terça-feira, 30 de Junho de 2009

Lembram-se dos Abba?

Lembram-se de Björn Ulvaeus, o compositor e cantor das canções dos Abba? Como se pode ler no The Guardian, afinal é um dos nossos: laicista e empenhado na Associação Humanista Sueca. Ora leiam lá: «Religion and schools don´t mix».
  • «Without thinking too much about it at the time, when I wrote the lyrics for Abba's songs the message I wished to convey tallies well with campaigns launched recently by humanist organisations in the UK, US and Australia:

    "There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life." (...) If it wished, Sweden could choose to refrain from using tax money to fund these independent schools. There is nothing in the European Convention on Human Rights that prevents such a course of action. But Sweden has chosen to go the other way. (...) It is important to guarantee people the right to believe whatever they wish. But people should be free to choose their own ideology or belief system when they have become old enough to think for themselves. (...)» (The Guardian)

Próximo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa?


Confirmado o cenário de não coligação das esquerdas em Lisboa para as autárquicas de 11 de Outubro (apesar dos esforços meritórios de um grupo de cidadãos), Santana Lopes aparece como o mais provável próximo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, beneficiando de uma coligação das direitas que confrontará, sozinha, quatro listas de esquerda com possibilidades de eleger vereadores.

Efectivamente, se se repetir a votação das autárquicas de 2007, António Costa necessita de subir apenas 1,3% para ganhar a presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Mas, se se repetir o resultado das autárquicas de 2005 (o que é mais provável, dado o carácter «anormal» da intercalar de 2007, com mais noventa mil abstencionistas do que em 2005), António Costa precisa de convencer 16% dos votantes desse ano a mudar para o PS. Parece muito improvável que o consiga, a menos que haja uma mobilização massiva do voto útil a favor de António Costa. ou melhor, contra Santana. Ainda se lembram das «trapalhadas»?

algumas contas em alta velocidade

«[...] Parece que no caso da rede ferroviária existe uma espécie de maldição, pois já há um século e meio, quando Portugal avançou, com décadas de atraso, para o lançamento da primeira via férrea, também se levantou uma onda de protestos, onde alinharam mesmo alguns dos espíritos mais lúcidos da época, como, por exemplo, Alexandre Herculano.

Há neste país um fundo de conservadorismo atávico, que resiste a todo o processo de modernização tanto mental como material, como sucede com as infra-estruturas. [...]

O novo argumento conservador é o da "sobrecarga sobre as gerações futuras", como se não fosse justo que elas compartilhassem dos custos das infra-estruturas de que irão beneficiar, na medida justamente em que delas irão usufruir, tal como as gerações presentes pagam o proveito que tiram das infra-estruturas herdadas do passado (auto-estradas, pontes, redes de electricidade e de gás, etc.). O que é de lamentar mesmo é que outras infra-estruturas tivessem ficado por realizar mais cedo, como sucede justamente com o novo aeroporto de Lisboa (a sofrer dispendiosos remendos há vários anos) e com a nova rede ferroviária de bitola europeia, que a Espanha iniciou em 1992! [...]»


[Vital Moreira | Económico --- 17/06/09]

«[...] [U]m economista [...] dizia que as obras públicas programadas iriam custar 30 mil milhões de euros. Mas o que é que isso significa? Simples, diz-nos o mesmo economista, significa 12% do PIB nacional de 2008. [...]

Comparar um investimento que será feito ao longo de vários anos com o PIB de um ano é errado. [...] É preciso comparar o investimento anual com o PIB anual. Ora 30 mil milhões serão gastos em, digamos, 5 anos (serão mais anos, muitos mais, mas não faz mal, até porque depois os valores vão subir). 30 a dividr por 5 dá 6 mil milhões, ou seja 2,4% do PIB de 2008. Se suposermos que o PIB não cresce entre 2008 e 2013, aquela proporção manter-se-á. Se crescer, diminuirá, claro. Conclusão, as "grandes obras públicas" vão afinal custar 2,4% do PIB em cada ano, nos próximos 5 anos. A percepção sobre as mesmas torna-se diferente, não torna? Note-se que tudo aquilo é investimento. Pode ser mau (não é) ou bom (é) mas é investimento. Quanto investe uma economia por ano? Digamos que devia investir pelo menos 25% do PIB. Assim, continuando nestas contas, as "grandes obras" corresponderão a 10% de todo o investimento nacional. Not bad. [...]

Portugal tem dinheiro para pagar isso. Todo o Portugal, visto como uma economia, isto é. São projectos nacionais e a nação, como um todo, já tem dinheiro para ter um novo aeroporto e um TGV do Porto, a Lisboa, a Madrid. Não percebo como é que se pode pensar de outro modo. [...]»


«[Pedro Lains --- 15 de junho de 2009]

[...] Perdemos dezenas de anos a estudar o novo aeroporto de Lisboa e quando chegou a hora da construção voltamos ao princípio e toca a discutir a sua nova localização. Entretanto, ainda não fizemos 1 cm de pista ou 1m2 de instalações aeroportuárias. Com o TGV, a mesma coisa. Falamos desde Guterres. Barroso assinou contratos com Espanha. Nem 1 cm de linha de alta velocidade, nem uma carruagem

Sem infra-estruturas de comunicações terrestres, aéreas ou marítimas modernas e eficientes, não há capacidade de cativar (melhor diria capturar) investimento internacional privado.

Então, porquê tanto "ódio" ao investimento público? [...]»


[Ponte Europa --- Junho 22, 2009]

«[...] [O]s transportes ferroviários são a grande aposta da União Europeia para o século XXI. Na verdade, em 2020 a Rede Transeuropeia de Transportes terá uma extensão total de 94.000 km de ferrovia, incluindo cerca de 20.000 km de linhas de alta velocidade. Este objectivo implica a construção de 12.500 km de novas linhas de caminho-de-ferro e a modernização de 12.300 km. Quando estiver concluída, espera-se uma redução de 14% no congestionamento rodoviário e uma redução anual de 4% das emissões de CO2. [...]

[A] linha Madrid-Sevilha dá dinheiro. Madrid-Barcelona regista um tráfego colossal. Os franceses vão duplicar a linha Paris-Lyon e vão investir mais 14 mil milhões em novas linhas. [...]»


