quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A imobilidade de Frankfurt

Por vezes tem-se a ideia que o BCE tem feito muito para combater a crise, o seguinte gráfico, que mostra os activos comprados pelo BCE, o Banco of England e o FED, prova o contrário:


Ao contrário dos últimos dois, Frankfurt tem injectado muito pouco dinheiro na economia. No caso dos EUA, que já estão com um crescimento elevado, o Fed continua por enquanto a aquecer a economia comprando dívida pública. O BCE das poucas e tímidas vezes que o fez, neutralizou as compras (vendeu outros títulos para não aumentar a quantidade de moeda em circulação). A esta indolência junta-se o facto de o BCE ter subido os juros a meio da crise, agravando os efeitos da austeridade.

Mas agora junta-se outro problema mais grave, a deflação. Para lá dos problemas óbvios pelos os quais o Japão passou, os países do sul estão a passar por uma descida de preços que só agravam o problema das dívidas. A Grécia alcançou recentemente o nível record de inflação de -2,9%. A imprensa nacional foca-se nos juros nos mercados secundários, todos os dias fala-se se estamos acima ou abaixo dos 6%, mas isso é insignificante comparado com o problema da deflação. A primeira apenas afecta os novos lançamentos de dívida, a segunda afecta toda a dívida já existente. Em termos reais, o estado grego está a sofrer um aumento de 2,9% nos juros a pagar sobre toda a sua dívida, a manter-se este nível de deflação. Em Portugal o IPC está nos -0,2%, significando que o Estado português vai ter de pagar à volta de 2% a mais, em termos reais, do que aquilo que se esperava inicialmente. Mas Frankfurt não parece muito preocupada.