segunda-feira, 10 de abril de 2006

Serviço público?

Hoje à noite, no RTP 1, o programa popularmente conhecido como «Prós e Prós» vai debater «O choque das religiões/Do islão ao ocidente/A decadência dos valores/A essência da Europa». Os «artistas convidados» serão um cardeal da ICAR (o Saraiva), um talibã católico (o inefável César das Neves) e dois neoconservadores (António Barreto e Fátima Bonifácio).
Ocorrem-me dois comentários. Primeiro: os cardeais só vão à RTP bem protegidos por fiéis (aquando do programa de propaganda ao Congresso Internacional para a Nova Evangelização, Policarpo fez-se acompanhar pelos católicos leigos António Pinto Leite e Maria José Nogueira Pinto...). Segundo: face a painéis destes na televisão pública, só quem sofre do mais puro facciosismo poderá acreditar honestamente no mito do «domínio mediático da esquerda».

12 comentários :

Koba disse...

O António Barreto é, portanto, de direita?

Milo Manara disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Milo Manara disse...

Caro Ricardo,

Mais uma vez, reitero que a esquerda não tem nada a ver com ateísmo, ou agnosticismo, nem a direita com catolicismo ou religiosidade.

O padrão é possível de identificar, reconheço, mas não é honesto considerá-lo um dogma.

Abraços

Ricardo Alves disse...

Koba,
em rigor, deveríamos perguntar-lhe onde se situa. Mas o António Barreto há mais de 25 anos que recebe mais elogios da direita do que da esquerda. E o último Governo em que participou foi de direita.
Mas reconheço que é o único dos quatro que não está abertamente à direita do centro...

randomblog disse...

Solução: não ver.

Ricardo Alves disse...

Milo,
é claro que tens razão. Eu neste post só estava a chamar a atenção para o facto de o painel de comentadores ser francamente «descentrado»...

Anónimo disse...

O Contras e contras? A apresentadora é opus dei...

dorean paxorales disse...

Haja mais direitistas como o António Barreto, digo eu...

Max @ Devaneios Desintéricos disse...

"randomblog said...
Solução: não ver."

Foi exactamente o que eu fiz logo quando ouvi as primeiras palavrinhas do Saraiva...Não havia pachorra que aguentasse

Marco disse...

A escolha de comentadores não me parece grave.

GRAVE é o facto de JCN ter tentado manipular o programa (levando um grupo de miudagem que aplaudia as suas graçolas fáceis) tentando dar a impressão que toda a audiencia apoiava as suas opiniões. FCF avisou que não queria ali claques e elementos da realização ameaçaram que não hesitariam em pôr alguns na rua.

GRAVE é que num programa da TV púbica onde se debatem ideias, no início da segunda parte dois jovens são entrevistados e apresentam a mesma perspectiva católica-conservadora sobre o futuro da Europa e diálogo de religiões.

GRAVE é quando uma apresentadora confundo repetidamente catolicismo com cristianismo.

Jack London disse...

O António Barreto não pode ser considerado um «neo-conservador» e, muito menos, um tipo de Direita, como o inefável (boa expressão) JCN. Vê, por exemplo, o o texto que o Barreto publicou no Público sobre a CRP 76.

Ricardo Alves disse...

Marco Oliveira,
agradeço-te as informações que trazes sobre o que se passou no programa e que não vimos através dos ecrãs. Sim, é grave que tenha havido uma claque organizada a favor de um dos lados. E sim, é grave que as participações do público fossem todas de católicos ou de muçulmanos (não convidaram ateus porquê?). Mas também é grave que os dois «laicos» fossem pessoas mais conservadoras do que a generalidade dos laicos. Aliás, e isto vai para o Jack London, o texto do Barreto sobre a CRP poderia ter sido assinado por qualquer pessoa do PSD.