[Nicolau Santos | Expresso --- 22 de Jun de 2009]

em junho de 2008, a alta velocidade europeia em funcionamento era significativa (o tracejado nas ligações portuguesas é importante, no mau sentido. de facto, a mesma linha serve ao mesmo tempo "alta" e baixa velocidade):



mais significativos ainda são os planos espanhóis para a alta velocidade (datados de 2008):



sem mencionar, claro está, os planos europeus no mesmo sentido:



assim sendo, com decisões como aquela(s) que o PSD defende, não é difícil perceber porque estamos sempre na cauda da europa!

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Justificação de ausência

Tenho andado menos activo neste blogue, e assim deverei continuar nos próximos tempos, na sequência das alterações ali mencionadas, que me deixam menos tempo para blogar.
Fica, para já, uma entrevista recente.

Aquecimento Global: mitos urbanos e engodos deliberados

Excelente video a este respeito:




Aconselho também o visionamento destes e deste.

domingo, 28 de Junho de 2009

Burca e nicabe: a posição de Europe et Laïcité

O debate sobre a proibição do burca e do nicabe está aberto em França.
  • «(...) Depuis la Constitution de 1946, le principe de laïcité a acquis une valeur constitutionnelle. L’article 1er de la Constitution de la Ve République l’a repris et précisé: «La France est une République indivisible, laïque, démocratique et sociale. Elle assure l’égalité devant la loi de tous les citoyens sans distinction d’origine, de race ou de religion. Elle respecte toutes les croyances».

    Ce cadre laïque offre la possibilité et les moyens de coexister sur un même territoire à des hommes et des femmes qui ne partagent pas les mêmes convictions, plutôt que de les enfermer en une mosaïque de communautés repliées sur elles-mêmes et s’excluant mutuellement.

    En ce sens, la laïcité est le vecteur de l’intégration de tous dans la société. Elle crée l’équilibre entre la reconnaissance du droit à une identité propre, le respect des convictions individuelles et le lien social.

    ###

    En articulant unité nationale, neutralité de la République et reconnaissance de la diversité, la laïcité fonde, au-delà des communautés traditionnelles de chacun, une communauté de destin appuyée sur des valeurs communes et sur une volonté et un désir de vivre ensemble.

    Cela implique de la République et des citoyens des droits et des devoirs.

    Quand la laïcité est menacée, la société française l’est dans son unité, dans sa capacité à offrir un destin commun.

    Au fil de l’histoire, des lois ont marqué l’affirmation juridique du principe de laïcité. Certaines ont été nécessaires quand il s’est trouvé en danger. Il nous faut faire preuve de lucidité en la matière.

    Ainsi en a-t-il été de la loi n° 2004-228 du 15 mars 2004 interdisant le port de signes ou tenues par lesquels des élèves manifestaient ostensiblement leur appartenance religieuse au sein d’un établissement scolaire.

    Cette loi s’inscrivait dans le prolongement du rapport et des recommandations de la commission de réflexion, dite « Commission Stasi », sur l’application du principe de laïcité, remis au Président de la République, Jacques Chirac, le 11 décembre 2003.

    Nous sommes aujourd’hui confrontés, dans les quartiers de nos villes, au port par certaines femmes musulmanes de la burqa, voilant et enfermant intégralement le corps et la tête dans de véritables prisons ambulantes, ou du niqab qui ne laisse apparaître que les yeux.

    Si le foulard islamique constituait un signe distinctif d’appartenance à une religion, nous sommes là au stade extrême de cette pratique.

    Ce n’est plus seulement d’une manifestation religieuse ostentatoire qu’il s’agit, mais d’une atteinte à la dignité de la femme et à l’affirmation de la féminité.

    Vêtue de la burqa ou du niqab, le Femme est en situation de réclusion, d’exclusion et d’humiliation insupportable. Son existence même est niée.

    La vision de ces femmes emprisonnées nous est déjà intolérable lorsqu’elle nous vient d’Iran, d’Afghanistan, d’Arabie Saoudite ou de certains autres pays arabes. Elle est totalement inacceptable sur le sol de la République française.

    Nous savons, en outre, qu’à cette tenue vestimentaire dégradante s’ajoute une soumission à son époux, aux hommes de sa famille, une négation de sa citoyenneté. (...)» (Recebido por correio electrónico do Mouvement Europe et Laïcité)

Para além das «actualidades»

Dois blogues que se tentam aproximar da arte: Pedro Procura Inês e Ana de Amsterdam. Curiosamente, não têm mais nada em comum. Diria mesmo mais: são o negativo um do outro.

sábado, 27 de Junho de 2009

pme's sem estratégia versus a estratégia das pme's

«[...] Manuela Ferreira Leite acredita que a solução está no apoio às PME’s. É a resposta à progressiva “deslocalização” das grandes empresas que levaram milhares de trabalhadores a perderem o emprego. As PME’s não tem planos estratégicos para o desenvolvimento do País, não têm um coordenação eficiente e os investimentos aí feitos serão difíceis de controlar e fiscalizar. É o deslizar da regulação dos mercados, para o lado “empreendorismo” amador, onde a gestão é rudimentar e muitas vezes familiar (não qualificada). [...]

As PME's que "merecem" o apoio financeiro - mas não é disso que o PSD fala - são as da área tecnológica sofisticada que, como sabemos, criam reduzidos postos de trabalho, altamente qualificados. Essas PME's investem na investigação e na inovação. O tecido empresarial português com inumeras PME's é diversificado e importante mas terá que acompanhar as mudanças tecnológicas e os "novos" mercados. Isso exige formação e anos de crescimento. [...]»


[Ponte Europa --- Junho 13, 2009]

«[...] [D]e 2005 a 2009 [...] Portugal foi o país da Europa em que a despesa em I&D mais cresceu recentemente, a qual passou a representar globalmente mais de 1,2 por cento do PIB nacional [...]

Houve não só um crescimento "inédito" em Portugal do número de empresas com actividades de I&D, que duplicou nos últimos quatro anos, como também um "grande" aumento do número de investigadores a exercer funções nas empresas, tendo sido registados 8.639 em 2007. [...]

Portugal oferece hoje, segundo o ministério, o sistema de incentivos fiscais às empresas "mais competitivo" da Europa, facilitando uma dedução fiscal que pode atingir 82,5 por cento do investimento em I&D. [...]»


[Ciência Hoje --- 2009-06-17]

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

a small step for teachers, a giant leap for the younger generations

«[...] O especialista canadiano em tecnologia Don Tapscott aponta Portugal como um exemplo a seguir na educação, elogiando o investimento em computadores individuais nas salas de aulas. [...]

