segunda-feira, 3 de agosto de 2015

As exigências de Cavaco

Em abstrato, Cavaco Silva até poderia defender a doutrina de que não deve haver governos minoritários. Mas tem que se ver a jurisprudência durante os seus mandatos. Se Cavaco defende que não deve dar posse a executivos minoritários, não deveria ter dado posse ao segundo governo de José Sócrates nas condições em que deu. Até porque, na altura, dispunha da prerrogativa de convocar novas eleições. Por não dispor dessa prerrogativa nas próximas eleições legislativas (cuja data ele mesmo escolheu), e por no passado já ter dado posse a um governo minoritário (quando poderia não ter dado), a exigência de Cavaco é inaceitável. Os partidos deveriam confrontá-lo com isso.

5 comentários :

  1. A exigência de Cavaco mais não e do que uma manobra para entalar o PS. Como Costa disse que não se coligaria como esta Direita, Cavaco quer forca-lo ou a dar o dito por não dito ou a dizer que se ira coligar com a Esquerda, coisa que assustaria eleitores do centro (a mim parece-me que a proposta do BE de pedir a renegociação da divida e puro bom senso, mas eu não sou um eleitor do centro nos tempos que correm, julgo eu). Dito de outro modo, o nosso PR continua a fazer fretes a Direita...

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  2. Não será isso uma oportunidade para uma coligação alargada à esquerda. Do que têm medo, camaradas? Têm medo que os comunistas se recusem a fazer governo por estes terem medo de governar, face ao irrealismo das suas propostas? Mas isso toda a gente sabe

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  3. E do bloco, têm medo? Nós também. Lembrem-se da origem burguesa do bloco.

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  4. Dado que desde o colapso do Bloco de Leste, o plano do PCP parece ser transformar Portugal numa autarcia à albanesa, não me parece que qualquer coligação do PS com o PCP seja possível. Mesmo que isso fosse desejável (o que não é), como é que um País falido, com um deficit da balança comercial que data dos anos 50 conseguiria fazer isso, é do domínio da fé religiosa, coisa que não parece faltar na Soeiro Pereira Gomes. Com o BE as coisas são diferentes. As ideias do BE são difíceis de engolir para o PS (onde vai o tempo em que Pedro Nuno Santos falava delas), mas são puro bom senso. Como diz Piketty, Portugal vai ter que reestruturar a dívida, ponto final. Em segundo lugar, convinha prepararmos uma eventual saída do Euro. Eu não acho que a Alemanha queira expulsar quem quer que seja da UEM (até por causa de uma coisa de que quase ninguém fala, chamada TARGET2), mas como se viu em Julho, a saída da Grécia esteve por um fio. Ou seja, face a eventuais contingências futuras, podemos bem ser empurrados. Em segundo lugar, num processo negocial, dispor de um plano B bem preparado também permite estabelecer o que se chama uma ameaça credível, o que teria eventualmente permitido aos Gregos obter um acordo melhor. Por estas ideias e por outras, e também porque há lá gente competente (foi confrangedor ver a diferença entre Mariana Mortágua e Manuel Tiago na Comissão de Inquérito ao BES), valeria a pena a Costa estabelecer um acordo de incidência parlamentar com o Livre e com o BE para o PS governar em Minoria (duvido que quisessem participar numa Coligação)...

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