quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Do Cosovo à Ossétia foram seis mesitos apenas

Na altura do reconhecimento internacional da independência do Cosovo/Kosovo, há seis mesitos apenas, os ossetas e os abcases anunciaram logo o que planeavam fazer. Aparentemente, ninguém ligou peva, nos EUA ou na Europa que decide. Resta agora apanhar os cacos das cidades georgianas, enquanto se reflecte nas duas questões fundamentais que continuam sem resposta. Primeira: o princípio prevalecente é o do reconhecimento dos povos europeus à auto-determinação (e à auto-definição?), ou o da integridade das fronteiras pós-secessões de 1989-1992? Segunda: se queremos que um desses princípios prevaleça, quem o vai impôr (a UE? a OTAN?)?

As notícias das últimas horas indicam que Nicolas Sarkozy, em nome da UE, alinha pelo princípio «um Estado para cada tribo» (vulgo balcanização do Cáucaso). Porém, os EUA e os Estados europeus da ex-fronteira soviética alinham pelo princípio da «integridade territorial» da Geórgia (dois deles têm importantes minorias russas dentro de fronteiras, embora sem ímpetos secessionistas). Estes últimos têm a coerência daqueles que acham que o que é mau para a Rússia é bom para eles. A outra Europa, a mais a Oeste, deve ter o bom senso de não humilhar a Rússia.

2 comentários :

rui disse...

parece-me que esta crise demonstra bem que nem a europa nem os estados unidos se encontram já em condições de humilhar a rússia. isso já foi tempo, e não se pode dizer que uns ou outros tenham sido perdulários nessa matéria.

matarbustos disse...

Humilhar a Rússia como?

Mais depressa ficamos todos às escuras e com o carro parado na valeta por um capricho do Sr. Putin.(*)

Tenhamos é o bom senso de não subestimar a Rússia, apesar de toda a propaganda nesse sentido que nos chega do outro lado do atlântico.

Os EUA têm uma política consistente de desestabilização da região, por que isso lhes interessa. É que enquanto lá se enfrenta uma provável recessão, na Rússia o cenário é oposto, com os altos preços do petróleo a favorecer a economia.

(*) cenário improvável numa altura em que a petro-conjuntura é 'vender caro' e a sina europeia 'comprar a qualquer custo'.