Na opinião de Tapscott, o "modesto país para lá do Atlântico" [...] está a tornar-se no "líder mundial a repensar a educação para o século XXI". A presença de computadores nas escolas é "só uma parte" dessa "campanha de reinvenção", frisa Tapscott, que aponta a "criação de um novo modelo de ensino" como a "maior tarefa". [...]

"Estavam a colaborar, estavam a trabalhar ao seu próprio ritmo e mal reparavam na tecnologia, no propalado computador portátil. Era como ar para eles, mas mudou a relação que tinham com o professor. Em vez de se agitarem nas cadeiras enquanto o professor dá a lição e escreve apontamentos no quadro, eram eles os exploradores, os descobridores e o professor o seu guia", descreve Don Tapscott. [...]

"As salas de aula americanas precisam de entrar no século XXI. Milhares de professores concordam com isto", afirma Don Tapscott, lembrando que este ano "importantes grupos da área da Educação pediram a Barack Obama e ao congresso um investimento de 10 mil milhões de dólares para melhorar a tecnologia na sala de aula e garantir que os professores sabem usar computadores eficientemente". [...]»


{PÚBLICO.PT --- 25.06.2009]

quinta-feira, 25 de Junho de 2009

28 palhaços

«[...] "Como é possível que alguns ex-ministros se reúnam e apresentem ao país um manifesto de como a economia deve ser governada e não tenham uma palavra sobre a máfia financeira, os conselhos de administração que eles frequentavam com todo o deleite, nem uma palavra sobre as perdas brutais de buracos negros em bancos". [...]

Louçã considerou que o manifesto "é uma espécie de Olimpo do bloco central, em que vão buscar uma série de ex-ministros todos eles de pouca fama" e questionou: "Ora vejam Eduardo Catroga, Miguel Cadilhe, Bessa, Campos e Cunha, tudo ministros que entraram e saíram e, por isso, nós podemos perguntar: se sabiam muito o que é que fizeram?" [...]»


[Esquerda.Net --- 20-Jun-2009]

«[...] Os 28 falam do plano de investimentos do governo como se Portugal só tivesse um problema de contas públicas e endividamento externo. Tudo o resto - os baixíssimos níveis de investimento público, o desemprego, o output gap, a aparente falta de vontade dos privados em investir - é desvalorizado ou marginalizado, como se fossem problemas sem qualquer relação com o investimento público [...]»

[jugular --- 22 de Junho de 2009]

«[...] Na verdade, há um manifesto que eu, enquanto não-economista, esperava ver escrito. Um manifesto que reflectisse sobre o falhanço do mesmo saber técnico que agora é invocado para intervir politicamente na previsão do que aconteceu à economia mundial ou sobre a incapacidade de construir respostas políticas que prevenissem o descalabro. [...]

[F]ace à crise que vivemos, parar é um luxo que não nos é de facto permitido, como aliás revelam várias instâncias internacionais. Por todas, vale a pena recordar a opinião recente de um conjunto de peritos do FMI sobre a política orçamental adequada para responder à crise. Em primeiro lugar, os Governos devem assegurar que não há cortes nos programas já existentes por falta de recursos; em segundo lugar, os programas que haviam sido adiados ou interrompidos por falta de recursos ou por considerações macroeconómicas, devem recomeçar rapidamente; finalmente, tendo em conta que o recurso ao crédito por parte dos privados se tornou bem mais exigente, o Estado deve aumentar a sua participação nas parcerias público-privadas, de modo a assegurar que os projectos se realizam. O que, por sua vez, gerará emprego (uma urgência social e económica) e oportunidades de investimento privado. Ou seja, tudo exactamente ao contrário do que nos é proposto pelos 28. [...]

É por isso que, perante a crise, e tendo em conta o nosso carácter pobre e periférico, o que precisamos é de economistas que olhem para o futuro, não ficando presos às vias tradicionais que manifestamente falharam. [...]»


[Pedro Adão e Silva | Económico --- 23/06/09]

Irão?

Já li muitas letras e muitos bytes sobre os recentes acontecimentos no Irão. Esta análise tem a virtude de vir da esquerda laica iraniana.

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

o mistério do eco-cientista dogmático

«[...] At the European level, scientific assessments have found the risks Mon810 poses to the environment to be exceedingly small. Which is no surprise, perhaps, since study after study after study has concluded that the hazards—both to human and ecosystem health—are no greater with GE crops than with conventionally grown ones.

And yet throughout Europe, pubic opinion appears to be turning increasingly against GE crops. [...]

Most Europeans don’t consider themselves to be anti-science or particularly technophobic. In fact, Europe’s full embrace of the scientific consensus on another environmental issue, global warming, has enabled the continent to take the clear lead on climate change, with the most ambitious emissions targets, the first carbon trading market, and the greenest urban infrastructure plans on the planet.

Europe’s scientific disconnect is more broadly true of eco-minded citizens worldwide: They laud the likes of James Hansen and Rajendra Pachauri but shrink in horror at the scientist who offers up a Bt corn plant (even though numerous studies indicate that Bt crops—by dramatically curbing pesticide use—conserve biodiversity on farms and reduce chemical-related sickness among farmers).

So why the disconnect? Why do many environmentalists trust science when it comes to climate change but not when it comes to genetic engineering? Is the fear really about the technology itself or is it a mistrust of big agribusiness? [...]»


[Seed Magazine --- June 18, 2009]

O país dos piratas

O Cosovo/Kosovo, a mais jovem das «nações» europeias (ou, pelo menos, o Estado mais recente), tem a curiosa particularidade de ter tido um Primeiro Ministro acusado pelo TPI de crimes de guerra, outro por tráfico de órgãos, e agora mais outro por crimes de guerra. São, todos os três, dos últimos cinco Primeiros Ministros...

terça-feira, 23 de Junho de 2009

São os homens que «emburcam» as mulheres


«Ao menos assim os homens não olham para ti na rua...»

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Berlusconi: quando a nudez tapa o resto

Vamos lá a ver se entendi: a economia italiana continua em recessão, a Liga Norte quer expulsar os imigrantes dos jardins públicos (e da Itália, a seguir...), anuncia-se a formação de milícias de sinais contrários, uma ministra faz a saudação fascista em público, e o Berlusconi é «investigado» por snifar coca e contratar profissionais do sexo?

sábado, 20 de Junho de 2009

Burqas...

