domingo, 3 de novembro de 2013

Coligações autárquicas à esquerda e à direita

Muito se tem criticado o PCP por ter concedido pelouros aos dois vereadores eleitos pelo PSD em Loures, de forma a ter uma maioria. Pode criticar-se tal atitude, mas convém ter em vista outros aspetos.
A decisão é coerente com o modelo de gestão que o PCP defende para as autarquias, que é diferente do que defende o PS.
O PS não tem moral nenhuma para criticar o PCP em Loures, depois de se coligar com os monárquicos apoiados pelo CDS no Porto. O Bloco talvez a tenha - o Bloco julga-se com moral para criticar toda a gente. Quando o Bloco for um partido autarquicamente relevante, as suas críticas talvez possam ser levadas mais a sério.
O PCP ganhou as eleições em Loures contra o PS. Criticando a gestão anterior do PS. Seria portanto pouco expectável um entendimento PCP-PS em Loures - é natural.
 Acho pouco saudáveis estas distribuições de cargos autárquicos, e julgo que estes entendimentos (em Loures, no Porto, em outros locais) entre a esquerda e a direita que está a destruir o país são de evitar. Mas também não os excluo em casos excecionais como o Funchal (de onde de resto o PCP se excluiu).
De resto, registo com agrado a preocupação com a governabilidade que o PCP revela nas autarquias, e que o leva a procurar acordos. Só lamento que esta postura não seja a mesma na política nacional.

3 comentários :

  1. Filipe, "a preocupação com a governabilidade que o PCP revela nas autarquias", é na verdade a preocupação em ter funcionários pagos. Os eleitos a cargos permanentes do PCP passam a ser funcionários. Se aceitarem o pelouro sem pasta podem manter perfeitamente a governabilidade, criticando na mesma o executivo, mas... perdem o salário de vereador...
    Relembro que o PCP decidiu em congresso não fazer qualquer aliança para as autárquicas. Obviamente, à posteriori depois aceitam os tachos e abraçam os programas direita. Por exemplo, em Coimbra fizeram parte de executivos de direita e nunca se opuseram à escandaleira que aqui foi da especulação imobiliária. Quem denunciou e ganhou os processos em tribunal foram aderentes do Bloco.
    O PCP é um partido onde se cultiva o pequeno tachismo, onde não se renovam quadros, têm eleitos que estão nas assembleias municipais há mais de 30 anos. Os funcionários afastam os jovens para manter o tacho. E claro, aproveitaram o buraco que a lei tinha para manter os seus dinossauros eleitos.
    Só para concluir, sublinho também que não gosto nada das atitudes moralisras e/ou estalinistas que o Bloco tem sempre que há algum acordo com PS ou com alguma coisa considerada vagamente de direita.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. é na verdade a preocupação em ter funcionários pagos

      Excelente observação.

      Aliás, toda a reforma da lei eleitoral autárquica que se tem discutido gira no fundo (mas sem que isso seja jamais dito em público) à volta deste tema: permitir ou não permitir que os partidos minoritários adquiram funcionários pagos (pelos contribuintes).

      No fundo, o problema é este: uma democracia é mais cara do que uma ditadura. Porque, na ditadura, o povo apenas tem que pagar salário àqueles que estão no poder, enquanto que numa democracia também tem que pagar algum aos que estão na oposição.

      Eliminar
  2. Rui Silva (não sei porque não apareceu o meu nome na resposta anterior)

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.