sábado, 5 de novembro de 2011

estou mesmo muito baralhado...

...com a posição anunciada por AJS relativamente ao OE2012, e sua respectiva justificação. Vejamos, em primeiro lugar AJS chegou a afirmar que se o PS votar contra, o governo pode cair. I'm lost here... Mas, enfim, o homem é um optimista, claramente, e isso posso apreciar. Depois, defende que algum tipo de consenso político (pese embora artificial) possa ajudar Portugal perante os "mercados", ou mesmo possa ser chave para que Portugal se consiga aguentar na Zona Euro. Ingénuo, no mínimo. 2 dias depois da votação do OE2012 já ninguém fora de Portugal (nenhum "mercado", sem dúvida!) se lembrará da posição do PS; enquanto que muita gente dentro de Portugal, eleitores socialistas e independentes de esquerda, terão bem presentes na memória essa mesma posição. Má estratégia política, o que não é uma surpresa. Finalmente diz que, sendo este um orçamento profundamento violento, profundamente errado, e que decerto irá deixar Portugal em pior situação do que já se encontra... diz AJS que defende a abstenção para defender e não virar costas a Portugal. Aqui, confesso, fico mesmo mesmo confuso ao tentar entender o raciocínio.

Mas imaginemos que de facto seria mesmo importante a nível internacional passar a imagem de estabilidade e consenso, por forma a defender as cores nacionais. Muito bem: vamos então discutir e negociar uma abstenção. Vamos então procurar esse consenso. Not so fast! Em primeiro lugar AJS já defendeu a abstenção na votação final, independentemente de quaisquer negociações (positivas ou não) e de qualquer procura de consenso. Em segundo lugar, tudo o que AJS aparentemente quer negociar é a taxa de IVA na restauração e um salário da função pública. Terei percebido bem? É que AJS essencialmente transmite duas mensagens: primeiro, que o corte de dois salários lhe parece exagerado, mas que o corte de um já lhe parece bem. Segundo, que todas as restantes barbaridades que se encontram no OE2012, que seguem muito para além de qualquer compromisso do PS no que diz respeito ao MoU, e que promovem activamente a destruição do país e do seu modelo social, não lhe merecem demasiadas preocupações --- se é certo que muito tem discursado contra o OE2012, não é menos certo que agora seria a altura de fazer alguma coisa em coerência com esse mesmo discurso. Que agora seria a altura de fazer alguma coisa e de facto não virar as costas a Portugal. Mas pior: ao anunciar desde já a abstenção em votação final, diz ainda que, mesmo que o governo não oiça as suas "preocupações", pois mesmo assim ... olhem, paciência, mesmo assim não se vai exaltar muito e encolhe os ombros.

Adenda: Começa a parecer claro que o governo vai abrir mão de algum "doce" para AJS. E isso, para mim, não é menos grave. Mostra que, no meio disto tudo, o pior provavelmente diz respeito ao íntimo triângulo PPC-Relvas-AJS. A política é provavelmente dos lugares onda a máxima "amigos, amigos, negócios à parte" mais sentido faz. Aqui, ao contrário, torna-se por demais evidente que toda esta posição do PS e resposta do PSD foi cozinhada por compadres. Perdemos todos.

Numa altura tão difícil para Portugal e para o Mundo, quando tanto necessitamos de líderes políticos, estejam no governo ou estejam na oposição, e que, independentemente das suas cores políticas, sejam sérios, inteligentes, e com visão... estamos entregues à Jota. Não é difícil adivinhar que o OE2012 não vai ter vida longa. Nem PPC nem AJS.