Os franceses estão a debater a possibilidade de proibirem o uso das burqas em público.

Eu não tenho opinião definitiva sobre este assunto. Por um lado, obrigar estas mulheres a andarem, do ponto de vista delas, despidas em público, é uma violência enorme. Por outro, autorizar a discriminação sexual mais troglodita e medieval em público parece-me uma violência ainda maior.

política de verdade

«[...] O alento da vitória do PSD nas eleições europeias parece ter suscitado dúvidas a Paulo Rangel quanto ao cumprimento integral do seu mandato no Parlamento Europeu. [...] [Q]uando confrontado com a possibilidade de abandonar Estrasburgo na eventualidade de os sociais-democratas vencerem as legislativas, o ainda líder parlamentar afirmou: “Não afasto [essa possibilidade]. Não me custa nada dizer que não afasto.” [...]

Há cerca de um mês, durante a campanha eleitoral para as europeias, Paulo Rangel [...] tenha frisado que a sua “firme intenção” era o “combate europeu”. [...]

A hipótese de regressar a Portugal caso o PSD alcance a vitória nas legislativas, agora explicitada por Rangel, contradiz as acusações que o deputado lançou a Ana Gomes e a Elisa Ferreira, candidatas ao Parlamento Europeu e aos municípios de Sintra e do Porto, respectivamente. Em plena campanha eleitoral, Rangel designou-as como “candidatas fantasma” [...] Na altura, Ana Gomes respondeu ao presidente do grupo parlamentar do PSD desafiando-o para garantir publicamente se estava disposto a cumprir o mandato de eurodeputado até ao fim e em regime de exclusividade. [...] A resposta surgiu agora, quase duas semanas depois da vitória social-democrata. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 18.06.2009]

terça-feira, 16 de Junho de 2009

João Paulo II

Parece que o papa João Paulo II tinha uma amiga a quem escrevia cartas e isto (o facto dela ser da persuasão feminina) "pode atrasar a sua batificação". Um sonho. Matar espanhóis aos magotes (Nuno A. Pereira) ou apoiar um facínora e o fuzilamento sumário de milhares e milhares de inocentes (Escrivá) não faz mal. Mas escrever cartas a uma mulher é, aparentemente, um crime imperdoável!

Ateus!

Depois de colocar aqui o Comunicado da AAP fui ler alguns dos comentários que ele suscitou nalguns orgãos de comunicação social.

Em Portugal há imensas pessoas que se referem aos ateus como se nós fôssemos como os mormons (que usam umas cuecas especiais) ou como os jeovás (que não comem arroz de cabidela)!

Eu cresci a ajudar à missa em Santarém, vestidinho de branco (com um vestido emprestado, muito curto, que deixava ver aí um palmo das calças) e com uma inveja enorme dos livres pensadores, que sempre achei muito mais divertidos e interessantes do que os religiosos (mesmo os católicos, que não se auto-impõem roupas interiores especiais nem tabus gastronómicos para irem para o céu).

Depois, um dia, descobri que os meus pais não se importavam com o facto de eu achar o catecismo uma palhaçada e assumi o meu estatudo de incréu. Nunca me ocorreu que os católicos não fossem todos como eu: (ateus e) deliciados com o Eça, o Diderot, o Stendhal, o Sartre, a Bíblia do Reiser...

Mas não. Enganei-me. Continuo a achar que para os católicos portugueses Deus é um amigo imaginário que eles não levam muito a sério e os padres são uns tristes, sem família, que lhes proporcionam uns rituais simpáticos e pouco exigentes, onde as pessoas se encontram para mostrar as roupas e os relógios, e calhandrar um bocadinho. Mas os ateus têm um estatuto semelhante ao dos jeovás.

Curiosamente, aqui onde todas as seitas se auto-impõem coisas estranhíssimas, além das cuecas dos mormons, das cabidelas dos jeovás, dos presuntos e dos salames dos judeus e dos muçulmanos, há uns que não dançam, outros que não riem e todo o tipo de tabus sexuais que se possa imaginar (não admira que eles andem sempre a querer rebentar o planeta!)

E portanto, paradoxalmente, num país em que 60 ou 70% das pessoas acredita que Jesus existiu e era loiro, os ateus são olhados com menos estranheza do que em Portugal. :o)

Truques (à falta de milagres)

A Associação Ateísta Portuguesa divulgou um comunicado importantíssimo, a propósito de mais uma manobra da ICAR para contornar as regras da Constituição da República e da democracia. Acho fundamental que nos mantenhamos alerta contra estes manhosos, até porque nestes truques a ICAR se alia a outras seitas, porventura ainda mais broncas e mais perigosas, como são os evangélicos que acreditam que a Terra tem seis mil anos.

Aqui fica:


COMUNICADO

Professores de moral ameaçam Estado com tribunal

Os Bispos portugueses enviaram, no dia 8 do corrente mês, um comunicado a Sócrates dizendo que os docentes católicos são discrimi-nados pela tutela, que os limita às aulas de moral e os impede de participar na gestão escolar.

1 – A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) discorda do ensino da Moral e da Religião Católicas (EMRC), ou de qualquer outra confissão, nas escolas públicas, por ofender o princípio da laicidade a que o Estado se encontra obrigado;

2 – Discorda, de forma ainda mais veemente, que o Estado presuma terem as dioceses a idoneidade para atribuir a competência para o EMRC, em concursos especiais e à margem das normas que regem os concursos dos outros professores;

3 – O comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) ao primeiro-ministro onde afirma que os docentes das aulas de Religião estão limitados às aulas de moral e impedidos de participar na gestão escolar é inaceitável pelas seguintes razões:
a) Não é compreensível que professores sem concursos legais para outras disciplinas as possam ensinar;
b) É inaceitável que, com base em concursos especiais, graças ao poder discricionário dos bispos, haja professores com direitos acrescidos (ao professor que tenha habilitação dupla para grupos disciplinares distintos é vedada a possibilidade de leccionar disciplinas de ambos em simultâneo);

Assim, a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) considera abusiva a exigência episcopal de favorecer os pregadores da fé e aproveita para denunciar os casos de professores com classificações que não lhes permitem o acesso à profissão e que, depois de alguns anos de ensino de ERMC, lhes seja contado o tempo de serviço que os coloca à frente de colegas mais qualificados.

Este expediente, injusto e imoral, não pode ser consentido pelo Estado. A AAP repudia a nomeação eclesiástica de professores das escolas públicas e que o tempo de serviço das aulas de ERMC sirva para passarem à frente dos colegas sujeitos ao rigor de um concurso público.

