domingo, 11 de dezembro de 2016

A corrupção e os Trumps deste mundo

O que cria os «Trumps» deste mundo não é o interesse das pessoas envolvidas no processo político pelo tema da corrupção. Pelo contrário, os demagogos aproveitam o hiato que existe entre a revolta dos eleitores com estas questões, e o inaceitável tabu que existe entre as elites a este respeito.
É precisamente reconhecendo o problema e propondo respostas que se tira o espaço para o crescimento eleitoral destas forças políticas centradas na demagogia - por alguma razão Sanders, menos moderado ideologicamente que Clinton, tinha um apelo muito superior sobre os eleitores independentes. Todos os dados mostram que teria derrotado Trump.

Uma razão fundamental é que Sanders não hesitava em falar sobre o problema da corrupção sistémica, dos impactos catastróficos que tem, e da necessidade imperiosa de lhe dar resposta. Clinton e os seus apoiantes tentavam ignorar problemas como este:


O resultado: uma derrota eleitoral que muitos consideravam impensável. Há importantes lições a tirar dessa derrota (e outras do género), mas tentar ignorar o problema da corrupção no debate político não é certamente uma delas. A menos que as forças progressistas queiram continuar a cavar o buraco em que estão, de momento, enfiadas.