (Mobi-E). [...]

Os novos carros eléctricos saem para os mercados dos estados Unidos e do Japão no final de 2010, mas serão comercializados em Portugal em 2011.

Em Julho do ano passado, o Governo português e a Renault-Nissan assinaram um protocolo para a comercialização em Portugal de um veículo eléctrico a partir de 2011. [...]

[O] desejo de Portugal ser o "laboratório dos futuros carros eléctricos" e de receber tanto o investimento da Renault-Nissan, como de outros construtores automóveis. [...]»


[Diário de Notícias --- 29 Junho 2009]

quinta-feira, 2 de julho de 2009

outra coisa coisa não se esperava

«[...] O primeiro-ministro, José Sócrates, aceitou hoje a demissão do ministro da Economia, Manuel Pinho, na sequência do incidente na Assembleia da República, durante o debate do estado da Nação. A pasta ficará a cargo do actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

Em causa está o gesto de Manuel Pinho em que este colocou os dedos indicadores na testa, a imitar chifres, dirigindo-se a Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 02.07.2009]

mas exactamente da mesma forma se espera que, sem mais demora, mfl venha pedir a demissão de alberto joão jardim e de josé eduardo martins. vamos esperar para ver se está ao nível... ou não.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Parece-me que seria má ideia a Manela contar com ele para Ministro

Dias Loureiro é arguido.

Burca e nicabe: a opinião de Catherine Kintzler

No texto recortado em baixo, destacam-se três razões possíveis para proibir a burca e o nicabe no espaço público: por ser um símbolo religioso ostensivo, por ser um instrumento de opressão das mulheres, e por «anonimizar» permanentemente quem o usa. A autora do texto aponta para esta última razão. No meu entender, todavia, a razão mais forte para proibir as burcas é mesmo o que fazem às mulheres: transformam-nas em sombras desidentificadas, obrigadas a esconderem a sua personalidade e a sua feminilidade. E não, não acredito que seja voluntário. A violência doméstica também é crime, mesmo quando não há queixa da vítima...
  • «(...) Il me semble impossible d'interdire burqa et voile intégral (niqab) dans l’espace civil au seul motif que ce sont des signes religieux. (...) Si on interdisait la burqa dans l'espace civil pour ce motif, il faudrait aussi y interdire le voile non intégral, la kippa, les croix, les phylactères, arracher les calvaires, faire taire les cloches, débaptiser bien des noms de lieux… ce qui reviendrait à abolir la liberté d’expression.

    (...)

    L’approche par la question de l’oppression des femmes semble plus solide du point de vue du débat de société et du débat idéologique. Nul doute qu’on doive s’en émouvoir : burqa et niqab sont en effet, si l’on peut dire, une exclusivité féminine, en l’occurrence une exclusivité excluante particulièrement choquante et ostensible. (...) Il sera en effet facile aux sectes concernées, comme aux bienpensants qui leur apportent souvent un appui, de trouver des porteuses de burqa et de niqab pour déclarer qu'elles affirment librement par là leur féminité et leur dignité. (...) Même si on peut penser à juste titre que cette infériorité et cette soumission crèvent les yeux de quiconque regarde une femme revêtue de ces accoutrements, le délit de déclaration illicite n’est pas pour autant constitué aux yeux de la loi. En revanche la question peut et doit déboucher sur un débat de société dans lequel il est nécessaire d’intervenir sans ambiguïté pour dire que ce port est une oppression, fût-elle revendiquée comme une liberté.

    ###

    (...) L’angle d'attaque le plus efficace est à mon avis la question du masque volontaire et permanent, destiné à dérober l’identité, à la cacher. Cette question n'est pas propre à la burqa et au voile intégral. Son avantage est qu'elle est générale, elle concerne la dissimulation volontaire d'identité, le fait de rendre impossible l'identification physique en dissimulant le visage. Il se peut que la proposition résulte d'une injonction particulièrement odieuse proférée à la deuxième personne « tu n'es personne et ce néant se montre par ton vêtement qui doit te nier », mais en tout cas son effet réel se conjugue à la troisième personne : « il (elle) n'est personne ». Il (elle) n'est jamais identifiable dans l'espace civil. Il apparaît alors, comme on va le voir dans un instant, que ce déni d’identité est en outre une manière d’abolir l’humanité – celle de l’intéressé(e) puisqu’on le (la) retire du commerce ordinaire entre les êtres humains, celle des autres puisqu’on leur indique qu’une personne peut ainsi devenir intouchable et inacessible.

    (...)

    A la non-identification, burqa et niqab ajoutent l’indifférenciation. Dans une émission télévisée, le député Jacques Myard parlait d’une dépersonnalisation. Imaginons que tout le monde porte le même masque, que nous soyons tous des éléments intrinsèquement indiscernables et réputés tels: ce ne serait plus un monde humain, ce serait une collection formée par de pures extériorités. Voilà ce que sont les femmes pour le sectarisme qui les raye de la visibilité ordinaire en leur imposant une visibilité de négation: une simple collection. En la personne d’une femme, c’est donc bien l’atome constitutif de l’humanité civile et politique, sujet, auteur et finalité du droit, qui est aboli: on ne voit plus, tache aveugle et aveuglante, que la trace noire de son effacement.

    Je suis donc favorable à l’interdiction du port de la burqa et du voile intégral dissimulant le visage dans tous lieux accessibles au public.

    * Non pas parce que ce sont des signes religieux, car la laïcité ne les interdit pas dans l’espace civil, l’abstention étant requise dans les seuls espaces relevant de l’autorité publique.
    * Pas seulement parce que ce sont des signes d’oppression et de soumission des femmes, car ce délit serait la plupart du temps impossible à établir clairement de manière explicite.
    * Il faut les interdire parce que ce sont des dénis d’identification publique qui procèdent à une dépersonnalisation négatrice de toute singularité.» (Catherine Kintzler no boletim da UFAL.)