segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O grande vencedor: a CDU

Creio que é indiscutível: julgo que não perdeu nenhuma câmara importante, e em contrapartida recuperou cãmaras emblemáticas como Évora, Beja e Loures (grande vitória de Bernardino Soares, um dos políticos portugueses mais capazes e injustiçados, por culpa de uma entrevista infeliz). Além disso elegeu vereadores em cidades onde não os tinha, como Viana do Castelo, Braga, Matosinhos e Faro, e recuperou o segundo vereador em Lisboa.

domingo, 29 de setembro de 2013

1984 está cada ano mais distante

Estes programas que se baseiam em legislação secreta para invadir a nossa privacidade servem apenas para combater o terrorismo e não se prestam a abusos.
Podemos confiar em quem os usa, pessoas íntegras e capazes, que nunca colocariam em causa as nossas Liberdades fundamentais, e muito menos o regime Democrático. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cuidado com as leituras nacionais (e declaração de voto)

Da minha parte, se votasse em Lisboa votaria em António Costa, que apoio publicamente e que considero o melhor presidente de câmara de que me lembro em Lisboa, cidade onde votei até há quatro anos. Ou seja, para a câmara de Lisboa votaria no PS.
Votando em Braga, de certeza que não vou votar no PS, que governa a câmara e uma rede de compadrios a ela associada há quase 40 anos, sempre com o mesmo presidente. Afastar ou diminuir o poder dessa rede de compadrios parece-me o mais importante nestas eleições em Braga, mas também impedir a chegada ao poder de uma coligação de direita. Felizmente há mais opções.
Ou seja: votando em Lisboa votaria de uma maneira. Votando em Braga, voto de outra. Numa eleição nacional, provavelmente votaria ainda de outra. E a minha avaliação da situação política nacional é a mesma. Bastaria este meu exemplo (e há mais exemplos como o meu, como o Daniel Oliveira) para não extrapolar nacionalmente o conjunto dos resultados municipais. Para além de haver os candidatos independentes, coligações nuns municípios que não há nos outros (como distinguir os votos PSD-CDS quando concorrem coligados?), à partida são eleições muito diferentes, e onde se vota de forma diferente.

(Sobre a análise do Daniel Oliveira, permitam-me discordar num ponto: a CDU tem uma história de continuada e sustentada presença na Câmara Municipal de Lisboa. Quem me parece que cai de pára-quedas nesta eleição em Lisboa é João Semedo, que até vive no Porto.)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sobre os Conselhos Científicos da FCT

Muito se tem comentado sobre a inclusão da esposa do ministro Nuno Crato no Conselho Científico de Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. As objeções apriorísticas têm alguma validade: mesmo sendo um órgão consultivo, pode ter influência na política científica (apesar de, sendo aquele um órgão da FCT, ser de desejar uma autonomia da direção da FCT face ao ministro). No entanto, aquele é um cargo meritocrático. Seria de esperar que os melhores de cada área científica fizessem parte dele. Eu não tenho nada contra a esposa de Nuno Crato (cujo currículo desconheço, mas pode ser muito bom), mas a senhora é professora de um instituto politécnico privado. Eu também não tenho nada contra o ensino superior privado, mas creio que não é polémico afirmar-se que em Portugal os maiores especialistas encontram-se no ensino superior público. É portanto de estranhar encontrar-se um especialista no ensino politécnico privado, ainda mais numa instituição que (uma vez mais, com todo o respeito) nem é das mais conhecidas (quanta gente já tinha ouvido falar nela?). Portanto, ou a equipa ministerial está apostada em encontrar colaboradores próximo em tudo o que envolva ciência, ou não estão mas não encontram mais ninguém disponível para trabalhar com eles que não sejam “os amigos do Crato”.
Tomemos como exemplo o Conselho Científico de Ciências Exatas e da Engenharia da mesma instituição. Em não sei quantos membros, não se encontra um único físico, o que deve ser caso único no mundo. A coisa mais parecida com um físico que se encontra é um astrónomo, que não por acaso é coautor de um livro recente... com o ministro Nuno Crato. Julgo que daqui se podem tirar algumas conclusões.

Isto é tudo menos Matemática.

É lamentável ver a Fundação Calouste Gulbenkian e, sobretudo, a Sociedade Portuguesa de Matemática envolvidas neste vídeo. Só falta dizer que "este é um retrato do Serviço Nacional de Saúde" (note-se que o programa tem o apoio de uma clínica privada). É que o programa poderia ser reacionário, mas ao menos ter piada. Só que não tem piadinha nenhuma. Aquilo não é nem cómico nem científico. É pura ideologia.

Valeu a pena despenalizar a IVG

Reprimir a política, proteger o futebol

Uma cidadã que buzinou no Marquês de Pombal às 22h30m (sim, a rotunda de Lisboa em que ninguém vive, tirando alguns sem abrigo) foi multada. A razão? Não se entende. Há adeptos de um popular jogo de bola que fazem mais barulho a horas mais tardias no mesmo local, sem que haja notícia de coimas. E celebram-se ali vitórias políticas. Será porque a cidadã pretendia protestar contra o governo em funções, e não consumir a «cocaína do povo»? Fica a suspeita de que sim.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Amplas liberdades



Irrito-me um bocado com as pessoas que me falam da América como o país da liberdade.  A América profunda é a América toda menos quatro ou cinco cidades, e a América profunda é calvinista, odeia quem se diverte e ofende-se por tudo e por nada.

Recentemente, numa reunião duma comissão supostamente progressiva aqui na universidade, um colega meu, gay, disse-nos que se tinha casado (noutro estado) e que tinha anunciado isso na aula e os alunos tinham aplaudido.  E depois disse que isto há 12 anos, quando ele chegou aqui, era impensável, congratulou-se com a evolução das mentalidades e perguntou-nos se queríamos dizer alguma coisa sobre o que gostaríamos que a universidade fosse daqui a 10 anos.  “Porque temos dinheiro para organizar coisas”.

Eu disse que gostava que a esquerda fosse mais assertiva e que concordava com o Daniel Dennett, que se lamentava há pouco tempo de ter sido toda a vida respeitador da direita caceteira, e que o resultado era ser publicamente considerado um idiota pela maioria dos americanos, por ser darwinista.

E depois sugeri que contratássemos artistas para organizar eventos que fizessem os alunos olhar para o mundo de forma diferente.  Por exemplo, gostava de ver uma guilhotina gigante, cor de rosa, no meio do relvado, e depois uma série de conferências, filmes e debates sobre esta prática medieval da pena de morte, que só se aplica aos pobres, em que um em cada nove condenados é inocente, num sistema judicial em que é muito melhor ser-se rico do que inocente, etc., ou gostava de ver um crescente verde, enorme, no meio do campus, a dizer: “At least nobody is nailed to me!”  Mas que acima de tudo gostava que a universidade discutisse a questão da evolução, porque me envergonha muito saber que a maioria dos nossos estudantes acha que o mundo tem seis mil anos...  fui interrompido pelos meus colegas porque estava a desrespeitar os presentes e a religião, e a fazer alguns membros da comissão desconfortáveis.