terça-feira, 13 de novembro de 2012

Greve é também não fazer trabalhar os outros

Fazer greve não é só não trabalhar. É também não fazer trabalhar os outros. Não comprar. Não andar de transportes públicos. Não meter os filhos na escola. Não gastar.

Eu sei, pode parecer pouco. Até ridículo. Mas convém pensar nisto numa época em que o trabalho já não é o que era. Em que se desequilibrou de tal modo a relação de forças entre capital e trabalho que se tornou facílimo despedir ou até manter presos trabalhadores sem contrato ou sem salário fixo (e trabalhadores que nem sequer são reconhecidos como tal). Em que o sub-emprego e o emprego parcial são a condição do precariado. E em que, infelizmente, os sindicatos e os media se focam naquela minoria de 11% que trabalha directamente para o Estado.

Sobre o Bloco


Estive nesta convenção pela Moção B, a moção dinamizada pelo João Madeira, Daniel Oliveira, Adelino Fortunato, entre outros. Tal como eles não me revi na forma como foi escolhida a atual coordenação do BE.  A minha crítica estende-se ainda à forma como o Bloco tem gerido as suas alianças, por um lado de uma forma muito desconfiada com a esquerda mais moderada (socialistas que não aderiram à terceira via, independentes, etc.) e por outro demasiado condescendente com os ataques dos partidos comunistas do GUE e com as suas políticas de tolerância a ditaduras abjetas (Coreia, China, Angola, etc.). Em suma, cada vez que as táticas e as práticas do Bloco se assemelham ao que de menos interessante tem o PCP, afastamos simpatias e potenciais aderentes.
Com 85 delegados eleitos e apenas 80 presentes, conseguimos 110 votos (~ 25%) para a Mesa Nacional e mais de 120 para a Comissão de Direitos. Não foi nada mau. Tendo surgido muito tardiamente, o movimento que se iniciou com a Moção B deixou no ar um forte potencial contagiante a muitos aderentes da Moção A. 
O discurso final do João Semedo foi inteligente e tomou em conta muitas das nossas críticas. Ainda bem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O endividualismo em todo o seu esplendor

"Entre 1990 e 2010, construiu-se uma casa a cada seis minutos em Portugal", diz Manuel Maria Carrilho, mal citado no "Público" mas corrigido nos comentários do Jugular. A propósito, o mais notável no texto do João Pinto e Castro (além do patente desprezo pela filosofia) é o reagir como se, independentemente do lapso original, não fosse evidente que há casas a mais em Portugal (e tanta gente para morar nelas e sem poder!).

sábado, 10 de novembro de 2012

O BE não passa disto

  • «Empurrem por favor o PS para a esquerda (...) João Semedo rejeitou hoje um governo de esquerda com o PS» (João Semedo).
  • «Não nascemos para ser gueto (...) sabemos que a pureza não faz maioria (...) O BE deve ter “os dois pés na esquerda” (...) quando o Bloco cresceu mais foi quando se demarcou mais do centro (...) entende que o crescimento do partido, com vista à formação de um governo, está longe do centro político» (Joana Mortágua).
  • «Recusou (...) a ideia de que o seu partido está acantonado e sublinhou que a culpa da falta de convergências à esquerda é do PS e do PCP» (Pedro Filipe Soares).

Revista de blogues (10/11/2012)

  • «Em 2011 as campanhas de recolha em supermercados contribuíram apenas com 10% do valor dos produtos recolhidos pelo Banco Alimentar de Lisboa. A indústria agro-alimentar, reciclando os seus excedentes, doou 43%. A reciclagem de excedentes da UE contribuiu com 22%. O Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (de novo, os excedentes) doou 11%. As retiradas de fruta pelo IFAP (ainda os excedentes) renderam 6%. Ou seja, ao todo, o escoamento de excedentes correspondeu a 82% do valor dos produtos distribuídos.
  • O Banco Alimentar precisa das campanhas de recolha em supermercados por boas razões de marketing e ao fazê-lo mantém ocupados os escuteiros e toda a rede de voluntários ligada à Igreja Católica, que enquanto estão à porta dos supermercados a estender-nos os saquinhos estão a contribuir à sua maneira para o bem comum e a ajudar-nos a - como em todos os actos de caridade - aliviar as consciências sem resolver nenhum problema estrutural. (...) o core business do Banco Alimentar não é a nossa caridade, é evitar o escândalo da destruição de produtos alimentares no nosso país e na nossa Europa. (...)» (Paulo Pedroso)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Schäuble e Vichy

A Reuters conta-nos há poucos minutos que o governo alemão encomendou um estudo interno, pedindo recomendações para a política económica interna francesa.
Não contentes com a domesticação de vários países do Sul, Berlim quer mandar bitaites para Paris também.
Schäuble deveria saber - mas claramente não sabe - que o equilíbrio no eixo Paris-Berlim é sagrado para a estabilidade europeia, e foi ele que nos permitiu o mais longo período de paz e prosperidade na Europa ocidental.
Citando o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Joschka Fischer, "seria uma tragédia e uma ironia se a Alemanha reunificada voltasse a arruinar a ordem europeia por uma terceira vez".

"Sandwiche" com manteiga: um verdadeiro luxo!

Hoje lembrei-me disto  (a partir dos 3:50).
 

Com amigos destes...

Há um ano e meio escrevi "Pobre Europa controlada pelos egoísmos nacionais tacanhos de direita, onde cabe ao "demónio" do FMI defender Portugal".
Hoje, não me restam dúvidas de que entre o BCE, a Comissão Europeia, o Governo português e o FMI, este último é a única instituição para a qual os portugueses (e gregos, espanhóis, etc.) ainda podem olhar com alguma esperança. Indícios disso aparecem todos os dias:

- JNeg: Schäuble critica abertura de Lagarde para suavizar austeridade
- Público: FMI alerta que austeridade pode tornar-se “socialmente insustentável” 
- Guardian: To make matters worse, there is a deepening argument between the IMF and the Europeans over the merits of austerity and whether the policies being pursued are the right ones. 
The IMF has been pressing the Europeans to accept an official writedown of Greek debt, OSI, but this is strongly resisted by the Germans and the ECB in Frankfurt. 
Triste sina.