A AAP não discute a religião dos senhores bispos mas contesta a moralidade desta reivindicação. É incompreensível que ainda haja aulas de religião e moral católica e que o Estado permita que se evan-gelize nas escolas públicas. É inaceitável que este proselitismo seja pago pelo erário público. E é um abuso que professores nomeados pelas igrejas, contratados sem cumprir os critérios exigidos aos seus colegas, reivindiquem tantos ou mais direitos que estes só por ensinarem uma religião.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 12 de Junho de 2009.

domingo, 14 de Junho de 2009

Fascismo em Itália

Os fascistas em Itália mostram os novos vestidinhos. Há coisas que nunca mudam: o amor dos desgraçados por uniformes - a procura de força nos grupos - é uma delas.

reviver o passado em... portugal

«[...] Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD e vencedor das eleições europeias, defende a necessidade de renovação no partido e uma eventual coligação com o CDS-PP para as legislativas, disse numa entrevista ao "Diário de Notícias" e TSF. [...]»

[PÚBLICO.PT --- 14.06.2009]

sábado, 13 de Junho de 2009

o horror no horizonte

«[...] "Não creio que honestamente alguém possa responder a uma pergunta destas, porque, neste momento, ninguém é capaz de prever qual é que é o cenário macroeconómico de 2009. Com todas as imponderáveis que existem, não é possível, com correcção, dizer-se que medidas é que na altura sejam adequadas para executar a política que nesse momento é necessária."
Dr.ª Manuela, Público, 21 de Maio de 2008

Visão para o país
    ‘O país não tem dinheiro para nada.’
    Dr.ª Manuela, TVI, 1 de Julho de 2008
Funções do Estado
    Interrogada sobre quais os serviços públicos que podem ser entregues à gestão e exploração privada, a líder do PSD responde: ‘Em princípio todos, à excepção das verdadeiras funções de defesa de soberania – a Defesa, a Segurança, a Justiça e os Negócios Estrangeiros. Esses penso que não podem ser entregues a nenhuma gestão e exploração privada. Todos os outros evidentemente podem.’
    Dr.ª Manuela, Público, 23 de Maio de 2008
Precariedade do trabalho
    ‘Qualquer trabalho que se arranje tem sempre um aspecto de precariedade’, esse aspecto é ‘positivo’.
    Dr.ª Manuela, Lusa, 27 de Maio de 2008
Crédito (agravamento dos juros)
    ‘Ora, não há forma de corrigir este desequilíbrio a não ser pela restrição à concessão de crédito com o consequente agravamento dos respectivos encargos. […] Qualquer destas consequências implica um desincentivo ao crescimento económico.’
    Dr.ª Manuela, Expresso, 28 de Junho de 2008
Complemento Solidário para Idosos
    ‘Trata-se de um típico caso de uma promessa política demagógica porque ela é provavelmente inexequível para a maioria dos que dela realmente necessitam. […] Mas discordo ainda desta decisão porque entendo que todos os apoios desta natureza que são dados directamente aos beneficiários […] não são eficazes do ponto de vista social, o que deve ser o objectivo pretendido. […] Acredito que a eficácia dos apoios não passa por subsídios directos, mas antes pelo impulso efectivo às instituições que, por uma questão de proximidade, podem prestar serviços directos […]’
    Dr.ª Manuela, Expresso, 4 de Março de 2006
Saúde
    ‘A política da saúde vai ter muita dificuldade em ser financiada da forma como é. Considero que o SNS gratuito ou tendencialmente gratuito para todos é um aspecto que provavelmente vai ter de ser revisto.’
    Dr.ª Manuela, Lusa, 26 de Maio de 2008
Casamento entre pessoas do mesmo sexo
    A família tem como objectivo a procriação. […] Admito que esteja a fazer uma discriminação porque é uma situação que não é igual. Chame-lhe o que quiser, não lhe chame é o mesmo nome. Uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer.’
    MFL, TVI, 1 de Julho de 2008
Violência doméstica
    ‘Qual deve ser o grau de empenhamento do Estado no combate ao problema da violência doméstica?’
    Dr.ª Manuela: ‘Não creio que ele se resolva. Tem de ser acompanhado e tem sempre de ser tido em atenção que é um fenómeno que existe.’
    Público (28 de Maio de 2008)
Paridade
    Inquérito do Público aos candidatos à liderança do PSD (26 de Maio de 2008). Tema A Justiça de instituir a paridade por lei.
    Resposta da Dr.ª Manuela: ‘Não e não’. [...]»


[Câmara Corporativa --- Junho 07, 2009]

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Televisão: os comentadores de direita nos EUA

Michael Rowe, no HuffPo: "As a group, they are the pop culture equivalent of necrotic carrion beetles, crawling with insectile determination from one infected open wound in the American psyche to another. The wounds include fear of race, fear of foreigners, fear of sexuality, fear of difference, hysterical religious fundamentalism, violent nationalism, and paranoia. They lay their eggs in the infected abrasion, then scuttle away. When the eggs hatch, disgorging rage and discontent, they start counting money.

When challenged on the inherently destructive nature of their enterprise, they invariably claim that their First Amendment right to free speech is being abrogated. Or, like Ann Coulter defensively does in those instances, they cite their place on the New York Times bestseller list. Or the ratings. In other words, since people buy it, watch it, or listen to it in huge numbers, it must have merit, and it must be right."

ninguém aprendeu nada

«[...] A Comissão Europeia decidiu abrir em Novembro próximo um procedimento de défice excessivo contra oito países da Zona Euro, entre os quais Portugal, que prevêem um défice superior a 3,0 por cento do PIB em 2009.

"No Outono, mais concretamente em Novembro, adoptaremos propostas de correcção do défice para os oito países da zona euro que segundo as previsões vão violar o défice este ano", declarou o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários no final da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, na noite de segunda-feira. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 09.06.2009]

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Sobre os terroristas bascos

Eu falo de uns delinquentes assassinos que metem bombas e matam pessoas AO CALHAS, nas tintas para quem morre, e depois vão à missa, confessam-se e comungam, e um anónimo qualquer diz que eu tenho "asco perante uma nacionalidade, língua e cultura do País Basco".

