quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Revista de blogues republicanos

  1. «SOU REPUBLICANO porque acredito que a história da Humanidade comporta um sentido e que esse sentido tem o alcance de um reforço de Cidadania: enquanto membros de uma horda primitiva, os seres humanos foram os joguetes submissos de chefes brutais; enquanto súbditos de monarquias absolutas, a esmagadora maioria dos seres humanos foi alvo de violências vassálicas e de sujeições servis e de gleba; enquanto súbditos de monarquias constitucionais, a maior parte dos seres humanos sofreu toda a casta de discriminações censitárias e foi vítima do vexame de ser olhada como parte plebeia por aristocratas arrogantes e, na maior parte dos casos, sem méritos comprovados. (...)» (Amadeu Carvalho Homem)

  2. «Na cerimónia inaugural de ontem no Porto, foi incluída entre os discursos oficiais uma oração por um capelão das Forças Armadas. Tendo em conta que uma das grandes conquistas da República foi a separação entre o Estado e a religião, o mínimo que se pode dizer é que se tratou de uma iniciativa despropositada e de mau gosto.» (Vital Moreira)

  3. «Na mesma cerimónia inaugural as entidades oficiais que iam chegando eram publicamente anunciadas pelas suas qualificações académicas ("dr.", "prof. doutor", etc.).
    Revertendo ao espírito original da igualdade republicana, por que não aproveitar o Centenário para abolir de novo e definitivamente tais formas de tratamento do discurso e dos documentos oficiais?
    » (Vital Moreira)

Afinal, o véu integral é mesmo uma liberdade... mas do homem

Eu sei que tinha prometido não escrever mais sobre véus, mas como a realidade insiste em dar-me razão, não resisto. Do Público de hoje:
  • «“Eric Besson confirmou ter assinado e transmitido ao primeiro-ministro um projecto de decreto onde se recusa a aquisição da nacionalidade francesa a um cidadão estrangeiro casado com uma francesa”, explica-se num comunicado do Ministério. “Durante o inquérito regulamentar e na entrevista prévia, ficou claro que esta pessoa impunha à sua esposa o uso do véu integral, privando-a da liberdade de sair de rosto descoberto e rejeitando os princípios da laicidade e da igualdade entre homem e mulher”, assegura ainda Besson.»
E pronto. Confirma-se que existe um programa formatado, islamista, para a opressão, perdão, libertação da mulher. Gostaria que a Maria João Pires ou o Daniel Oliveira me explicassem como será «limitada» a  «auto-determinação de adulta» desta mulher quando o marido for proibido de a emburcar, desculpem, quando ela for proibida de livremente ser emburcada pelo marido. Se não for muito incómodo.

    Acredite quem quiser

    Sócrates ameaça demitir-se por causa da Lei das Finanças Regionais da Madeira.

    terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

    Não escrevo mais sobre burcas

    A Helena Matos do Blasfémias parece ter dificuldade em distinguir o que é um espaço de culto e um espaço estatal. Eu ajudo: numa mesquita, podem andar todos de burca ou estar todos nus; num local de voto, exige-se a identificação e, já agora, um pouco de decoro. A diferença é essa. Acrescento que num local de culto até podem separar homens de mulheres, como fazem judeus e muçulmanos, ou guardar a condução da cerimónia para os homens, como fazem os católicos; numa secção de voto, se a contagem dos votos fosse exclusiva dos homens, ficaria preocupado.


    Adenda: a confirmar-se a contratação de José Manuel Fernandes pelo Blasfémias, sugiro a´O Insurgente que responda contratando o Mário Crespo. A bem da direita, ofereço a ideia e não cobro nada (o que me deve tornar anti-liberal).

    segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

    Censura? Eu chamaria antes PIDE...

    Mário Crespo com Kaúlza de Arriaga - foto roubada ao Arrastão

    Continua a falar-se em "censura" ao jornalista Mário Crespo (algo errado e que demonstra que não se sabe ao certo o que quer dizer censura nos dias de hoje), mas ninguém fala do caráter perfeitamente pidesco deste procedimento: ouve-se conversas privadas entre três cidadãos (o fato de serem três ministros não é agora relevante), e daí parte-se para a denúncia. Um cidadão não pode agora ter uma conversa privada, pois pode haver sempre um amigo do sr. Mário Crespo à escuta. Perante isto, o Cinco Dias elege mais um "mártir" (mas daqui já nada espanta), o Sindicato dos Jornalistas considera a conversa "profundamente condenável" (não o procedimento) e o Bloco de Esquerda quer um inquérito da ERC. Melhor do que tudo: o mesmo eurodeputado que convidou José Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa vem agora acusar o Jornal de Notícias de exercer censura. Isto é fantástico!

    A censura nos dias de hoje

    Nenhum jornal sério publicaria um artigo como o que Mário Crespo submeteu ao Jornal de Notícias, naquela forma. Além disso, a não-publicação de um artigo, mesmo quando existe um contrato de colaboração entre um articulista e um jornal, não tem necessariamente de constituir um ato de censura. Tem de existir uma justificação para tal procedimento, e foi isso que a direção do JN fez, com uma clareza cristalina:
    Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.
    Acresce que o diretor do jornal apenas "manifestou reservas" quanto ao artigo e não despediu Mário Crespo: foi este que, face a estas reservas, decidiu retirar o artigo e cessar a sua colaboração. Mais: ao não publicar o artigo (pelo qual poderia vir a ser responsabilizado - um jornal pode ser responsabilizado pelos seus artigos de opinião) o JN não estava a silenciar Mário Crespo, que dispõe de outros meios (de que todos hoje em dia dispomos), como blogues, outros jornais e, no caso de Mário Crespo, o think-tank do PSD. Que o publicou imediatamente. Crespo recebeu ainda a solidariedade pronta de Paulo Portas: amanhã, Crespo participa num almoço promovido pelo CDS. Também poderia apresentar o artigo lá...

    Mário Crespo, Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz são, de fato, problemas

    O problema que estes "jornalistas" constituem traduz-se nisto: alguém ouve partes de conversas privadas, sem delas tomar parte, e delas decide construir um caso político. Alguém acha que emails recebidos de alguém que "escutou" umas conversas num restaurante (sem nelas ter participado) servem para fundamentar uma notícia. Alguém que com base nestes "fatos" decide escrever um artigo num jornal. Como poderia fazer mais uma notícia espalhafatosa num qualquer "Jornal de Sexta": cada um usa os meios de que dispõe.
    O problema é mesmo este: haver tantos "jornalistas" sérios e isentos como estes que referi em cargos de responsabilidade. Não se trata de exigir o seu afastamento ou querer interferir seja com que órgão de comunicação social for: trata-se somente de uma constatação.

    E sai mais burca para as feministas

    Do Jornal de Notícias (via Der Terrrorist).
    • «(...) Tentei proteger a mulher mas, para minha surpresa, esta levantou-se e veio direita a mim, empurrando-me e gritando que me pusesse dali para fora porque o homem "estava a bater no que era dele". (...) Homem e mulher acabaram por seguir caminho "amigos como sempre", ela dando-lhe afectuosamente o braço e ele impante de virilidade. Ocorre-me sempre esta cena quando vejo como certa esquerda (até alguma esquerda "feminista") critica a proibição da "burka" em França com o argumento de que as mulheres islâmicas a usam "porque querem". (...)» (Manuel António Pina)