quinta-feira, 6 de abril de 2006

Revista de blogues (6/4/2006)

  1. «A Intolerância Cor-de-rosa» no Random Precision: «Fui ontem convidado para participar num debate no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, subordinado ao tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo (...) Poderia a discussão ter sido (...) mais interessante e esclarecedora, não fora uma outra interveniente ter declinado o convite por se recusar terminantemente a participar num debate... em que eu estivesse. Trata-se de uma deputada, eleita pelo Partido Socialista».
  2. «Neoliberalismo de esquerda no governo socialista», no Armadilha para ursos conformistas: «No dia 3-04-06, um senhor que se chama José conde Rodrigues, secretário de estado adjunto e da justiça, licenciado em direito e, acrescento eu, em neo-liberalismo oferece uma entrevista ao DN onde exclama várias coisas».
  3. «Portas - um erro histórico», no Ponte Europa: «Não se pode exigir a Paulo Portas o discernimento que lhe faltou no entusiasmo com que apoiou a invasão do Iraque; a sensatez que não teve ao atribuir à senhora de Fátima a decisão de afastar de Portugal a maré negra do naufrágio do Préstige (...) Para Portas, talvez a Constituição autoritária de 1933 tivesse colocado Portugal na vanguarda dos mais civilizados países da Europa».

4 comentários :

Max @ Devaneios Desintéricos disse...

O magnífico "A intolerância cor de rosa" revela bem aquilo em que o PS se tornou: um viveiro de "neo cons", estirpe capelinha das Aparições versão revisited, travestidos de "Esquerda moderna" de facção tecnológica. Falta pouco para o retorno aos "serões da província" ou às "conversas em família"...

Ricardo Alves disse...

A senhora em questão é do «Movimento Humanismo e Democracia» um grupo de católicos fundamentalistas que se senta desde 1995, por incrível que pareça, na bancada do... PS.

cãorafeiro disse...

é revelador do apego à democracia da dita senhora.

mais revelador ainda é o facto de ela ser deputada pelo PS.

mais revelador ainda é o facto de a dita senhora ser apenas licenciada e estar há 20 anos a trabalhar como ASSISTENTE CONVIDADE numa faculdade pública.

mais revelador ainda é a relação que tem com os alunos, que é zero. conheço alguém que teve de a aturar como «orientadora» de estágio de licenciatura, e que se queixou de não ter contado com 1 minuto sequer de orientação.

ou seja, trata-se de um nicho de mercado. sou beata, tenho amigos beatos que me arranjam não um mais dois bons empregos, onde não tenho de fazer a ponta de um corno, mas que me dão além de um ´salário garantido, a possibilidade de ter algum nível de influência sobre a sociedade.

curiosamente, não meteu nenhum dos 10 filhos nos colégios da opus dei. meteu-os num colégio católico na primária, mas depois passou-os a todos para o ensino´público. porque tudo o que defende é retórica para fora, e não para os seus.

Arrebenta disse...

A Rainha da Sucata

Andam por aí umas vozes em sobressalto com o que se escreve na Net, e, à cabeça, com a crescente influência das temáticas, abordadas nos “blogues”, sobre a Opinião Pública Nacional. Cumpre-me aqui dizer que sou novo nos “blogues”, e suficientemente antigo, na Opinião Pública. E como me estou, à cabeça, aparentemente – depois, verão que não... – zenitalmente borrifando para os “blogues”, vou, pois, começar pela Opinião Pública.

