sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A saúde TEM um custo

O lugar-comum, segundo o qual a saúde não tem preço, fica bem num jantar de família, mas não deve ter lugar na discussão política. Se um paracetamol custasse 1 milhão de euros, seria correcto pedir ao Estado que o comparticipasse?
O exemplo é obviamente exagerado, mas há cada vez mais tratamentos com enormes custos. Os gastos em saúde andam perto dos 150€ por português por mês (longe vão os 8%, aka 3x6, do Guterres), e por mais idealistas que possamos ser há um "preço" máximo incontornável: o próprio PIB per capita. Se quisermos ainda alimentação, educação e habitação, o "preço" máximo volta a descer.
Não conheço o caso do momento em concreto, mas o único ponto a debate é se devemos exigir mais ou menos da sociedade em termos de cobertura de gastos de saúde. Dizer que é um sector onde não deve ser feita uma análise custo-benefício, é desconversar.
A caloira (e herdeira na dinastia bloquista) Catarina Martins nem precisava de saber que até na Noruega e na Suíça se fazem análises de custo-benefício, ou de perceber de saúde pública, bastava recordar-se de uma polémica semelhante há poucos anos a propósito da vacinação contra a meningite (?), para perceber que avaliar custos não é um "precedente gravíssimo".