segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Novidades interessantes

Recentemente surgiram em Portugal dois projectos (de novos partidos) de esquerda muito diferentes, e com a ambição aparentemente paradoxal de querer «unir a esquerda»: o MAS e o LIVRE.
Numa primeira análise, estes partidos iriam dividir e enfraquecer a esquerda. Não só iriam dividir o actual eleitorado de esquerda em Portugal por mais partidos como, tendo em conta a falta de proporcionalidade do nosso sistema eleitoral, diminuir o número de deputados de esquerda na Assembleia da República.

Mas a situação da esquerda em Portugal é tal, que este desfecho parece-me improvável. O sectarismo que domina os actuais partidos com representação parlamentar cria bloqueios injustificáveis (sobre os quais muito se tem escrito neste blogue), que alienam uma fatia considerável do seu eleitorado potencial.
Estes partidos têm o potencial de ir buscar votos à abstenção, e pressionar os actuais partidos no sentido de facilitar entendimentos. Tendo ambos anunciado «unir a esquerda» como estratégia fundamental, mostram como muitos eleitores sentem um défice de participação que é muito agravado pelo sectarismo dos actuais partidos.

Pessoalmente, sinto maior afinidade ideológica com o LIVRE do que com o MAS, mas ambos os projectos me parecem promissores. Ou, melhor dizendo, necessários.
Os actuais partidos de esquerda não têm estado à altura das circunstâncias, e é urgente um terramoto no «status quo» para que surja uma hipótese de mudança mais arrojada, capaz de enfrentar os enormes desafios que a esquerda tem em frente.
Se tudo correr pelo melhor, o LIVRE e o MAS provocarão esse terramoto.


Sugiro a leitura desta entrevista com o Rui Tavares, e desta entrevista com o Gil Garcia, promotores do LIVRE e do MAS respectivamente.