domingo, 16 de outubro de 2011

combater a canalha

Diz o canalha:

«[...] Pedro Passos Coelho justificou hoje o corte de subsídios na função pública alegando que estes trabalhadores ganham, em média, mais 10 a 15 por cento que os do privado. [...]» [1]

Omite o canalha:

«[...] [M]etade dos funcionários públicos tem uma licenciatura, valor que desce para os 10% no privado. [...] [N]ão é preciso nenhum curso avançado de gestão para perceber a relação entre qualificação e salário [...]» [2]

E, claro, nada disto é inocente [3]:



O que Pedro Passos Coelho fez, no pré-anúncio do OE2012, foi uma declaração de guerra aos Portugueses. Uma guerra que se inicia tentando fazer uso de uma estratégia muito simplista (naturalmente adequada ao calibre do primeiro-ministro), ao tentar colocar trabalhadores do sector público contra trabalhadores do sector privado, e vice-versa — dividir para tentar reinar. Mas, talvez mais grave, como fica evidente destas últimas declarações, uma guerra onde fica claro que vale tudo.

A minha questão é: o que irá acontecer quando os diversos trabalhadores colocarem de lado o acessório e (finalmente) se virarem contra o inimigo comum? E, em especial, quando lhes está a ser dito que, nesta guerra, vale tudo? Se isto é apenas o início, parece claro para onde vamos...


[1] --- Passos diz que funcionários públicos ganham mais 10 a 15% que trabalhadores do privado, Público [Outubro 2011]
[2] --- “Vão estudar malandros”, Pedro Sales, Arrastão [Julho 2009]
[3] --- Recorte do "Expresso", O Jumento [Outubro 2011]