quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Das "tradições" da democracia portuguesa

Gosto muito desta tradição recém-inventada de indigitar o líder do partido mais votado como PM. Olhando para as decisões no passado, também se poderia inventar a tradição de indigitar quem oferece uma maioria mais estável no parlamento, mas essa tradição já não dá tanto jeito.
O que tem sido realmente tradição é um e outro serem a mesma pessoa, e essa tradição foi quebrada. Agora cabe ao PR decidir, a Constituição dá-lhe discricionariedade.

7 comentários :

  1. E eu gosto ainda mais da nova política do partido X se aliar a partidos Y cujos programas e ideologias nada têm a ver com o programa e ideologia do partido X.

    Para mim que votei no PS não me revejo neste tal misterioso acordo. Eu votei no PS e não no BE ou PC... Preocupa-me esta aliança com a extrema esquerda. Eu NÃO votei nesta aliança e sentirei-me traido se tal aliança for em frente.

    ResponderEliminar
  2. Isso não devia depender das cedências que o PS fizesse? Se, por hipótese académica, o PS não cedesse um milímetro, e o seu governo tivesse uma maioria estável no parlamento, como poderia isso ser traição? Traição seria apoio ao governo de Passos Coelho depois da promessa, em campanha eleitoral, de não o fazer.

    Mas, realisticamente, o PS cederá num ponto ou noutro. Mas antes de saber quais são já os considera excessivos? Ou teve um particular apreço pela proposta de redução da TSU (uma das poucas coisas em que se supõe que o PS vai ceder)?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É tão simples como isto:

      O meu ponto é que a aliança do PS com a restante esquerda elimina propostas que constavam no programa eleitoral que eu li, analisei e concordei. Esta dita aliança parece eliminar pontos que eu considero críticos na minha intenção de voto como por exemplo o corte da taxa social única, a reposição dos salários em 2016, entre outros pontos...

      Não sou a favor de nenhuma aliança, seja com o PSD ou do PC mas sim com uma governação do País caso a caso, lei a lei, proposta a proposta.

      Eliminar
    2. Ok, percebo.
      Se considera essas cedências excessivas e acredita que a posição do PS não se deve desviar um mm do programa eleitoral, (mesmo a custo de implementar um conjunto menor das medidas lá propostas por não conseguir forjar as alianças parlamentares necessárias nem se encontrar no governo), a sua posição é perfeitamente consistente.

      Eliminar
    3. O problema é que não sei se é um milímetro ou um metro... O acordo não sai nem parece querer sair...Apenas sei que as alterações propostas que são públicas já me põem numa posição desconfortável

      Eliminar
    4. Francisco,
      apesar de ter fugido ao ponto do meu post, tenho umas dúvidas:
      1. Posso concluir então que é contra TODAS as coligações pós-eleitorais, porque em todas há obrigatoriamente cedências.
      2. Qual é a diferença entre negocias os pontos à partida, ou negocia-los caso a caso? Parece-me o mesmo.
      3. Talvez não tenha prestado atenção, mas o PS deu várias vezes a entender que buscaria a solução PS+PCP+BE se fosse necessária coligação pós-eleitoral. Como é que se sente traído?

      Eliminar
    5. 1. Posso concluir então que é contra TODAS as coligações pós-eleitorais, porque em todas há obrigatoriamente cedências.

      Bem, não sei como chegou a essa conclusão a partir apenas duma observação (observação no sentido estatístico). NÃO sou contra TODAS as coligações etc, etc, etc.... Neste caso em concreto. SIM sou

      2. Qual é a diferença entre negocias os pontos à partida, ou negocia-los caso a caso? Parece-me o mesmo.
      A diferença é bastante grande. Se não há diferença aos seus olhos então haver ou não haver coligação é o mesmo certo? Bem adiante....

      3. Talvez não tenha prestado atenção.....
      Prestei e muita. Apesar de ser um dos milhares de milhões emigrantes que apareceu nas bocas de tudo o que é politico, acompanhei as eleições de muito perto. Tão perto, que encontrei variadas inconsistências na posição do lider do meu partido, António Costa. Ora piscava o olho ao PC/BE ora tirava-lhes o tapete. Além do mais, o termo "buscar uma solução PS+PCP+BE" é muito vago no meu entender. Alias, no meu e no de muita gente dentro do partido.

      O que ainda me estranha ainda mais é esta súbita atracção do BE e do PC pelo PS
      https://www.youtube.com/watch?v=eh3W8_w48Xs
      https://www.youtube.com/watch?v=VZF8_5CZ3QM

      Eliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.