quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Evo Morales, um balanço

Poucos líderes políticos internacionais terão sido tão ridicularizados pela direita como Evo Morales. Enquanto alguma esquerda olhava cheia de esperança e expectativa para a sua eleição, a direita profetizava as maiores desgraças: a Bolívia estava à beira de agravar a sua já difícil situação económica, e conhecer os amargos frutos do populismo que resultariam num sistema disfuncional que tornaria o país ainda menos desenvolvido. Eu não poderei exagerar a dimensão da catástrofe prevista. E devo confessar que eu próprio tive uma atitude cautelosa face à eleição de Evo Morales, fruto da minha ignorância sobre o próprio e sobre a Bolívia.

Desde 2005 já passaram anos suficientes para fazer um balanço da «catástrofe» Evo Morales:

1- O crescimento económico da Bolívia foi mais elevado durante os mandatos de Evo Morales que durante qualquer outro período nos trinta anos anteriores. As reservas internacionais do país são muito elevadas, e têm aumentado significativamente, atestando a solidez das contas públicas durante estes anos:





2- Este crescimento económico foi compatível com (e quiçá fomentou) uma notável diminuição da pobreza e das desigualdades:






3- Os gastos em saúde, educação, pensões têm aumentado significativamente. O investimento público tem sido muito elevado. Como se vê acima isso não inibiu (antes parece ter fomentado) o crescimento económico e a solidez das contas públicas:





4- A "Guerra contra as Drogas" não foi travada na Bolívia com o militarismo e repressão habitual, mas sim através da legalização do uso da folha de coca (mantendo ilegal a cocaína) e de uma política que limita a ingerência dos EUA nos assuntos doméstico através do pretexto do combate ao tráfico. A receita revela-se bem sucedida, atendendo à redução significativa do cultivo de coca:



5- Têm existido problemas e há críticas legítimas a fazer ao mandato de Evo Morales. Mesmo que as razões apresentadas (proteger e dar direitos laborais a crianças em situação de clandestinidade) tornem a medida menos indignante, continua a ser grave que regrida socialmente ao legalizar o trabalho infantil.


De qualquer das formas, as previsões de catástrofe económica e social resultaram em crescimentos económicos recordes, contas públicas sólidas, uma impressionante redução da pobreza e aumento das condições de saúde e educação da população.

No contexto da Bolívia, políticas como o aumento do salário mínimo (em cerca de 90%), a nacionalização dos sectores do gás e do petróleo, entre outras, parecem ter realmente servido o bem comum, e um desenvolvimento económico, social e humano equilibrado, em vez de provocar as catástrofes anunciadas.
Importa compeender porquê, e aprender o máximo com esta situação.

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