Os bascos têm todo o direito de exprimirem todas as aspirações que tiverem em relação à língua, à auto-determinação e à identidade nacional, mas o "imposto revolucionário" na Calábria chama-se extorsão e os crimes contra desconhecidos são actos de barbárie sociopata, que deviam ser exemplarmente punidos.

Não há nada que justifique a brutalidade do assassínio aleatório de pessoas, turistas, ou imigrantes, como foi o caso de dois desgraçados do Equador, que foram assassinados sem saberem porquê e deixaram as famílias à fome.

Eu tenho o maior respeito pelas lutas de grupos e regiões por respeito pela sua cultura, liberdade e auto-determinação, mas não tenho respeito nenhum por criminosos e sociopatas que se regalam com a desgraça dos outros, em abstrato, sem quererem saber quem matam, nem como.

começou um ataque à ciência?

«[...] Da indignação, o CDS passou aos actos. O partido de Paulo Portas vai apresentar um projecto de lei que impede a divulgação de sondagens durante a campanha eleitoral. [...]

"As sondagens estão a desvirtuar o sistema democrático e político em Portugal", afirma Pedro Mota Soares, porta-voz da comissão política do CDS-PP. [...]»


[PÚBLICO.PT --- 09.06.2009]

terça-feira, 9 de Junho de 2009

O preço da coragem

Fracassou um plano da ETA para envenenar Baltazar Garzón. Em todos os tempos e em todos os lugares, a coragem de afrontar a violência e o crime pode pagar-se caro. Mas vale sempre a pena.

120 extremistas no Parlamento Europeu

A vontade popular assim o determinou: 120 dos 736 lugares são ocupados por nacionalistas, eurocépticos, xenófobos e populistas.

A questão já não é se a direita vai levar a Europa a outro banho de sangue, mas quanto tempo levará a Europa a balcanizar-se e começar a cometer atrocidades contra minorias e vizinhos.

Cada vez que eu escrevo aqui que acho os europeus muito mais perigosos do que os americanos toda a gente me critica, mas um dia dão-me razão...

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

O fim da História?

Quando se pensa nos últimos 2000 anos de história da Europa percebe-se que o período de paz, democracia, justiça e prosperidade que os países protestantes viveram entre o Plano Marshall e a eleição da Margaret Thatcher (milk snatcher) foi incaracteristicamente longo.

A decadência planeada da classe média está a dar os seus frutos rapidamente e os resultados das eleições europeias demonstram eloquentemente esta evidência: a esmagadora maioria das pessoas prefere ser governada e não se indigna com as histórias dos dias loureiros. (Indigna-se com as histórias dos taveiras e dos berlusconis na exacta mediada em que é puritana e sexualmente reprimida, mas isso é outra história).

Ou seja, a minoria que se indigna com as injustiças e impunidades do capitalismo selvagem não conta para a História senão rara e marginalmente. O mundo sempre foi dos populistas. Três quintos dos europeus não se interessam se a Europa é social ou medieval, e dos 40% que se interessam, metade quer ser governada por dias loureiros e santanas lopes.

A esquerda acredita que a verdade liberta e que as pessoas têm amor próprio e, se forem educadas, não se importam de trabalhar em conjunto para deixar um planeta melhor aos filhos, etc.

Mas a História desmente-os, sempre do lado do Dias Loureiro e dos neocons. Haja Fátima, futebol e fado, e os portugueses são felicíssimos. Como dizia um amigo meu, toda a gente sabe que os ricos precisam mais de dinheiro do que os pobres, porque têm muitas despesas. Aos pobres, qualquer bocadinho de pão serve para fazerem uma festa e se houver uma rodela de chouriço fazem logo um picnic junto à estátua do Salazar e rezam-lhe uma missa.

O Fukuyama a falar do fim da História é talvez o episódio mais patético da história do neo-conservadorismo.

Resultados na circunscrição portuguesa

(As contas que se seguem são miudinhas e podem não ter grande interesse para o leitor mais apressado.)

Na comparação entre as eleições para o parlamento europeu em 2009 e 2004 no círculo eleitoral português, o facto mais saliente é a derrocada do PS: perde um pouco mais de um voto em cada três (passa de 1,5 milhão para 950 mil, ou seja, de 44.5% para 26.6%). Para onde vão estes votos? É praticamente o número de votos ganhos à direita e à esquerda do partido que governa ao centro: 300 mil para o conjunto PSD+CDS subir de 1,13 milhão para 1,43 milhão (ou seja, de 33% para 40%), e 285 mil para o conjunto BE+CDU passar de 476 mil para 761 mil (de 14% para 21%). Na ascensão da esquerda radical, é maior o avanço do BE (que passa de 167 mil para 382 mil, ou seja, de 4.9% para 10.7%), embora a CDU também suba (de 309 mil para 379 mil, ou seja, de 9.1% para 10.7%).

Entre os partidos extraparlamentares, não há movimentos significativos: o conjunto da esquerda (MRPP+PH+POUS) regista 1.8% (-0.2%), e o da direita (MEP+MMS+PPM+PNR), 3.5% (+1.2%).

Finalmente: embora a abstenção aumente em percentagem (+1.8%), aumentou em 160 mil o número de votos entrados na urna. Existe um nítido voto de protesto anti-partidos no aumento dos votos em branco (de 2.6% para 4.6%) e dos votos nulos (de 1.4% para 2%). No total, os votos brancos e nulos (236 mil), são mais do que os votos nos pequenos partidos (190 mil).

Dias Loureiro é pobre

Estou sem palavras para comentar isto:
  • «O antigo Conselheiro de Estado, Dias Loureiro, não tem bens em seu nome que permitam um possível arresto dos mesmos no âmbito das investigações das autoridades ao caso Banco Português de Negócios (BPN). (...) os imóveis de Dias Loureiro estão registados em nome de familiares ou pertencem a sociedades sedeadas em paraísos fiscais. As contas bancárias que tem em seu nome, por outro lado, possuem saldos médios que não ultrapassam os cinco mil euros
Que tal avançar com uma subscrição pública para ajudar este «pobretanas»?

uma pequena pergunta

perante a hecatombe política europeia de ontem, com os resultados já indicados e a esquerda reduzida a um terço do parlamento europeu, importa perguntar: essa história da "europa social" não será, afinal, apenas uma miragem? uma lenda do que se diz em tempos ter ocorrido nos países nórdicos?

