sábado, 9 de agosto de 2014

O Marinho é da malta, ou o perigo do discurso do "eles"

O discurso de quem se refere à classe política como "eles", como se "eles" não fossem cidadãos como o "povo", presta-se a todos os populismos. Parece que o que é válido para "eles" não é válido para "nós", que somos "nós", e não "eles". Confusos? Clarifiquemos com um excelente exemplo, uma frase exemplar de uma notável entrevista a uma personagem extraordinária:

"Salário de eurodeputado é vergonhoso, mas sou pobre, preciso do dinheiro!"

Não perceberam? É vergonhoso para "eles"! Ricos são "eles", "nós" somos pobres, e o Marinho até é um dos "nossos", pá! (E uma caraterística dos "nossos" é não terem mesmo vergonha nenhuma.)

Este discurso costuma eleger autarcas. Recentemente valeu dois deputados ao parlamento europeu. Chegará um dia ao parlamento nacional e até ao Palácio de Belém? Se depender do Marinho, sim. Ele está pronto para tudo.