domingo, 22 de maio de 2016

Se não estão em pânico, não estão a perceber o problema





Aquele último ponto que aparece no gráfico corresponde ao ano de 2015. Foi o ano mais quente de que há registo directo.

Estima-se, tendo em conta os meses até este momento, não só que 2016 vai ultrapassar o anterior recorde, mas que o fará com a maior margem (subida) de que há registo.

A gravidade da ameaça que o aquecimento global representa não é a subida de de algumas décimas de grau - é a entrada num ciclo retroactivo como aqueles que já no passado distante (antes de existirem seres humanos) provocaram alterações radicais no clima.

Se alguém olha para estes dados e não fica muito assustado, então não está suficientemente informado a respeito deste assunto. Sugiro esta série de vídeos: o susto pode ser mais desconfortável que a alienação, mas é certamente menos perigoso.



4 comentários :

  1. Independentemente das considerações do post, questiono que fiabilidade terão as médias de temperatura tiradas até, digamos, 1960.
    Acredito que atualmente a temperatura média global seja calculada com alguma fiabilidade, mas duvido que até 1950 houvesse meios de o fazer.

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    1. Não apenas concordo com o que o Luís Lavoura (dados planetários anuais anteriores a 1945, provavelmente, nem sequer existem) como acrescento que mesmo para a Europa só há dados fiáveis (sistemáticos, com o mesmo método e local todos os anos, etc) desde meados do século 19. E 150 anos de dados é quase nada para o longo prazo do planeta.

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  2. Ricardo Alves, no post eu mencionei registo "directo". É natural que uma medição da temperatura actual seja muito mais fiável do que uma feita há cem anos, que por sua vez é ainda mais fiável que as estimativas indirectas feitas para a temperatura há 1000, 10000 ou muitos milhões de anos.

    Mas isso é como a inflação, uma medição hoje pode ser mais fiável que uma de há cem anos, que é ainda mais fiável que uma estimativa relativa à inflação de há 1000 anos baseada nos registos históricos, mas isso não autoriza um historiador que não goste dos valores a ignorá-los.

    Se recuarmos para a escala geológica, vemos que ligeiríssimas alterações na órbita terrestre provocaram alterações gigantescas na temperatura e concentração de CO2 que por sua vez resultaram em extinções em massa e outras alterações climáticas rápidas e devastadoras. A razão pela qual uma tão ligeira diferença de radiação incidente levou a tão grandes alterações da temperatura foi a seguinte: efeitos de realimentação positiva entre temperatura e CO2.
    É por isso que o aumento da concentração de CO2 é tão perigoso e potencialmente catastrófico: é porque pode causar aquilo que já aconteceu à terra no passado, antes ainda do ser humano existir - ultrapassar uma barreira de potencial que leva a uma reacção em cadeia de consequências só previsíveis na sua magnitude e potencial devastador.

    Há muitos anos que divergimos neste assunto, e que tu te recusas a reconhecer as evidências, mesmo quando elas se acumulam a olhos vistos. Quantos recordes de temperatura já foram ultrapassados desde que começámos a discutir este tema? Sabias que a actividade solar tem diminuído de intensidade? (O que nos irá acontecer quando voltar a aumentar?) Quanto menos gelo existe no Ártico desde que começámos a discutir este assunto neste blogue? O que é que é preciso acontecer, para compreenderes que realmente existe aqui um problema muito grave?

    É preciso colidirmos de frente com o icebergue, para aí então teres provas suficientes de que ele estava lá?


    PS- Eu não respondi ao Luís Lavoura por causa das primeiras palavras do seu comentário. Acho que fez uma observação pertinente, mas teve logo a lucidez de compreender que essa observação não punha em causa "as considerações do post". Sim, as medidas de temperatura até essa altura serão menos fiáveis, mas são o mais fiável que temos, e estão longe de ser um indício irrelevante - e nem de perto o único, já agora - de que estamos perante uma ameaça gravíssima.

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  3. Dizer que as medições não são suficientemente fiáveis (nunca são) parece-me um argumento de desespero. A verdade é que os modelos (que são estatísticos) apontam, com um elevado grau de probabilidade, para que a subida de temperatura seja de vários graus (acima de 2C). Mas a Física que governa o efeito de estufa é bem conhecida (essencialmente é Termodinâmica, que também explica funcionamento dos motores de combustão interna e turbinas a vapor) e o efeito já tinha sido previsto por Arrhenius no sec. XIX (https://en.wikipedia.org/wiki/Svante_Arrhenius). O que é impossível de prever é a evolução exata da temperatura (que requer uma modelação do clima de tal forma fina que não dispomos ainda de capacidade computacional para o fazer, se é que alguma vez iremos dispor), daí o carácter estatístico dos modelos. Mas não podemos aceitar ou rejeitar a Ciência 'a la carte', por muito chatas que sejam as previsões que faz (e no caso do aquecimento global, elas colocam em causa todo o nosso modelo de crescimento, tão caro a capitalistas e a progressistas de todas as cores)...

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