é que cada vez mais me parece claro para onde isto vai. e que vamos ter que recomeçar tudo do zero...

e, nesse sentido, ocorre-me isto:

«—Il faut que tu recommences... que tu apprennes
— Que j'apprenne?
— Que tu apprennes à te souvenir John Difool!...
— Combien de fois encore?...
— Ne compte pas!... Mais souviens-toi!
— Me souvenir!... [...] Je ... Je me souviens»


("L'Incal", Jodorowsky & Mœbius, Les Humanoides Associés)

Resultados nos principais círculos eleitorais

Na Alemanha, os conservadores ganharam (38%), embora perdendo 6.7%; os sociais-democratas conseguiram fazer pior (20.8%) do que o mínimo histórico anterior (21.5% em 2005). Os liberais de direita subiram para 11% (tinham 6% em 2005), e os verdes e a esquerda socialista tiveram ganhos mínimos (ficaram com 12% e 7.5%, respectivamente). Deputados: 42 PPE (-7), 23 PSE (=), 12 ALDE (+5) , 14 verdes (+1), 8 GUE/NDL (+1).

Na França, prevê-se que os conservadores ganhem com 28% (+11%); que os socialistas desçam para 17% (-12%); e que a grande surpresa seja a subida dos ecologistas para os 16% (+9%). Os centristas descerão para 8% (-4%). A extrema-direita lepenista descerá de 10% para 6%, e os soberanistas de direita de 7% para 5%. Pelo contrário, os soberanistas de esquerda sobem de 5% para 6% e os trotsquistas surgem com 5%. Deputados: 30 PPE (+13), 14 PSE (-17), verdes 14 (+8), ALDE 6 (-5), GUE/NDL 4 (+1), extrema direita 3 (-4), etc (são projecções).

No Reino Unido, confirma-se que os trabalhistas lutam pelo terceiro lugar com os liberais de esquerda, atrás dos conservadores e dos soberanistas de direita. Os verdes mantêm dois deputados, e os fascistas do BNP elegem dois pela primeira vez.

Na Itália, Berlusconi e as suas misses têm mais quatro, a Liga do Norte mais quatro (!), os socialistas mantêm (22/23), e os comunistas afundam-se (-7).

Na Espanha há um ligeiro movimento para a direita, na Polónia um movimento muito acentuado para a direita.

O grupo de países que descrevo acima elege mais de metade dos deputados ao parlamento europeu.

Enfim, no geral, as quedas significativas dos socialistas na França, no Reino Unido e na Polónia viram à direita a composição do Parlamento Europeu. É incrível como a esquerda, nos vinte anos que decorreram desde o fim das ditaduras do leste da Europa, não se reconstruiu. Nem a esquerda social-democrata, nem a marxista. A única novidade global é a esquerda ecologista.

e assim está a europa como a américa...

...há cerca de 10 anos, quando surgiam as crescentes votações maioritárias no partido republicano e o culminar, em 2000, da primeira vitória de bush. aparentemente, deste lado do atlântico, estamos condenados a ter de seguir e não a liderar a mudança: ver aqui a enorme derrota da esquerda na europa (cerca de um terço do novo parlamento europeu). se recordarmos o que foi a "era bush", penso que não é difícil imaginar o que esperar dos próximos anos --- apenas que em versão europeia! o mistério, para mim, mantém-se: um ano tão claro sobre as consequências das diversas escolhas políticas e sócio-económicas e, no final, não se aprendeu nada.

...e isto apesar dos resultados menos maus em portugal: PPE 10, PSE 7, GUE/NGL 5, com a direita em minoria apesar da fragmentação da esquerda.

domingo, 7 de Junho de 2009

Blairismo RIP

Tenho andado tão entretido a ler programas eleitorais e a avaliar a prestação dos deputados à assembleia europeia (para além da intensa actividade associativa...), que nem me tinha apercebido de que os trabalhistas britânicos vão ser, apenas e somente, o quarto partido mais votado nas eleições da circunscrição britânica, com 16% dos votos. Não admira que nos últimos dias se tenham demitido quatro ministros. O blairismo faliu e Gordon Brown vai pagar a conta.

Os talibans contra-atacam

Newt Gingrich, um crápula que abandonou a mulher (que lhe pagou os estudos) no hospital porque o facto de ela ter um cancro era mau para a campanha eleitoral em que ele se tinha acabado de meter, exortou a extrema-direita contra o paganismo...

Gingrich, o auto-denominado chefe da "maioria moral", tinha uma amante em Washington durante todo o tempo em que chefiou a perseguição a Clinton, por adultério. Saía do Congresso e ia buscá-la à igreja, onde ela cantava... :o)

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Previsão para a circunscrição portuguesa

  1. PS - 9;
  2. PSD - 8;
  3. CDU - 2;
  4. BE - 2;
  5. CDS - 1.

Revista de blogues (5/6/2009)

  1. «Em 15 de Janeiro, a UNICEF revelou o relatório anual State of the World’s Children que indicava que uma em cada 35 mulheres em Timor-Leste morre de complicações relacionadas com a gravidez. Como comparação, na vizinha Austrália s probabilidade de uma grávida falecer por esse motivo são quase 400 vezes mais baixas, uma em cada 13 300. (...) De facto, a Igreja Católica tem tanto poder em Timor que conseguiu derrubar, em Maio de 2005, um governo, o de Mari Alkatiri, por este ter tentado tornar facultativa a até então obrigatória disciplina de educação moral e religiosa católica.» (Diário Ateísta)
  2. «Cavaco Silva veio queixar-se junto do povo português, que não é propriamente a entidade mais indicada para o acudir, que também entregou as suas "economias" (entenda-se, como exemplar casal, as dele e da mulher) a 4 bancos nacionais (presumi), para as gerir de forma idónea e que está com grandes perdas, designadamente as aplicadas no BPN. Cavaco Silva é um grande quadro técnico dessa área e dessa matéria, o que coloca a questão porque não geria ele as ditas poupanças?» (Puxa Palavra)

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Atenção à abstenção técnica

O número de eleitores recenseados ultrapassa o número de habitantes contados pelo INE em quase 920 mil. Raramente se fala desta discrepância, que pode dever-se a: a) emigrantes temporários (daqueles que, embora não residam, se mantêm recenseados em Portugal); b) mortos não abatidos nos cadernos eleitorais; c) eleitores recenseados em dois locais diferentes (hipótese que, a confirmar-se, seria indicação de erros graves no processo de recenseamento); d) subestimação pelo INE da população total.

Em qualquer dos casos, quando no domingo se falar em «60% de abstenção», deve corrigir-se mentalmente para «talvez 50%».

