segunda-feira, 4 de julho de 2005

Ainda a inventona do arrastão

O mito do «arrastão» que, no passado dia 10 de Junho, teria consistido em centenas de assaltos e agressões na praia de Carcavelos, já começara a ser desmontado. Após o documentário de Diana Andringa, exibido na quinta-feira passada (não fui ver) resta nada. Será que a RTP não quer prestar o serviço público que consistiria em exibir o documentário?

4 comentários :

Noratlas disse...

Atão mas aqui não se celebra a vitória gay em Espanha?

Gaita de republicanos! Estão a perder qualidades!

Ricardo Alves disse...

Caro «noratlas»,
este blogue não tem preocupações de exaustividade. Se quer isso, leia um jornal.
Quanto à «vitória guei», eu acho que eles não sabem no que se estão a meter, mas não deixa de ser um passo importante para a igualdade de direitos.

oscar disse...

Caro Ricardo Alves,

Eu tenho um amigo de quem gosto muito, casado, que acabou de ter um filho. Ele e a sua mulher estão muito felizes. Apesar das dificuldades económicas por que passam, momentâneas é verdade, a República lhes protege com leis que lhes facilitam a vida: eles são juridicamente casados, têm um pequeno património e gozam os descontos sociais garantidos. Como são educados e instruídos, têm plena consciência de que podem e devem usufruir a sua cidadania na “res publica”. Por causa disso, são muito reivindicativos politicamente, principalmente quando alguns dos seus direitos correm perigo de uma revisão.

Eu, ao contrário, não sou casado e vivo actualmente sozinho (nem todos têm a sorte do meu amigo), e para complicar mais a história, sou republicano, laico, imigrante e gay – não me defino a partir destas categorias, mas é nelas que me encontro. Como também sou educado e instruído, algumas questões me incomodam profundamente, sendo a desigualdade a maior delas. Eu acredito seguramente que não pode haver liberdade numa sociedade de desiguais. Uns não podem ter mais garantias do que outros. E se no futuro eu me decidir por casar com algum companheiro e constituir uma família como aquela do meu amigo, eu quero que a República me garanta esse direito: casamento, adopção e benefícios sociais. A única coisa que uma república não pode fazer é ter governo sobre os afectos. Como sou republicano, devo confessar ainda que me incomoda sim que o exemplo da promoção plena da igualdade nessa matéria venha das monarquias.

Sei que não buscas a exaustividade, o que indica que não sofres do mesmo mal que atingiu Fausto, e a muitos outros depois dele. Mas deixaste-me com uma grande curiosidade, Ricardo, e se fosse possível queria que tu nos explicasses no que é que “NÓS estamos nos metendo”.

Pergunto-te isso porque sou um leitor descompromissado de Montaigne; é que por vezes é mais fácil manter um diálogo com um homem do século XVI do que com o nosso vizinho. E desconfio que Montaigne nos induz em um erro no seu ensaio “ Da amizade”.

Com um abraço,

Carlos Alvarenga

Ricardo Alves disse...

Caro Carlos Alvarenga,
eu sou, por princípio, a favor da igualdade de todos os cidadãos independentemente da orientação sexual (entre outros «independentemente de...»). Uma das consequências que tiro é que sou favorável ao casamento de pessoas do mesmo sexo, inclusivamente com adopção e com todos os benefícios sociais.
Sinto-me orgulhoso por a República portuguesa ter sido a primeira a estender, constitucionalmente, o princípio da igualdade à «orientação sexual».
Quanto àquilo em que os homossexuais «se estão a meter», foi uma graçola que aludia ao facto de a maior parte dos militantes TLBG serem avessos ao casamento por formação ideológica (o que não tira justiça a essa reivindicação...).
E quanto à exaustividade, repito que neste blogue só escrevo sobre o que me apetece, e que quem procura notícias sobre o atentado em Londres faz melhor em ir à BBC ou à TSF. Aqui, escreve-se «a frio».