sábado, 20 de setembro de 2014

As provas de avaliação, os professores, os jornalistas e os outros profissionais

Pela primeira vez tomei contacto com as famigeradas "provas de avaliação" dos professores. Que fique claro: não vi lá nada que um licenciado não tivesse a obrigação de saber responder. Fica a pergunta: porquê só os professores?

Posso concretizar com um exemplo: vi pela primeira vez um extrato da prova na edição impressa do DN de 23 de Julho. Na edição online publicavam a prova inteira. Na edição impressa, só um resumo com duas ou três perguntas e a resposta certa. Só que a questão 8 foi publicada incompleta. O texto que saiu (na página 5) e que me chamou a atenção para isto tudo foi

"Dez alunos participaram no concurso de Poesia, sete no de Desafios Lógicos (D. Lógicos), nove no de Conversação em Inglês (C. Inglês) e seis no de Bridge. No mínimo, quantos alunos participaram em mais do que um concurso?"

Esta pergunta (publicada no DN, repito) não faz sentido nenhum (e não tem resposta possível). Faz falta um elemento essencial: o número total de alunos. Esse dado é fornecido na prova original (consultem o link), mas não na edição impressa do DN. Os descuidados jornalistas responsáveis pelo artigo nem se deram ao trabalho de ver se o que transcreviam fazia sentido. Ou pior ainda: talvez mesmo o original, para eles, não fizesse sentido também. (Ou seja, original e transcrito, pouca diferença faziam.)
Será que a maior parte dos jornalistas (a maioria licenciados) também seriam aprovados se fossem sujeitos à dita prova? Pela amostra dos jornalistas do DN que referi, duvido. E a generalidade dos advogados? E dos comentadores de tudo e mais alguma coisa (que, entretanto, hão de ter escrito belos artigos de opinião sobre esta prova)? Será que a maioria deles passaria nesta prova?

Tudo isto reflete um mal de toda a sociedade (não só dos professores): uma enorme preguiça. Neste caso concreto preguiça intelectual, mas em geral a nossa preguiça nem é só intelectual: temos de nos deslocar de carro para as mínimas distâncias, e não passamos sem a mulher a dias. No caso particular da preguiça intelectual, ao contrário do que o governo quer fazer crer, está longe de ser um mal exclusivamente português. É um mal de muitos países desenvolvidos. Mas é um mal.

Agora repito a minha questão: por que é que a culpa desse mal há de ser só dos professores? Principalmente dos professores contratados?

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