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

O Mistério das Eleições Europeias

A minha ideia dominante sobre as eleições europeias que se aproximam tem sido o como lamento que ainda não seja desta vez que vamos poder votar para uma assembleia constituinte Europeia e (finalmente) dar um enorme passo em frente na construção de uma Europa unida e democrática. Contudo, há outra questão preocupante que se passa com o presente acto eleitoral. Provavelmente não tenho nada de muito novo para dizer, mas não consigo deixar de achar estranho o possível resultado das eleições europeias do próximo domingo.

Comecemos pelo lado nacional: em termos efectivos existem 3 partidos em quem podemos votar, e não os habituais 5. Com PSD e CDS integrados no PPE (Partido Popular Europeu), PS no PSE (Partido Socialista Europeu) e BE e CDU no GUE/NGL (Grupo de Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde) as escolhas são bem menores do que a maior parte das pessoas parecem querer ver.

Neste contexto, parece-me algo aberrante que um eleitor tradicional de centro direita, votante do PSD, e a quem nunca lhe passasse pela cabeça votar num partido como o CDS, possa agora seguir votando PSD como se nada fosse. Que possa ignorar que, ao nível das europeias, é exactamente a mesma coisa votar PSD ou CDS pois está apenas a votar no PPE. O argumento de estar a votar num deputado em particular pelo seu bom desempenho anterior, e não no partido, não cola por completo (e isto sem lembrar que o cabeça de lista do PSD é um ex-militante do CDS): no caso PSD/CDS há um único candidato "repetente", a quem nem sequer tem sido dado qualquer destaque mediático (ao contrário aliás do que se passa no caso do BE/CDU, onde me parece fácil distinguir as actuações passadas da Ilda Figueiredo e do Miguel Portas enquanto deputados europeus). Mas mesmo que aceitemos esse ponto, ainda resta um pior: o voto no PPE, que de "social democrata" não tem absolutamente nada!

Passemos então mais ao lado Europeu da questão: em quem votamos quando votamos PPE? Neste sentido, o PSE elaborou um documento interessante, que podemos encontrar aqui, e que agradeço ao O Valor das Ideias pelo link. Votar PPE é votar em Berlusconi, um corrupto condenado judicialmente. Votar PPE é votar em Epping ou Hortefeux, conhecidos xenófobos. Votar PPE é votar em Oreja, um aparente apoiante de Franco. Votar PPE é ainda votar Griffin, um negacionista do holocausto (não sei como qualificar esta sua frase: "I have reached the conclusion that the 'extermination' tale is a mixture of Allied wartime propaganda, extremely profitable lie, and latter witch-hysteria"), ou em muitas outras pessoas do mesmo calibre que podem ser encontradas no documento indicado em cima. Votar PPE é apoiar a vinda de todas estas personagens para o parlamento europeu e fortalecer o seu poder!

E no entanto... em Espanha o "franquista" segue no topo das sondagens, e por essa Europa fora as sondagens indicam-nos que o novo parlamento será algo deste género:



O PPE, apesar de baixar na sua votação, mantém-se como a maior força do parlamento europeu. A discussão mais detalhada pode ser encontrada aqui, mas o que me espanta --- o que, para mim, é um mistério --- é como pode ser possível que se espere um novo parlamento onde o centro-direita tenha 42% dos deputados e o centro-esquerda 40%, sendo no seu total o parlamento europeu mais centrado à direita do que à esquerda... E a razão pela qual isto é um mistério tem a ver com o último ano, em que o neo-liberalismo se mostrou pelo desastre que realmente é, e onde por todo o mundo se pediu e concretizou uma mudança além-atlântico, com a vitória de Obama e a derrota do Partido Republicano nos Estados Unidos.

De facto, se quisermos ser algo simplistas, ignorando a natureza bi-partidária norte-americana versus a natureza multi-partidária europeia, podemos nos questionar como é possível que o PPE (análogo do Partido Republicano) possa ganhar as eleições contra o PSE (análogo do Partido Democrata) neste cenário de falência do neo-liberalismo (sim, eu sei que estou a simplificar a coisa, mas deep down a analogia é válida). E ainda mais me espanta tal coisa, quando --- voltando a Portugal --- muitos dos potenciais eleitores do PSD nunca na vida votariam no Partido Republicano, em Bush ou em McCain... Serão cegos ou serão surdos?? Não conseguem ver o PSD por aquilo que é a nível europeu?

Com este cenário a compor-se, parece que apenas a Europa não vai conseguir apagar o rosto do passado (nunca é demais lembrar que uma nódoa é sempre uma nódoa, e não é por ser portuguesa que devemos entrar no provincianismo extremo de a defender, muito pelo contrário!):



Isto, apesar desse mesmo rosto ser de longe o menos preferido para se manter à frente da comissão, como podemos ver aqui... Não sei se isto é triste, decadente, ou patético...

Perante isto, e no cenário nacional, apenas posso fazer um muito forte apelo ao voto ou no PSE ou no GUE/NGL, por forma a tentar ajudar à derrota do PPE, e a tentar mudar de uma vez por todas o caminho em que a Europa se encontra! Já todos deviamos saber onde nos leva esta estrada neo-liberal, e não me parece que tenha trazido nada de bom para os povos da Europa. Como diziam do outro lado do atlântico, e que me parece que podemos ainda dizer deste lado: Change? Yes, We Can!

Vamos todos participar nesta última semana com a força e o querer da mudança por forma a re-organizar as forças dominantes no Parlamento Europeu!

GM

Michael Moore mete o dedo na ferida, hoje, no HuffPo: "Beginning in the 1980s, when GM was posting record profits, it moved countless jobs to Mexico and elsewhere, thus destroying the lives of tens of thousands of hard-working Americans. The glaring stupidity of this policy was that, when they eliminated the income of so many middle class families, who did they think was going to be able to afford to buy their cars?"

Este é que é o problema do Barroso e dos patrões dele: os cleptocratas que roubam a classe média desta forma febril, com um ódio militante, não percebem que quando tiverem o dinheiro todo debaixo do colchão deles a economia pára. Como no México, na Argentina, em Portugal e agora aqui nos EUA. Depois dizem que a culpa é dos sindicatos.

Amor cristão

Mais um médico assassinado por um cristão: pro-vidas que matam pessoas...

Estatísticas sobre actos violentos dos pro-vidas nos EUA podem ser vistas aqui.