sábado, 18 de junho de 2011

não são só os que estão, são também os que disseram que não

Comentar nomes tem sempre um tom supérfulo; no fim do dia o que importa são as opções políticas. Mas, ao mesmo tempo, as opções políticas que o novo governo traz na manga são também muito mais transparentes quando constatamos alguns dos nomes que as querem implementar. Ou até mesmo, razão deste post, os nomes que foram convidados em primeiro lugar —e recusaram— para as implementar.

E aqui nem me estou a referir aos habituais velhos do restelo, profetas da desgraça, tão badalados nos media nas últimas semanas, como Eduardo Catroga, Vítor Bento ou mesmo Carlos Costa, cujas recusas dizem mais sobre os próprios do que realmente outra coisa: gostam muito de lançar umas postas de pescada na televisão de vez em quando, mas já quando a coisa implica sujar as mãos lá são os primeiros a abandonar o navio. E ainda bem, saudades esta gente não deixa! (Pese embora não fiquemos nada melhor servidos com Vítor Gaspar: «[...] "Menos Estado, melhor Estado" é a máxima do novo ministro das Finanças [que] [p]oliticamente é considerado um liberal da linha dura, que defende que o mercado deve funcionar por si próprio [...]»).

A recusa que eu queria aqui salientar, e que me parece mais representativa do programa que Passos Coelho irá tentar implementar na Saúde (o desmantelamento do SNS), é esta:

«[...] Entre as recusas está a de Isabel Vaz, da Espírito Santo Saúde, que não quis a pasta da Saúde por considerar que numa altura tão complexa não seria viável uma responsável de um grande grupo do sector assumir a tutela de uma das áreas onde vai ser preciso cortar a eito. [...]» [1]

E quem é a Isabel Vaz?, pergunta o Luís Fazenda perguntam vocês. Ao vivo e a cores:



Começa a parecer que de armas vamos precisar nós para ter acesso a cuidados de saúde...

O diabo está nos detalhes e o detalhe desta recusa diz-nos muito sobre o que nos espera. Mas, mais uma vez, não me parece que fiquemos nada melhor servidos com Paulo Macedo. Falhada a senhora dos seguros de saúde do BES, vem o senhor dos seguros de saúde do BCP. E este, já o conhecemos de outros tempos: ganhou notoriedade aquando da sua passagem pela Direção Geral dos Impostos, onde se mostrou um especialista na sua cobrança. Mas o que nos impostos era uma virtude —ou que até pode ser útil no BCP ao certificar-se que todos os clientes pagam a mensalidade da Médis— não o será necessáriamente na saúde pública ... a menos que o objectivo seja precisamente esse, o de essencialmente privatizar o SNS. Pois. E bom, se as coisas lhe correrem bem, pelo menos do seu ponto de vista, é de esperar que use o excendente do Ministério da Saúde para uma Missa de Acção de Graças na Sé Patriarcal, quando se despedir argumentando que ganha pouco... Épá!, mas parece-me que já vi este filme!


[1] --- Passos Coelho já tem governo quase pronto. E já houve algumas negas, iOnline [Junho 2011]