quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Na morte de Emídio Rangel

Emídio Rangel também merece ser recordado pela "boca" de que como diretor de programas da SIC poderia eleger um Presidente da República. Essa frase é ofensiva nem tanto à "nação" e aos seus símbolos, mas principalmente à democracia e à república. Foi proferida com o intuito evidente de provocar o poder político e afirmar o poder económico, neste caso o poder de um grupo privado de comunicação social. A ofensiva ideológica da direita liberal pode ter começado aqui. Pelo menos aqui percebeu-se que tinha algum caminho livre.

Tinha algum caminho livre porque essa provocação não teve uma resposta à altura. Exigia-se no mínimo que o Presidente da República chamasse Pinto Balsemão a Belém e lhe exigisse explicações. Não foi esse o entendimento do Presidente da República então em funções, homem que era de "consensos" e que preferiu deixar a provocação sem resposta. Fosse o Presidente Mário Soares e de certeza que a provocação não ficaria sem resposta. Aliás, fosse o Presidente Mário Soares e nem ela teria sido proferida.

Dito isto, Rangel mudou a comunicação social em Portugal e merece as homenagens que lhe são feitas.

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