quarta-feira, 31 de outubro de 2007
A consciência que objecta
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Hipocrisias
- «Gordon Brown vai receber em Downing Street o líder de um país que a Amnistia Internacional diz ser palco de violações diárias dos mais fundamentais direitos humanos. É o mesmo Brown que recusa participar na cimeira UE-África, marcada para Dezembro, em Lisboa, caso o líder do Zimbabwe, Robert Mugabe, compareça no encontro.» (Diário de Notícias)
Cheque-ensino
Mas a verdade é que os ricos estão ricos demais e começaram a perder a cabeça há mais ou menos 20 anos. Tanto dinheiro deu-lhes uma vertigem e acabaram por perder a vergonha e o sentido da decência.
Agora, a pequena oligarquia que detém metade da riqueza do planeta – e que se reúne, à porta aberta, várias vezes por ano para combinar estratégias – quer roubar-nos tudo. A privatização da educação tem várias componentes.
Primeiro o desinvestimento no ensino público, para que os filhos dos pobres não possam competir com os dos ricos para os melhores empregos.
Segundo o controlo ideológico das escolas que se pretende que venham a produzir os quadros do futuro.
Terceiro o roubo dos impostos dos cidadãos através dos chamados cheque-ensino, que são um subsidio desavergonhado ao ensino privado.
O resto é conversa de blogues e ideologia de café... não está demonstrado que os privados façam melhor que os públicos em nenhum sector. Esta ideia é um axioma de fé, tão ridículo e improvável como a ideia do homem novo dos marxistas.
É o quê?
«O ensino privado e o ensino público competem com armas desiguais. O ensino público tem os seus custos de funcionamento e de investimento pagos pelo Estado. O ensino privado tem que pagar os custos de investimento e de funcionamento com as receitas que consegue atrair. O ensino público tem preço zero para o cliente, o ensino privado cobra propinas ao cliente.
Tendo em conta a total desigualdade de armas, é notável que algumas escolas privadas consigam aparecer no topo dos rankings.»
A ideia é que o ensino privado é tão mais eficiente que mesmo sem o financiamento público consegue ter resultados melhores. E é verdade que o sector privado é mais eficiente. Mas importa ver em quê.
O sector privado é mais eficiente a dar dinheiro aos donos. É para isto que o sector privado serve. Todas as empresas privadas visam produzir um só produto: o lucro para os accionistas. O resto é acidental. A bolacha, o automóvel, a operação plástica ou a média de 13 no exame nacional são meros efeitos secundários do processo de gerar lucro.
A privatização é uma boa ideia quando o objectivo coincide com a maximização do lucro. Se o objectivo é educar os filhos dos ricos o ensino privado garante a qualidade de educação que optimiza o lucro. Quanto mais ricos os pais melhor será este efeito secundário da produção de dividendos, e temos a garantia que os dividendos serão gerados com eficiência. Se não, fecha-se a escola, monta-se um centro comercial e os miúdos que vão estudar para casa.
Mas se o objectivo é garantir que todos tenham acesso à educação a situação é diferente. O sector privado é notoriamente ineficiente a prestar serviços a quem não os pode pagar.»
Nota: aproveitando a política de ausência de direitos reservados ( ;) ), este texto é descaradamente copiado do blogue Que Treta!.
Petição contra a excisão
- Contra a excisão (ou mutilação genital feminina).
domingo, 28 de outubro de 2007
Beatificai-os também
E mais estes:- «[A guerra é] a Cruzada mais elevada que os séculos já viram (...) uma cruzada onde a intervenção divina a nosso favor é bem patente» (bispo de Pamplona);
- «A guerra é cem vezes mais importante e sagrada do que o foi a Reconquista» (bispo de Segóvia);
- «A guerra foi pedida pelo Sagrado Coração de Jesus que deu forças aos braços dos bravos soldados de Franco» (arcebispo de Valência);
- «A igreja, apesar do seu espírito de paz (...) não podia ficar indiferente na luta (...) Não havia em Espanha nenhum outro meio para reconquistar a a justiça e a paz e os bens que dela derivam que não fosse o Movimento Nacional» (carta pastoral dos bispos espanhóis);
- «[O General Franco] é o instrumento dos planos de Deus sobre a Terra» (cardeal Goma)
- «[A guerra é] uma luta entre a Espanha e a anti-Espanha, a religião e o ateísmo, a civilização cristã e a barbárie» (cardeal Goma);
- «Judeus e maçãos envenaram a alma nacional com ideias absurdas» (cardeal Goma);
- «Ninguém pode negar que o 'deus ex machina' de esta guerra foi o próprio Deus, a sua religião, os seus foros, a sua lei, a sua existência e a sua influência atávica na nossa história» (carta pastoral dos bispos espanhóis);
- «Os galantes mouros (...) embora tenham retalhado o meu corpo apenas ontem, merecem hoje a gratidão da minha alma, pois estão a combater pela Espanha contra os espanhóis... Quero dizer os maus espanhóis... Estão a dar a sua vida em defesa da sagrada religião espanhola, como prova a sua presença no campo de batalha, escoltando o Caudillo e amontoando santos medalhões e corações sagrados nos seus albornozes» (General Millan Astray, fundador da Legião Estrangeira);
- «Para milhões de espanhóis (...) o cristianismo e o fascismo misturaram-se e é impossível odiarem um sem odiarem o outro» (François Mauriac, em carta ao cunhado de Franco);
- «[A guerra é] um teste de força entre o comunismo judeu e a nossa tradicional civilização ocidental» (Hilaire Belloc);
- «Elevando a nossa alma a Deus, congratulamo-nos com Vossa Excelência pela vitória tão desejada da Espanha católica. Formulamos os nosso votos de que o vosso querido país, uma vez obtida a paz, retome com vigor acrescido as suas antigas tradições cristãs que lhe grangearam tanta grandeza. É animado por estes sentimentos que dirigimos a Vossa Excelência e a todo o nobre povo espanhol a Nossa benção apostólica» (Pio 12, papa da ICAR, em mensagem dirigida a Franco na véspera da conquista de Madrid).
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]