Ora, em qualquer país pretendido civilizado, a Opinião Pública não é mais do que um misto de emoção e raciocínio difuso, que leva a que as sociedades exerçam, em conjunto, as suas auto-análises, os seus direitos espontâneos de aprovação e desagrado, e uma necessária catarse colectiva, fruto dos sabores e dissabores do Rumo da História.
Os períodos de Opressão e de Distensão medem-se, pois, pelo vigor e maturidade que essa Opinião Pública manifestar.
Na sua coluna de despedida do “Diário Digital”, Clara Ferreira Alves, criatura que nunca frequentei, nem sequer sabia que escrevia, mas que, naquele panorama do Ridículo Nacional, apenas me fazia, de quando em vez, sorrir, entre as suas apalhaçadas oscilações entre o negro azeviche e o louro caniche, dizia eu, centra-se, num dado momento da sua despedida, sobre a perniciosa influência dos blogues na tradicional “Imprensa Impressa”: de acordo com ela, “A Blogosfera é um saco de gatos, que mistura o óptimo com o rasca, e (as vírgulas atrás são todas minhas) acabou por se tornar num magistério da opinião (d)os jornais”, os quais nunca foram sacos de gatos, sempre souberam recolher o óptimo, e nunca constituíram um prolongamento do magistério dos Interesses Ocultos Predominantes.

É óbvio que em todos os jornais, como em todos os "blogues", como em todos os programas de televisão de carácter rasca, -- terríveis eixos do mal --, “existe e vegeta um colunista ambicioso, ou desempregado, (as vírgulas continuam a ser minhas), ou um mero espírito ocioso e rancoroso”, que pode ser vário, como os nomes de Satã.
“Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, [publicando] agora as ejaculações”, as quais deveriam continuar a ser privadas, porque o exercício da cobrição, que tantas vezes levou a que um mau texto aparecesse nas parangonas da Crítica, fruto de uma noite mais ou menos bem passada, ou de uma jantarada em lugar eminente, poderia, e deveria, pelos mais elementares deveres do Pudor, nunca ultrapassar a atmosférica fronteira do Secreto e do Invisível. Para mais, parece que, nos blogues, escancarada janela rasgada sobre o Tudo, já não existe aquela claustrofóbica sensação das escassas três ou quatro janelinhas, onde a iluminação da Crítica Impressa revelava ao profano o pouco que se fazia, e, logo, podia aspirar a existir. Parece que nos blogues, dizia eu, se fala agora abertamente de tudo e de todos, e não apenas dos amigos, dos que nos assalariaram o texto, ou dos que nos pagaram para sermos gerentes da sua irremediável Insignificância.

Compreende-se a angústia da Clarinha: com a ascensão dos “blogues” e o declínio dos jornais, anuncia-se também o fim do monopólio das palas postas nos olhos dos burros, e daqueles que tinham o exclusivo poder de as pôr.
Clara Ferreira Alves manifesta-se inquieta pelo seu Presente, e teme pelo seu Futuro. Mais acrescento eu que o que está em jogo é, sobretudo, o seu PASSADO e o de todos os que se lhe assemelham, porque a Cabala, que, durante décadas, tão habilmente geriram, se está agora a desmantelar por todos os lados.

Nos “blogues”, nada mais existe do que quem diariamente fale de tudo e todos, sem defender quaisquer sistemas que não os da prevalência do Excelente sobre o Medíocre, do Livre sobre o Encomendado, e, sobretudo, quem o faça GRATUITAMENTE, ou seja, por mero Dever Cívico, por vontade de intervir, por caturrice, ou tão-só pela amistosa gratidão de poder Partilhar.

É verdade que com os “blogues”, poderá estar em jogo o fim da Palavra Comprada, e já estar a vislumbrar-se o início da Era da Palavra Livre e Particular, o Reino da Palavra Gratuita. Talvez seja isso a Comunicação Global. Em breve, também aí se fará a separação do Trigo do Joio, e passará a vencer quem melhor escrever e mais for lido, dispensando-se as tradicionais encomendas das almas.

Penso, publico, sou lido, e logo existo. Tudo o resto é vão.

Ah, e isto não é um texto para resposta, sobretudo qualquer tipo de resposta, como dizia o Vasco Pulido Valente, que metesse “na conversa a sua célebre descrição do pôr-do-sol no Cairo.

Muito obrigado.”

http://braganza-mothers.blogspot.com/